Espero que todos tenham passado um ótimo fim de ano, cheio de alegria, comida gostosa e ao lado das pessoas que vocês amam. Eu trabalhei na véspera de natal até a noite (preparei uma ceia vegana pra uma família onívora!) e quando cheguei em casa, depois de ter passado o dia todo cozinhando, tinha perdido o apetite. Então comi pão torrado com faux gras (o patê vegano que é uma deliciosa alternativa ao cruel fois gras) e conversei com a minha família no skype. Eu não comemoro natal e só participo de jantares especiais nessa época do ano quando estou visitando a família de Anne no interior da França, então adorei ter passado uma noite tranquila em casa.

Já o ano novo foi mais animado, pois recebemos a visita de três amigos. Nosso mini apartamento virou um acampamento, mas foi uma delícia estar com amigos tão queridos. No dia 31 fiz uma fondue vegana, mas estava tão feliz com a presença dos amigos, ocupada mostrando a cidade pra eles, tendo conversas filosóficas em cafés com lareiras e participando de debates animados sobre as cenas de sexo do filme francês que ganhou a última Palma de Ouro em Cannes (“Blue is the warmest color” ou “La vie d’Adèle” em Francês), que quase esqueço de comprar os ingredientes. No final foi tudo meio improvisado e a sobremesa que eu tinha planejado fazer na véspera (porque ela precisa passar uma noite na geladeira antes de ser degustada) foi riscada do menu (esquecimento).

Nossa amiga alemã, uma grande fã das minhas sobremesas, implorou pra que eu fizesse  pelo menos o caramelo salgado que ela adora, pra comer de colher, mesmo. Eu adoro levar alegria pro estômago dos meus amigos e aceitei o pedido, mas parece que a passagem de ano afetou a minha capacidade de lembrar de detalhes importantes e só quando provei o caramelo pronto percebi que (horror!) tinha esquecido de retirar os caroços das tâmaras. Felizmente tenho um liquidificador que tritura qualquer coisa e ele resistiu ao abuso, mas o caramelo ficou cheio de pedacinhos de caroços e ninguém conseguiu comê-lo. Terminei 2013 com um desastre culinário, mas decidimos transformar a cozinha em pista de dança e em poucos segundos todos tinham esquecido o caramelo infame. E 2014 chegou enquanto dançávamos ‘Like a prayer’, entre o fogão e a mesa da cozinha, e relembrávamos a super ideia que tivemos, quando ainda morávamos todos na Palestina, de fazer um flashmob no checkpoint de Belém com essa música (um dia…).

No início do ano passado resolvi fazer uma retrospectiva dos acontecimentos mais marcantes de 2012 e elegi os melhores posts do ano. Vou continuar a tradição e escolher os meus posts preferidos de 2013, além de relembrar com vocês.

Os posts do Guia Papacapim de Alimentação Saudável representam muito pra mim. Foi a série de posts mais longa que já fiz e, espero, a mais útil. Escrever as 12 dicas do Guia exigiram muito trabalho, mas o retorno que vocês me deram foi ótimo e no meio de tanta pesquisa acabei aprofundando os meus conhecimentos em matéria de nutrição. Vocês podem ver os links pra todos os posts da série aqui. Embora todos os posts tenham dado o que falar, parece que vocês gostaram particularmente do meu manifesto contra o açúcar e contra a margarina. Que em 2014 margarina suma de vez da sua vida e que o açúcar seja um prazer ocasional, não cotidiano.

Na categoria ‘receitas’, foi difícil escolher, mas esses foram as 12 criações que revolucionaram e/ou mais fizerem sucesso na minha cozinha e, pelos comentários, na cozinha de vocês também:

Geleia natural de morango e chia

Creme de quinoa e maçã

Tapioca três grãos

Polenta ultra cremosa (com hummus!)

