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Uns meses atrás publiquei uma série de stories no meu Instagram (os jovens não leem mais blogs, infelizmente) sobre a tendência dentro do movimento vegano de eleger algumas vozes como mais legítimas pra “definir o que é vegano” do que outras e considerar a posição de grandes ONGs internacionais como “oficial”, classificando as visões diferentes como “opinião pessoal”.

É um debate que precisa ser feito, então vim trazer a conversa pra esse espaço também.

No Instagram falei que o que provocou essa reflexão foi um vídeo que vi por acaso no Youtube, mas repito que não se trata de um ataque pessoal à pessoa que fez o vídeo. O que vou escrever aqui diz respeito exclusivamente às ideias expostas naquele vídeo, pois eu já as vi reproduzidas algumas vezes e elas são extremamente problemáticas. O próprio autor do vídeo repetiu esse discurso recentemente pra justificar por que, segundo ele, o fato do recém lançado sanduíche vegetal da rede de lanchonetes Subway ser fabricado pela Seara (do grupo JBS, maior processadora de carne do mundo) não deve ser visto como um problema pela comunidade vegana. As razões seriam as seguintes:

1- “As principais ONGs veganas, como a PETA (EUA) e a Vegan Society (Inglaterra), assim como os principais ativistas do movimento, como Gary Yourofsky (EUA), James Aspey (Austrália) e Earthling Ed (Inglaterra) apoiam essas empresas (como a JBS), logo essa é a POSIÇÃO OFICIAL do veganismo e o que diverge disso é OPINIÃO PESSOAL.”

2- “O debate ‘boicote de empresa X produtos’ só existe no Brasil e nem chega a ser uma questão lá fora. A prova? As mesmas ONGs veganas e ativistas citados acima defendem o boicote de produtos, não de empresas.”

Talvez eu deva começar explicando o que entendo por veganismo liberal antes de debater essas ideias. Estou me referindo a um pensamento motivado pela ideologia liberal (no sentido econômico) que foca exclusivamente nas escolhas pessoais, ignorando a natureza do sistema opressor dentro do qual fazemos essas escolhas. Uma visão do ativismo que se traduz em “mude sua vida, não o sistema”. Logo, essa corrente do veganismo acredita que temos que trabalhar dentro dos limites que o capitalismo nos impõem, por isso não considera grandes corporações que exploram animais como inimigas da emancipação animal que devem ser combatidas (através do boicote, por exemplo), mas como parceiras que devem ser acolhidas. No nível de ONGs isso se traduz por apoio ao produtos e até trabalho de consultoria e desenvolvimento de produtos junto à empresas, como foi o caso do hambúrguer vegetal da Seara. No nível de ativistas isso vai desde aplaudir o fato do capitalismo se apropriar da pauta vegana (como declarar em suas redes sociais que “A revolução vegana chegou!” porque a JBS lançou um linha de produtos ultraprocessados à base de vegetais) até, em alguns casos, fazer publicidades pagas pra promover os produtos dessa empresas capitalistas que exploram animais. Um caso famoso que aconteceu ano passado foi o da linha “vegana” de produtos de higiene pessoal da Unilever, que foi lançada com muito alvoroço e contou com a participação (paga, mas nem sempre declarada) de várias influencers veganas brasileiras.

Então passemos à análise das ideias que expus mais acima.

Sobre 1:
Quando você escolhe dar exemplos apenas de liberais, claro que você vai chegar a um consenso que traduz a posição liberal.

Falar que “se a PETA (People for Ethical Treatment of Animals, ONG estadonisiense) considera que X é vegano, então é vegano” é problemático demais. Eu não sei vocês, mas a PETA, essa mesma que fez campanhas publicitárias extremamente sexistas, onde mulheres são objetificadas supostamente pra promover direitos animais, não é um modelo de ética pra mim.

E o que dizer de citar Gary Yourofsky como exemplo de “um dos maiores ativistas veganos”? Esse cara é uma desgraça pro movimento vegano! Ele se autoproclama misantropo, é racista, sexista, acusa defensores de direitos humanos de serem “hipócritas” e vive batendo palmas pra Israel, um estado colonizador que pratica apartheid e limpeza étnica contra o povo palestino e disse coisas como:

“Os seres humanos são a escória da Terra. Não me importo com judeus ou palestinos, nem com a estúpida e infantil batalha por um pedaço de terra abandonada por Deus no deserto. Eu me preocupo com os animais, que são os únicos seres oprimidos, escravizados e atormentados neste planeta. O sofrimento humano é uma piada.” (fonte)

Na infame carta que ele publicou no Facebook em 2017 pra anunciar que estava se retirando do ativismo ele escreveu:

“Eu disse que palestinos eram o grupo de pessoas mais loucas no planeta. Não é verdade e eu retiro o que disse. A comunidade vegana desculpista-pacifista-interseccionalista é de longe o grupo mais louco de todos! Depois deles tem TODOS os não-veganos “oprimidos” humanos (negros, mulheres, LGBT, palestinos, judeus, hispânicos, etc) e os ativistas de direitos humanos não-veganos, porque eles orgulhosamente apoiam o estupro, o roubo de bebês, a escravidão e assassinato de animais(…) E tem mais, se esses hipócritas por acaso se tornarem veganos, eles simplesmente se transformam no primeiro grupo, o grupo dos lunáticos ‘humanos primeiro animais por último’.”

