Ela pode ficar ainda melhor

Estou escrevendo essas linhas diretamente do aeroporto de Guarulhos, onde espero a conexão que me levará de volta pra casa, em Paris. A estada natalense acabou e antes de fazer um post mais detalhado sobre os dois meses que passei em terras potiguares, aqui vai a continuação do último post. Sabe aquela tapioca com coco deliciosa que ensinei? Ela pode ficar ainda melhor. Seguem as explicações.

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Tapioca com coco

Quantas tapiocas posso comer antes de voltar pra França? Volto pra casa daqui a alguns dias e quando o momento de ir embora se aproxima minha obsessão com comida tradicional, aquela que cresce por aqui e que faz parte da minha cultura alimentar, só aumenta. Tenho que comer todos os mamões e mangas que passar pela minha frente. Cuscuz com leite de coco toda noite. Pãozinho de macaxeira no lanche. E tapioca, muita tapioca!

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Pela canjica e pela nossa cultura alimentar

Canjica é um daqueles pratos que causam confusão. O que eu, e minhas conterrâneas potiguares, chamamos de canjica é conhecido como “curau” em outras regiões. Já o que a galera dessas outras regiões chama de “canjica” eu chamo de “mungunzá”. Vivendo em um país do tamanho de um continente, essas variações lexicais são mais que normais. Eu chamo canjica, você chama curau, ela chama de mingau de milho e tá tudo bem.

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Como fazer munguzá

Faz pouco mais de um mês que voltei pra França e já estou com saudade das comidas da minha terra. Especialmente essa aqui, que enchia o meu café da manhã de alegria e seria um acalento  nas manhãs geladas do inverno europeu.⠀

Primeiro, definições. Munguzá (ou “mungunzá”, ou “chá de burro” – que nome maravilhoso!) é um prato tradicional feito com milho seco e leite de coco. Também conhecido como “canjica” e “mingau de milho”. Os termos “canjica” e “mungunzá” causam bastante confusão, pois na maior parte do Nordeste “canjica” é um prato completamente diferente, embora também à base de milho e coco. Outro dia volto pra compartilhar o que eu chamo de canjica, mas hoje o assunto é mungunzá.

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Como fazer cuscuz (com coco)

Aproveitando que estou no meu país, o Nordeste, vou compartilhar algumas receitas daqui. Começando com uma das mais simples, o café da manhã de todo dia aqui (pelo menos na parte do Nordeste onde me encontro): cuscuz.

É muito simples e rápido, mas muitas pessoas ignoram 2 coisas essenciais: hidratar o fubá antes de cozinhar e finalizar o cuscuz com um líquido quente e um pouco de gordura. Aqui vai o passo-a-passo.

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Fermente seu grãomelete

O texto poderia ter só essa frase, mas vou desenvolver a ideia, caso você precise ser convencida.

Lembram do meu grãomelete, o omelete à base de grão de bico? Lembram que fiz uma versão atualizada com farinha de grão de bico? Pois vim atualizar essa receita novamente e tenho ótimas razões pra isso.

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Grão na chapa

Gosto de pensar que sou uma pessoa modesta. Recebo elogios de bom grado, mas não saio por aí “contando vantagem”, como a gente diz na minha terra (se você precisa de tradução, essa expressão significa “fazendo elogios, não merecidos, a si mesma”). Mas de vez em quando eu desenvolvo uma receita que me faz inchar de orgulho. Mais ainda quando não se trata de uma receita propriamente dita, o que envolve vários ingredientes, muitos testes e muita louça pra lavar antes de chegar na versão final, a que compartilho aqui no blog. Isso é um trabalho que necessita criatividade, obviamente, mas é o resultado de 90% de transpiração e 10% de inspiração, como dizem que disse Einstein. Agora, quando a “receita” em questão é uma ideia que brotou na minha cabeça, puf!, que necessita apenas 2 ingredientes e que deu certo de primeira, aí eu não consigo conter o entusiasmo (se você estivesse do meu lado nesse momento me veria dando um discreto beijinho no ombro).

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O Sertão e o Litoral no prato

Tem um prato que fez parte da minha infância no RN e que ainda me transporta algumas décadas no passado sempre que o preparo. É algo de uma simplicidade enorme e que eu achava que todo mundo, pelo menos todo mundo no meu mundo, o Nordeste, conhecia. Mas descobri esse ano que até mesmo dentro do meu estado a receita era desconhecida de muitas pessoas. Então me incumbi da missão de compartilhar essa humilde receita com o maior número de comedores possível, pois sinto que ela está ameaçada de cair no esquecimento geral.

