Caldo da caridade, uma releitura

É comum ouvir reclamações do feijão macaça (fradinho), pois o bichinho dá caldo ralo. Eu cresci comendo esse feijão e até hoje meu tio planta ele lá no Sertão. O que parece problema é na verdade uma bênção. Quando eu era menina minha mãe cozinhava esse feijão, depois jogava uns temperos na panela e oferecia o caldo puro, no copo, pra acalmar o estômago que roncava antes da hora do almoço. Era o lanche das 11h. Ela aprendeu isso com a mãe, que fazia render ao máximo o pouco de comida que tinha.

Dias desses cozinhei feijão macaça, o que sempre me deixa nostálgica, e lembrei de outra coisa que minha mãe fazia: caldo da caridade. É uma especialidade sertaneja e minha mãe contava que vó fazia isso quando passava alguém pra pedir comida e não tinha mais nada pra oferecer. Imagino que venha daí o nome. Os ingredientes são dos mais humildes: alho, coentro, farinha de mandioca e água (tem uma versão com ovo, aí é Cabeça de Galo). Vi o caldo do meu feijão macaça e pensei em fazer um caldo da caridade usando ele ao invés de água. Ficou poético e comi com lágrimas nos olhos.

Caldo da caridade – com caldo de fejão macaça/fradinho

Cura resfriado, fome, ressaca e saudade do Sertão.

1 cs de alho picado
2cs de óleo (ou azeite)
1 concha de grãos de feijão macaça (fradinho) cozido
4 conchas do caldo do feijão macaça
4 cs de farinha de mandioca fina (peneirada, se necessário)
Um punhado de coentro picado
Limão pra servir

Refogue o alho picado no óleo até começar a dourar. Minha mãe usava muito alho e além de ser o responsável pelo sabor da receita, deve vir daí a crença de que caldo da caridade é bom pra curar resfriado. Desligue o fogo. Junte uma concha dos grãos do feijão (pra dar mais sustança ao caldo) e salpique a farinha de mandioca por cima. Junte 4 conchas do caldo do feijão e misture bem. Leve ao fogo novamente e aqueça a mistura, mexendo com uma colher de pau. Não estamos fazendo pirão, então não cozinhe por muito tempo senão vai engrossar demais. Se isso acontecer, coloque mais caldo. Tempere com sal e pimenta do reino a gosto (minha mãe usava muita pimenta, faz parte do poder de cura do caldo). Desligue o fogo e junte o coentro picado. Sirva com um tico de limão. Rende 2 porções.

Farofa rica

Em setembro confessei aqui no blog a minha recente história de amor com a farofa e compartilhei a receita da minha farofa mais popular.

Mas isso não é exatamente verdade. Sim, minha farofa de banana e couve é extremamente popular na minha família, mas um dia fiz uma versão ligeiramente modificada dessa receita e o sucesso foi ainda maior. Chamei essa obra-prima comestível de “farofa rica”.

Como toda farofa, se trata mais de um conceito do que de uma receita. E o que é o conceito de farofa rica, você pergunta? É usar os restos de comida que estão de bobeira na geladeira, principalmente aqueles em quantidade tão pequena que não dá pra alimentar nem uma pessoa sozinha, misturar com farinha em uma frigideira quente e criar um prato tão saboroso e cheio de ingredientes que o único adjetivo que me veio à cabeça pra qualificar minha criação foi “rica”. Eu vejo muito a palavra “rica” ser acoplada à uma receita quando se trata de encarecer a conta de ingredientes. Ou seja, juntar ingredientes caros e sempre de origem animal (queijo, bacon, creme etc). Então minha farofa rica é pura subversão, já que se trata de um prato popular que foi preparado com sobras de alimentos e esses alimentos são todos vegetais.

Farofa rica

Como expliquei acima, se trata mais de um conceito do que de uma receita. Use essa lista de ingredientes como guia, pois dá uma farofa realmente arretada, mas substitua o que estiver faltando pelo que encontrar na sua geladeira. Feijão macaça (feijão de corda) é ideal aqui, pois além de muito saboroso ele se mantém intacto depois do cozimento e não dá caldo grosso, fazendo com que seja muito simples separar os grãos do caldo. Mas imagino que grão de bico cumpra o mesmo papel aqui, pras pessoas que tem acesso a esse ingrediente.

2-3 cs de óleo
1 cebola, picada
2-3 dentes de alho, picados
2 bananas, picadas (maduras, mas não muito)
1 x de feijão macaça (sem caldo)
1 – 1,5x de farinha de mandioca fina, peneirada
Um punhado de coentro, picado
Sal e pimenta do reino a gosto

Em uma frigideira grande e, de preferência, com o fundo grosso, aqueça o óleo e doure a cebola. Junte o alho, deixe fritar por alguns segundos e acrescente a banana picada, o feijão macaça e, aos poucos, a farinha. Vá mexendo com uma colher de pau, delicadamente pra não esmagar a banana, e juntando farinha, sobre um fogo baixo, até atingir a consistência desejada. Eu gosto de farofa úmida, então uso 1x de farinha, mas se você gostar de farofa mais seca, use mais.

Desligue o fogo e acrescente o coentro. Tempere com sal e pimenta do reino, prove e corrija o tempero, se necessário. Sirva imediatamente.

Rende de 4 a 6 porções, dependendo da intensidade do seu amor por farofa.

Tostada de chuchu

Ainda não é oficialmente inverno no hemisfério norte (o solstício de inverno é no dia 22 de dezembro esse ano), mas as noites já estão mais longas que os dias, o frio já se instalou e a luz natural já está fazendo falta. E isso tem um efeito interessante no meu apetite. Por um lado desejo comidas quentes e pesadas (sopa, muita sopa! creme!!!), pra aquecer o estômago e me proteger do inverno. Mas ao mesmo tempo sinto falta das frutas e verduras que crescem no calor, principalmente as da minha região no Brasil. É um fenômeno curioso, esse. Ao mesmo tempo que meu corpo demanda sopa e cogumelos, minha cabeça não para de pensar em abacaxi, quiabo e mamão.

Nessas horas abro meu o arquivo de fotos das férias em Natal e fico horas admirando os pratos coloridos que preparei por lá, já que comer com os olhos é tudo que me resta. E hoje, enquanto fazia isso, me deparei com a foto de um lanche simples, mas delicioso e bem original, que fiz e dividi com a minha mama. Tostada de chuchu. Se você é como o meu amigo Marcelo, que acredita que chuchu “é o quarto estado da água”, peço que segure a vontade de fechar essa página e dê uma chance pro chuchu.

Certo, não é o legume mais saboroso, mas sabendo preparar, ele fica uma delícia. Como diz um outro amigo, Ruan, não existe legume ruim, você que está preparando errado. Confesso que cresci comendo chuchu refogado, uma iguaria que adoro, e nunca entendi a birra das pessoas com o coitado.

Mas essa receita abre a oportunidade de abordar outro tema importante: o que colocar no pão quando se é vegana. É uma das perguntas que mais me fazem e, ouvi dizer, uma das maiores dificuldades na hora de transicionar pro veganismo.

Fico triste quando vejo que as pessoas podem chegar à conclusão que podem (e devem) viver sem consumir produtos do sofrimento animal, mas não conseguem sair do paradigma “pão se come com manteiga ou queijo, então preciso encontrar substitutos vegetais similares pra esses dois produtos”. Seria muito mais libertador (e divertido, e fácil de seguir no veganismo) se a gente quebrasse a barreira da manteiga/queijo e aceitasse que quase tudo pode ser comido com pão.

Na Inglaterra a galera come pão com feijão. O mundo árabe come pão com azeite e tomilho. Ou tahina e melado. Nos EUA comem pão com pasta de amendoim e banana. Tem países onde se come pão com tomate cru ralado (temperado com sal e azeite). Outros onde o pão é comido com abacate (temperado com sal e limão). O céu é o limite!

Se as combinações acima (e suas variações) já fazem parte do seu repertório, deixa eu dar uma sugestão pra expandir ainda mais as possibilidades. Sabe aquele refogadinho de legumes bem suculento? Fica ótimo numa fatia de pão.

E já que é pra expandir as fronteiras gastronômicas, use chuchu no seu refogado.

Tostada de chuchu


O refogado de chuchu fica uma delícia no pão, mas também é um ótimo acompanhamento pro almoço ou jantar.

1 cebola pequena, picada
2 dentes de alho (ou a gosto), amassados
1 chuchu médio, descascado, desmiolado e cortado em cubos pequenos
2 tomates maduros, picados
Azeite, sal e pimenta do reino a gosto
Folhas frescas de manjericão (ou uma pitada de manjericão desidratado)
Fatias de pão (gosto de pão de fermentação natural-levain, mas use o que preferir)

Em uma panela média, aqueça aproximadamente uma colher de sopa de azeite e doure a cebola. Junte o alho e o chuchu e refogue por alguns minutos. Junte o tomate, uma pitada generosa de sal, mais ou menos 1/3 xícara de água e cubra a panela. Baixe o fogo e deixe cozinhar até o chuchu ficar bem macio.

Se por acaso o líquido secar antes do chuchu ficar macio, junte um pouquinho mais de água. Se o chuchu estiver macio, mas ainda tiver muito líquido na panela, deixe cozinhar destampado no fogo alto por alguns instantes. O resultado desejado é um refogado com um pouco de molho e se uso tomates bem maduros quase não preciso acrescentar água.

Prove, corrija o sal, se necessário, e tempere com pimenta do reino. Fora do fogo junte as folhas de manjericão e mais um fio de azeite.

Coloque o refogado de chuchu sobre fatias de pão (é bom tostar um pouco antes) e sirva. Rende aproximadamente 4 tostadas grandes (mas vai depender do tamanho das fatias do seu pão, claro).