Eu só posso imaginar que as pessoas veganas que continuam citando Gary Yourofksky não conhecem o caráter dele, porque pensar que tem gente que sabe, mas continua tendo ele como exemplo de ativista vegano me dá ânsia de vomito.

E se alguém tiver o despautério de sugerir que devemos “focar nos que nos une” com relação à essa pessoa eu confesso que terei muita dificuldade em não responder com uma voadora! Se você acredita que todo ativismo vegano é válido porque “estamos do mesmo lado” ou que “se discorda, faça o seu e não critique os outros veganos” deixa eu te falar uma coisa.

Quando Gary Yourofsky diz “os animais são os únicos seres oprimidos, escravizados e atormentados neste planeta. O sofrimento humano é uma piada” ou que “mulheres, pessoas negras, LGBTs não só fingem que são oprimidas como são o segundo grupo mais louco da Terra (perdendo apenas pras veganas interseccionais)”, você realmente acredita que essa pessoa está do mesmo lado que você? Pois eu sou mulher e lésbica e se ele acha que minha opressão e sofrimento são “uma piada” ele não está do meu lado. Está contra mim.

E você realmente acha que ele está fazendo um grande trabalho pela libertação animal e precisamos apenas “focar no que nos une”? O que você acha que as mulheres, pessoas negras, LGBTs vão achar do veganismo se a comunidade vegana continuar elegendo como porta-voz, citando e recomendando o trabalho de uma pessoa que defende que sofrimento humano é piada e que não existe opressão humana? Sério que você acha que ele está fazendo um bom trabalho pros animais? Ele está alienando grupos oprimidos e afastando muitas pessoas, a maioria delas, na verdade, do veganismo. E, infelizmente, os animais não vão poder se libertar sozinhos, eles dependem de humanos pra fazer essa luta.

Como a gente vai expandir e fortalecer o movimento vegano, o que é imprescindível pra conseguirmos emancipação animal, sem a maior parte das pessoas? Achar que Gary Yourofsky é um ativista que deve ser ouvido (e citado/recomendado) faz sentido apenas se você acreditar que o movimento vegano deve ser composto apenas por ativistas brancos e um punhadinho de influenciadoras, quase todos homens e todos liberais, e ninguém mais. O triste é que pro veganismo liberal essa galera que citei acima são realmente os verdadeiros heróis do veganismo. Por isso essas vozes são tidas como autoridade dentro do movimento e todas as outras são ignoradas, distorcidas ou silenciadas.

No vídeo que mencionei no início desse artigo foi dito que a Vegan Society “inventou o veganismo”. Gente, isso é absurdo! Donald Watson, o inglês que fundou a Vegan Society, cunhou a PALAVRA “vegan”! Ele não inventou o veganismo, coisíssima nenhuma. Afirmar isso apaga a existência de todas as pessoas que vieram antes dele, principalmente fora do Ocidente e que já estavam, de uma maneira ou de outra, na luta antiespecista. Então vamos repetir juntas: Donald Watson cunhou o termo VEGAN em 1944, usando a primeira e a última sílaba de “vegetarian”. O posicionamento político antiespecista e sua prática (se abster de produtos de origem animal) já existia.

“Chegou a hora de separar opinião pessoal do que é regra no veganismo” disse o autor do vídeo em um artigo mais recente.

Imaginando que existe uma cartilha de regras no veganismo (não existe), quem decretou que elas seriam ditadas por ONGs estadunidenses e inglesas, junto com os ativistas veganos homens com mais visibilidade? Eles estão todos de acordo porque são todos liberais, não porque é a posição oficial do veganismo. Não existe um Órgão Supremo Vegano, composto por homens e ONGs liberais do Norte Global, assinando decretos, baseados no que eles pensam, que afirmam que toda pessoa vegana do mundo tem que aceitar esses decretos como a posição real oficial global do veganismo e tudo que diverge disso é “opinião pessoal”.

O movimento vegano está em disputa e o fato das vozes mais ouvidas serem as liberais traduz simplesmente o fato dessas pessoas terem mais holofotes virados pra elas. Por que? Oras, sabemos que a mensagem “precisamos acolher empresas especistas / o capitalismo é parceiro da libertação animal” é muito mais palatável, menos ameaçadora e rentável, por isso ganha mais destaque. O crescimento do veganismo liberal não é de maneira alguma prova de que essa vertente é a mais eficaz/estratégica. Isso significa apenas que o capitalismo conseguiu cooptar mais essa pauta radical, justamente porque ela estava se tornando uma ameaça, e está se usando disso pra não perder poder nem ter que parar de explorar e lucrar com a exploração (animal, humana, da Terra).