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Outubro

Não sei como isso aconteceu, mas estamos em outubro. A impressão que tenho é que eu vinha andando na rua em julho, topei, me levantei e era outubro. Estou convencida que o tempo em Berlim passa mais rápido do que no resto do mundo.

Finalmente tenho residência nessa cidade. Só por alguns meses, mas pra quem passou tantos meses pulando de um apartamento pra outro, parece uma pequena eternidade. No final das contas passei 4 meses procurando um apartamento…que vou alugar por 5 meses. Tudo bem, eu tenho outros planos a partir de fevereiro, longe de Berlim. Continuar lendo “Outubro”

Como preparar pudim de chia

Percebi recentemente que pudim de chia pode ser uma decepção pra algumas pessoas, principalmente pessoas que cresceram no Brasil e que associam a palavra “pudim” com uma sobremesa ultra doce e gordurosa. Então deixa eu começar explicando que o “pudim” aqui faz referência à consistência dessa preparação, um creme levemente gelatinoso, não àquela sobremesa feita com leite condensado e ovos, tão apreciada pelo nosso povo. Uma coisa não podia estar mais longe da outra.

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Cafés da manhã tropicais

Minha estada no Brasil, mistura de férias e trabalho, está chegando ao final. Ainda viajo mais um pouco por aqui, já que domingo que vem tem uma oficina-brunch-palestra em Fortaleza (mais informações aqui), mas pretendo passar os últimos dias antes de voltar pra Europa em casa, comendo toda a comida típica que passar pela minha frente. Continuar lendo “Cafés da manhã tropicais”

A única coisa a fazer

Eu tinha várias coisas pra contar. Fotos pra compartiilhar. Aconteceu tanta coisa bacana por aqui nas últimas semanas, mas aí ontem a PEC 241 foi aprovada no primeiro turno. Revolta e indignação entraram (mais uma vez) no menu e o resto foi temporariamente pro segundo plano. Num momento de desespero lembrei de Manuel Bandeira e pensei: “A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.”

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Papa de aveia árabe

Alguns dias atrás o curso de Árabe que vim fazer aqui em Beirute terminou. Foram só cinco semanas, mas o alívio que senti no último dia de aula foi grande. Eu já tinha esquecido o que significa acordar cedo pra ir pra escola e passar a maior parte do seu dia sentada, olhando pra lousa ou pros cadernos. Mas adorei ter feito esse curso, pois aprendi, enfim!, a escrever e a ler em Árabe e conheci pessoas maravilhosas que espero manter na minha vida. E foi uma grande lição de humildade ser alfabetizada novamente aos 34 anos e ter que ler, na frente do professor e de uma sala repleta de alunos, com a mesma dificuldade e na mesma velocidade de quando eu tinha 6 anos (“b…b…ba…r…c…bar…co. Barco!). Aprender uma língua estrangeira depois de adulta é difícil, mas aprender uma língua estrangeira que tem um alfabeto completamente diferente do seu e que ainda por cima se escreve na direção oposta é como contratar um personnal trainer pros seus neurônios. Eles vão sofrer, suar, se esbaforir e quase colocar os bofes pra fora, mas sairão da experiência mais fortes e em melhor forma. Eu e meus coleguinhas de curso estamos nos sentindo muito mais sabidos agora do que cinco semanas atrás. Nos encontramos na rua e nos olhamos com respeito mútuo, pois fazemos parte do grupo que conseguiu conjugar os prefixos e sufixos do sistema verbal árabe- gênero, número, tempo e grau de probabilidade- escritos com letras que se metamorfoseiam de acordo com a posição dentro da palavra e que ainda por cima se escreve da direita pra esquerda!

