Umas semanas atrás escrevi esse post sobre sarraceno, uma das melhores descobertas gastronômicas que fiz na vida (obrigada, veganismo, por ter expandido tanto os meus horizontes gastronômicos) e prometi a receita dos meus famosos crepes de sarraceno. Vou começar dizendo que essa receita não foi uma invenção minha, longe disso. Crepe de sarraceno é um prato típico da Bretanha, região no Noroeste da França. Lá eles são chamados de “galettes au blé noir” (“galettes de trigo negro”, como o sarraceno também é conhecido em Francês) ou simplesmente “galettes Bretonnes”.

Não me recordo se já conhecia essa delícia na minha vida pre-vegana, mas lembro que alguns anos atrás peguei um pacote de galettes prontas (sem recheio) num supermercado francês e me surpreendi ao perceber que a receita era naturalmente vegana. Na França você não vai colocar as palavras “tradicional” e “vegana” juntas com frequência e é um mistério que um dos raríssimos pratos típicos 100% vegetal venha da Bretanha, região famosa pelo queijo e creme e por colocar manteiga em absolutamente tudo. Tem até um bolo típico de lá que é praticamente manteiga e açúcar com duas pitadas de farinha, um tal de “kouign aman” (nunca comi, mas quem provou me disse que o estômago reclamou bastante depois de ser forçado a digerir tanta gordura saturada de uma vez).

Infelizmente o fato das galettes serem naturalmente veganas não significa que você, amiga vegana, vai poder entrar em qualquer creperia bretã e poder degustar uma. Não podemos esquecer que estamos falando da Bretanha (e da França) e que todos os recheios servidos por lá são à base de animais e suas secreções. A última vez que estive nessa região foi em 2013. Anne e eu entramos em todas as creperias da cidade onde estávamos hospedadas (Saint Malo, uma cidadezinha linda no litoral) e não encontramos uma só galette com recheio vegano. Como diz a minha mama, nem uma pra fazer um chá! O jeito foi comprar as galettes sozinhas e preparar recheios em casa. Aliás naquela viagem criei um recheio com algas frescas, mais um alimento típico da região, que ficou registrado nas nossas papilas, mas isso é outra história.

Voltemos à galette. A receita não poderia ser mais simples. Só tem dois ingredientes (três, se você contar o sal) e exige apenas um liquidificador e uma frigideira. Bem mais em conta que uma viagem à França. Como interroguei todas as cozinheiras e cozinheiros das creperias em Saint Malo, na esperança de achar um recheio feito com plantas, acabei encontrando um que concordou em me dar a sua receita e descobri exatamente como é feito por lá.  E por ser uma alma boa (e modesta) vim aqui compartilhar o segredo com vocês. O pessoal na Bretanha usa farinha de sarraceno, mas além de ser um produto difícil de encontrar, acho o sabor da farinha inferior quando comparado ao sarraceno em grãos. Minha teoria é que provavelmente os grãos pra fazer aquela farinha tenham sido moídos meses atrás e foram ficando rançosos. Não posso garantir que minha teoria tem fundamento, talvez eu tenha simplesmente comprado um saco de farinha velha anos atrás, mas o importante é que não só é possível fazer crepes de sarraceno com os grãos inteiros descascados, como o sabor fica, na minha opinião, ligeiramente superior.

O segredo que o cozinheiro bretão compartilhou comigo foi o seguinte: prepare a massa no dia anterior e deixe fermentando em temperatura ambiente. As bacterias que moram no ar vão entrar na massa, fermenta-la levemente e ela vai ficar mais aerada e com um sabor mais complexo. Eu já esqueci a massa por 48h e ela fermentou bastante e ficou bifásica, com um líquido claro na parte superior e uma massa mais densa na parte inferior. Eu não gosto de desperdício e não tenho medo de fermentar loucamente minha comida, então fiz os crepes apesar do cheiro forte da massa e ficou uma delícia. O sabor ficou bem intenso (não espalha, mas me lembrou camarão seco), o que não vai agradar todo mundo e preciso avisar que não posso me responsabilizar pelos resultados. Se você quiser brincar com as bactérias da sua cozinha e comer o resultado, será por sua conta e risco.

Eu fiz uma oficina de receitas francesas ano passado em Recife e ensinei a fazer esses crepes. Mas como precisava fazer a massa e preparar os crepes imediatamente, o que significava que não podia deixar a massa repousando por 12 horas, usei um atalho. Acrescentar um pouquinho de vinagre de maçã (não pasteurizado) dá uma certa leveza à massa e acrescenta uma pontinha de acidez, o que aconteceria durante o processo de fermentação. Você pode fazer isso numa emergência, mas o método de preparação natural produz resultados melhores.

Então aqui está a receita das deliciosas galettes bretãs, ou crepes de sarraceno. Quem leu o post sobre sarraceno sabe que ele não tem glúten e é uma proteína vegetal completa, então acho esses crepes muito melhores do que os tradicionais feitos com farinha de trigo. Muitas pessoa me perguntam como fazer crepes sem ovos e leite e embora eu tenha postado a minha receita aqui, acho que muito mais interessante do que veganizar crepes convencionais é troca-los por crepes de sarraceno.