Se você tem a sorte de ter um forno

Durante a procura por apartamento aqui em Paris, um dos meus critérios de busca era ter fogão a gás. Em uma cidade onde quase todas as cozinhas são equipadas com placas elétricas, um fogão a gás é algo extremamente raro. Meu lar atual tem placas elétricas modernas (funciona por indução, seja lá o que isso quer dizer), mas apesar de preferir cozinhar com fogo, acabei me resignando. Sinto que tem algo de estéril em uma cozinha fria, onde não tem chama. (Crudívoras, não me detestem!) Talvez eu ainda me sinta muito apegada ao ato primitivo de reunir a comunidade ao redor do fogo e preparar o jantar enquanto se conta histórias. Talvez seja porque sou cozinheira e sei que não ter acesso à uma chama limita a gama de preparações culinárias possíveis (não posso preparar meu amado muta’bal, por exemplo). Mas o que tenho por enquanto são duas bocas elétricas e já adaptei minhas refeições ao que está ao meu alcance no momento.

Porém tem algo que está me fazendo muita falta na cozinha: um forno. Além de não ter gás, minha micro cozinha francesa não tem forno. A pessoa que nos alugou o apartamento não cozinhava (“Eu tomo sucos verdes” – ela explicou), por isso equipar sua cozinha com um forno era um despropósito.

Quando o verão chega e as temperaturas se tornam insuportáveis aqui (tenho péssimas lembranças dos meus verões parisienses), não faço questão nenhuma de ligar o forno. Posso passar semanas comendo saladas e frutas frescas. Mas a perspectiva de atravessar os meses frios do ano sem um gratinado, sem uma torta, sem uma lasanha me entristece. Nem gosto tanto de bolos, mas só porque agora não tenho forno passei a ter vontade de fazer meu bolo de melado e especiarias ou o bolo de laranja de Lu.

Além de desejar comida de forno durante o inverno, tem algo reconfortante em assar alimentos quando está frio e cinzento lá fora. Mas vou ter que enfrentar a chuva, o céu nublado e o frio intenso dos meses que virão sem a ajuda do aroma de algo assando no forno pra aquecer a casa e levantar nossos ânimos.

Então quando estive na casa do meu sogro umas semanas atrás aproveitei pra usar o forno em todas as refeições. Fiz até uma versão do bolo de Lu que ficou ainda melhor do que a original. Mas o que eu gostaria de compartilhar hoje é algo muito mais simples, porém não menos saboroso.

Gosto de assar quase todo tipo de legume, mas dependendo da estrutura do legume em questão o método de preparo varia um pouco. Legumes que crescem embaixo da terra, como batata, batata-doce, beterraba, cenoura etc. são densos (tem pouca água) e se beneficiam muito de um pré-cozimento na água antes de ir pro forno. Já legumes mais moles (cheios de água), como abobrinha, pimentão, tomate, berinjela e cebola, devem ir direto pro forno.

As receitas de hoje são tão ridiculamente simples que nem chegam a ser receitas. São métodos de cozimento que podem ser aplicados à uma infinidade de legumes. Mas o resultado é tão saboroso que vale a pena compartilhar as informações com vocês. E convenhamos que nunca em lugar nenhum alguém comeu algo delicioso e depois disse: “Que delícia! Uma pena que é tão simples.”

Talvez muitas pessoas me lendo agora já preparem batata e abobrinha assim em casa, mas pra todas as outras, vocês não podem viver mais nem um dia sem provar esses legumes preparados dessa maneira. Se você tem a sorte de ter um forno em casa, aproveite.

Batata assada

Descasque as batatas e corte em pedaços médios. Veja as fotos acima pra entender o formato dos pedaços. Cortados assim eles tem mais lados, o que faz com que tenha mais superfície pra dourar e fiquem mais crocantes. Se você não tem ideia do que estou falando deixe pra lá e corte sua batata como quiser. O importante é que os pedaços tenham mais ou menos o mesmo tamanho, pra que possam cozinhar por igual.

Coloque os pedaços de batata em uma panela e cubra com água fria. Salgue generosamente. Quando a água ferver desligue o fogo e escorra as batatas. Isso faz com que o amido da batata cozinhe ligeiramente e coagule, fazendo com que ela asse melhor (mais dourado e mais crocância) depois.

Transfira as batatas pré-cozidas pra uma placa/forma grande o suficiente pra que tenha um pouco de espaço vazio entre os pedaços. Regue com azeite (não precisa ser extra-virgem), mais uma pitada de sal e misture bem pra que o azeite envolva todos os pedaços. Leve ao forno alto até as batatas ficarem bem macias (espete uma faca pra testar). Se seu forno tiver a função “grill” esse é o momento de utiliza-la. Alguns minutos são suficiente pra deixar as batatas bem douradas (não se afaste da cozinha, já que elas podem passar de douradas pra queimadas em pouco tempo).

Retirte as batatas do forno e tempere com pimenta do reino e ervas frescas (tomilho ou alecrim amam batatas).

Abobrinha assada

Lave e corte a abobrinha (do tipo italiana) em rodelas finas. Use um fatiador se você não tiver muita habilidade com facas. Arrume as fatias de abobrinha em fileiras (veja a foto acima) bem apertadas. Enquanto assam parte da água da abobrinha evapora, fazendo com que as fatias encolham, por isso pode colocar as fileiras coladas umas nas outras (elas se separam enquanto assam e a parte exposta vai dourar). Regue as fileiras de abobrinha crua com azeite e tempere com sal. Leve ao forno alto até que a parte superior das fatias fique dourada. O tempo de cozimento varia dependendo do seu forno, então eu te digo: fique de olho na sua abobrinha e você saberá quando ela estará pronta. Se tiver a função “grill” no seu forno, use durante os últimos minutos. Usei o “gril” nessas duas receitas, por isso o dourado está tão lindo.

Retire do forno e tempere com pimenta do reino e ervas frescas (tomilho é sempre bom, mas manjerona e orégano também são uma delícia aqui).

Tá puxado, mas trago bifinhos de batata doce e um anúncio

Poucos dias antes da eleição, não sei nem como começar esse post. Estamos com medo, muito medo, mas não podemos deixar o medo ditar em quem votaremos. Principalmente no primeiro turno, já que no segundo as chances de ter que votar em uma/um candidata/o que não escolhemos é muito maior. Eu sei que tá puxado, mas vamos parar por algumas horas, colocar Terral, de Ednardo, pra tocar (sempre me acalma) e fazer bifinhos de batata doce.

Essa receita tem uma história explicando o nome. Geralmente não uso nomes carnistas pra definir minhas criações culinárias, porque não acho necessário. Quando criei essa receita, em 2016, chamei de “bolinhos de batata doce”. Na visita ao Brasil desse ano fiz os bolinhos várias vezes, porque minha família adora e porque batata doce é um dos vegetais mais baratos e fáceis de encontrar por aqui. E um dia que eles tinham aparecido no cardápio do almoço, uma senhora chamou no portão de casa no início da tarde. Minha irmã do meio foi atender e a senhora explicou que tinha vindo de longe com a filha pra vender suas vassouras de porta em porta, mas que hoje não tinha vendido nada. Elas vinham a pé da bairro onde moravam, pra economizar o dinheiro do ônibus, e estavam com muita fome. Perguntaram se nós venderíamos duas quentinhas pra elas. Minha irmã disse que não vendíamos quentinhas, mas que ofereceríamos o almoço das duas. Ela voltou pra cozinha e preparou dois pratos com feijão, arroz, os bolinhos de batata doce e alguma verdura refogada. Quando vi os pratos falei pra minha irmã: “Elas vão achar que não colocamos carne no prato porque é caridade, porque não queremos dar algo ’nobre’ pra elas. Diga que aqui na casa todas somos vegetarianas.” Fiquei imaginando se as duas iam gostar dessa tal de comida vegetariana, mas não demorou muito pra minha irmã me procurar dizendo que a senhora queria falar com a cozinheira. Quando cheguei na calçada as duas, a senhora e a filha, estavam sentadas contra o muro, então me sentei ao lado delas e me apresentei.

-Foi você que cozinhou?

-Eu mesma, respondi.

-Minha filha, que bifinhos deliciosos são esses?

Abri um sorriso e expliquei que eram bolinhos de batata doce com linhaça. Ela pediu a receita, explicando que tinha sido uma das coisas mais gostosas que ela já tinha comido. Compartilhei a receita com ela, que depois me pediu pra explicar por que eu era vegetariana. Quando ouviu minha explicação ela respondeu, muito séria: “Você tá certa. Todos os animais são criatura de Deus.”

Eu pensei que seria julgada por não ter oferecido carne, só porque era uma pessoa de um meio mais humilde que o meu, e levei um tapa de tolerância e compaixão na cara. Às vezes preciso disso.

A senhora, que se chama Siara, voltou à minha casa mais uma vez pra se despedir de mim, pois contei que não morava aqui e estava em Natal de passagem. Perguntei se ela tinha feito os “bifinhos” em casa e ela respondeu que sim, várias vezes, e que as pessoas costumavam dizer “Não tem carne? Não deve ser bom!”, mas que depois de provar todo mundo adorava e ela fazia questão de dizer: “Não, não vou te dar mais um porque você tava dizendo que ia ficar ruim. Deixe pra mim que sei apreciar.” Então, porque agora sempre penso em Siara quando faço essa receita, passei a chamar os bolinhos de “bifinhos”, como ela faz.

Sei que meus bifinhos de batata doce não vão trazer um projeto político popular pro nosso país, mas vai te dar forças pra lutar por ele. Porque lutar, devemos! Independente do resultado das eleições.

E antes de compartilhar a receita, um aviso importante. Os tours político-ativista-vegano-feministas na Palestina em 2019 foram confirmados e ano que vem serão três grupos. O primeiro grupo será do dia 4 ao 11 de fevereiro, o segundo do dia 18 a 25 de fevereiro e o terceiro do dia 11 a 18 de março. Mais informações e inscrições por email: tourspalestina@gmail.com E leiam mais sobre os tours (e vejam muitas fotos) seguindo os links na página “Tour político-ativista-vegano Palestina”.

 

Bifinho de batata doce

Faço essa receita de duas maneiras. Com linhaça moída, ou com inhame cru ralado fino. Ambos servem pra dar liga, mas a textura final é ligeiramente diferente. A versão com linhaça fica mais firme, enquanto o inhame deixa os bifinhos mais moles. Eu gosto das duas versões, então use o que tiver na cozinha. Você pode usar os temperos que quiser pra variar os sabores dos seus bifinhos: curry em pó, ervas secas ou frescas, cebolinha picada, páprica defumada (não tudo ao mesmo tempo, claro)…

1 cebola, picada

3 dentes de alho, picados

2 tomates

3 x de batata doce cozida e amassada (com um garfo)

2cs de linhaça moída (pode substituir por 1/2x de inhame ralado CRU)

Sal e pimenta do reino a gosto

3cs de azeite, mais pra assar

Aqueça o azeite e doure a cebola. Junte o alho e cozinhe mais alguns segundos. Acrescente o tomate e deixe cozinhar até ele se desfazer.