O fato da PETA ter um posicionamento liberal e adotar o veganismo de mercado não significa que todas as pessoas ou ONGs nos EUA concordam com isso. O Food Empowerment Project, só pra citar um exemplo, é uma ONG vegana criada por mulheres latinas e tem um posicionamento político que está no extremo oposto do que a PETA diz. Não só criticam o veganismo liberal e sua colaboração com empresas especistas, como incluem a libertação humana e a luta anticapitalista nas suas pautas.

Sobre 2:
Sempre me diverte a galera que mora no Brasil dizer “esse debate ‘boicote de empresas X produtos’ só existe no Brasil, lá fora nem é uma questão”. Baseado em que dizem isso? Baseado na posição de ONGs e ativistas liberais, mais uma vez. Pois bem, eu moro fora do Brasil há18 anos e posso garantir que tanto na Europa, quanto América do Norte quando Oriente Médio (não tenho vivência nem contato com ativistas no resto do mundo) as opiniões são divergentes. Se uma pessoa palestina, por exemplo, olhar o movimento vegano brasileiro de fora e formar uma opinião escutando apenas o que as influenciadoras e ONGs veganas liberais dizem ela vai chegar à conclusão que no Brasil esse debate não existe, pois todo mundo concorda que devemos praticar um boicote parcial, apenas de produtos, e abraçar/fazer publicidade pra empresas especistas quando elas lançam produtos vegetarianos. Mas isso está longe da verdade.

Aqui na França, onde moro atualmente, as ONGs veganas de maior destaque tem posições liberais. Mas quando vou à festivais veganos, encontros veganos, etc, converso com as pessoas e muitas tem uma opinião completamente diferente. Recentemente entrei em contato com alguns grupos antiespecistas franceses que são fundamentalmente anticapitalistas.

Então falar que “lá fora esse debate não é uma questão” não é verdade. Se você tinha essa impressão é porque só está ouvindo vozes estrangeiras liberais, mas o movimento vegano anticapitalista fora do Brasil é muito forte.

O movimento antiespecista organizado ainda é muito jovem no Brasil e está em plena disputa. É saudável trazer considerações novas, questionar, duvidar, discordar… E, principalmente, o caminho que o movimento antiespecista deve tomar no Brasil tem que refletir a nossa realidade, nosso contexto político e social. O que funciona na Europa não necessariamente vai funcionar no Brasil e nossa luta precisa ser contextualizada, senão não será eficaz. Temos que enfrentar desafios que são únicos ao nosso país e só nós, que fazemos parte dessa realidade, sabemos que estratégias são relevantes e fazem sentido no Brasil. Não os ativistas e ONGs gringas.

Sério que vamos aceitar como “posição oficial” o que os liberais gringos acham do veganismo? Pois eu sou a favor da construção de um veganismo contextualizado, um veganismo latino-americano que respeita a nossa cultura e traça estratégias que façam sentido nos nossos territórios.

Considerações finais

Grandes ONGs veganas, ativistas do Norte Global e influenciadoras veganas não representam a autoridade máxima cuja palavra deve ser vista como “posição oficial” sobre questões ligadas ao movimento antiespecista, enquanto o posicionamento de todas as outras pessoas e organizações deve ser visto apenas como “opinião pessoal”.

Precisamos ouvir vozes marginalizadas (veganas no Sul Global, no movimento afrovegano no Brasil e nos EUA, etc) e levar em consideração o que organizações e ativistas veganas anticapitalistas tem a dizer. Nós também fazemos parte do movimento antiespecista!

A UVA (União Vegana de Ativismo) foi criada em 2018 e já conta com 16 coletivos veganos anticapitalistas espalhados pelo Brasil. Nós defendemos o boicote de empresas exploradoras de animais, que desde o início do movimento vegano organizado foi tido como uma das ferramentas de luta mais importantes. Uma parte importante do movimento vegano brasileiro (e no mundo) segue acreditando que qualquer ação ou tática que fortaleça o sistema que lucra com a exploração especista é contrária aos interesses dos animais.

O movimento vegano está em disputa e não para de evoluir. Ele não é o mesmo de 1944, quando Donald Watson criou a Vegan Society. E mais importante do que adotar, sem análise crítica, o que ONGs e ativistas veganas liberais nos EUA e Europa consideram como estratégia mais eficaz pra disseminar o veganismo, precisamos contextualizar a luta antiespecista e procurar estratégias que façam sentido e tenham impacto na nossa realidade socio-política.

Perguntar “tal produto vegetal de tal empresa especista pode ser considerado vegano?” deveria ser irrelevante. Precisamos parar de agir como se o veganismo se resumisse a um modo de consumo. O veganismo é a prática, o caminho pra derrubar o especismo, não o objetivo. A verdadeira pergunta deveria ser “que atitudes fazem o movimento antiespecista ter avanços concretos e nos colocam um passo à frente na luta pelo fim da exploração animal?” E, sinceramente, não vejo como continuar fortalecendo o capitalismo, o sistema econômico que produziu a exploração animal nas proporções absurdas que vemos hoje, pode ajudar na luta por libertação animal.

