Nesse último fim de semana eu estive em Paris pra participar do ‘Paris Vegan Day’, o maior evento vegano da França. Só dura um dia e reúne expositores de comida, cosméticos, marcas de roupas, sapatos e bolsas, tudo 100% vegano, além de várias associações vegs e de proteção aos animais. E não é tudo! Teve também palestras e aulas de culinária vegetal e como se isso não fosse suficiente pra deixar qualquer vegano com a impressão de ter morrido e ido direto pro paraíso, o local de evento, os Docks, nas margens do rio Sena, era lindo e tinha um restaurante vegano (MOB, especializado em hamburguers e outros sanduíches veganos) no térreo. O que mais pedir? Como não pude participar do VegFest em Curitiba, essa foi a minha consolação.

Paris Vegan day

Aqui vão algumas fotos do Paris Vegan Day pra vocês. Na ordem de aparição: croissants pra começar bem o dia, um dos stands mais disputados (todo tipo de delícia vegana à venda), posters explicando porque a alimentação vegetal é super inclusiva, marshmallows de vários sabores, burgers (de tofu) de vários sabores.

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Foi um dia muito especial pra mim, pois além de degustar todas essas delícias passei boa parte do dia com Carmelo, que eu conheci quando ele tinha apenas três meses, e Jean-Sé (o pai de Carmelo), um grande amigo de Paris. Eu cuidei de Carmelo durante muitos anos e sempre levo um susto quando nos encontramos: ele cresce numa velocidade estonteante! Foi lindo ter provado tanta coisa vegana com meu Carmelito, que já tem 11 anos, e entre uma mordida e outra ele me contava as novidades (“eu tenho um site onde só posto fotos dos meus pés”, “comecei a estudar a Talmud pra fazer minha Bar Mitzvah”, “não como mais carne”…). Fiquei impressionada com a quantidade de coisas que ele provou, de chips de kale e beterraba à queijo vegano, mortadela vegetal e granola crua de sarraceno, e no final do dia ele declarou: “Como é gostoso ser ecológico!”, o que eu achei hilário. Ele sempre foi um menino sensível e fez questão de assinar uma petição contra as touradas, que ele desaprova totalmente. Abaixo ele assinando a petição e provando todos os presuntos e mortadelas vegetais do evento:)

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O stand dos queijos veganos da marca Vegusto ( o nome da linha é uma graça: ‘No-Muh”) fez muito sucesso e até escutei uma senhora telefonar pra alguém dizendo empolgadíssima: “Você não vai acreditar, tem queijos veganos maravilhosos aqui! IMPRESSIONANTE!” Nas outras fotos: mais queijo e presunto veganos, calda de caramelo e chocolate à base de agave e cosméticos veganos.

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Falando em cosméticos veganos, fiquei feliz em encontrar a marca brasileira Surya por lá. E como o açaí está na moda por aqui, assisti à uma aula de culinária sobre esse ingrediente. Além dos shakes e cremes tradicionais, o chef preparou um ‘caviar de açaí’ com castanha de caju e shoyo muito interessante.

PVD14PVD14.1Mais coisas interessantes que encontrei por lá: camisetas com mensagens veganas, sacolas com uma eco-cutucada que eu adorei e guias vegetarianos de cidades europeias.

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Aproveitei a viagem pra rever os amigos que moram na cidade e testar restaurantes veganos. Quando eu morava lá, Paris estava longe de ser veg-friendly, mas os tempos mudaram e hoje tem vários estabelecimentos veganos na cidade. Dessa vez testei dois restaurantes: Le potager du Marais e Bob’s kitchen. O primeiro serve comida gourmet de lamber os beiços e tive um almoço memorável com alguns amigos onívoros que saíram tão impressionados quanto eu. Provamos: croquete de quinoa com molho de cogumelo e assado de avelãs, ambos acompanhados de purê de batata, brócolis com creme e pera. Sublime. Uma das minhas amigas pediu o ‘bourguignon de seitan e cogumelo’, de um realismo impressionante, mas a foto não ficou nítida o suficiente pra aparecer aqui. As sobremesas foram: crème brulée de gengibre e fondant de chocolate com creme inglês. Vai lá: 24, Rue Rambuteau, pertinho do Centro Pompidou.

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Já o restaurante Bob’s kitchen oferece uma comida mais simples, vegetariana e vegana, mas o smoothie e o maki que pedi estavam ótimos. Minha amiga Simone, que me acompanhava, também adorou o sanduíche dela. Vai lá: 74, Rue de Gravilliers.

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Antes de voltar pra Bruxelas passei por um dos meus endereços preferidos na época em que a cidade luz era o meu lar doce lar. Laura Todd só vende cookies (orgânicos), mas eles são os melhores da cidade. Na verdade eles são os melhores cookies do mundo, na minha humilde opinião. Eles não são crocantes, têm uma textura macia incrível e são servidos mornos, assim os pedaços de chocolates permanecem derretidos. Quando me tornei vegana fiquei triste em abandonar esse prazer, mas qual não foi a minha alegria ao descobrir que Laura Todd (adorada, idolatrada, salve, salve, Laura Todd) começou a vender um cookie 100% vegetal e tão gostoso quanto os outros. Se você passar por Paris, não deixe de experimentar esse cookie pra lá de especial (um cookie custa 2 euros, mas prometo que vale a pena) . Fica em frente aos “Halles”, na rua Pierre Lescot. Pra ver os endereços das outras lojas, visite o site.

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E assim foi o meu fim de semana, cheio de surpresas boas, delícias, encontros, tempo passado ao lado de amigos queridos e caminhadas solitárias em uma das cidades mais belas do mundo, que um dia já foi minha. Paris é pra mim uma espécie de ex namorada com quem tive uma relação maravilhosamente intensa, que deixou só memórias boas (o tempo se encarregou de apagar as ruins), e a cada vez que a reencontro ela consegue me seduzir novamente e penso que seria uma delícia me perder nos seus braços mais uma vez.

Paris2Paris3Paris4Paris, je t’aime.

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