Miture a batata doce amassada com os legumes refogados e o resto dos ingredientes. Com as mãos, forme bolinhas médias e achate ligeiramente pra dar a forma de um mini-burguer.

Aqueça um fio de azeite e doure os bifinhos, alguns minutos de cada lado. Você também assar tudo no forno, regado com um fio de azeite.

Rende 6 porções (o número de bolinhos vai depender do tamanho, mas é suficiente pra 6 pessoas, como acompanhamento).

Sinal de vida e o segredo do quiabo sem baba

Nunca tinha ficado tanto tempo ser aparecer por aqui. Seis meses! Tanta coisa aconteceu desde o post sobre veganwashing em janeiro que nem sei por onde começar. Vou fazer um resumo dos últimos meses.

Saí de Berlim em fevereiro. Voltei pra Palestina. Tive o prazer de guiar mais dois grupos no tour político-vegano na Palestina (vai ter mais em 2018, aguardem!) e conheci pessoas maravilhosas, como acontece todos os anos. Teve o primeiro congresso sobre direitos animais e humanos na Palestina, organizado pela PAL (Palestinian Animal League). Depois fui pra Paris e realizei um projeto novo: tours veganos gastronômicos na cidade luz. Foram dois grupos e a viagem, como era de se esperar, foi deliciosa. Logo depois vim pro Brasil e cá estou há um mês e meio.

Como sempre que estou em Pindorama, não vim só comer tapioca e tomar leite de coco. O motivo principal de voltar aqui todos os anos é ver a minha família, claro (além de comer tapioca e tomar leite de coco, como já confessei).  Mas procuro reservar uma parte do meu tempo aqui pra dar palestras sobre veganismo, direitos animais e humanos, Palestina, justiça social e de como isso tudo está conectado. Esse ano eu vim com um projeto que carrego no peito há algum tempo. Todos esses anos fora do Brasil (já vivi quase tanto tempo lá fora do que vivi aqui dentro) me fazem sentir desconectada da militância nacional. Então em agosto eu caio na estrada e vou encontrar as pessoas que eu vinha admirando de longe, do lado de cá das telas. Quero ver a cara do movimento vegano no resto do país, trocar ideias, rever amigas, dar palestras e articular a revolução. Porque se não for pra destruir o patriarcado, o carnismo, o capitalismo, o racismo, o colonialismo… eu nem saio da cama.  Vai ser quase um mês de viagem e quando eu tiver as datas certas em cada cidade, volto aqui pra avisar.

E pra não deixar esse blog sem receita nova (nem lembro quando postei a última), vou compartilhar com vocês a receita de quiabo que conquistou minha família.

Tem quem goste da baba do quiabo. Direito seu. Mas tem quem não goste de quiabo justamente por causa da baba. O que é uma pena, pois esse legume é delicioso. Na Palestina tem uma folha escura, mulahyia, que sofre do mesmo problema do quiabo: uns amam porque tem baba, outros detestam por causa da baba. Eu não gostava, até que uma amiga palestina me explicou que preparando com tomate e um pouco de limão, a mulahyia ficava sem baba. O segredo era a acidez desses dois ingredientes, que fazia a baba desaparecer. Imediatamente pensei no quiabo. Será que funcionaria com ele também?

Testei e tenho a felicidade de dizer que sim. Vou repetir. Se quiabo babento é a sua praia, sinta-se livre pra ignorar essa receita e seguir preparando esse vegetal como você gosta. Ninguém é obrigada a fazer minha receita sem baba. Beleza? Beleza. Tô insistindo nesse ponto porque sei que tem as apaixonadas por essa característica peculiar do quiabo e já escutei gente indignada dizendo que se não tiver baba, não é nem pra chamar de quiabo. E teve o senhor na feira que disse que dava dinheiro pra esposa preparar o quiabo com o máximo de baba possível.

Tem poucas coisas comestíveis no reino vegetal que eu não aprecio. O único sabor que eu não gosto é anis e a única coisa que realmente me repele na comida é a textura babenta. Então estou muito satisfeita com a minha receita, porque acho o sabor do quiabo maravilhoso. E preparado assim, ele fica ainda mais saboroso. Agora que sei como fazer quiabo (quase) sem baba, ele se tornou um dos meus vegetais preferidos no mundo.

O segredo do quiabo (quase) sem baba

Primeiro, aqui vai uma dica pra escolher quiabos: prefira os pequenos e jovens. Quanto mais jovem, mais saboroso e tenro. Grandes e maduros, eles ficam duros e estão mais pra madeira do que pra verdura. Eu compro quiabo na unidade (que varia muito de tamanho), então fica difícil indicar o peso desse ingrediente na receita. Mas se sua mão for  pequena, como a minha, eu diria pra usar uns 4 punhados grandes de quiabo inteiro, ou o equivalente a umas 6 xícaras de quiabo picado.

4 punhados grandes de quiabos jovens (leia as explicações acima)

1 cebola, picada

2-4 dentes de alho, picados

2-3 tomates (dependendo do tamanho), picados

Azeite

Sal e pimenta a gosto

Gotas de limão

Um punhado de coentro fresco, picado (opcional)

 

Lave e corte os quiabos em rodelas finas levemente diagonais. A baba do quiabo já vai começar a soltar aqui, mas não se preocupe que ela desaparece depois.

Em um tacho grande (ou a maior frigideira que você tiver) aqueça um fio de azeite, jogue uma parte do quiabo e tempere com um pouco de sal. Coloque só o suficiente pra cobrir o fundo do tacho, não coloque muito de uma vez senão o quiabo vai cozinhar no vapor. A ideia é grelhar o quiabo no calor forte (fogo alto), mexendo de vez em quando, até ficar ligeiramente chamuscado, o que realça muito o sabor. Transfira o quiabo grelhado pra um recipiente de vidro e reserve. Repita a operação com o resto do quiabo, lembrando de sempre colocar mais azeite no tacho antes de jogar o quiabo e de temperar cada porção com sal. Dependendo do tamanho do seu tacho/frigideira, você terá que fazer isso em 3-4 vezes. Pode fazer isso numa chapa bem quente também.

Aqueça mais um fio de azeite no tacho (agora vazio) e cozinhe a cebola por alguns minutos, até ficar dourada. Junte o alho e cozinhe mais alguns segundos. Coloque o quiabo grelhado de volta no tacho, o tomate e mais uma pitada de sal. Cozinhe até o tomate começar a se desfazer. Pingue gotas de limão (uso menos do que uma metade de limão pequeno), tempere com pimenta do reino a gosto, prove e corrija o sal. A acidez do tomate e do limão vai fazer a baba do quiabo desaparecer quase por completo. Ainda fica um pouco liguento, mas bem mais discreto e saboroso do que a versão “baba integral”. Depois que desligar o fogo junte o coentro picado, se estiver usando.

Rende 4-6 porções como acompanhamento.

A única coisa a fazer

Eu tinha várias coisas pra contar. Fotos pra compartiilhar. Aconteceu tanta coisa bacana por aqui nas últimas semanas, mas aí ontem a PEC 241 foi aprovada no primeiro turno. Revolta e indignação entraram (mais uma vez) no menu e o resto foi temporariamente pro segundo plano. Num momento de desespero lembrei de Manuel Bandeira e pensei: “A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.”

Mas hoje acordei menos pessimista (mas ainda com vontade de tocar um tango). Telefonei pro meu pai, um agricultor de mais de 70 anos que foi sem terra durante muitos anos e fazia parte do MST, que, tão indignado quanto eu, me disse: “Minha filha a única saída é uma revolução. Eu tenho fé nos jovens. Eles têm que ir pra rua lutar contra essas injustiças.” Então me emocionei e chamei a minha mãe pra fazer pão de queijo vegano comigo. Porque quando a esperança volta, a vontade de cozinhar vem junto.

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Fazia anos que eu queria fazer pão de queijo vegano, à base de macaxeira. Como nos países por onde ando geralmente não tem macaxeira, sempre me dizia que faria a receita durante as férias, aí chegava aqui e esquecia. Dessa vez foi diferente e desde agosto, quando cheguei em Pindorama, já fiz esse pãozinho várias vezes. Algumas foram mais bem sucedidas que outras e ainda estou ajustando uns detalhes da receita pra ficar perfeita. Mas compartilhei a foto desses pãezinhos no Instagram e me pediram a receita. Então aqui está a versão que mais me agradou até agora.

Minha mãe, que não é vegana, mas é intolerante à lactose, adora esses pãezinhos. Ela até posou segurando os dito cujos pra mim hoje. Na verdade a minha família inteira, que é onívora, aprovou a receita. A gente gosta de degustá-los com um café quentinho e é um prazer imenso que há muito eu não sentia (fazia uns 10 anos que eu não comia pão de queijo).

Então já sabem. Quando tudo ficar cinza, sua fé na humanidade for testada e bater aquele desespero, a única coisa a fazer é pão de queijo vegano.

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Pãozinho de macaxeira (pão de queijo vegano, sem gluten)

Pra quem não sabe cozinhar macaxeira, uma explicação rápida. Lave bem, descasque e corte em pedaços médios. Cubra com água e leve ao fogo. Eu gosto de cozinhar na panela de pressão, pra ficar bem macia, mas você também pode cozinhar em uma panela comum, tampada. Dependendo da macaxeira ela vai levar mais ou menos tempo pra cozinhar. Deixo uns 20 minutos na pressão (depois que começa a chiar). Se estiver cozinhando em uma panela comum vai demorar mais. Nesse caso espete uma faca pra testar o cozimento.

200g de macaxeira cozida (deixe ficar bem macia)

50g de polvilho doce

50g de polvilho azedo

4cs de azeite

1cc de sal

Opcional:

-1cs de chia

-1cc de orégano

Aqueça o forno (200 graus).

