Posts de categoria: Outros

Uns anos atrás eu entrevistei minha amiga Bárbara Bastos, que mora em Recife, como parte de uma mini série sobre alimentação saudável pra crianças. Se você ainda não leu as entrevistas, recomendo muitíssimo. Elas oferecem a perspectiva de três mulheres que se alimentam de maneiras diferentes (onívora/macrobiótica, vegetariana e vegana), com estilos de vida variados e que moram em cidades (países!) diferentes, mas que têm uma coisa em comum: decidiram oferecer uma alimentação integral e natural pros seus filhos. Se você acha que é impossível criar uma criança sem ‘danoninhos’, achocolatados, queijos processados, sucos de caixinha e biscoitos entupidos de açúcar e produtos químicos, as explicações delas farão você mudar de opinião. Elas mostram com exemplos concretos que é totalmente possível e que o impacto na saúde da criança é tão grande que faz a mudança valer muito a pena, apesar das dificuldades. Pra ler as entrevistas clique aqui, aqui e aqui.

Mas hoje eu gostaria de dar a palavra a Mateus, o filho de Bárbara. Ano passado passei alguns meses no Brasil e fui várias vezes a Recife. Na minha última visita entrevistei Mateus em um restaurante japonês, enquanto nos fartávamos com um rodízio totalmente vegano (Recife tem dessas maravilhas). Ele é vegano e apaixonado pela causa animal. Bárbara me contou que um dia ele voltou da escola muito triste porque tinha descoberto que um amiguinho tomava o leite de Bombom. Bombom é um bezerro, o personagem principal do livro infantil “Bezerro escritor”, de Igor Colares. O livro, lindamente ilustrado, explica como Bombom foi separado da mãe pra que as pessoas pudessem ficar com o seu leite.

Tiago, pai de Mateus e também um amigo querido, me contou que ele vez ou outra quer fazer açōes diretas de libertação animal. “Ele quer derrubar a cerca das fazendas, devolver os ovos pras galinhas…Recentemente a mãe de uma criança da escola dele nos disse que a filha não quer mais comer ovo porque Mateus disse que o ovo é da galinha. A gente já teve algumas dificuldades com relação a isso. Falamos pra ele que não adianta fazer certas coisas, pois isso não vai resolver o problema. A gente fala ‘Olha, vão colocar a cerca de novo. A gente precisa que as pessoas entendam, se conscientizem.’ Conversamos sobre isso dele falar com as outras crianças e sempre explicamos que não é pra ele criticar ou dizer que elas estão erradas, porque assim as crianças acabam ficando com raiva dele. O que ele pode fazer é tentar recorrer à sensibilidade que elas têm com relação aos animais. Crianças gostam dos animais. A gente tenta deixar claro pra ele que por mais que ele tente convencer as pessoas a mudarem, e não somos contra isso, vai ter pessoas que não vão se importar, que não vão mudar e a gente não vai deixar de ser amigo dessas pessoas porque elas não são veganas como ele.”

Conheço Mateus há anos, mas ele tem o hábito engraçado de me chamar sempre pelo meu nome e sobrenome juntos. Ele me cumprimenta dizendo “Oi, Sandra Guimarães” e se despede com “Tchau, Sandra Guimarães”. Em outubro participei do Veg Jampa, o primeiro festival vegano de João Pessoa e dei uma oficina de culinária ensinando a fazer nhoque com pesto. Como é o prato preferido de Mateus ele se empolgou e pediu pra ser meu assistente. Foi a primeira vez que dei uma oficina acompanhada. E por uma criança! Foi muito lindo e guardo uma lembrança preciosa desse dia.

Com vocês Mateus, o menino de sete anos com as preferências gastronômicas mais variadas e sofisticadas que conheço e que me ensinou uma verdade profunda de uma maneira tão óbvia que ficou gravada no meu coração pra sempre.

 

Mateus, eu vou gravar a conversa no meu telefone. Tudo bem?

Por que você vai gravar a voz?

Pra não esquecer. Aí quando eu chegar em casa eu escuto e digito no computador. Entendeu? Vamos lá. Qual o seu nome?

Mateus.

Quantos anos você tem?