E, caso ainda não esteja claro pra todo mundo, nós, que vemos o veganismo como um projeto ético-político (não como um modo de consumo), NÃO condenamos o consumo individual de produtos de grandes empresas especistas! Ninguém aqui perde tempo tentando “tirar carteira de vegana de ninguém” por consumir produtos vegetarianos da Nestlé ou Unilever, nem mesmo da JBS. Isso não passa de uma tentativa do veganismo liberal de descreditar o veganismo popular. Nós criticamos o incentivo ao consumo desses produtos, pela parte de ONGs e influenciadoras veganas, assim como o mito de que a maior processadora de carnes do mundo, a JBS, é uma aliada dos animais.

Não, ONGs e ativistas liberais não ditam as regras do veganismo. Até porque se essas forem as “regras”, nosso movimento tem poucas chances de alcançar seu objetivo final: libertação animal. O movimento vegano é construído por quem faz parte dele, todas as pessoas que fazem parte dele. Controlar a narrativa dentro do movimento e deslegitimar toda opinião contrária é algo que veganos liberais fazem há anos. E não é surpresa nenhuma que as pessoas fazendo isso sejam justamente aquelas que estão acostumadas a ocupar uma posição dominante na nossa sociedade desigual (homens, brancos, classe superior).

Pra complementar a leitura desse artigo, sugiro que você leia também:

Ano passado a chef Paola Carosella causou um grande alvoroço dentro da comunidade vegana por causa da reação dela (via Twitter) depois de ter provado um hambúrguer vegetal que imita a textura e o sabor de carne animal. Acho oportuno abrir espaço pra discutir as declarações dela, pois acredito que podemos extrair algumas lições importantes do ocorrido.

Tirando uma única coisa descabida que ela falou, e que discutirei mais na frente, achei as críticas muito válidas. Ao invés de crucifica-la por ter falado mal de um produto ultraprocessado à base de plantas, inacessível pra maior parte da população brasileira (bastante caro comparado à outras alternativas de proteína vegetal, como feijão e arroz), proponho ler com atenção o que ela escreveu e ver isso como uma oportunidade de ouro pra fazer uma reflexão necessária sobre as estratégias que queremos adotar na luta por emancipação animal.

Seguem as críticas de Paola ao hambúrguer de planta que imita carne animal. Algumas eu só copiei/colei dos tweets dela, outras eu reformulei ligeiramente pra caber numa frase.

Crítica 1-
“Ultraprocessados, mesmo feito com vegetais, são péssimos pra saúde.”
O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, que é muito bom, por sinal, é categórico ao dizer que, em nome da nossa saúde, o melhor a fazer é ficar longe deles. Promover o consumo de ultraprocessados “veganos”, com a justificativa de que é um suposto “avanço pros animais”, não só não faz sentido pros não-humanos (explicações mais adiante), como é irresponsável do ponto de vista humano.

Crítica 2-
“Esses hambúrgueres vegetais imitando carne são oportunistas no momento de mais confusão alimentar da História.”
Sim. O fato da indústria vender esses produtos “veganos” (salsicha, hambúrguer) como uma alternativa saudável é perigoso, pois as pessoas que não tem acesso às informações certas vão se iludir e comer porcaria achando que estão fazendo uma escolha superior, mais saudável. Nunca vou esquecer de uma mãe brasileira que, depois de me explicar que a filha e o filho não comiam frutas, declarou, orgulhosa, que fazia questão de dar suco Addes (soja com suco de frutas) todos os dias às crianças, o que compensava a falta de fruta fresca no cardápio.

Crítica 3-
“Não é ato político parar de comer vaca, mas comer ultraprocessados de soja, milho, açúcar e trigo que em muitos casos são feitos pelas mesmas empresas (que vendem carne)”

Hambúrguer “vegano” produzido pela indústria agroalimentar é fruto do mesmo sistema alimentar hegemônico, baseado em monocultura, agrotóxicos, latifúndio, destruição de ecossistemas, grilagem de terras indígenas e trabalho escravo. Que, além de tudo, reforça a alienação do consumidor, que não sabe o que é nem como foi produzido aquilo. E aliena também a consumidora vegana, que acha que está fazendo “um ato politico” quando na verdade está fortalecendo o mesmíssimo sistema que explora e mata animais e destrói o meio ambiente.

A indústria alimentar nos quer dependentes dela, porque nossa autonomia significa redução de lucros pra ela. Sim, ela só se preocupa com lucro e não se importa se está lucrando com a venda de animais mortos ou de produtos vegetais que imitam animais mortos. Esse é o principal argumento do veganismo liberal pra incentivar a produção e consumo de produtos vegetais ultraprocessados, mas ele demonstra um profundo desconhecimento do modo de funcionamento do capitalismo.