Amasse a macaxeira usando um espremedor de batata (retire o pavio antes de espremer). Junte os outros ingredientes e amasse bem com as mãos. Dependendo da umidade da sua macaxeira (algumas são bem secas e firmes, outras mais moles) você pode precisar de um pouco mais de polvilho (acrescente uma colher de sopa rasa por vez). A massa deve despregar das mãos, sem grudar (fica parecendo massinha de modelar).

Retire pequenas porções de massa e enrole entre as mãos, formando bolinhas. Gosto de fazer bolinhas bem pequenas, que você come de uma mordida. Disponha as bolinhas de massa em uma assadeira (não precisa untar nem enfarinhar) e coloque no forno pré-aquecido. Asse até ficar levemente dourado, aproximadamente 20 minutos. Rende aproximadamente 30 pãezinhos. Lembre que se fizer bolinhas maiores o tempo no forno será mais longo.

O alecrim da outra é sempre mais verde

Começou de novo. Quando explico que estou em Beirute passando uma temporada de três meses as pessoas imediatamente me perguntam: “Onde você mora?”. Respondo: “Em Beirute” e termino a frase na minha cabeça com “…ora pois!” Mas elas nunca ficam satisfeitas, pois esperam uma resposta definitiva. O que eu não tenho.

A vida de nômade, que adotei quando saí da Palestina em 2013, continua, mas alguma coisa dentro de mim começou a mudar. Outro dia me surpreendi contando pra uma amiga: “Meu sonho atual é morar em um lugar tempo suficiente pra plantar ervas e vê-las crescer. Sonho com vasos de alecrim e tomilho. Que pessoa sem graça me tornei, sonhando com plantas em vasos.” Então lembrei que um dia ela, que tem um jardim com alecrim e tomilho na sua Jerusalém, disse que admirava o meu espírito aventureiro e que sonhava em morar em outros lugares, mas que tinha medo de abandonar o conforto do conhecido. Moral da história: o alecrim da outra é sempre mais verde.

Mas ser nômade tem inúmeras vantagens, obviamente. Conhecer novos lugares e novas pessoas, ver realidades diferentes, descobrir novas culturas, expandir os horizontes e o repertório culinário… Estou adorando morar em Beirute. Que cidade fascinante! Sempre quis passar uma chuva aqui e não caibo em mim de alegria por estar vivendo mais essa experiência. Na maior parte do tempo até esqueço o sonho das plantas nos vasos.

Decidi me mudar pra cá seis meses atrás. Na época eu estava morando e trabalhando em Londres, pensando no que faria da vida no início de 2016, depois da temporada de três meses na Palestina (onde aconteceram os dois tours político-gastronômico-ativista-vegano-feministas Papacapim;) Anne foi me visitar em Londres e falou que estava pensando em ir pra Beirute pra fazer um projeto sobre os refugiados palestinos e sírios no país. De repente a ideia de me juntar a ela pareceu supimpa. Não sei de onde veio a impressão de que aquilo era a coisa certa a ser feita, mas agora que estou aqui tenho certeza que estou exatamente onde deveria estar. Essa nova etapa da minha vida faz muito sentido e está em perfeita harmonia com o caminho que estou seguindo.

E falando no meu caminho, gostaria de escrever algumas linhas sobre algo que está me cutucando desde que Anne falou, olhando os últimos posts que apareceram aqui no blog: “Beirute, Paris, Marselha, Palestina, Londres… Quem lê seu blog deve imaginar que você leva uma vida ultra glamorosa.” Não sei se tem gente pensando que vivo “a pão-de-ló e Moët & Chandon”, até porque as leitoras de longa data sabem de detalhes da minha vida que mostram o quão simples (ou “roots”, como minha irmã vive me dizendo) ela é. Mas se ainda não ficou claro, saibam que eu não tenho renda fixa, não tenho sequer uma conta bancária (consequentemente não tenho cartão de crédito), não tenho plano de saúde nem economias (poupança, bens) e me acontece de chegar em uma cidade nova com recursos suficientes pra me manter durante apenas um mês (e às vezes sem saber o que farei nem aonde irei depois). Tive que abrir mão da segurança financeira (emprego fixo, salário todo mês) pra poder levar a vida que levo hoje e sei que isso seria uma fonte de estresse terrível, talvez até insuportável, pra muita gente. A vida de sonho pra uns é um pesadelo pra outros. Mas se você me perguntar vou responder que essa não é uma vida “de sonho” e sim a vida dos meus sonhos, a vida que eu sempre quis ter e que me faz feliz no momento. Não tem glamour nenhum, tem preocupações e espinhos como a vida de qualquer pessoa, mas ela foi criada sob medida pra oferecer o que o meu coração (e o meu só) deseja.

Depois dessa tentativa de desanuviamento, voltemos à Beirute. Eu mencionei no último post que tinha sido convidada pra cozinhar em um restaurante veg da cidade. Preparei um menu (vegano, claro) de inspiração sul-americana, que foi servido somente no sábado e domingo passados e foi um sucesso absoluto! Na quinta já estava tudo reservado pros dois dias e tivemos que recusar várias pessoas. Não imaginei que o interesse do pessoal local seria tanto e o feedback foi extremamente positivo. Tanto da parte dos veganos quanto dos onívoros.

Curiosamente o prato que fez mais sucesso com os onívoros foi o ceviche de cogumelo. O que me deixou pra lá de feliz, pois eles comem ceviche de peixe e ainda assim acharam a minha versão vegetal excelente. Então gostaria de compartilhar essa receita incrível, que criei tempos atrás e que guardei em segredo até agora. Se você não sabe o que é ceviche, aqui vai uma explicação sucinta. É um prato típico do Peru, à base de peixe e a particularidade dessa receita é que o peixe “cozinha” no suco de limão. Você coloca o peixe cru em pedacinhos no suco de limão e deixa marinando ali. O ácido cítrico faz com que o peixe ganhe aparência e textura de cozido.

Nunca comi ceviche tradicional, mas quando li sobre esse prato imediatamente tive vontade de fazer uma versão vegana. Acabei desenvolvendo não uma, mas duas versões vegetais de ceviche e a receita abaixo, com cogumelos, é a minha preferida. O que realmente me inspirou foi a técnica de ‘cozimento’ no suco de limão e descobri que ela também pode ser aplicada a cogumelos. Se você não tiver acesso a cogumelos, também pode usar palmito cozido (o outro tipo de ceviche vegano que criei) e, embora ainda não tenha testado, vi que tem gente fazendo ceviche veg com polpa de coco verde! Estou louca pra experimentar a versão com coco verde, mas terei que esperar até a minha próxima ida ao Brasil. Se alguém tentar ou já testou, compartilhe a experiência comigo, por favor.

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Ceviche de cogumelo, abacate e toranja (vegano, sem glúten)

Os cogumelos precisam marinar durante uma noite, então se programe pra começar a fazer a receita na véspera de quando quiser degusta-la. Gosto de usar toranja rosa nessa receita, porque é uma fruta que adoro e a mistura de cores fica linda. Mas como toranjas são raras no Brasil, você pode substituí-la por laranja. Pra fazer cubos de laranja/toranja sem a pele branca (que tem um sabor amargo desagradável) veja esse post, onde expliquei como descascar frutas cítricas. Na receita de ceviche não precisa fazer “supremos”, como no post, basta seguir as instruções pra retirar a casca+pele branca, depois fatiar a fruta em rodelas de espessura médias e cortar tudo em cubinhos.

2 punhados de cogumelos frescos (usei champignons dessa vez, mas já fiz com outros tipos de cogumelos. Se quiser usar outro tipo, verifique primeiro se ele pode ser consumido cru)

4 folhas de alga nori (ou 2cs de outra alga desidratada em flocos)

1/3 x de molho shoyu

1/3 x de suco de limão

1/3 x de água

1 cs cheia de melado de cana (ou xarope de agave)

1 punhado de coentro, picado (opcional)

2 x de abacate, em cubos pequenos

2 x de toranja rosa ou laranja, sem casca e em cubos pequenos (leia a informação acima)

Pimenta do reino

Corte os cogumelos em fatias bem finas. Se você não tiver muita habilidade com facas, use um fatiador de legumes (ou mandolina). Use uma tesoura grande pra picar as folhas de nori, fazendo confetes de algas (claro que isso não será necessário se você estiver usando algas em flocos). Em um recipiente grande misture o shoyu, o suco de limão, a água, o melado e a alga picada. Juste os cogumelos fatiados e misture bem com as mãos até todas as fatias ficarem envolvidas na marinada. Transfira tudo pra um recipiente com tampa. Os cogumelos devem ficar submersos na marinada, então junte mais um pouco de água, se necessário. Tampe e deixe na geladeira durante no mínimo 12 horas (uma noite), mas pode marinar até dois dias. Esse passo é essencial pros cogumelos amolecerem e se impregnarem do sabor da alga. Quanto mais tempo os cogumelos repousarem na marinada, mais intenso será o sabor marinho.

No dia seguinte escorra os cogumelos marinados em cima de uma panela pequena, pra recolher a marinada, e reserve. Leve a marinada ao fogo e ferva até 2/3 do líquido evaporar e se tornar um molho espesso. Corte o abacate, a toranja (ou laranja) e pique o coentro

Gosto de servir o ceviche em porções individuais (em copinhos ou cumbucas bem pequenas), mas nada te impede de colocar tudo em um recipiente maior e deixar cada pessoa se servir. Pra montar o ceviche misture delicadamente os cubos de abacate e toranja/laranja, disponha os cogumelos marinados por cima, regue tudo com um pouco da marinada reduzida e tempere com o coentro picado e pimenta do reino. Eu acho que o shoyu do molho e cogumelos é suficiente pra temperar todo o prato, então não acrescento sal nenhum. Sirva imediatamente. Rende 4-6 porções (entrada).

Beirute

Hoje faz exatamente duas semanas que cheguei no Líbano. Uma combinação de fatores me trouxe pra cá, mas a versão curta da história é: sempre tive vontade de visitar Beirute. Por isso ainda estou me beliscando pra ter certeza que minha casa agora é aqui.