Seis. (Hoje ele tem sete)

Você tem irmã ou irmão ?

Daqui a pouco eu vou ter porque a minha mãe tá grávida. (Olívia, a irmã de Mateus, nasceu em maio.)

O que você mais gosta de estudar na escola?

Matemática.

Qual é o seu prato preferido?

Comida japonesa.

Qualquer uma?

Uhum. Menos gyosa. E rolinho primavera. Essas coisas que eu não gosto.

Você sabe cozinhar alguma coisa?

Sei. Esfirra de za’atar.

Esfirra de za’atar? Você precisa fazer pra mim um dia.

(silêncio)

Mas Mateus seu prato preferido não era nhoque com pesto?

(Mateus me mostrou dois dedos)

É o segundo preferido?

A comida japonesa é a segunda preferida.

Comida árabe você gosta também, né?

Adoro.

Esfirra de za’atar, hummus, falafel…

Eu sei disso.

Por que você é vegano?

Porque eu quero.

Sua família é vegana?

Uhum. Bom, só o meu pai e a minha mãe.

Faz muito tempo que você é vegano?

Não.

Não faz muito tempo?

Faz.

Quantos anos?

Sete. Desde que eu nasci. (Na verdade Mateus nasceu vegetariano, de mãe vegetariana. Até os dois anos ele consumiu alguns poucos derivados de animais, principalmente queijo, mas nunca tomou leite de vaca. O único leite que tomou foi o da própria mãe, até os dois anos. A alimentação dele se tornou totalmente vegana aos dois anos, quando Bárbara se tornou vegana. Mas claro que ele não lembra dessa época da vida dele.)

O que você faz quando vai pra uma festa de aniversário e não tem comida vegana?

(silêncio) Eu não com nada.

Mas você come em casa antes?

Uhum.

Leva comida de casa?

Às vezes.

Você tem amigos ou amigas veganas? Da sua idade?

Não.

Só adultos, né?

Uhum. Você…

Que conselho você pode dar pra uma criança que quer ser vegana, mas não sabe o que fazer?

É só perguntar os ingredientes da comida pra ver se é vegana.

É isso que você faz quando vai comer fora?

Uhum.

Você gosta de ser vegano?

Adoro.

Por que?

Porque assim nasce mais animais. E quanto mais vida, melhor.

Você já sofreu bullying por ser vegano? Já te disseram coisas como: “Você vai ficar doente”?

Não.

Nunca?

Nunca.

Sempre te respeitaram.

Uhum.

E os seus amigos perguntam pra você: “Por que você não toma leite?”, etc?

Não.

Você tem uns amigos muito bacanas. Qual o nome do seu melhor amigo ou melhor amiga?

Tenho vários.

Você leva bolo vegano pra escola às vezes, né? Todo mundo gosta?

Uhum. Quando tem aniversário na minha escola minha mãe faz bolo. Ela fez dois bolos pro aniversário na minha escola. Eu não ajudei ela a fazer os bolos. Ela fez um de chocolate e eu não lembro o sabor do outro bolo.

Você tem algum recado pras pessoas que lêem o Papacapim?

Uhum. Se você virar vegano não se esqueça de ouvir esses conselhos que eu disse na entrevista com Sandra Guimarães.

 

Quando mostrei a entrevista pra Tiago, pai de Mateus, ele me explicou melhor essa história dos bolos veganos na escola. Perguntei se podia compartilhar aqui no blog porque é uma lição extremamente importante.