Como escrevi mais acima, o que essa indústria quer realmente é nos manter dependentes dela, por isso não se importa se nossa dependência é de hambúrguer de carne animal ou vegetal. Porque de um jeito ou de outro ela continuará lucrando em cima de nós e usando esse dinheiro pra se expandir, aumentando a exploração da Terra e dos animais, humanos e não humanos. Aqui ou em outros países.

O fato de gigantes da exploração animal como JBS e Mantiqueira quererem uma parte do mercado vegano não é a prova que a “revolução vegana” está acontecendo. Isso não passa de uma manobra da indústria pra lucrar com um novo nicho de mercado, se manter relevante face às mudanças nos hábitos de consumo, enquanto, ao mesmo tempo, mantém o sistema de exploração animal, que é extremamente lucrativo, intacto. Que incentivo essas empresas terão pra parar de vender animais (ou produtos com derivados de animais) se a comunidade vegana passar a afirmar que “basta criar novos produtos vegetais, sem precisar diminuir o número de animais explorados e mortos pela sua empresa, pra que ela seja aplaudida e acolhida por nós, que passaremos a recomendar e fazer propaganda desses produtos vegetais”?

E qual seria a alternativa? Mexer na raiz do sistema econômico, o capitalismo, que precisa de exploração (humana e não-humana) pra existir. E sabe como tocamos na raiz desse sistema? Primeiro decidindo não fortalece-lo. Parece óbvio, mas estou sempre sendo obrigada a repetir que não dá pra acabar com a exploração animal fortalecendo o sistema que explora os animais. Então vou repetir mais uma vez:

Não podemos acabar com a exploração dos animais fortalecendo o sistema que os explora.

Aplaudir e (ser paga pra) incentivar o consumo de produtos de corporações gigantes que exploram animais (e a Terra e as pessoas) NÃO é apoiar o veganismo. É apoiar o capitalismo. Ou seja, apoiar o sistema que explora animais no nível gigantesco que vemos hoje. E sim, existia exploração animal e especismo antes da chegada do capitalismo, mas não podemos negar essa evidência: a chegada do capitalismo elevou o sofrimento animal a um nível nunca antes visto na História. Hoje se mata uma quantidade de animais pro consumo humano absurdamente maior do que alguns séculos atrás e a maneira que eles são criados se tornou insuportavelmente cruel. Então embora o fim do capitalismo não tenha como consequência garantida o fim do especismo, me parece impossível imaginar o fim da exploração animal enquanto ele existir.

Como acabamos com a exploração animal, então? Algumas sugestões:

-Fortalecendo quem planta alimento sem veneno (e, assim, protege ecossistemas e os animais selvagens que vivem ali). Fortalecendo a agricultura familiar que alimenta as brasileiras. 70% do que o povo brasileiro come vem da agricultura familiar, enquanto o agroalimentar planta soja, milho e cana que se transformarão na infinidade de produtos ultraprocessados nas prateleiras dos supermercados (incluindo os produtos “veganos” ultraprocessados). Fortalecendo a luta por reforma agrária, porque pra sair da monocultura de commodities (milho, soja, cana) praticada pelos ruralistas precisamos acabar com o latifúndio e garantir a democratização do acesso à terra. Só assim passaremos a plantar pra alimentar pessoas, não pra gerar lucros em cima da destruição. Apoie o MST e compre sua comida nas feiras da reforma agrária.

-Trabalhando pra aumentar a soberania, mas também a autonomia alimentar. Isso significa ajudar a educar o povo com relação ao que significa uma alimentação vegetal. Explicar, sempre que possível, que comida vegetal vem da feira, não necessariamente da indústria. Que comida vegetal vem da terra, não de laboratórios.

“Ah, mas nem todo mundo tem acesso a vegetais frescos e sem veneno. O pobre só consegue comprar ultraprocessado, porque é mais barato, então pelo menos que seja ultraprocessados vegano pra salvar os animais.”

Ao invés de lutar pra mudar o sistema que impede que o vegetal fresco sem veneno chegue em todas as mesas, a gente vai se contentar de substituir ultraprocessados animais por ultraprocessados vegetais, vindos da monocultura, cheios de agrotóxicos, que adoecem a população e destroem ecossistemas do mesmíssimo jeito? Mesmo se libertação animal é a única pauta importante pra você, me responda: como uma população doente vai poder lutar pelos animais? Só quem defende um movimento por libertação animal onde os únicos protagonistas são um punhadinho de ONGs e pessoas da elite negociando com o agroalimentar, pra substituir ultraprocessados animais por similares vegetais “pra democratizar o veganismo”, aceitaria isso. Pior, consideraria isso uma estratégia eficaz. Nem preciso dizer que esse grupo de “heróis veganos”, a galera que fecha com o capital, segue comendo seu alimento fresco e orgânico, né?

Se eu chamo a vertente do veganismo que defendo de “veganismo popular” é justamente porque acredito que o veganismo é um projeto ético-político que só vingará se for construído com o povo.