 Crepes de sarraceno (galettes bretãs – sem glúten)

Não espere o mesmo sabor de crepes feitos com farinha de trigo. Esses aqui têm um gosto mais forte, com notas ligeiramente amargas, típico do sarraceno. Quem nunca provou pode estranhar um pouco, mas garanto que depois do segundo crepe você terá sido conquistada.

1x de sarraceno em grãos (cru, descascado)

3x de água

Pitada generosa de sal

Bata o sarraceno com a água e o sal no liquidificador até virar uma mistura bem lisa (esfregue um pouco entre os dedos pra testar). Transfira a massa pra um recipiente (de preferência de vidro), cubra com um pano de prato limpo e deixe em temperatura ambiente por 12 horas. Eu faço à noite pra comer no almoço do dia seguinte, ou de manhã pra comer no jantar. A massa vai fermentar ligeiramente (um processo natural, não precisa acrescentar nada) e o sabor e a textura ficarão ainda melhores.

Depois de período de  descanso/fermentação esquente uma frigideira anti-aderente (importante! Se a sua frigideira não for anti-aderente e seu crepe não der certo, não me culpe, pois eu te avisei) com algumas gotas de azeite. Despeje um pouco de massa no centro e imediatamente vire a frigideira em um movimento circular pra massa escorrer pros lados. O crepe deve ficar finíssimo e você pode usar as costas de uma colher pra terminar de espalhar a massa. Deixe cozinhar em fogo médio e assim que descolar, vire o crepe pra cozinhar do outro lado. Uma espátula fina e plana é a sua melhor amiga na hora de virar crepes sem rasga-los. Se o primeiro não sair perfeito, não se preocupe. Dizem que o primeiro crepe nunca dá certo, mesmo. Coma esse crepe como consolo enquanto faz o segundo. Você merece. Repita a operação até ter usado toda a massa, colocando algumas gotinhas de azeite na frigideira antes de cozinhar cada crepe. Eu consigo fazer 6 crepes médios (e fininhos) com essa receita, mas esse número pode variar dependendo do tamanho da sua frigideira e da espessura dos seus crepes.

Recheie como preferir e sirva, de preferência acompanhado de uma salada verde. Você pode dobrar os crepes como uma tapioca, ou tentar a maneira tradicional bretã, como nas fotos acima. Pra isso coloque o recheio no centro do crepe e dobre a parte direita e esquerda do crepe por cima do recheio.  Em seguida dobre a parte superior e inferior da mesma maneira, formando um quadrado, mas deixando uma parte do recheio exposta no meio. Nas fotos acima recheei os crepes com berinjela e cogumelo salteados, cubos de tofu defumado e queijo de castanha.

A massa crua pode ser guardada na geladeira por uns dois dias, em recipiente fechado. Os crepes prontos podem ser guardados na geladeira pelo mesmo tempo. Esquente na frigideira (com umas gotinhas de azeite ou não) antes de degustar. Eles ficarão mais crocantes, mas igualmente deliciosos.

Sugestões de recheios

Espinafre com creme

Cogumelo com creme (refogue cogumelos e use o creme da receita acima)

Tofu mexido com tomate e manjericão

Patê de tofu, tomate seco e ervas

A berinjela de dona Laura

Requeiju + legumes refogados

Hummus, tomate e rúcula

Qualquer pasta que você gostar, mais legumes crus ou refogados

Banana caramelizada e chocolate derretido

Eu conheci Ahmad Safi, um dos fundadores da Palestinian Animal League (PAL – Liga Animal Palestina), em 2015. Sou uma grande admiradora do trabalho que a PAL, a primeira Organização de Proteção aos Animais atuando dentro dos Territórios Palestinos Ocupados, está fazendo e tinha vontade de entrevistar Ahmad desde então. No final de abril deste ano, finalmente marcamos uma data e nos encontramos na hora do almoço no Sudfeh, o primeiro restaurante vegano/vegetariano da Palestina, localizada na Universidade Al Quds, em Abu Dis.

Ahmad chegou dizendo que não estava se sentindo tão bem. Na noite anterior soldados israelenses invadiram o campo de refugiados de Jalazone, onde ele vive com sua família, e atiraram nos moradores. “Ontem à noite eu encontrei um amigo e decidimos sair para nos divertir. Quando chegamos na entrada do campo vimos dois garotos feridos. Olhei pro que estava mais perto de mim e tinha tanto sangue que não o reconheci, mas me disseram que era meu vizinho. Eu coloquei o garoto no meu carro e meu amigo me ajudou a levá-lo ao hospital. Ele tinha ferimentos muito graves, parte do seu cérebro estava exposto. Não levamos o outro rapaz porque ele já estava morto. Outras pessoas no campo também estavam feridas. Infelizmente, meu vizinho morreu no hospital. Ele só tinha 16 anos. Hoje de manhã alguém estava grelhando carne. Durante a primeira intifada algumas pessoas do campo morreram queimadas e é exatamente o mesmo cheiro de carne sendo grelhada. Eu já senti o cheiro de muitos cadáveres na minha vida, mas na noite passada foi terrível. Eu me senti realmente mal. Vim trabalhar hoje pra tirar esses pensamentos da cabeça.”

