Posts de categoria: Viagens

Janeiro ainda não acabou e eu já dormi em dez camas diferentes esse mês. Dez! Mas é com muita felicidade que digo que essa décima cama será minha por três meses inteirinhos. Sei que parece pouco, mas quando você anda arrastando sua mala há mais de dois anos, três meses são suficientes pra te deixar feliz e sentindo que tem uma casa.

Cheguei na Palestina antes de ontem e depois de ter passado uma noite com a minha melhor amiga em Tel Aviv, cheguei ontem no meu lar de adoção: Belém. Anne chegou uns dias antes e teve a sorte de achar uma casa pra alugar rapidinho. Voltamos a morar na Rua da Estrela, onde moramos durante cinco anos. Essa é a rua mais antiga da cidade, o caminho que (supostamente) os três reis magos pegaram pra chegar no estábulo onde estava o menino Jesus. No final da minha rua fica a Igreja da Natividade, construída (supostamente) onde um dia esteve o estábulo. Tudo supostamente, não porque eu não acredite na história (não vou dizer que sim nem que não), mas porque esses lugares foram “descobertos” séculos depois da passagem de Jesus por esse planeta e desconfio (e não desconfio sozinha) que não tinha sobrado muitos vestígios do estábulo pra contar a história. E quem viu os reis magos passarem, hein? Quatrocentos anos depois ainda tinha alguém daquela turma vivo? Mas eu gosto de histórias e, no final das contas, que diferença faz se o estábulo estava aqui ou ali, se os reis magos passaram por aqui ou por lá, não é? A minha rua é linda e é nela, mais do que qualquer lugar no mundo, que me sinto em casa.

Mas não vim aqui só falar da minha rua e dos meus problemas de cama (ou falta dela, na verdade). Voltei pra Palestina pra guiar novamente dois grupos de pessoas brasileiras num tour político-ativista-vegano-feminista de onze dias pela Terra Santa. O primeiro tour será no início de fevereiro e o segundo, em março. Os dois estavam completos, mas a vida gosta de pregar peças na gente e às vezes nos programamos pra fazer uma coisa e ela te avisa, de repente, que tem outros planos pra você. Acontece. E como isso aconteceu com uma das participantes do grupo de março, ela teve que cancelar a viagem. Por isso abriu uma vaga nesse grupo. O grupo está novamente completo! O tour será do 8 ao 18/03 e sei que está super em cima da hora pra programar uma viagem desse tipo, tão importante, tão longe, que muda a gente de maneira tão profunda, em um mês e meio. Mas eu já fiz esse tipo de loucura algumas vezes, então pensei que podia ter alguém aqui como eu. Caso você se interesse pela vaga e possa embarcar nessa aventura, é só me enviar um email (papacapimveg@gmail.com). Só mando informações sobre o tour por email, então peço que me envie suas perguntas por lá e não aqui nos comentários.

Mas quem quiser se informar mais sobre essa viagem incrível, mesmo quem não puder participar do tour, e ver muitas fotos e relatos sobre a Palestina é só clicar na página “Tour na Palestina”.

E já falei que comemos muito bem durante o tour? Essa é a parte “vegana” da viagem e uma das minhas maiores alegrias é fazer as pessoas que participam do tour descobrirem as delícias (naturalmente veganas) da Palestina. Quando me perguntam: “É muito difícil ser vegana na Palestina?” eu sempre respondo que a Palestina é o lugar mais fácil de ser vegana que conheço. Mas só vindo aqui pra descobrir e degustar isso. Então corre que ainda dá tempo de encher a cara de hummus com a gente.

Semana passada fiz uma pausa (merecida) no trabalho e passei alguns dias na praia. Estou preparando um guia de sobrevivência pra veganas na praia, pois esse sempre foi, pra mim, um dos lugares mais difíceis de se alimentar com comida 100% vegetal. Mas antes de tirar esse post do forno passei aqui rapidinho pra compartilhar minha agenda nos próximos dias e convidar vocês pra fazer coisas bacanas comigo.

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Amanhã tem palestra em Recife e no sábado participo do Clube de Cozinha da SVB (mais detalhes aqui). Os dois eventos são gratuitos e quem quiser participar do Clube de Cozinha precisa se inscrever.

Logo depois volto pra Natal pra fazer dois eventos em parceria com a Cozinha Ecológica: uma palestra e uma oficina. Deborah, criadora da Cozinha Ecológica, e eu queremos realizar essa parceria desde o ano passado, então estou super empolgada. A oficina será sobre sobremesas veganas, sem açúcar e sem glúten e é imperdível! Informações e inscrições, basta entrar em contato com Deborah (clique no link acima).

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Pra comemorar o dia mundial vegano o Coletivo Abolicionista vai organizar um piquenique aqui em Natal, no Bosque dos Namorados. Vamos aproveitar o feriado e comemorar no dia seguinte à data. Eu vou levar uns quitutes e animar um bate papo embaixo das árvores. Todas convidadas!

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E pra terminar a semana, dia 4/11 vou preparar um jantar vegano no restaurante Flô de Jambo, em Recife. O prato principal será… FONDUE DE QUEIJO VEGANO!!! Isso, isso, isso! Vai ter salada de entrada, fondue de chocolate de sobremesa e uma banda de jazz tocando pra nós.

Depois disso tudo acho que vou me esconder no sítio dos meus pais por vários dias e só sairei da rede pra abrir coco verde (um talento que sempre impressiona a francesa que casou comigo). Mas até lá espero ver vocês por aí.

Primeiramente, fora Temer. O fato de não ter sido uma surpresa não quer dizer que o golpe parlamentar me deixou menos revoltada. Compartilho agora o sentimento das pessoas ao meu redor: meu luto é verbo.

Segundamente: ainda estou em Pindorama. Fico por aqui, me revoltando, cozinhando e comendo tapioca, até dezembro. Vim passar uma chuva grande dessa vez e vocês me acharão em Natal, mas também em Recife e João Pessoa. E se bobear apareço pelo Sudeste e pelo Distrito Federal também.

Nas últimas semanas eu fiz um jantar árabe colaborativo no restaurante Papaya Verde (obrigada, Marcelo! Obrigada equipe do Papaya!). Dei palestras no Seminário sobre a questão Palestina, organizado pela Aliança Palestina Recife, na UFPE.

Tomei sorvete de cupuaçu, graviola, pinha e mangaba. E picolé de cagaita, frutinha do Cerrado que eu não conhecia e que, dizem as más línguas, tem esse nome porque dá desarranjos intestinais.

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Participei do Grito das/os Excluídas/os em Recife e além de levar pra rua a luta contra o governo golpista, racismo, extermínio da juventude negra, homofobia, machismo, pela democratização da mídia, reforma agrária, uma nova Constituinte… levamos bandeiras da Palestina.

Comi pitanga e fruta pão. Vi uma exposição de Sebastião Salgado sobre os refugiados e migrantes (“Êxodos”). Participei de um retiro de culinária com o chef André Cantú (restaurante Broto de Primavera) e descobri, além de uma pessoa muito bacana, ingredientes e técnicas novas. Viajei pro interior do RN e conheci o mais novo membro da tribo. E mais umas tantas outras coisas que me parece que esse mês que passei aqui se desdobrou em três.

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Amanhã volto pra Recife e vai ter evento na quinta na Vegaria. No sábado um projeto que venho acalentando há alguns meses junto com um amigo querido vai se concretizar lá na cidade de Lenine: um restaurante ocasional que abrirá as portas somente um punhadinho de vezes antes das férias no Brasil acabarem.