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Estou descobrindo um mundo fascinante, cheio de contradições, surrealismo, belezas, desigualdades e injustiças. E algumas coisas realmente horrendas. As cicatrizes dos quinze anos de guerra civil e dos bombardeios israelenses ainda estão visíveis nos prédios e presentes nas mentes. Mas nem tudo é triste, longe disso. As pessoas são extremamente simpáticas e calorosas e a culinária tradicional é uma explosão de sabores naturalmente veganos que me impressiona dia após dia. Pra deixar tudo ainda melhor descobri uma cena veg movimentada e criativa. Mal cheguei aqui e já fui convidada pra cozinhar em um restaurante vegano a poucos metros de casa! Juntou a mudança de país com essa realidade nova e complexa, mais a montanha de informação que tenho que processar todos os dias e o fato de estar fazendo um curso intensivo de Árabe (três horas por dia, de segunda à sexta, pois decidi que estava na hora de me alfabetizar nessa língua que falo um pouco, mas não escrevo) e a minha pobre cabeça está prestes a explodir!

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Esse post vai ser curtinho, pois a eletricidade está prestes a me abandonar. Aqui falta luz três horas por dia, todos os dias. E apesar do meu prédio ter gerador, nem sempre ele funciona. Então serei breve. Mas antes de ir embora, quero dividir com vocês uma receita extremamente simples que provei no dia que cheguei aqui e que me conquistou. Se a melhor maneira de chegar no coração de alguém é mesmo pelo estômago, então é certo que me apaixonarei perdidamente por Beirute.

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Abobrinha grelhada com tahine

Provei essa receita no restaurante Mezyan, no bairro chamado Hamra. O prato original era frito, mas como não gosto de fritura resolvi grelhar minha abobrinha e fiquei ainda mais feliz com o resultado. Também acrescentei coentro, porque acho que tahine adora coentro. Essa receita não precisa de medidas exatas, basta fazer a quantidade de abobrinha que você quiser ou tiver na geladeira e molho suficiente pra regar tudo de maneira generosa.

Abobrinha italiana, em fatias

Coentro fresco, picado

Sal e pimenta do reino a gosto

Azeite

Molho de tahine (receita aqui)

Idealmente use uma grelha ou chapa. Uma frigideira pesada é a segunda melhor opção. Aqueça a grelha com um pouco de azeite. Disponha as fatias de abobrinha, tempere com sal a gosto e deixe grelhar até tudo ficar bem dourado. Vire as fatias, tempere com mais um pouquinho de sal e grelhe do outro lado.

Cubra com o molho de tahine, tempere com pimenta do reino a gosto e jogue o coentro picado por cima. Sirva quente ou em temperatura ambiente.

Gratinado de batata com tahina

Durante os tours Papacapim na Palestina procuro cozinhar sempre que possível pros grupos. Nada sofisticado, só pratos simples e nutritivos, pois é disso que nosso corpo precisa durante uma viagem tão intensa (fisicamente e emocionalmente). Me divirto muito dividindo a cozinha com os participantes e tento explicar tudo que sei sobre os ingredientes locais e sobre a culinária da Palestina.

Uma noite, quando o grupo de outubro estava aqui, preparei um prato bem singelo pra eles, inspirado num prato palestino tradicional (que leva batata, carne e molho de tahina).  Fiz uma versão vegana e acrescentei mais alguns vegetais, pra aumentar o sabor do prato. O pessoal aprovou a receita e desde então a refiz várias vezes aqui em casa. Pensei em compartilha-la aqui no blog porque sei que tem muito amante de tahina por aqui e essa é uma maneira deliciosa e original (pelo menos pra quem não nasceu no Oriente Médio) de usar esse ingrediente.

Esse post vai ser curtinho porque ando bem ocupada organizando o segundo tour desse ano (e o último!). O grupo chega daqui a alguns dias e mal posso esperar pra visitar meus lugares preferidos aqui com eles, viver muitas aventuras e convida-los pra cozinhar comigo. Vai ser lindo!

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 Gratinado de batata com tahina

Tahina aqui no Oriente Médio tem sabor delicado, sem amargor e a textura é bem líquida. Vi tahina na Europa e no Brasil, vendida em supermercados e lojas de alimentos orgânicos, muito mais espessa e com um sabor amargo bem forte. Tem a ver com a qualidade do gergelim e a maneira como ele é moído, mas também porque ela é feita com gergelim com casca. O sabor dessa tainha é inferior e a textura mais granulada, por isso se tiver uma mercearia que venda produtos árabes na sua cidade vale a pena fazer uma visita pra comprar a tahina original. A quantidade de tahina usada nessa receita vai depender do tipo que você estiver usando: 3cs de tahina espessa, 5cs de tahina líquida.

5 batatas médias, descascadas e cortadas em rodelas

2 ou 3 tomates, em rodelas

1 cebola grande, em fatias

4 dentes de alho, picados

Entre 3 e 5 cs (cheias) de tahina (ler explicações acima)

Azeite

Sal e pimenta do reino a gosto

Um punhado de salsinha ou coentro picado (salsinha é tradicional, mas coentro também fica uma delícia aqui)

Em uma panela média cubra as rodelas de batata com água, salgue generosamente e leve ao fogo até as batatas cozinharem. Cuidado pra não cozinhar demais. As batatas devem amolecer, mas não ao ponto de se desfazerem.

Enquanto as batatas cozinham refogue a cebola em 2cs de azeite em uma frigideira pequena. Quando ficar transparente junte o alho picado e deixe cozinhar mais alguns segundos. Desligue e reserve.

Escorra as batatas (eu guardo uma xícara dessa água pra fazer o molho, porque não gosto de desperdiçar água e porque esse líquido já vem com sal) e transfira pra uma forma untada com um pouco de azeite. Use uma forma média/grande, pois a camada de batata deve ficar relativamente fina, sem muita sobreposição. Assim elas vão gratinar melhor. Junte as rodelas de tomate e a cebola/alho refogados e misture com as mãos, tomando cuidado pra não quebrar as rodelas de batata. Tempere com um pouco de sal e pimenta do reino.

Dissolva a tahina com 2 cs de água (ou o líquido de cozimento das batatas) até ficar uma pasta cremosa. Junte mais água (ou mais líquido das batatas) aos pouquinhos, mexendo vigorosamente. A quantidade de líquido que você vai precisar depende do tipo de tahina utilizada, então é melhor se concentrar no produto final: o molho deve ter a consistência de um leite grosso. Você deve obter aproximadamente 1 xícara de molho de tahina. Despeje o molho de maneira uniforme sobre os legumes e leve ao forno até ficar dourado. Se seu forno tiver a função ‘grill’, seu gratinado ficará ainda mais dourado e saboroso.

Retire do forno e cubra com salsinha ou coentro picado. Rende 2-3 porções.

Saladas, sementes e criatividade

Eu estava pensando com os meus botões essa semana sobre o quanto o meu repertório de saladas é vasto e interessante. Antes de abraçar uma alimentação totalmente vegetal salada pra mim significava alface, pepino e tomate, regados com azeite e, se eu estivesse me sentindo particularmente gourmet, umas gotinhas de vinagre balsâmico. Hoje sou capaz de fazer saladas originais e surpreendentes com quase todos os ingredientes que passam pela minha frente.

Já faz alguns meses que cozinho regularmente pra uma família onívora que adora vegetais, mas não sabe nem tem tempo de prepara-los. E apesar deles gostarem de tudo que faço (até hoje o único prato que não foi aprovado foi a minha amada sopa missô, mas sei que ela nunca será uma unanimidade), minhas saladas conquistaram o coração desses belgas. Eles gostam tanto que me enviam mensagens durante o jantar pra dizer o quanto estão apreciando minhas preparações. Os coitadinhos sofriam do mesmo problema que eu: o repertório de saladas deles era extremamente limitado e nem um pouco excitante.

Minhas saladas são geralmente improvisadas com os ingredientes que encontro na cozinha, raramente compro ingredientes específicos pra fazer uma salada específica (a menos que eu esteja desejando algo como essa maravilha aqui). E você deveria fazer o mesmo. Essa regra é válida pra qualquer receita, porém saladas, mais do que qualquer outro prato, dependem totalmente da qualidade dos ingredientes utilizados. Por isso a receita pra fazer saladas deliciosas é ir à feira sem lista de compras e manter os olhos e as narinas bem abertos, à procura dos tesouros do dia. Volte pra casa com os vegetais mais frescos, suculentos e perfumados que encontrar e você estará a um passo de ter saladas inesquecíveis na mesa.

A segunda regra pra criar saladas deliciosas é escolher a mistura de ingredientes com sensibilidade. No dia-a-dia prefiro saladas simples, com um número pequeno de ingredientes. Se você tem à sua disposição vegetais capazes de ganhar um concurso de  Miss (Miss Sabor e Aroma:) essa é a rota que você deve seguir. Você pode fazer uma salada com apenas um ingrediente (no verão, quando os tomates estão na sua melhor forma, gosto de degusta-los sozinhos, com uma vinagrete leve e algumas folhinhas de manjericão), mas nesse post gostaria de mostrar como construo o tipo de salada que faço com mais frequência, caso vocês sofram de falta de criatividade saladal.

Na hora de compor as saladas que aparecem diariamente na minha mesa gosto de combinar dois vegetais (dois legumes ou um legume e uma fruta) e pelo menos um deve ser cru (muitas vezes os dois são crus). É importante utilizar vegetais que se harmonizam entre si. Se você não sabe direito o que isso quer dizer, aqui vai uma dica: pense em sabores que se complementam. Se estiver usando um ingrediente amargo (radicchio, endívia, chicória, toranja, pomelo…), junte um ingrediente adocicado (frutas doces, frescas ou desidratadas). Se estiver usando um vegetal ácido (frutas cítricas), utilize algo rico e denso (como abacate ou um molho cremoso). Se um dos ingredientes tiver um sabor muito intenso (cogumelos escuros, tomates secos, alcaparras), compense combinando com um ingrediente suave. O objetivo aqui é equilibrar os sabores e realçar os ingredientes, não anula-los, então cuidado pra não combinar algo de sabor muito delicado com algo de sabor muito potente: o primeiro pode desaparecer diante da força do segundo.

Além do sabor, a textura também deve ser levada em consideração. Macio com crocante, ingredientes mais secos com outros suculentos… Ter texturas diferentes na mesma garfada aumenta o prazer da degustação, por isso incluo sempre um vegetal cru nas minhas saladas: além da abundância de vitaminas, ele traz aquele toque crocante que deixa qualquer receita mais interessante.