Nosso movimento é político, sim, e tem um potencial revolucionário enorme. Já pensou o que aconteceria se todo mundo boicotasse a JBS, Sadia, Perdigão, Nestlé, Unilever etc e passasse a comprar o seu alimento nas feiras da reforma agrária? Diretamente da agricultura familiar? Já pensou a galera toda fortalecendo o pequeno agricultor que planta sem veneno, a assentada da reforma agrária que pratica agroecologia, ao invés de continuar dependente dos produtos cheios de agrotóxico, vindos da monocultura, com exploração animal, com trabalho escravo do agroalimentar? Imagine o impacto que isso teria na sociedade!

A crítica de Paola só desandou quando ela disse: “Quem quer algo com gosto de carne, que coma carne!”, ignorando o fato que não comer animais é uma escolha ética, não uma preferência gastronômica. Mas nenhuma surpresa aqui. Ela vai continuar defendendo o especismo, pois ganha a vida cozinhando animais, ou seja, lucrando com a exploração animal.

A solução desses chefs preocupados com meio ambiente, mas que continuam defendendo o especismo, não é acessível pro povo. Como disse minha amiga Juliana Couto (do blog Vegana Prática), se ela (e outras chefs estrelas) “comem vacas que tomam banho de ofurô e bebem matchá, isso é algo impossível de ser reproduzido na escala mundial”. Essa é uma questão importante e que dá muito pano pra manga, por isso acho que merece ser discutida outro dia.

Porém tirando isso, achei as críticas dela extremamente válidas. Escutei a mesma crítica vinda de outros chefs famosos (no Brasil e aqui na Europa) e, o que me deixou realmente triste, de guardiãs de sementes crioulas na Palestina e pessoas que trabalham com agroecologia mundo afora. Quando essas pessoas criticam o veganismo dizendo que “comer produtos ultraprocessados, à base de soja e monocultura, não é uma boa solução” e que se a alternativa for essa, elas preferem “comer carne orgânica e galinhas criadas no quintal” isso significa duas coisas nas quais deveríamos estar prestando muita atenção:

1- Que o “veganismo de mercado”, essa tendência do veganismo liberal de fechar com o capital (agroalimentar) em nome de um suporto “avanço pros animais”, não só não diminui a exploração animal (olha aí a Mantiqueira dizendo que vai aumentar a produção de ovos logo depois de ter lançado o seu “ovo vegano”), como dá uma ideia completamente errada do que é uma alimentação vegana, o que acaba afastando e colocando contra a gente pessoas que tem tudo pra ser nossas aliadas. O veganismo liberal causa muito mais danos à causa do que ajuda.

2- Que temos um trabalho de informação muito importante pela frente se quisermos ver a exploração animal começar a diminuir.

Imagina se, ao ouvir a palavra “veganismo”, o povo associasse o nosso movimento ao fortalecimento da agricultura familiar, apoio à reforma agrária, agroecologia, fim do latifúndio, da grilagem de terras indígenas e da monocultura, solidariedade aos povos indígenas, luta contra a bancada do boi, por soberania e autonomia alimentar? Despertaríamos a simpatia e o apoio de quem está lutando pra construir um novo modelo de mundo com justiça pra todas, onde a emancipação animal realmente teria chances de acontecer. Isso sim seria ver a revolução vegana avançar, construindo as bases pra uma sociedade sem especismo.

Seria bem mais difícil dizer mentiras como: “Acha que ser vegano é melhor pro meio ambiente? Estão acabando com a Amazônia pra plantar soja pra fazer comida vegana”, como o chef Alex Atala disse tempos atrás. Seria bem mais difícil justificar o especismo dos que não querem mudar sua alimentação (porque lucram com a exploração animal, como esses chefs, ou por puro comodismo) alegando que a alternativa vegana é pior, pois significa “ultraprocessados e monocultura”.

Enquanto isso o veganismo liberal, que mede seu sucesso em número de produtos ultraprocessados vegetais nas prateleiras dos supermercados, prefere se aliar a corporações capitalistas que querem cooptar nossa luta e pagar de vegan-friendly, sem no entanto reduzir a exploração animal que praticam. Com excessão das ditas corporações todo mundo perde com essa estratégia. Principalmente os animais.

Depois de publicar essas reflexões no meu Instagram, algumas pessoas levantaram a questão de Paola estar claramente se referindo ao hambúrguer do Futuro, feito por uma start up brasileira, enquanto a minha crítica tinha sido direcionada às gigantes da exploração animal como a JBS, Sadia, Nestlé e Unilever.

Embora eu reconheça que essa empresa brasileira não se aproxime nem de longe do nível de destruição praticada pelas gigantes do agroalimentar, a crítica exposta nesse texto continua válida. O coração da reflexão desse texto é sobre o fato da produção de ultraprocessados à base de plantas (feitos por multinacionais ou startups) buscarem manter a nossa dependência do agroalimentar, que existe em parceria com o agronegócio.

Porque autonomia alimentar não dá lucro, não é mesmo? Não rende prêmio de inovação e empreendorismo, enquanto desenvolver e vender um produto ultraprocessado, sim, como falou minha amiga, sempre certeira, Juliana Couto. Então a lógica por trás, embora numa escala e com impactos negativos bem menores, é a mesma.