 Esse é o dia a dia dos palestinos. Não foi a primeira vez que Ahmad presenciou alguém que ele conhecia, um vizinho, um amigo, sendo morto pelas forças de ocupação. A vida continua, mas não consigo não me sentir estranha perguntando a ele sobre veganismo depois de ouvir os terríveis eventos que aconteceram há poucas horas.

Mas durante a entrevista, Ahmad me lembrou que todas as lutas estão conectadas e que não podemos separar a luta por direitos humanos da luta por direitos animais. Especialmente agora que a comunidade vegana está crescendo dentro de Israel e o movimento está sendo usado como mais uma ferramenta do kit de propaganda israelense. Trata-se do chamado “veganwashing”, que usa a crescente popularidade do veganismo dentro da sociedade israelense pra apresentar uma imagem “progressista” do estado e tirar o foco da violência perpetrada contra os palestinos pelo projeto colonialista israelense. Até mesmo o exército israelense entrou nessa e tem oferecido a possibilidade de optar por refeições veganas e botas de couro sintético aos soldados que se declarem veganos, em uma tentativa de melhorar sua imagem.

O veganismo não é o único movimento de justiça social usado pelo governo israelense para “lavar” seus crimes. A comunidade LGBTQ frequentemente é usada para vender a imagem de país progressista e esconder as violações a direitos humanos praticadas por Israel, o que é conhecido como “pinkwashing”.

 

Como você se tornou vegano?

Assim que comecei a visitar matadouros. Quando eu vi o que acontecia lá, me tornei vegano.

 

O que é o método de abate halal? Como ele se diferencia dos métodos tradicionais de abate de animais?

Nós temos um ditado em Árabe que diz: “não importa quanta misericórdia você tenha, matar é matar”. Então não importa se é halal, se você fez com essa ou com aquela máquina, se a faca é afiada… matar é matar. Esse é um ponto muito importante que as pessoas costumam esquecer.

Quando nós precisamos comer carne? Quando não temos nada mais para comer e nossa sobrevivência depende disso, mas atualmente temos várias alternativas. Muitas alternativas.

Quando comecei a me dar conta disso, pensei: “preciso me tornar vegano”, mas dentro da PAL não temos uma regra que diz que você precisa ser vegano para participar, porque as pessoas vão aprender por conta própria e, quando tiverem informações suficientes, vão mudar.

 

O que você acha dos ativistas por direitos animais que diminuem o sofrimento humano ou que dizem que basta as pessoas se tornarem veganas pra obter justiça em todos os lugares e pra todo mundo?

É loucura. Essas pessoas são especistas se acham que animais valem mais do que humanos. Eu odeio isso. Humanos e animais são iguais. Todos os seres vivos têm o direito à vida. Você escolheu nascer? Você está aqui agora e você tem o direito de viver. Quem decide quem tem e quem não tem o direito à vida? Somente o ódio. Ódio. E ganância.

E, por isso, o que pensamos sobre animais é o mesmo que pensamos a respeito de humanos e vice-versa. Devíamos nos chamar apenas de “seres”. Somos todos seres e somos todos iguais.

 

Eu achei o seu artigo sobre o Islã e o veganismo muito interessante.

Comer animais era permitido porque nós vivíamos no deserto. Você tem que lembrar que era uma outra época. Se você está no deserto, os únicos alimentos disponíveis são trigo e tâmaras. Hoje importamos coisas de Portugal, da Espanha! É um mundo diferente. Agora eu posso encontrar milhares de alternativas para comer.

(Ahmad pede licença pra falar com uma pessoa que estava passando na hora. Quando ele volta à conversa ele percebe que uma outra estrangeira, que veio comigo, havia se sentado à mesa. Ele perguntou, em Árabe, como ela estava. Ela respondeu usando o masculino, pois em Árabe o gênero é expresso em todos os adjetivos. Eu apontei o erro, mas Ahmad riu e disse que não tinha importância. “Somos contra essa coisa de gênero. É uma construção social.” Começamos então uma conversa sobre o absurdo que é o gênero nas gramáticas das nossas línguas maternas).

 

Como começou a PAL?

Para ser honesto nós não pensávamos em direitos animais quando iniciamos. Criamos a PAL para educar as crianças sobre violência. Para quebrar o ciclo de violência. (Eu ouvi Ahmad explicando isso algumas vezes em apresentações. Um homem palestino apanha de um soldado israelense, vai para a prisão sem nenhuma razão, é torturado na prisão… então quando é solto, ele começa a reproduzir a violência da qual foi vítima dentro de casa, com sua esposa, que então a reproduz com os seus filhos; as crianças mais velhas reproduzem com as mais novas, e no final desse ciclo de violência estão os animais, que são abusados pelas crianças.) Mas então começamos a refletir sobre muitos problemas.