E falando em ingredientes crocantes, aqui vai a dica que me fez ter vontade de escrever esse post: acrescente sementes, muitas sementes, nas suas saladas. Também gosto de usar todos os tipos de castanhas (do Pará ou de caju, amêndoas, nozes, pistaches, avelãs), mas como minha alimentação já tem bastante (consumo queijo de castanha e leite de amêndoas todos os dias), estou começando a explorar o maravilhoso mundo das sementes. O outro motivo que fez com que eu aumentasse meu consumo de sementes e diminuísse o de castanhas foi puramente financeiro. Na Palestina castanhas eram relativamente baratas, mas aqui na Bélgica eles pesam mais no bolso. Já sementes, principalmente as de girassol, são baratinhas (enquanto um quilo de castanha do Pará -orgânica- custa 14 euros, um quilo de semente de girassol-também orgânica- custa menos de 3 euros).  E como tento dar prioridade à alimentos produzidos localmente, faz sentido comer maiss sementes (cultivadas aqui do lado, na França) e menos castanhas (que vieram de longe).

Mas apesar da minha motivação inicial ter sido o meu orçamento pequeno, hoje consumo sementes porque me apaixonei pelo sabor. Linhaça, chia e gergelim fazem parte da minha alimentação há tempos, mas agora estou consumindo sementes de girassol e de jerimum (abóbora) aos punhados! E além de serem deliciosas, sementes são um concentrado de nutrientes (gorduras boas, proteínas, fibras, vitaminas e minerais). Comecei usando sementes de maneira tímida, mas isso mudou alguns meses atrás. Trato sementes como um dos elementos que compõem a salada, não como um condimento. Ao invés de salpicar um pitadinha aqui e outra acolá, junto algumas colheradas cheias de sementes às minhas receitas. A textura fica mais interessante, o sabor mais intenso e aproveito melhor os nutrientes que elas oferecem.

Mas se você não tem intimidade nenhuma com sementes, talvez seja mais prudente começar a utiliza-las com parcimônia, pra dar uma chance às suas papilas de se adaptarem aos novos sabores. E pra que os nutrientes sejam assimilados em maiores quantidades, você deve deixa-las de molho durante 12 horas antes de consumi-las. Confesso que nunca faço isso (esquecimento), mas sempre tosto ligeiramente antes de acrescenta-las aos meus pratos. Isso libera uma quantidade maior de nutrientes (menos do que quando as deixamos de molho, infelizmente), mas pra mim é uma etapa fundamental por outro motivo: o calor deixa as sementes mais crocantes, perfumadas e melhora ainda mais o sabor.

E se a criatividade saladal ainda não chegou aí, aqui vão umas receitinhas ultra simples pra te inspirar. E um super bônus: a minha vinagrete preferida, que transforma qualquer salada boba em algo interessante e que tem um ingrediente surpresa (pulando de empolgação e me sentindo um gênio por ter pensando nisso SOZINHA!): semente de linhaça moída. Por que colocar linhaça no molho da sua salada? Eu poderia dizer ‘pra incluir mais fibras e ômega 3 da sua dieta, oras’, mas a verdade é que a quantidade utilizada aqui é pequena, logo os benefícios nutricionais também (embora seja sempre uma boa ideia acrescentar tiquinhos de linhaça aos seus pratos, pois no final do dia, juntando tudo, você terá consumido uma quantidade mais importante). Apesar dessa ideia ter partido de uma boa intenção nutricional, hoje acrescento linhaça às minhas vinagretes porque elas resolveram um pequeno problema que vagava sem solução pela minha cozinha.

Como consumo geralmente duas saladas por dia, passo bastante tempo fazendo vinagretes durante a semana. Não que seja um trabalho difícil, nem demorado, mas ao invés de preparar um porção só pra salada que eu estava prestes a consumir pensei que poderia fazer quantidades maiores, pra vários dias. Depois guardo minha vinagrete em um recipiente de vidro, bem fechado, na geladeira, e vou usando durante a semana. Só que o frio faz com que o azeite engrosse e se separe do vinagre. Nada que alguns minutos em temperatura ambiente, ou uma colher de água quente, não resolvesse. Eu disse que era um problema pequeno, micro, até. Mas depois de ter feito uma vinagrete com linhaça moída descobri o seguinte. Ela se mistura aos líquidos e cria uma emulsão perfeita, que não se separa no frio da geladeira. Micro problema resolvido e agora quando coloco a cabeça no travesseiro à noite me sinto a Einstein das panelas veganas.

Se você e todos os seus amiguinhos usam esse truque há anos, por favor não me conte. Permita que eu continue me achando sabida:)

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Salada de maçã, aipo e semente de girassol

Eu uso cerca de 1/3x de sementes pra fazer uma salada pra dois. Se você não tem costume de consumir sementes, use uma quantidade menor. Gosto de juntar as sementes por último, pra que elas continuem crocantes.

1 maçã bem crocante, cortada em fatias finas

2 1/2 x de aipo cortado em fatias finas

1/3 x de semente de girassol descascadas (ou menos, de acordo com o seu gosto)

Metade da receita da minha vinagrete preferida (abaixo)

Misture a maçã e o aipo, regue com a vinagrete e misture bem. Despeje as sementes de girassol sobre uma frigideira (seca) e toste em fogo médio, mexendo de vez em quando, até elas começarem a ficar douradas e liberarem um aroma intenso. Polvilhe a salada com as sementes e sirva imediatamente. Rende 2 porções.

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Salada de beterraba cozida, aipo e semente de abóbora

Mais uma vez, adapte as quantidades de sementes de acordo com o seu gosto. E pros interessados em informações nutricionais, essa salada é uma bomba de ferro.

2 beterrabas médias cozidas, cortadas em cubinhos

2x de aipo cortado em fatias finas

1/3 x de semente de abóbora descascada (ou menos, de acordo com o seu gosto)

Metade da receita da minha vinagrete preferida (abaixo)

Misture a beterraba com o aipo, regue com a vinagrete e misture bem. Despeje as sementes de abóbora sobre uma frigideira (seca) e toste em fogo médio, mexendo de vez em quando, até elas começarem a se partir e liberarem um aroma intenso. Polvilhe a salada com as sementes e sirva imediatamente. Rende 2 porções.

 vinagrete com missô e linhaça

Minha vinagrete preferida

No mundo da gastronomia esnobe (aquele que nasceu lá na França) ‘vinagrete’ significa um molho à base de óleo (geralmente azeite) e vinagre usado em saladas. E a linguista que mora dentro de mim (ela passa a maior parte do tempo dormindo, mas de vez em quando acorda gritando), pediu pra eu dizer que ‘vinagrete’ é uma palavra feminina. A vinagrete típica francesa é feita com azeite, vinagre, mostarda de Dijon, sal e pimenta do reino. Essa foi a receita de base que inspirou a minha vinagrete preferida. Apesar da receita francesa usar mais azeite do que vinagre, eu gosto de usar quantidades iguais desses ingredientes, pois prefiro vinagretes mais leves (e mais ácidas). A receita abaixo deve servir de guia, mas sinta-se livre pra adaptar as quantidades de acordo com o seu gosto. Mas vou logo avisando que os sabores aqui são intensos. Se quiser fazer a vinagrete sem missô (por que? POR QUE??), lembre de juntar uma pitada de sal no final.

1/2 cs de missô escuro

1/2 cs de mostarda de Dijon (cremosa ou com os grãos inteiros)

4cs de vinagre balsâmico

4cs de azeite

1/2cs de linhaça moída

Uma pitada de pimenta do reino moída na hora

Misture o missô e a mostarda. Acrescente metade do vinagre e mexa bem pra dissolver tudo. Junte o resto do vinagre, o azeite e a linhaça moída e misture vigorosamente com a colher. Tempere com a pimenta do reino. Nesse ponto você deve provar a vinagrete e se quiser um sabor mais suave acrescente um pouco mais de azeite. Rende molho suficiente pra temperar uma salada grande, ou duas pequenas. Se quiser dobre a receita e guarde o resto na geladeira, em um recipiente de vidro bem fechado (se conserva uns 4 dias). A vinagrete vai engrossar um pouco (a linhaça vai continuar absorvendo líquido), mas nada que altere o sabor. Se quiser, junte 1cs de água pra que ela fique na consistência ideal.

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E enquanto escrevia esse post no meu escritório fiz uma pausa pra degustar mais uma das minhas saladas com sementes. Essa aqui tem quantidades iguais de funcho (erva doce) e maçã, mais sementes de girassol tostadas e minha vinagrete preferida.

Altamente subversivo

Descobri uma coisa maravilhosa, mas acho que quando eu descrever o que é vocês vão querer fechar a janela e ler outro blog. Mas lá vai. Brócolis confit. Traduzindo: brócolis cozinhado com azeite e alho durante uma hora, até ficar tão macio que você pode espalhar sobre uma fatia de pão como se fosse um patê.

Se você ainda está lendo esse post é porque provavelmente é um amante de brócolis. Você fez muito bem em ter ficado aqui, pois essa receita ultra simples é incrível. Eu poderia chamá-la de ‘patê de brócolis’, mas as pessoas associariam imediatamente esse prato a algo natureba e saudável. E isso seria uma erro rude. O nome Francês soa sofisticado e é exatamente isso que essa receita é. Deliciosamente sofisticada. O brócolis derrete na boca, envolvendo suas papilas com um sabor intenso. É um brócolis elevado ao quadrado e se você gosta desse legume, vai adorar essa receita.

Eu fiz pela primeira vez no trabalho, sem muitas expectativas. Aí provei e quase caí pra trás. Eu não consegui parar de comer colheradas desse brócolis, primeiro espalhado sobre fatias de pão, depois, quando o pão acabou, puro. Quase que não sobrava nada pros meus clientes. Eu não sou de falar palavrão, mas o negócio era tão bom que na hora baixou um marinheiro em mim. Felizmente a única testemunha do ocorrido é a cachorra dos meus clientes, que embora tenha se chocado profundamente com o meu comportamento, jurou que não contará nada pra ninguém.