Tem gente que se obstina a dizer que estou defendendo um purismo no veganismo, que julgo negativamente quem gosta de hambúrguer de plantas que imita o sabor de animais porque me acho mais vegana que todas as veganas e que pretendo caçar a carteira de vegana da coleguinha. Não sou ingênua a ponto de pensar que é problema de compreensão: essas pessoas defendem produtos vegetais ultraprocessados simplesmente porque ganham dinheiro pra promover o consumo dos mesmos. Mas pra quem ainda não se convenceu que minha posição não é essa, vou desanuviar pra você.

Não critico, muito menos condeno, a pessoa que gosta desses produtos. Não acho que se você comer um hambúrguer vegetal que imita carne animal você estará boicotando o movimento vegano e merece ser expulsa do grupo. De maneira alguma. Quer comer isso? Se joga, amiga. Está aqui a mulher que não vai te julgar. E, já que chegamos nesse ponto, melhor comer o hambúrguer do Futuro do que o da JSB. Mas se num dia de corre você acabou comprando um ultraprocessados de uma grande corporação, garanto que o mundo continuará girando.

Minha crítica, como sempre, vai à crença de que isso (ultraprocessados vegetais de multinacionais nos supermercados) é uma revolução vegana que está diminuindo o sofrimento e exploração animal no mundo. E foi aí que achei bem bacana um tweet de Paola, exatamente o que deixava a entender que ela tinha comido o hambúrguer do Futuro.

“É a mesma indústria…quer falar de alimentação do futuro, falemos. Mas ultraprocessados sabor carne tem no mercado desde 1960…ou antes. Mudou nada.”

Sim, comida ultraprocessada imitação não é uma ideia do futuro porcaria nenhuma! Tem miojo de “galinha” sem um grama de galinha, só saborizantes artificiais, nas prateleiras do supermercado há bastante tempo, por exemplo. Sabe o que é a comida do futuro, na minha opinião? Comida agroecológica. Vegetais frescos e sem veneno preparados na cozinha e saboreados à mesa, com tempo.

“Ah, mas quem tem acesso à essa comida? Pelo menos o ultraprocessado ‘vegano’ da Unilever/Nestlé/JBS vai chegar em muito mais lugares!”

De novo esse argumento raso. Sim, nem todo mundo tem acesso à comida agroecológica hoje, mas ao invés de ver isso como motivo pra aceitar a porcaria que multinacionais querem nos fazer engolir, pra mim isso é a razão pra levantar e lutar pra mudar o sistema. Eu defendo o que eu quero ver multiplicado.

Estamos num momento de colapso climático e mudar o sistema é a nossa única chance de sobrevivência. Acreditar que defender o sistema capitalista porque “os animais não podem esperar o fim desse sistema pra que aí então a gente comece a lutar por eles” é prova de uma ignorância tremenda ou, mais provavelmente, de interesses econômicos por trás, que são antagônicos à libertação animal. Temos poucos anos pra mudar de sistema se quisermos ter uma chance de continuar existindo na Terra. E não seremos apenas nós que vamos desaparecer: os outros animais também (já vivemos um período de extinção em massa, com de 150 à 200 espécies entrando em extinção por dia!).

E é aí que o veganismo popular, anticapitalista, que luta por reforma agrária, contra o latifúndio e defende a agroecologia e a soberania alimentar contribuirá imensamente na construção de um novo modelo de sociedade. Com justiça pra animais humanos, animais não-humanos e natureza, e que também é o único modelo que nos daria a possibilidade de continuar vivendo na Terra.

Gosto de pensar que sou uma pessoa modesta. Recebo elogios de bom grado, mas não saio por aí “contando vantagem”, como a gente diz na minha terra (se você precisa de tradução, essa expressão significa “fazendo elogios, não merecidos, a si mesma”). Mas de vez em quando eu desenvolvo uma receita que me faz inchar de orgulho. Mais ainda quando não se trata de uma receita propriamente dita, o que envolve vários ingredientes, muitos testes e muita louça pra lavar antes de chegar na versão final, a que compartilho aqui no blog. Isso é um trabalho que necessita criatividade, obviamente, mas é o resultado de 90% de transpiração e 10% de inspiração, como dizem que disse Einstein. Agora, quando a “receita” em questão é uma ideia que brotou na minha cabeça, puf!, que necessita apenas 2 ingredientes e que deu certo de primeira, aí eu não consigo conter o entusiasmo (se você estivesse do meu lado nesse momento me veria dando um discreto beijinho no ombro).

Essa empolgação toda por um pedaço de pão? Sim, mas eu dei uma recalibrada nesse pedaço de pão e agora ele é um lanche/café da manhã completinho, com o mínimo de esforço e pouco dinheiro. Explico.