“Mateus mudou de escola esse ano. Ele estava falando dos bolos na escola anterior, onde ele estudou até o ano passado. Ele saiu do jardim e está na escola fundamental, ainda numa escola Waldorf. Sobre o bolo na escola, foi bem complicado. O ritual de aniversário das escolas Waldorf é a coisa mais linda que existe. É uma cerimônia onde os pais participam, a história da criança é contada e os amiguinhos são escolhidos pra ajudar. É muito bonito, mesmo. E ele participava do ritual, mas não comia o bolo depois porque não era vegano. Então a gente conversou com as pessoas da escola. No começo foi muito difícil porque achavam que a gente queria impor o veganismo a eles. Aí a gente se ofereceu pra fazer os bolos a preço de custo pras famílias que quisessem. Mateus ficava muito triste por não participar e também tinha um coleguinha dele intolerante à lactose, então explicamos que o mais inclusivo seria que o bolo fosse vegano. No começo não tivemos sucesso nenhum, mas Mateus ficou vários anos na escola e isso foi mudando. Quando ele saiu da escola basicamente 70% dos bolos de aniversário, das comemorações, eram veganos. E além de nós fazermos alguns bolos, algumas famílias pediam receitas pra nós e faziam bolos veganos em casa. Elas ficavam felizes da vida por Mateus também poder participar da comemoração. Na escola que ele está agora a professora é vegana e ele ama isso. E o melhor amigo dele, que veio da antiga escola, já foi lacto-vegetariano e agora está voltando a ser vegetariano e está super ativista com Mateus.”

Se você decidir parar de fazer parte do sistema de exploração e crueldade contra animais e se tornar vegana aparecerão várias dificuldades no seu caminho. Porque vivemos numa sociedade carnista e recusar seus valores ou criticar o sistema é uma ameaça à sua existência. Então você terá duas opções. A primeira é decidir que é muito trabalhoso viver de acordo com a sua ética o tempo todo e aceitar passar por cima dela “pra não causar transtorno/constrangimento” ou “pra facilitar a vida”. Nesse caso você voltará a patrocinar uma indústria cruel e a normalizar os hábitos carnistas. Mas essa não é a sua única opção. Você pode ter uma atitude completamente diferente e decidir que sua ética não é negociável.  Você pode lutar pra mudar o status quo, aceitando que vai ter um período de desconforto e dificuldades até que a mudança aconteça. Sei que muita gente acha o preço desse desconforto alto demais, mais alto do que o custo moral de passar por cima da própria ética. Mas se você aceitar o desconforto como um preço pequeno pra ser a mudança que você quer ver no mundo você terá a alegria de saber que participou ativamente da construção de uma nova realidade, mais inclusiva e com mais compaixão. Além de facilitar a sua vida de verdade a longo termo, você terá aberto o caminho pras veganas que virão depois. Por isso achei o exemplo de Tiago e Bárbara tão inspirador. A próxima criança vegana, ou intolerante à lactose, que entrar na escola de Mateus encontrará um ambiente bem mais receptível e acolhedor e com certeza será mais fácil pra ela participar das comemorações e comer os bolos de aniversário com as coleguinhas. Além, claro, de ter sensibilizado as mães e os pais das outras crianças e o pessoal que trabalha na escola ao veganismo. E é assim que a gente faz a sociedade evoluir.

No dia que entrevistei Mateus tinha um grupo grande de adultos ao redor da mesa. Mateus era a única criança. O assunto era comida e não lembro como chegamos lá, mas em um momento as palavras “comida vegana” e “comida não vegana” foram pronunciadas. Mateus declarou: “Só existe comida vegana.” Explicações se faziam necessárias, então ele acrescentou, do alto dos seus (na época) seis anos: “Só existe comida vegana. Se não for vegana, não é comida.”

0_0

Deixo vocês com a sabedoria de Mateus. E com esse vídeo lindo onde ele ensina a fazer um “Bolo vulcão de limão” (vegano, obviamente). Aproveite e veja os outros vídeos de Cecília, que também é de Recife e tem um canal cheio de receitas incríveis chamado “Bora Veganizar” .

Continuo em Berlim, mudando de casa em média a cada três dias, me sentindo um macaquinho pulando de galho em galho. Só que de bicicleta e com uma mochila nas costas. Quando eu conseguir achar um apartamento que corresponda aos nossos critérios de busca vou beijar o chão, que nem o papa fazia.

Como minha vida está uma bagunça, está difícil manter o formato dos meus posts (história + receita), pois não ando cozinhando muito em casa. O post de hoje será diferente e picotado, como o momento que estou atravessando.