Uma das coisas que são realmente importantes para nós é empoderar as pessoas para que elas se ajudem. Nós fazemos muitas atividades. Por exemplo, voluntários nos ajudaram a limpar as ruas dos campos de refugiados. Queríamos ter o envolvimento das pessoas, que as crianças estivessem envolvidas. Todas as pessoas que são parte da sociedade deveriam se sentir responsáveis. Nós encorajamos as pessoas a questionar. “Por que nós existimos? ” Eu quero mudar as antigas ideias delas sobre serem ajudadas, sobre serem apenas consumidoras. Eu quero que elas (as pessoas) pensem: “Qual o meu lugar na sociedade? Qual a contribuição que eu sou capaz de fazer? ”

Quando recrutamos voluntários, a única pergunta que fazemos é: “Você gosta de animais? ” Se você acredita em bem-estar animal ou em direitos animais, tudo bem. Nós precisamos de sua ajuda, então você pode vir e ajudar da forma como puder. E ao mesmo tempo em que eles fazem o trabalho voluntário com a gente, eles aprendem. Essa é a maneira como trabalhamos.

Na minha opinião a PAL é um movimento, não uma organização ou uma instituição. Ela é um movimento, um movimento interseccional. Nós lutamos. Onde houver a necessidade de lutar para ajudar pessoas, nós iremos e lutaremos. Nós não paramos nos direitos animais. Atualmente nós estamos dando aulas aos estudantes com dificuldades na escola e temos voluntários ensinando inglês a eles. Por quê? Porque eles precisam. Por que deveríamos dizer: “Nós só trabalhamos com direitos animais? ” Isso não é certo.

 

Eu gostei do que você disse, que a PAL não deveria ser uma organização, mas sim um movimento. Quais são os objetivos desse movimento?

Direitos para todos os seres vivos. Qualquer ser vivo. Mas também criar a sociedade onde queremos viver. Há muita capacidade dentro da sociedade palestina, muitos jovens. 51% da sociedade palestina tem menos de 18 anos. Isso é poder e precisamos usá-lo. Este é nosso grande poder. E se nós o utilizarmos da maneira correta, nós teremos um Estado e estaremos prontos para esse Estado. Eu não nego que nós estamos também lutando por nosso país. Porque nós não podemos nos separar da luta de nosso povo, porque essa é nossa batalha diária. Nós não podemos estar alheios à situação atual.  A luta é pra mudar os estereótipos sobre a Palestina. Mudar a maneira como as pessoas olham para a Palestina. Mudar a forma que as pessoas pensam sobre os palestinos, porque não é da forma correta. As pessoas vêem os palestinos somente de duas maneiras: como vítimas ou como terroristas. Nós não precisamos de sua pena. Se alguém não tem direitos então você também não tem direitos. Se alguém está lutando, então você deve sentir que esta luta também é sua. Não precisamos de ajuda. Precisamos que as pessoas vivam conosco, entre nós e que acreditem que a nossa luta é a luta delas. O contrário também é verdadeiro. Nós pensamos que sua luta é a nossa luta. É assim que as coisas são. Então, se você quer vir aqui e se juntar a nós, fazer parte desse movimento, você é bem-vindo.

Tenho esperanças e planos de tornar esse movimento internacional. Neste momento nós temos a solidariedade de grupos na Europa, mas também nos EUA. Nós precisamos tornar esse movimento internacional. Estamos prestando atenção às lutas dentro da Palestina, mas também olhamos para fora. O povo palestino é ignorado pela mídia. Venham e convivam conosco, depois voltem pros seus países e digam ao seu povo o que viram, não o que a Fox News, a CNN e os outros meios de comunicação mostram pra vocês.

 

Você acha que essa é a nossa missão como estrangeiras? O que você espera das ativistas solidárias estrangeiras?

Eu tenho muitas missões pras pessoas de fora. Sua primeira missão é vir pra a Palestina. Venha, demonstre seu apoio e nos ajudem como iguais. Direitos iguais, lutas equivalentes. Venha e lute conosco. Então, volte e compartilhe sua experiência. Escreva sobre isso. Escreva sobre a Palestina a partir da sua perspectiva, sobre o que você  viu com seus próprios olhos. Entre em contato conosco, nos pergunte o que quiser. Nós recebemos muitos e-mails de estrangeiros com as mais diferentes perguntas e não ignoramos nenhum deles; nós respondemos todas as pessoas que nos escrevem fazendo perguntas.

E eu preciso de vocês para nos ajudar com algo. Sameh e eu estamos pensando em fazer a primeira reunião internacional de direitos dos animais na Palestina. E isso será uma tapa na cara do “veganwashing” dos ocupantes. Nós já estamos pensando nisso há um tempo. Essa será uma boa maneira de trazer as pessoas para cá, convidá-las pra trabalhar conosco, pra ir ao campo conosco, ver como vivemos.