Lembra do meu grãomelete? A mistura de base (farinha de grão de bico + água) não para de me surpreender. Passei a usar pra fazer tortilla (sempre um sucesso), quiche (ainda não publiquei a receita), molho de macarrão (sim, sim!) e rabanada (tanto doce quanto salgada, a minha preferida). E a ideia nasceu dessa última. Na verdade se trata de uma variação da rabanada salgada, mas simplificada e com um resultado final diferente.

É bem simples: você pega a massa do grãomelete, espalha em um prato pequeno e depois gruda um pedaço de pão nela (só de um lado). Aí é só fritar em um pouco de óleo/azeite. Você vai obter, cara leitora, um pão na chapa coberto com uma camada ligeiramente crocante de grãomelete. Sim, você pode fazer um grãomelete e depois servir dentro de um pão. Eu faço isso com frequência e adoro. Porém se trata de uma daquelas fórmulas mágicas onde a soma das partes é superior aos elementos do início. Quando o grãomelete cozinha junto com o pão na frigideira parece que é algo diferente de um pão com grãomelete. Por que? Mistério. Mas te desafio a tentar em casa e descobrir por si própria.

E, por outra razão misteriosa, essa versão me agrada ainda mais do que a rabanada (que é extremamente similar à essa receita). A única diferença é o método de preparo, o que produz um resultado interessante. A integridade do pão é respeitada (na rabanada ele deixa de ser pão e se transforma em rabanada) e o contraste de textura (o pão macio com a capinha crocante do grãomelete) é ao mesmo tempo delicioso e reconfortante. Talvez porque cresci comendo mais pão com queijo derretido na chapa do que rabanada (na verdade só fui comer rabanada depois de vegana), essa versão tem um gostinho bom de nostalgia pra mim.

A essa altura você já sabe que cereal + leguminosa forma uma proteína vegetal completa, né? Então esse lanchinho/café da manhã composto por pão (cereal) e grãomelete (grão de bico é uma leguminosa), combina lindamente na boca e do ponto de vista nutricional também. Então é uma atualização melhorada (em todos os sentidos) do pão na chapa com manteiga (ou margarina/azeite). E sabe como estou chamando essa lindeza? Taí mais um motivo pra estar me achando hoje, pois o nome é perfeito: grão na chapa! GRÃO NA CHAPA!!!

Esqueça o pão na chapa. Meu grão na chapa chegou pra animar seu carnaval. Seu ano. Seus lanches de agora em diante. De nada.

Grão na chapa

Essa receita pode ser adaptada de muitas maneiras. Dá pra juntar os temperos e ervas que você quiser na massa e fazer um lanche ainda mais saboroso. Importante: a massa do grãomelete deve ser preparada na véspera, então é preciso um pouco de planejamento aqui. Mas faça como eu: prepare uma boa quantidade de massa pra grãomelete e, depois de repousar uma noite em temperatura ambiente, guarde na geladeira pra depois. Assim você vai poder preparar essa e outras receitas em um piscar de olhos.

Massa de grãomelete

-Farinha de grão de bico (as boas são finas como farinha de trigo. Se for do tipo granulada, o resultado é muito inferior. Esfregue entre os dedos: se sentir uns grãozinhos, não vai rolar)
-Água

Dissolva a farinha de grão de bico em um pouquinho de água, batendo vigorosamente com a colher pra não sobrar nenhuma bolinha de farinha seca. Depois de ter obtido uma massa espessa e lisa, junte água suficiente pra atingir uma textura cremosa e quase líquida. Deixe repousar em temperatura ambiente, em recipiente fechado, por uma noite. No dia seguinte transfira a massa pra geladeira. Pronto, agora você pode preparar grãomelete, tortilla e grão na chapa a qualquer momento. A massa se conserva vários dias na geladeira. Não esqueça de colocar sal na hora de preparar.

Pra fazer o grão na chapa

Massa de grãomelete
Sal
Pão (baguete ou francês são ideias, mas use o que tiver)
Temperos (opcional)

Corte o pão francês ao meio (eu usei baguete porque na França não tem pão francês!!!!). Coloque um pouco da massa de grãomelete (que deve estar mais pra líquida- junte um pouco de água se ela tiver endurecido na geladeira, o que vai acontecer) em um prato e tempere com sal. Se quiser usar temperos (como alho picado, pimenta do reino, páprica defumada, cebola desidratada, ervas frescas ou secas…) essa é a hora.

Esquente um pouco de óleo/azeite em uma frigideira (anti-aderente, senão vai grudar). Mergulhe cada metade de pão francês na massa de grãomelete (o lado cortado pra baixo), deixe alguns segundos em contato com o líquido, pro pão absorver uma quantidade boa, e depois transfira (sempre o lado cortado pra baixo) pra frigideira. Cozinhe em fogo médio até ficar bem dourado e ligeiramente crocante (não precisa cozinhar do outro lado, obviamente). Sirva imediatamente.

É um desbunde puro, com café, mas nada te impede de incrementar ainda mais seu grão na chapa e servir com um patê/molho/guacamole/caponata/legumes refogados ou tomates crus, bem maduros, picados regados com um fio de azeite.