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Achei essa pérola aqui e o nome em Inglês é ótimo: ‘broccoli cooked forever’ (que sempre me faz sorrir, pois penso em ‘strawberry fields forever’). Veganisei a receita (que tinha anchovas), deixei um ingrediente de fora (pimenta) e mudei um pouco o método de preparação, pra deixá-lo mais simples. A receita original usa uma xícara inteira de azeite, mas ainda não consegui aceitar essa extravagância. Uso metade e estou muito satisfeita com o resultado. Se alguém usar a xícara inteira, me conte como ficou. Também diminuí o tempo de cozimento, pois nunca consegui deixar meu brócolis cozinhar duas horas inteiras. Depois de uma hora ele começa a querer queimar um pouco no fundo da panela, por mais baixo que esteja o fogo. Me pergunto se esse problema apareceu porque reduzi a quantidade de azeite… Mais uma vez, se alguém seguir a receita original, divida o resultado conosco nos comentários.

Se você está pensando que cozinhar o brócolis durante mais de uma hora vai acabar com todas as vitaminas dele, você está coberta(o) de razão. Esse brócolis é pra ser comido unicamente pelo prazer. Outro dia você faz ele no vapor, al dente, pra aproveitar as vitaminas. Hoje você vai espalhar essa maravilha sobre um bom pão, ligeiramente tostado, e vai se deliciar (falando palavrão ou não) enquanto manda os nutrientes pras cucuias. E isso, amiga(o), é um ato altamente subversivo que eu encorajo vivamente.

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Brócolis confit

É essencial usar uma frigideira ou panela grande, com o fundo grosso e com tampa pra fazer essa receita. Se você usar algo feito com um material fino, o brócolis vai queimar. Esse prato exige uma certa dose de paciência, mas que não precisa de quase nenhum trabalho da sua parte. Basta ficar por perto e dar uma olhadinha de vez em quando pra ter certeza que não está queimando.

2 buquês (médios) de brócolis

4-6 dentes de alho, em fatias

1/2x de azeite (ou 1x, se você for extravagante)

Sal e pimenta do reino

Corte o brócolis em pedaços grandes (incluindo o caule). Em uma frigideira grande e com o fundo grosso aqueça o equivalente à 2cs de azeite e doure o alho. Junte o brócolis e regue com 1/2 xícara de água. Cubra, baixe o fogo e deixe cozinhar no vapor. Quando toda a água tiver evaporado despeje o resto de azeite sobre o brócolis, tempere com sal, cubra e deixe cozinhar, em fogo baixíssimo. Mexa uma ou duas vezes durante o cozimento, mas cuidado pra não amassar demais os pedaços. Cozinhe por pelo menos uma hora (duas, se você conseguir). O brócolis pronto vai manter a forma original, mas se desfaz quando você tocar nele. Se uma parte do seu brócolis virar purê, não se desespere: ele vai ficar menos bonito, mais o sabor será o mesmo. Prove e corrija o sal. Sirva quente ou em temperatura ambiente, polvilhado com pimenta do reino (melhor se for moída na hora), acompanhado de pão ligeiramente tostado (não esqueça de regar com o azeite que ficou no fundo da frigideira). Rende 6 porções como entrada ou aperitivo. Se conserva alguns dias na geladeira.

Salada do mar

Eu compro a maior parte da comida que entra aqui em casa num mercado orgânico (o ‘marché des tanneurs’). Foi lá que gravamos partes do vídeo sobre O GPAS. Os preços são excelentes (às vezes até mais baratos do que comida não orgânica de supermercado), os produtos são fresquíssimos e, na sua maioria, locais, o lugar é super agradável e o pessoal que trabalha lá é extremamente simpático. O único defeito é ser um pouco longe da minha casa.

Então já que vou caçar legumes tão longe, transformo a ida ao mercado em passeio. Se estiver fazendo compras acompanhada, depois de encher as sacolas de verduras fazemos um pique-nique numa pracinha (quando as condições meteorológicas permitem) e depois sentamos num café e conversamos sobre a vida enquanto degustamos… um café. Graças à esse nosso pequeno ritual, atravessar a cidade pra ir ao mercado ficou muito mais atraente.

O nosso pique-nique post-compras é sempre composto de alguns tesouros que encontramos no mercado, como um dos maravilhosos pães integrais, com fermento natural e muitas sementes, que eles vendem por lá e algum patê fresco, feito por uma empresa de comida vegetariana e vegana daqui de Bruxelas. A minha companheira de compras também inclui umas batatas fritas vendidas na praça no pique-nique dela (sabiam que batata frita foi inventada na Bélgica e que eles fazem as melhores do mundo?) e eu mentiria se dissesse que não roubo uma ou outra batatinha quando ela não está prestando atenção.

Mas pra mim o ponto alto desse pique-nique é um produto meio salada meio patê vendido no mercado que roubou meu coração. Eles chamam aquela coisa maravilhosa de ‘salada do mar’ e é uma mistura de vegetais crus, algas e uma maionese vegana à base de tofu. Felizmente todos os patês vendidos no mercado têm a lista de ingredientes estampada na frente, mas, falta de sorte minha, o papelzinho com a lista de ingredientes da tal salada do mar estava sempre amassada e eu nunca conseguia ler tudo. Durante semanas eu fiquei sem saber a composição da delícia, mas sempre fazia uma análise aprofundada (visual, olfativa e gustativa) pra descobrir o que tinha ali. E mesmo sem ter certeza, comecei a tentar reproduzir a salada em casa.

tofu sedoso

Os anos de veganismo deixaram o meu olfato ultra aguçado (todo o tempo passado farejando comida, tentando descobrir se tinha ovo ou leite ali, tinha que servir pra alguma coisa) e consegui fazer uma salada bem próxima do produto vendido no mercado. O segredo desse prato é cortar os legumes em tirinhas finíssimas. Isso exige uma boa dose de paciência, então vou logo avisando: se você não tem tempo/vontade de passar meia hora cortando palitinhos extra finos de salsão, escolha outra receita. Não tente fazer essa salada com ingredientes cortados grosseiramente, pois o resultado não será o mesmo. Pode parecer frescura pra alguns, mas garanto que a maneira como você corta os ingredientes influencia o sabor dos mesmos. Tenho certeza que isso foi provado cientificamente por alguém, em algum lugar do mundo, em algum ano.

As pessoas pacientes ganharão uma salada suculenta, deliciosa e delicadamente crocante (corte tudo em pedaços grosseiros e ela será violentamente crocante! Estou só avisando…). Acabei tomando pequenas liberdades com a receita e acrescentei maçã, pois adoro maçã nas minhas saladas e acho que ela casa maravilhosamente bem com algas. E também porque uma nota doce é sempre bem vinda pra equilibrar os sabores.

Semana passada consegui, enfim, ler a lista de ingredientes da salada do mercado por completo. E não é que eu tinha adivinhado quase tudo? Com exceção do xarope de trigo (que eu não faço questão nenhuma de usar) e do vinagre de maçã (eu estava usando suco de limão). Apesar da minha receita não ser exatamente como a deles (uso uma alga diferente, coloco maçã, não uso xarope de trigo, uso menos molho), hoje eu gosto ainda mais da minha versão. E a minha salada tem uma enorme vantagem: não preciso atravessar a cidade pra degusta-la.

 salada do mar2

 Salada do mar

Sempre surgem dúvidas quando posto receitas com algas, então vou tentar antecipar as perguntas. 1-Alga pra fazer sushi/maki se chama nori e pode ser usada aqui (e em qualquer uma das minhas receitas com algas) sem problema. Só não esqueça de picar a folha de alga seca miudinho com uma tesoura antes medir e juntar à salada. 2-Não precisa hidratar a alga antes de colocar na salada. Alga em flocos hidrata quase instantaneamente em contato com líquidos, então ela vai hidratar naturalmente quando for misturada com o molho.

Tofu sedoso tem consistência de pudim de leite (veja a foto acima) e é perfeito pra fazer molhos. Na falta, use o tofu mais molinho que encontrar e acrescente algumas colheres de sopa de água pro molho ficar mais líquido. Adapte a quantidade de algas de acordo com o seu gosto. Eu adoro algas, então uso 6sc na minha salada. Use menos se o sabor marinho não for a sua praia:)

3x de cenoura cortada em fios (ou ralada no ralo grosso)

3x de salsão cortado em fios

1 maçã, cortada em palitos finíssimos

3 cebolinhas verdes, a parte branca e a verde, cortadas em fatias finíssimas (aproximadamente 3/4x)

Entre 3 e 6cs de algas marinhas em flocos, dependendo do seu gosto (wakame, dulse ou nori)

Sal e pimenta do reino

 Molho

400g de tofu sedoso (leia as dicas acima)

3cs de vinagre de maçã

4cs de azeite

1/2cs de mostarda de Dijon

Uma pitada generosa de sal

Misture todos os ingredientes da salada e tempere com um pouquinho de sal e bastante pimenta do reino (melhor se for moída na hora). Bata todos os ingredientes do molho no liquidificador, prove e corrija o sal, se necessário. O molho deve ficar mais líquido do que uma maionese, então se estiver usando tofu mole (não o sedoso), acrescente algumas colheres de sopa de água. Despeje o molho sobre a salada e misture bem. Prove e corrija o tempero, se necessário. Você pode servir imediatamente, mas o ideal é deixar a salada descansar (coberta) na geladeira durante uma noite. No dia seguinte os sabores estarão mais apurados e sua salada ficará ainda mais deliciosa. Sirva gelada ou em temperatura ambiente. Rende 6 porções como acompanhamento. Essa salada também é um ótimo recheio pra sanduíche.

Espetinho de tofu com molho de manga e gengibre

Semana passada eu não parei um minuto. Além das longas horas de trabalho, o fato de ter feito atividades totalmente diferentes (chef particular, intérprete e babysitter) me deixaram ligeiramente desnorteada. E como no final da semana viajei pra Paris e só voltei ontem à noite, meu nível de cansaço físico e mental está batendo no teto. Mas não pensem que estou reclamando, estou só explicando minha ausência nos últimos dias. Mal cheguei e já voltei a trabalhar (o tempo está curtíssimo), mas queria dar o ar da graça por aqui. E dividir uma receita maravilhosa com vocês. O post vai ser curto, pois ainda tenho algumas horas de sono pra recuperar, mas garanto que com uma receita como essa você não vai precisar do meu bla bla bla de sempre.