Se tem um checkpoint, as pessoas verão o que significa atravessá-lo. Se tem uma marcha, você estará nela. E se o exército atirar gás lacrimogêneo em nós, você terá que correr com a gente. Você respira gás lacrimogêneo e depois vai lutar pelos animais. Isso é o que o povo palestino tem que atravessar e as pessoas não tem ideia do quão difícil é, para nós, ser ativistas pelos direitos dos animais sob uma ocupação militar. Não será como conferencias de direitos animais em outros lugares do mundo, onde você relaxa, se diverte… Pessoas virão, verão por si mesmas e se tornarão embaixadoras. Muitas pessoas entram em contato comigo para saber como se tornar voluntárias. Existe muito trabalho para fazer aqui. Muito.

(Ahmad interrompe a entrevista para dizer a um cliente que ele não precisa pagar pelo hummus. “Esse é por minha conta! Você paga na próxima vez.” ele diz. Chamo à atenção de que o restaurante não dará muito lucro se ele agir dessa forma e sua resposta é “Nós temos que encontrar uma forma de fazer as pessoas virem pro restaurante. Nós queremos que elas venham, tenham uma experiência agradável, façam suas atividades aqui… O que é lucro? Se for dinheiro, não é lucro. O lucro são as pessoas. Eu convido as pessoas pra cá, elas trazem mais pessoas, esse é o maior lucro para nós.”)

 

O grupo do meu último tour político – as pessoas que eu trouxe aqui em março – foi embora há menos de um mês e já organizou dois eventos em solidariedade à luta pelos direitos do povo palestino, no Brasil.

Está vendo? Eu não quero usar o termo “manpower” porque ele é sexista (sugiro “human power”). Human power. Quando pensamos em “human power” estou pensando nisso. É por isso que eu tenho que trazer as pessoas para cá.

 

Vocês estão tentando criar leis de proteção animal na Palestina. Como isso está indo?

Nesse momento nós estamos fazendo muitas reuniões com o Instituto de Leis na Universidade de Bierzeit e com o Ministério da Agricultura. Nós começaremos com o básico e isso se dará em quatro estágios. Primeiro nós estudaremos as leis antigas e prepararemos uma introdução para as novas leis. O segundo estágio será redigir as leis; o terceiro será o lobbying e o quarto será de avaliação e implementação. Isso toma muito tempo. Mas se nós fizermos isso, alcançaremos o objetivo principal de nossa estratégia de curto prazo: fazer leis de proteção animal na Palestina e elas serão as primeiras desse tipo.

(Sameh Arekat chega. Ele é o outro fundador da PAL)

(Ahmad) Eu fiz legumes com tahine pra nós. Está muito gostoso. Mas onde estávamos?

(Sameh e Ahmad, fundadores da Palestinian Animal League)

Quais são os maiores desafios que você enfrenta com esta missão?

Um dos maiores desafios é obter fundos pro nosso trabalho que não venham com uma agenda atrelada. Não temos uma agenda política, então os doadores não terão nenhum benefício político ao nos financiar. Algumas organizações e até embaixadas nos disseram que nos financiariam se assinássemos um documento dizendo que trabalharíamos com organizações israelenses. Alguns doadores nos disseram: “Vocês não precisam trabalhar diretamente com os israelenses, mas vamos fazer um projeto dual, um na Palestina e um em Israel”. Nós não vamos nos submeter à normalização. Mesmo se isso nos custar dinheiro, não faremos.

(De acordo com a Campanha Palestina para o Boicote Acadêmico e Cultural de Israel, “normalização” refere-se à “uma colonização da mente, em que o sujeito oprimido acredita que a realidade do opressor é a única realidade ‘normal’ a qual se deve subscrever e que a opressão é um fato da vida que deve ser aceitado. Aqueles que se envolvem na normalização ou ignoram essa opressão, ou a aceitam como o status quo no qual é possível viver. Contrapor-se à normalização é um meio pra resistir a opressão, seus mecanismos e estruturas “. No contexto dos Territórios Palestinos Ocupados, a normalização é definida como “a participação em qualquer projeto, iniciativa ou atividade, na Palestina ou internacionalmente, que visa (implicita ou explicitamente) reunir palestinos (e/ou árabes) e israelenses (pessoas ou instituições) sem colocar como objetivo a resistência e exposição da ocupação israelense e todas as formas de discriminação e opressão contra a povo palestino”. Quando financiam projetos na Palestina a maioria das instituições internacionais impõe aos palestinos a condição de trabalhar com israelenses, pessoas ou organizações. Recusar essa condição significa não ter acesso a financiamentos. Não participar da normalização significa reconhecer que enquanto os palestinos viverem sob a colonização e ocupação israelense, não existe a possibilidade de um diálogo entre iguais, pois a dinâmica de forças entre palestinos e israelenses é fundamentalmente injusta. Palestinos acreditam que somente quando conseguirem sua liberdade e autodeterminação poderá haver um dialogo justo e entre partes iguais com israelenses.)