Descobri, uns meses atrás, o maravilhoso mundo dos podcasts. Sempre chego atrasada nessas coisas envolvendo tecnologia, porque geralmente elas não me interessam, aí nunca faço o esforço de ver como funcionam. Vim descobrir que Siri morava no meu celular, que me acompanha há dois anos, dia desses, graças à minha amiga Camila. Mas quando perguntei: “Siri, você é sionista?” e ela respondeu: “Eu não gosto muito dessas categorias arbitrárias.”, me dei conta que não tinha diálogo entre nós e mandei ela de volta pra sei lá que cyber-apartamento ela mora. Mas aí fiquei curiosa e trouxe ela de volta pra perguntar: “Siri, onde você mora?” e ela respondeu: “Eu moro na esquina da imaginação com a realidade.” Fiquei meio cabreira com a resposta. Perguntei se ela existia e ela respondeu: “Desculpe, Sandra, eu fui aconselhada a não discutir o meu estado existencial.” Caraca! Como ela sabia que era eu? Mandei ela de volta pra hibernação rapidinho porque Siri me dá medo.

Mas eu estava falando de podcasts. Estou encantada com as possibilidades de aprendizado. Lavar a louça e organizar coisas se tornou não somente um prazer imenso, mas também um momento pra me educar. Coloco os fones nos ouvidos, ponho um podcast pra tocar e digo: “Com licença, vou ali me instruir” e meia hora depois a cozinha está um brinco e eu estou mais sabida. Viajar também se tornou uma atividade prazerosa. Me refiro à parte da viagem que corresponde ao deslocamento de um ponto a outro, com todos os ônibus/metrôs, tempo de espera em aeroportos, filas de imigração, todas essa coisas chatíssimas que acontecem antes de você chegar no seu destino e começar a se divertir. Viajar de ônibus e trem? Delícia! Pra uma pessoa que viaja muito, mudou a minha vida. Mês passado fiz uma viagem longa (Paris-São Francisco) e fiquei quase 12 horas no ar a cada trecho e graças aos podcasts que eu tinha baixado antes de embarcar, nem vi o tempo passar e ainda desci do avião muito mais instruída do que a pessoa que eu era quando embarquei.

Pra quem ficou interessada, aqui vai a lista dos podcasts que escuto com mais frequência no momento: Philosophy Bites (o primeiro que descobri, dois anos atrás, quando eu nem sabia que era um podcast, e até hoje é o meu preferido), Which Side (anarquista e vegano), The Guilty Feminist (hilário!), Feminist Current, BBC Radio Food Programme, Intercepted (podcast do site independente de notícias “The Intercept”), London School of Economics: Public lectures (palestras sobre temas variados com grandes nomes da Academia), RSA Events (palestras e debates) e TED Talks (palestras incríveis sobre basicamente tudo). Todos em Inglês. Recentemente uma seguidora do meu IG recomendou dois em Português e fiquei muito, muito feliz: Salvo Melhor Juízo e AntiCast. Quem quiser recomendar seus preferidos nos comentários, fique à vontade.

E falando em recomendações, vou aproveitar a deixa pra recomendar dois filmes que vi no avião, durante a viagem citada acima. O primeiro, “Eu, Daniel Blake”, de Ken Loach, eu queria ver há meses. Foi um dos filmes que mais me tocaram na vida e provavelmente o que mais me fez chorar.  Eu estava chorando tão descontroladamente que decidi ver um filme de animação francês, “Minha vida de abobrinha”, logo depois, imaginando que ia me alegrar. Só que ele também era triste, mas belíssimo, aí chorei horrores de novo. Recomendo demais esses filmes, mas não um depois do outro, muito menos dentro de um avião com uma ruma de gente ao seu redor.

Comprei, enfim, um coletor menstrual. Mais um trem que peguei atrasada e que gostaria de ter pegado antes. Ainda estou no período de adaptação e pedi conselhos às minhas seguidoras no IG. Nunca imaginei que tantas pessoas responderiam. Foi lindo ler as dicas de tantas mulheres, a maioria nem sequer me conhece pessoalmente, sobre um assunto feminino tão íntimo. Me senti conectada com minhas irmãs que sangram e fazendo parte de uma grande sororidade.