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Responda com uma dança interpretativa

Quando me mudei pra Londres, em Março, trabalhei por alguns meses em um café vegano/vegetariano. Nada indicava a ausência de carne no nome do café (Moveable Feast) e apesar de ter uma plaquinha do lado da entrada dizendo que aquele era um café vegetariano, quase ninguém se dava o trabalho de ler. Então apesar de boa parte dos clientes ser veg, muitos onívoros iam parar ali desavisados. Todo os dias aparecia gente pedindo um burrito de frango (eu cozinhava a parte de inspiração mexicana -e totalmente vegana- do menu), ou perguntando que tipo de carne nós servíamos. Continuar lendo “Responda com uma dança interpretativa”

Rabanada vegana (salgada e doce)

Nem vou começar a explicar porque andei tão ausente desse pobre blog, pois o blá, blá, blá de sempre (muito trabalho, pouca energia, pouco tempo na cozinha criando novas receitas) não é nem um pouco interessante. Melhor fingir que ninguém percebeu meu sumiço e retomar a conversa de onde deixei da última vez que estive aqui. Continuar lendo “Rabanada vegana (salgada e doce)”

Creme de quinoa e maçã

Por mais que eu adore minhas papas de aveia (e pelos comentários de vocês, não sou a única), faz tempo que venho procurando outros cereais pra transformar em café da manhã. Vi que algumas pessoas andam usando quinoa no lugar da aveia, mas minha tentativa de transformá-la em papa não foi satisfatória. Eu adoro o sabor e a textura desse cereal (que tecnicamente é uma semente, mas quem se importa?), porém ao aquecer quinoa cozida com um pouco de leite vegetal, o resultado foi… quinoa cozida com leite vegetal ao redor, não a papa cremosa que eu queria. Diferente da aveia, que se transforma em creme quando cozida, a quinoa continua do mesmo jeitinho. Como eu disse, eu adoro a textura da quinoa cozida, essas bolinhas que estouram na boca, e ela é muito bem vinda em saladas, sopas… Mas eu queira um café da manhã tão cremoso quanto as minhas adoradas papas de aveia. Tem algo na cremosidade de uma boa papa de aveia quentinha que me traz reconforto e aconchego, como se um cobertor invisível fosse colocado sobre os meus ombros e mãos invisíveis acariciassem os meus cabelos. Então deixei essa história de papa de quinoa pra lá e agarrei e beijei o pote de aveia, jurando-lhe fidelidade eterna.

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Tapioca três grãos

Como nunca pensei nisso antes? Comi tapioca durante 31 anos e nunca tinha me passado pela cabeça que poderia deixar esse alimento tão popular aqui no Nordeste mais gostoso e nutritivo. Adoro tapioca, mas convenhamos: esse prato à base de goma (amido ou fécula) de mandioca é um carboidrato simples e não tem quase nada de fibra, proteína ou minerais.

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Quase iogurte vegano

Sinto que durante as semanas que virão meus posts continuarão curtos e menos frequentes. Como expliquei, deixarei Belém (Palestina) em breve e estou no meio do longo processo de mudança que envolve não somente empacotar e dar destinos aos nossos pertences, mas também terminar coisas que comecei tempos atrás (como a minha participação no projeto no campo de refugiados), preparar as próximas etapas e, o mais difícil, me despedir dos amigos e do lugar que foi meu lar durante os últimos cinco anos.

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O que fazer com as sobras de fermento natural

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Se você, assim como eu, usa fermento natural (levain) pra fazer o seu pão, provavelmente já se perguntou se não tinha uma maneira de resolver o problema do desperdício cada vez que ele é alimentado. Pequena explicação pra quem nunca cuidou de um fermento natural: é preciso alimenta-lo todos os dias (com água e farinha), mas pra não acabar com uma quantidade gigantesca de fermento (depois de cada ‘refeição’ ele dobra de tamanho) precisamos antes descartar metade do fermento. Funciona assim: toda as noites jogo metade do meu fermento fora, depois junto água e farinha à metade que ficou no potinho, misturo bem e deixo descansar. No dia seguinte ele dobrou de tamanho e preciso jogar metade fora novamente antes de alimenta-lo mais uma vez. E por aí vai…

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Omelete vegano 2.0 e um sanduíche

sanduiche omelete veg

Eu fico feliz em saber que minha euforia contagiou muita gente e meu omelete vegano de grão de bico apareceu em muitas mesas. Ele continua fazendo muito sucesso aqui em casa e acabo de criar uma nova versão com linhaça no lugar da farinha de aveia. Eu queria que o omelete ficasse completamente sem glúten e a linhaça não só resolveu o problema como deixou a receita ainda mais nutritiva. Agora meu omelete é vegano, cheio de proteína e fibra, sem glúten e fonte de ômega 3! Continuar lendo “Omelete vegano 2.0 e um sanduíche”