O segundo maior desafio que enfrentamos é as pessoas pensarem que se fizerem uma doação pra PAL podem nos controlar, nos dizer como trabalhar, da maneira que costumam trabalhar. Mas os sapatos das outras pessoas não cabem nos nossos pés. Não somos o tipo de pessoas dispostas a comprometer princípios pra obter fundos. Não vamos comprometer nossos princípios. Tem pessoas que nos ajudam com boas intenções, mas às vezes boas intenções podem fazer o oposto de ajudar. Às vezes se transformam em “eu sei qual é a melhor maneira de ajudar vocês”. Não, nós sabemos qual é a melhor maneira de nos ajudarmos. Sugira idéias pra serem discutas, mas não nos diga como fazer o nosso trabalho. Se o seu dinheiro vem com condições e temos que seguir o que você considera a melhor maneira de trabalhar, você pode pegar seu dinheiro e ir embora. Não precisamos dele. Mas, em geral, sempre encontramos as pessoas certas para trabalhar com a gente.

Dentro da sociedade palestina, nosso maior desafio é criar leis de proteção animal. Precisamos conscientizar a população, mas precisamos da proteção da lei. E somente a lei pode proteger nosso movimento. Se eu vejo animais sendo mal tratados eu só posso dizer: “Não faça isso!”. Mas se tivéssemos leis, eles teriam proteção.

 

O que você acha que é o conceito mais errado que as pessoas têm com relação aos palestinos? Em geral, mas também dentro da comunidade de direitos animais?

Estereótipos. Algumas pessoas sentem simpatia por nós e querem nos apoiar, mas … percebi que havia esse problema quando estava no exterior. Nós temos uma abordagem intersseccional, mas descobri que a maioria dos ativistas não tem. Então estamos em um lugar radicalmente diferente dos outros ativistas de direitos dos animais. Estamos sempre trabalhando pela igualdade, mas esses ativistas dos direitos dos animais, eles não pensam em igualdade. Igualdade não é a palavra certa. Por exemplo, eu sou mais alto que Sameh. Se não podemos ver além do muro e pensarem que, em nome da igualdade, devemos receber um banco cada um que seja do mesmo tamanho, isso não é igualdade. Eu ainda serei mais alto e ele ainda pode não ser capaz de ver o que está do outro lado do muro. Levamos ajuda onde é necessário. Pras pessoas, pros animais … Quando fiz o tour pela Europa no ano passado, levei a conversa sobre a ocupação da Palestina pra mesa dos ativistas de direitos animais. Eles nem quiseram ouvir sobre a Palestina, escolheram fechar os olhos para a opressão das pessoas aqui.

(Sameh) Ele começava as palestras dizendo: “Eu não quero ser político, mas …”

(Eu) Mas veganismo é político.

(Ahmad) Eles pensam que se eles alimentam um cachorro e um gato e resgatam uma galinha, é isso, eles são pessoas boas. Dormirão bem à noite.

 

O que você acha do Banksy Hotel?

Gostei da idéia, mas tem alguns problemas. Você viu o filme Avatar? A ironia é que em filmes os americanos sempre salvam o mundo. Eles salvam o mundo, mesmo dos alienígenas ou do Armagedon, do julgamento final. Agora, eles podem salvar at é outros planetas. Eles ajudaram a plantar essa semente na mente dos brancos, que eles são nossos salvadores, que eles são as melhores pessoas do mundo e sua missão é nos salvar. Está no filme, está na cultura.

(Ahmad escreveu um excelente artigo sobre o ‘complexo do branco salvador’, a “idéia de que pessoas não brancas são ‘ incapazes’ e precisam de um branco pra salva-las, ao mesmo tempo em que o branco se mantém separado delas e ocupa uma posição de autoridade ou poder, ou seja, privilégio. Essa idéia, que antes justificava as conquistas brutais dos primeiros colonializadores, agora alimenta um sistema desequilibrado de ajuda em que os países desfavorecidos são obrigados a confiar na riqueza e na tomada de decisões de nações poderosas e muitas vezes predominantemente brancas. Embora haja boa vontade envolvida, o complexo do branco salvador está profundamente enraizado na premissa destrutiva de que um grupo é incapaz de se governar ou se ajudar. “)

(Sameh, Ahmad e Dahoud, o chef do restaurante Sudfeh)

Sameh, você pode responder a última pergunta? Qual é o seu sonho para a Palestina?

É uma pergunta muito difícil. Porque mesmo quando sonhamos, temos limitações pros nossos sonhos. Então temos que sonhar logicamente. Talvez o sonho mais louco seja viver em liberdade, porque só ouvimos falar sobre ela, nunca experimentamos. Nós tocamos a liberdade durante alguns dias da nossa vida, quando estávamos viajando no exterior. Nós vimos o quão fácil é pras pessoas se locomover de um lugar pra outro. Você pode morar na Alemanha, por exemplo, e decidir jantar na Holanda. Quando eu comparo com o quão difícil é para nós … Até pra ir daqui pra Ramallah. É o mesmo país, mas a ocupação pode impedir a gente de ir daqui pra lá.