Na busca por apartamento aqui em Berlim um amigo enviou um anúncio que um conhecido tinha postado no FB de um quarto livre em uma casa com várias pessoas. Até aí tudo tranquilo, dividir apartamento com muitas pessoas é bem comum em Berlim. Só que o anúncio dizia: “Só tem pessoas brancas morando aqui e gostaríamos de incluir mais diversidade no nosso lar, por isso estamos procurando uma pessoa de cor pra se juntar à nós.” O incômodo que senti ao ler aquelas linhas foi imediato. Fiquei de bobeira com a atitude do pessoal. A minha presença era desejada ali simplesmente pra fazer com que a casa e as pessoas que nela moram se tornassem mais “alternativas/cool” e me senti tokenizada. Pra quem não sabe o que é “tokenizar”, transcrevo aqui a conversa que tive com minha amiga Cibele sobre o anúncio. Cibele é uma das pessoas que mais admiro e explicou bem direitinho o que essa palavra significa, além de traduzir o meu sentimento de desconforto.  “Alguém pode argumentar que eles só agiram de acordo com a lógica das “cotas”. Só que não. “Cotas” são pra garantir a grupos sociais desprivilegiados o acesso à estruturas de poder como a universidade, que foram negadas historicamente a eles. Esse tipo de convite não visa a corrigir nenhuma diferença de privilégios, só visa a garantir a um grupo privilegiado que ele não vai ser acusado por esse privilégio. É só por um interesse deles, não das pessoas “de cor” (que é uma expressão que boa parte do movimento negro rejeita). Isso é tokenização. Privilegiados se protegendo de serem denunciados por esse privilégio sob o álibi de terem sido inclusivos.”

(Nota explicativa que talvez se faça necessária: apesar de ser considerada branca no Brasil e em muitas partes do mundo, na Europa eu sou vista como “latina”, logo “não-branca”. Aproveito pra informar ao povo do Brasil que nós não somos ocidentais. Quando vejo jornalistas se referindo à nós como “ocidentais” na mídia, de novo e de novo, me dá vontade de rir. “Ocidente” é um termo econômico, não geográfico, e significa: Europa, EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Foi uma surpresa pra mim também descobrir que “Ocidente” significa “país de primeiro mundo”, não “país onde os olhos das pessoas são arredondados”, como eu pensava até me mudar pra França, aos 20 anos. Pois é. Apesar de todo mundo aí achar que mora no Ocidente e que eu sou branca, esses são conceitos relativos que não são verdadeiros por aqui.)

E pra terminar, ver a situação no Brasil de tão longe, sem poder me juntar aos protestos, é agoniante. Fora Temer! Diretas já! Tudo isso acontecendo e eu aqui na praça, dando milho aos pombos.

Vou ali escutar mais um podcast enquanto como o resto da maravilhosa fritada de repolho e cogumelo, feita com farinha de grão de bico, que fiz pro almoço. (Receita no próximo post.)

*As fotos que aparecem nesse post foram feitas na ocupa/comunidade-anarquista-no-bosque onde eu morei semana passada. Foi uma experiência e tanto!

Chegue em Berlim há uma semana. Vim tentar morar aqui. Digo “tentar” porque morar é uma ação que exige compromisso e ainda não sei se posso me comprometer com essa cidade. Ou se a cidade vai querer se comprometer comigo. Espero que sim, pois estou cansada de arrastar minha mala mundo afora e ficaria muito feliz em me aquietar um tempo. Cultivar ervas na janela, essas coisas.

Por que Berlim? Porque começa com a letra “b” e até hoje só moramos juntas, Anne e eu, em cidades que começam com “b”: Belém (Palestina), Bruxelas, Beirute. A razão verdadeira da mudança não é muito mais convincente, então fiquemos com essa.

Estou me sentindo uma alma penada, tanto por estar vagando pela cidade sem sentir que pertenço ao lugar (por enquanto!) quanto pelo fato de ter que mudar de casa a cada três dias, pois ainda não encontramos um lugar pra chamar de nosso e estamos contando com a solidariedade e generosidade das amigas que nos oferecem teto provisório.

Volto em breve, com informações mais interessantes e uma receita muito boa.

(Foto do brunch do café da esquina, onde 90% do bufê é vegano. Sim, até os croissants!)