Salada de beterraba e nozes

Fondue de queijo vegano

Massa com couve-flor assada e molho de nozes 

Omelete vegano (sem sombra de dúvidas, essa foi a receita mais popular do ano)

Creme voluptuoso de chocolate e laranja (a sobremesa que mudou a minha vida e a segunda receita mais popular do ano)

A berinjela de dona laura

Sopa de lentilha coral, jerimum e coco

Espetinho de tofu com molho de manga e gengibre

Todo ano eu digo a mesma coisa, mas lá vai: esse ano foi incrivelmente intenso. Pra bom e pra ruim. E sinto que 2014 não vai ser diferente. Quem acompanha o blog há muito tempo já percebeu que os acontecimentos mais marcantes pra mim (ou fragmentos deles) acabam aparecendo nos posts. Eu expliquei, de maneira extremamente pessoal, o que é ser voluntário pra mim e dividi minhas experiências nessa área. Mostrei pra vocês algumas fotos do livro de receitas palestinas que ajudei a criar com o grupo de mulheres do campo de Aida. Contei porque decidi abandonar o projeto do meu livro de receitas. Shams nasceu no meu quarto e poucos meses depois tive que me separar dos meus três gatos amados (meu coração ainda está doendo por causa disso). Passei dois meses em Natal, com a minha família, e pude participar, pela primeira vez na vida, de um protesto no meu próprio país. Também, pela primeira vez na vida, fiz um jantar inteiro exclusivamente com legumes colhidos por mim, no jardim de amigos meus, e prometi a mim mesma que um dia eu também teria uma horta em casa. E depois de ter deixado a Palestina e passado pelo Brasil e pela França, finalmente fiz um novo ninho em Bruxelas e me dei conta de como a minha trajetória é singular.

E falando de andanças, as duas visitas à Recife foram um dos pontos altos de 2013. Teve uma palestra sobre veganismo, uma oficina de culinária, mais uma palestra (dessa vez sobre a Palestina) e, o melhor de tudo, pude conhecer pessoas maravilhosas. No início do ano publiquei o Guia Vegano de Jerusalém, o post mais especial da série pra mim, pois essa é a minha cidade preferida no mundo inteiro. Estar longe dela sufoca o meu coração e espero poder voltar pra lá em breve e comer novamente em todos os meus lugares preferidos. Já pro final do ano fiz um passeio que deixou muita gente sonhando: fui colher cogumelos em um bosque no interior da França. Espero que 2014 traga viagens e passeios tão interessantes quanto os do ano passado.

Mas o que realmente fez de 2013 um ano inesquecível foram as pessoas que passaram pela minha vida e pelo blog nos últimos 12 meses.  Tareq, o meu irmão palestino, compartilhou sua história de vida que é ao mesmo tempo emocionante, impressionante e revoltante. Escrevi um post sobre a minha sobrinha Lenita, que realizou o grande sonho dela ano passado: estudar veterinária. Convidei Johanna, minha melhor amiga, pra explicar as razões que a levaram a adotar o veganismo e essa primeira entrevista se transformou em uma série que vai continuar em 2014. Depois dela João, que tive o prazer de conhecer esse ano e que faz um trabalho admirável (e cozinha alguns dos melhores pratos veganos que já comi na vida!) e Anne, que nunca tinha aparecido oficialmente por aqui, também dividiram suas experiências, dicas e receitas conosco. Também tive a honra de entrevistar Sahar, uma das pessoas mais inteligentes e sensíveis que conheço, e publiquei aqui (pela primeira vez) uma crítica à sociedade israelense feita por uma israelense. E antes do ano acabar pedi à Ingrid, uma leitora que se tornou amiga, pra falar um pouco sobre alimentação saudável pra crianças e as dificuldades de criar um filho de maneira mais natural.

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Como no ano passado, termino esse post com algumas perguntas. Quais foram os posts que vocês mais gostaram em 2013? Que tipos de posts vocês gostariam de ver aqui em 2014? Ideias e sugestões são altamente bem-vindas.

*As fotos acima foram feitas na casa da minha amiga Johanna, em Tel-Aviv. Em 2013 nós deixamos de viver (mais ou menos) no mesmo país e esse foi um dos acontecimentos mais tristes do ano pra mim.