(O prato de legumes com tahine chega à mesa. “Eu não deveria ter colocado beterraba no prato.” Diz Ahmad. “Ficou tudo cor-de-rosa. Eu fiz ‘pinkwashing’ na comida!”)

Depois do almoço Ahmad me deu uma carona pra Ramallah. Se você tiver sorte, o que significa “se o exército não bloquear as estradas ou te prender nos pontos de controle”, é uma viagem curta. Perguntei a Ahmad sobre a vida em Jalazone, o campo de refugiados onde ele mora. Ele me contou muitas histórias sobre o que significa viver em um campo de refugiados sob uma ocupação militar violenta. O que significa viver sob um sistema injusto e racista criado pra te oprimir e colonizar suas terras. Nesse momento passamos por um lugar que criava galinhas, o tipo de pequena empresa que você encontra em toda a Palestina, com galinhas doentes e sem penas presas em pequenas gaiolas nas calçadas. Por causa da colonização israelense da Palestina, a terra é escassa e as galinhas são criadas em gaiolas. Ahmad apontou pras gaiolas e disse: “Na sociedade em que quero construir e viver, isso será proibido. Nós tornaremos essa crueldade ilegal”.

Defendendo a Palestina: libertando o povo, a terra e os animais“, a conferência internacional organizada pela PAL acontecerá do 3 ao 6 de maio de 2018. “O foco da conferência será a luta compartilhada por terra e libertação pra todas as espécies na Palestina ocupada. Reforçaremos o trabalho de solidariedade internacional e as interseções com o movimento de Boicote, Desinvestimento e Sanções. A conferencia desafiará a narrativa de que Estados coloniais podem oferecer algo além do que destruição pros animais e pra terra, e fornecerá uma visão do trabalho específico de libertação animal nos contextos coloniais. Ela desafiará a propaganda de Brand Israel e o fenômeno internacional de veganwahsing, que justifica a ocupação brutal da Palestina em nome da defesa animal. Isso combaterá a islamofobia, a xenofobia e o racismo anti-árabe no movimento de direitos dos animais. Ela irá demonstrar como a supremacia branca e o colonialismo estão ligados à exploração animal e à devastação ecológica no mundo todo.”

Pra participar do evento e apoiar o trabalho da PAL, visite a página pal.ps

*Agradecimentos especiais pra Rosana, Diego, Marcelo e Thiago, que me ajudaram a traduzir a entrevista pro Português. Essas pessoas lindas participaram dos meus tours políticos na Palestina e se tornaram exatamente o que Ahmad pediu: embaixadoras e ativistas por justiça, liberdade e auto-determinação do povo palestino. Muito obrigada.

Percebi recentemente que pudim de chia pode ser uma decepção pra algumas pessoas, principalmente pessoas que cresceram no Brasil e que associam a palavra “pudim” com uma sobremesa ultra doce e gordurosa. Então deixa eu começar explicando que o “pudim” aqui faz referência à consistência dessa preparação, um creme levemente gelatinoso, não àquela sobremesa feita com leite condensado e ovos, tão apreciada pelo nosso povo. Uma coisa não podia estar mais longe da outra.

Tirando da mesa as expectativas que o nome sugere, o que sobra? Uma preparação leve, rica em fibras e ômega 3, porque a essa altura do campeonato todo mundo e o seu cachorro já sabem que chia é uma excelente fonte de ômega 3. Se é novidade pra você, leia esse post que escrevi em 2011, quando a chia ainda era novidade no Brasil. Ele é perfeito pra ser degustado no lanche ou no café da manhã. E se você fizer a versão com chocolate, ele pode virar sobremesa.

Como a semente de chia em si não tem muito sabor, o pudim feito com ela está mais pra um iogurte do que pra uma sobremesa. Claro que iogurte é um alimento fermentado e tem probióticos, o que esse pudim não tem, mas estou me referindo à maneira como vemos e degustamos essa preparação. Ele pode ser servido com granola, frutas frescas e pode ser batido com outros ingredientes (antes de juntar a chia) pra ficar mais gostoso e interessante. Depois que você dominar a técnica de preparo, as variações são infinitas.

Meu leite preferido pra fazer pudim de chia é o de coco, que faço em casa (receita aqui). Se quiser um pudim mais cremoso e saboroso, bata o leite de coco (ou o leite que estiver usando) no liquidificador com 1 colher de sopa de óleo de coco derretido antes de misturar com a chia. O frio da geladeira vai agir no óleo de coco, que é uma gordura saturada e se solidifica em temperaturas baixas, e deixar o pudim mais encorpado. Isso é especialmente importante se você estiver usando um leite leve e pobre em gordura, como o de arroz ou aveia.