Eu tenho uma confissão a fazer. Há anos (anos!) eu venho preparando uma receita sublime, deliciosa, maravilhosa, provavelmente minha receita preferida com tofu! E durante todo esse tempo pensei: “Preciso publicar a receita no blog”. Mas acontece que sempre que eu a preparava, devorava tudo em segundos e só lembrava de fotografar o prato quando já não tinha mais nada a ser fotografado além da minha cara coberta de molho.

Esse tofu com molho de manga e gengibre é uma adaptação dessa receita de Isa Chandra Moskowitz, uma das minhas heroínas de culinária vegetal, que encontrei no primeiro livro de receitas veganas que comprei (“Vegan with a Vengeance”). Se você ainda não conhece o trabalho dela, corra lá no Post Punk Kitchen que você terá acesso à muitas receitas incríveis (tudo em Inglês). Gosto de fazer uma versão simplificada e adaptada dessa receita e de servi-la de uma maneira diferente, mas todo o mérito vai pra Isa, que inventou essa maravilha. Esse é um prato que exige um certo tempo e trabalho, mas garanto que os resultados compensam. Sempre faço esse tofu quando estou na Europa durante as festividades do final do ano e acabou virando quase uma tradição de natal e ano novo. Então se você estava procurando uma receita especial pra impressionar a família e os amigos onívoros ou aquele prato que roubará a cena na sua ceia desse ano, acabou de achar.

tofu com molho de manga e gengibre2

Espetinho de tofu com molho de manga e gengibre

A receita original é servida como prato principal, mas eu adoro fazer esses espetinhos (mais divertido pra comer e o visual sempre impressiona). Se preferir servir como prato principal corte o tofu em pedaços maiores, corte a manga e o pimentão em tiras e sirva tudo misturado (tofu, molho, manga crua e pimentão salteado). Eu sou louca por gengibre e acho que ele casa maravilhosamente bem com a manga, por isso uso 4 colheres de sopa de gengibre fresco nessa receita. Como sei que algumas pessoas têm papilas mais sensíveis, sugiro entre 2 e 3 colheres de sopa desse ingrediente. Mas sinta-se livre pra adaptar as quantidades de acordo com o seu gosto.

1 cebola grande, picada

6 dentes de alho, picados

2-3cs de gengibre fresco, picado (veja dicas acima)

3 mangas maduras, mas firmes

1/2x de vinho branco seco

Suco de 1 laranja

Suco de 1/2 limão galego

1 pitada de cada: cravo, canela, noz moscada e pimenta do reino (tudo em pó)

Sal a gosto

3cs de azeite

400g de tofu firme

4cs de molho shoyu (ou tamari)

1 pimentão vermelho

Descasque duas mangas (a terceira será usada depois) e corte em cubos pequenos. Reserve. Em uma panela média aqueça 1cs de azeite e doure a cebola. Junte o alho e o gengibre e cozinhe mais um minuto. Junte as mangas picadas, o vinho, o suco de laranja, o suco de limão, as especiarias e uma pitada generosa de sal. Deixe cozinhar coberto, em fogo baixo, até as mangas começarem a se desintegrar. Enquanto isso pressione o bloco de tofu com um pano de prato limpo ou toalhas de papel (pra drenar um pouco da umidade) e corte-o em cubos pequenos. Em uma frigideira grande aqueça 1cs de azeite e doure os cubos de tofu. Tempere com o molho shoyu. Prove um pedaço de tofu e acrescente mais shoyu, se achar necessário (o tofu deve ficar bem temperado). Quando o molho de manga estiver pronto deixe esfriar um pouco e passe no liquidificador até transformá-lo em um creme homogêneo. Prove e corrija o sal, se necessário (o molho é doce e ligeiramente salgado ao mesmo tempo). Despeje sobre o tofu (ainda na frigideira) e quando começar a ferver desligue o fogo, tampe e deixe descansar uma hora (em temperatura ambiente) pro tofu absorver um pouco do molho. Você pode preparar o molho e o tofu na véspera e deixar ele marinando de um dia pro outro (nesse caso transfira o tofu e o molho pra um recipiente com tampa e deixe descansar na geladeira).

Pra servir

Pouco antes de servir os espetinhos corte o pimentão vermelho e a terceira manga em cubos (mais ou menos do tamanho dos cubos de tofu). Aqueça 1cs de azeite em uma frigideira grande e cozinhe os pedaços de pimentão, em fogo alto, mexendo frequentemente. Eles devem amolecer um pouco e ganhar uma cor mais escura em alguns lugares, mas cuidado pra não cozinhar demais. Enquanto isso aqueça o molho de manga e tofu (juntos) em fogo baixo. Retire os pedaços de tofu da panela (eles estarão cobertos de molho, mas tudo bem) e reserve o molho. Monte os espetinhos: espete em um palito de dente um pedaço de manga (crua), um pedaço de pimentão salteado e um pedaço de tofu. Repita a operação até acabar os pedaços de manga/pimentão/tofu. Sirva os espetinhos em temperatura ambiente, acompanhados do molho (morno). Mergulhe cada espetinho no molho antes de degustar. Rende aproximadamente seis porções como entrada/aperitivo.

Como preparar beterraba

Por alguma razão incompreensível pra mim beterraba parece ser um dos vegetais menos apreciados, principalmente pelo pessoal menor de 12 anos. Meu amor por beterraba pode ser medido pela quantidade de receitas à base desse legume que apareceu aqui no blog, então se você não sabe o que fazer com ela, aqui vão algumas dicas.

Primeiro de tudo, percebi que beterraba orgânica é cem vezes mais saborosa do que beterraba não orgânica. Em alguns vegetais essa diferença de sabor é pequena e às vezes até imperceptível, mas em outros a diferença é gigantesca. Lembro de ter comprado umas beterrabas não orgânicas em um supermercado de Natal durante as férias desse ano e depois de cozinhadas e descascadas quase grito quando coloquei um pedaço na boca. Aquelas beterrabas foram os legumes mais insípidos que já provei e a aparência anêmica deixou a experiência ainda mais desagradável. Mas não pensem que a foto acima mostra as beterrabas anêmicas e insípidas de Natal. Essas são beterrabas brancas rajadas de vermelho (totalmente psicodélicas!), orgânicas e deliciosas, que comi na França uns meses atrás. Então se você puder, compre beterrabas orgânicas. E peça ao feirante pra trazer suas beterrabas com as folhas (alguns vedem com, outros sem, mas você sempre pode pedir pra que ele não descarte as folhas das suas beterrabas na semana seguinte). Assim você leva dois legumes pra casa! Folhas de beterraba são uma delícia em saladas e sucos verdes.

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Na hora de escolher suas beterrabas prefira as menores (são mais saborosas) e as mais firmes (apalpe com o polegar pra conferir). Se a casca estiver enrugada e meio mole, ela foi colhida há muito tempo e terá perdido uma parte do sabor e das vitaminas. Claro que isso também vai acontecer na sua geladeira, se você esperar vários dias antes de consumir as beterrabas que trouxe pra casa.

Beterraba é extremamente versátil e pode ser consumida crua, cozida ou assada. Confesso que nunca me aventurei a assar beterrabas, mais assim que a minha cozinha tiver um forno, vou testar esse método e volto aqui pra contar. Imagino que o sabor fica mais concentrado, como todos os legumes assados no forno, por isso estou ansiosa pra experimentar.

As instruções pra quem quiser cozinha-la são fáceis: lave bem suas beterrabas, coloque-as inteiras e com casca (mas sem as folhas) em uma panela de pressão e cubra tudo com água fria, passando alguns centímetros do nível das beterrabas. Tampe a panela de pressão e leve ao fogo. O tempo de cozimento vai depender do tamanho da sua beterraba. Beterrabas médias levam cerca de 20 minutos (a partir do momento em que a panela começar a apitar) pra ficarem macias, mas adapte o tempo de cozimento de acordo do tamanho das suas beterrabas. Depois que a pressão for liberada,  abra a panela e espete as beterrabas com uma faca. Se não estiverem macias o suficiente, feche a panela e coloque de volta no fogo por mais alguns minutos. Com um pouco de prática você saberá quanto tempo cada beterraba precisa pra ficar do jeito que você gosta. Depois de cozidas retire-as da água, deixe esfriar um pouco e descasque. Esfregue a casca entre os dedos e ela vai se soltar facilmente. Agora elas estão prontas pra serem consumidas (cortadas em cubos ou fatias). Se você for um grande fã de beterraba, ou se sua família for grande, você pode cozinhar uma grande quantidade e guarda-las (ainda com a casca) em um recipiente fechado na geladeira por alguns dias. Descasque somente na hora de consumir.

Claro, você pode escolher consumi-las cruas e evitar o trabalho acima. Por ser um legume bastante firme, a melhor maneira de consumi-la crua é ralada. Assim a textura é muito mais agradável. Mas não esqueça de usar um avental na hora de ralar beterrabas, pois elas podem manchar suas roupas.

Não sabe o que fazer com beterrabas? Aqui vão algumas receitas pra inspirar vocês.

Salada de repolho, beterraba e maçã

Uma das minhas saladas preferidas: salada de beterraba crua, repolho roxo e maçã.

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Salada de beterraba e rúcula

Receitas com beterraba cozida que já apareceram aqui no blog: salada de beterraba com nozes, salada de beterraba e laranja e salada de beterraba e rúcula. E abaixo, uma inédita.

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Salada de beterraba com endro (aneto) e semente de girassol

Corte duas beterrabas cozidas (médias) em cubos pequenos e junte um punhado de cebolinha picada, um punhado de endro (aneto) picado e um punhado de sementes de girassol ligeiramente tostadas (toste as sementes em um frigideira seca, mexendo sempre, até ficarem douradas). À parte misture 1cc de mostarda de Dijon, 2cs de vinagre balsâmico e 4cs de azeite e despeje o molho sobre a salada. Tempere com uma pitada de sal e outra de pimenta do reino e deixe descansar alguns minutos em temperatura ambiente (pros sabores ficarem mais intensos) antes de servir. Rende 2-4 porções como acompanhamento.