Pra transformar o pudim de chia em algo mais interessante e gostoso, minhas dicas são: além do leite + chia 1- acrescente uma fonte de gordura boa (óleo de coco, pasta de amendoim, pasta de amêndoa, tahina) pra dar cremosidade; 2-“tempere” com especiarias (canela, cardamomo, gengibre, baunilha) ou com cacau e 3-sirva com frutas frescas. Assim não só o sabor fica muito melhor, mas você terá um lanche completo, com fibras, proteína e gordura boa (incluindo o ômega 3 da chia). E como o pudim de chia é uma daquelas receitas que devem ser preparadas no dia anterior e se conserva vários dias na geladeira, você pode preparar uma quantidade maior e degustar durante a semana, variando as frutas do acompanhamento.

Abaixo a receita de base e duas das minhas variações preferidas. O objetivo é servir de inspiração, então sinta-se livre pra substituir os ingredientes e criar variações.

Pudim de chia básico

Como líquido você pode usar o seu leite vegetal preferido ou até mesmo suco de uva integral. Como chia tem um sabor neutro, use um leite que você goste, pois esse será o sabor que você vai sentir no final. Usei as medidas padrões aqui pra não ter confusão (xícara e colher de sopa medidoras). As proporções indicadas abaixo produzem um pudim na consistência que eu gosto, mas se você preferir um pudim mais ou menos encorpado, adapte a quantidade de chia.

1x de líquido (240ml)

3cs de chia

Açúcar de coco, melado, agave ou o seu adoçante preferido, se necessário

Misture a chia com o leite vegetal e, se necessário, adoce como preferir. O segredo pro pudim ficar cremoso e homogêneo, sem aglomerações de chia, é misturar bem a chia com o líquido e mexer novamente a cada minuto por uns 5-10 minutos. Não é complicado, basta deixar o pudim do seu lado enquanto você faz um café, ou prepara o jantar e dar uma mexidinha de vez em quando, até ele ficar encorpado e as sementes tiverem aumentado de volume. Depois é só cobrir e transferir pra geladeira. Não se preocupe que a chia vai continuar absorvendo o líquido e a mistura vai ficar mais encorpada no dia seguinte. Por isso os resultados são melhores se você preparar o pudim na noite anterior.

*Obviamente suco de uva integral não precisa ser adoçado e dependendo do leite vegetal usado (coco e arroz, por exemplo, são naturalmente adocicados) e da maneira como você quiser comer o pudim (puro ou acompanhado com frutas frescas), talvez você não sinta necessidade de adoçar.

*Você pode juntar um punhado de frutas secas (passas, abacaxi, figos ou damascos picados) ao seu pudim, no momento em que misturar a chia com o leite, pra adoçar naturalmente a mistura. No dia seguinte as frutas estarão hidratadas e suculentas.

 

Pudim de chia com cacau e pasta de amendoim

Usei tâmaras do tipo medjouls, que são macias, suculentas e grandes. Se você usar outro tipo de tâmara vai precisar aumentar a quantidade e provavelmente deixar de molho na água quente por alguns minutos antes de triturar pra facilitar o trabalho do liquidificador. Você pode usar passas no lugar das tâmaras, açúcar de coco ou melado. Use a quantidade que for preciso pra que fique doce o suficiente pro seu paladar. Dica: você vai acrescentar a chia, que não é adoçada, ao líquido, então se você gosta de preparações mais doces, deixe o líquido um tiquinho mais doce do que você gostaria pra compensar o acréscimo da chia mais tarde. Você pode usar pasta de amêndoas ou de avelã no lugar da pasta de amendoim.

1x de leite vegetal (usei de espelta, mas pode ser coco caseiro, arroz, amêndoa, aveia, soja…)

1cs de cacau em pó (puro, sem açúcar)

1cs de pasta de amendoim (pura, não adoçada)

2 tâmaras

3cs de chia

Nibs de cacau (opcional)

Bata o leite, cacau, pasta de amendoim e tâmara no liquidificador até a tâmara se desfazer totalmente. Transfira pra um recipiente com tampa e misture a chia como indicado na receita acima. Cubra e leve à geladeira por uma noite. Sirva polvilhado com nibs de cacau. Rende 2 porções comportadas. Se conserva alguns dias na geladeira. Também fica uma delícia acompanhado de rodelas de banana.

Pudim de chia com mirtilo, coco e cardamomo

Mirtilo com coco e cardamomo é uma mistura celestial! É o meu pudim de chia preferido do momento. Se você não tiver mirtilos, pode usar morangos bem maduros, que também vão muito bem com coco e cardamomo. Mamão ou banana são igualmente deliciosos no lugar dos mirtilos.

1x de leite de coco fresco 

1cs de óleo de coco virgem

1x de mirtilos (ou uma das frutas sugeridas acima)

1/3cc de cardamomo em pó

4cs de chia

Bata todos os ingredientes, com exceção da chia, no liquidificador até ficar homogêneo. Transfira pra um recipiente com tampa, junte a chia e misture seguindo as instruções da receita de base. Cubra e leve à geladeira por uma noite. Sirva com mais mirtilos ou bananas em rodelas. Rende 2 porções.  Se conserva alguns dias na geladeira.