Guia Vegano São Francisco – parte II

A primeira parte foi sobre comida, a segunda será sobre todo o resto: passeios, parques, museus, LGBTs e um pequeno parênteses consumista.

Alugamos uma casa exatamente na interseção dos bairros Noe Valley, Castro e Mission e foi muito feliz, pois eles acabaram sendo os meus preferidos na cidade. Nessa área você praticamente só vê casas, as ruas são tranquilas e as pessoas parecem estarem todas de férias, tamanho o relaxamento delas.

Se estiver em dúvida sobre onde ficar hospedada, Mission é o mais central e animado. Noe Valley, por ser quase exclusivamente residencial, é mais calmo. Já o Castro é bem animado na rua principal, porém mais tranquilo nas outras partes. Na minha primeira noite fiquei em um hotel no Financial District, a parte mais moderna da cidade. Tem um mar de gente apressada nas ruas (a concentração de escritórios por lá é grande), é bem turística e cheia de arranha-céus e Starbucks. Como essa não é a minha vibe, não gostei nem um pouco da experiência.

 

Pra passear, um dos lugares que mais gostei foi o Dolores Park. É um parque relativamente pequeno, em Mission, e fica apinhado de gente nos fins de semana de sol. Na parte superior do parque você consegue ver a linha de prédios do Financial District, então coloque sua toalha de piquenique lá em cima pra aproveitar melhor a vista. A primeira vez que estive lá era domingo e fiquei impressionada com a quantidade de homens de sunga num dos cantos do parque. Dias depois, lendo um guia alternativo da cidade, descobri que esse cantinho do Dolores Park é conhecido como “gay beach”(ou “fairy prairie”, já que tem mais grama do que areia e o único mar que você vai ver é o mar de gente). Se homem é a sua praia, vá lá lavar a vista que os rapazes são bem bonitos.

Mas nem só de gay reluzindo de protetor solar vive o Dolores. O parque reune os mais variados tipos de pessoas (e cachorros) e cada canto tem um apelido. Tem a área das famílias, a das lésbicas (bem menor que a gay beach, infelizmente), a “hipster hill” (o nome explica tudo), a parte das pessoas que gostam de jogar objetos voadores (bola, peteca, boomerang) umas nas outras, a do pessoal que vem fazer exercícios, um cantinho onde está sempre rolando uma rave… Fiquei fascinada com o lugar. Nunca vi uma mistura tão grande em um lugar tão pequeno, todo mundo em paz, curtindo o dia, piquenicando, apertando um e compartilhando coisas. As mais diversas coisas. Se você é sensível ao aroma de maconha, evite esse parque. Mas como SF quase toda tem cheiro de maconha (mais explicações abaixo), nesse caso é melhor você evitar a cidade como um todo. Pras interessadas, um amigo nosso passou uma dica. Se você quiser comprar maconha em SF, Dolores Park é o lugar. Basta chegar no parque, ficar em pé virando a cabeça de um lado pro outro que em poucos segundos o vendedor chega oferecendo a mercadoria. Ele descobriu isso por acaso, na primeira vez que foi ao parque, quando se levantou pra ver se a amiga com quem ele tinha marcado encontro estava por ali e o vendedor interpretou aquele gesto como “procurando maconha” ao invés de “procurando amiga”. Fica a dica.

Falando em maconha, uma das coisas que mais me impressionou foi o cheiro da erva por todos os lados. A Califórnia foi o primeiro estado nos EUA a legalizar o uso medicinal da maconha, em 1996.  Ou seja, sua médica pode prescrever maconha pra você se julgar que ela vai aliviar os sintomas de alguma condição física ou mental que você tenha. Uma lei foi aprovada recentemente legalizando também o uso recreativo da maconha, mas se entendi direito ela só entrará em vigor em 2018. Mas isso não impede o pessoal de SF de fumar tudo até a última ponta pelas ruas, parques… Cheguei à conclusão que essa é provavelmente a razão  do pessoal ser tão relaxado por lá.

E já que o assunto é erva, sabiam que o nome do povoado que deu origem à cidade de SF era Yerba Buena? Achei que o nome original não deveria ter mudado e faria ainda mais sentido hoje. Yerba Buena também é o nome de um dos dois museus que visitei durante a viagem. Eu queria ter ido ao famoso MOMA, mas custava um braço e quando arte é tão absurdamente inacessível ao público mais modesto, fico chateada ao ponto de perder a vontade de ir. Descobri que tem um dia onde os museus são gratuitos, geralmente na primeira terça do mês e se coincidir com a sua visita à cidade, aproveite. Mas dê uma olhada no site do museu que você quer visitar pra confirmar, pois alguns são gratuitos em outros dias. O MOMA tem seu próprio sistema de dias gratuitos, mas é possível checar qual será o próximo no site do museu. Mas voltemos ao Yerba Buena. Fui na primeira terça do mês e entrei de graça. Adorei o museu e o jardim, que faz parte do museu e fica sempre aberto ao público. No dia da minha visita tinha uma exposição incrível e nela descobri a história de Medillín, na Colombia. A cidade, que já foi a mais violenta do mundo, passou por uma transformação urbana que desencadeou uma transformação social gigante e hoje é um modelo de criação de espaços públicos que facilitam a troca cultural, política e de conhecimentos. As exposições mudam frequentemente, como em todo museu, mas tem sempre coisas interessantes por la, então recomendo muito a visita.

LGBT

O outro museu que visitei foi o GLBT Museum, no Castro. Esse museu conta a história da comunidade LGBT (não entendi porque no nome do museu o G vem antes do L) em São Francisco. Acho muito importante conhecer a nossa história e ver a luta por direitos da minha comunidade me inspira e me dá força pra continuar lutando. Foram muitas conquistas, mas ainda falta muito a ser conquistado e, como o contexto atual nos mostra, essas conquistas podem nos ser retiradas a qualquer momento. O museu é bem pequeno, mas tem bastante material pra ler, além de alguns vídeos e áudios. O que mais me emocionou foi um áudio de Harvey Milk, ativista por direitos LGBT e político de SF, o primeiro abertamente gay a ser eleito na Califórnia, em 1977. Ele tinha recebido ameaças de morte, pois se um político gay incomoda muita gente em 2017, imagine o tipo de discriminação que ele sofreu nos anos 70! Então ele gravou uma mensagem que deveria ser lida somente no caso dele ser assassinado e não consegui conter as lágrimas. Harvey Milk foi assassinado pouco tempo depois e o assassino, que também matou o prefeito de SF no mesmo dia, recebeu uma pena leve pois o advogado que o defendia alegou que ele “tinha comido muita junk-food no dia e não podia ser responsabilizado pelos seus atos”. Milk ainda é um ícone e uma inspiração pra comunidade LGBT de SF e do mundo

Se você viu o filme “Milk” (ótimo filme!), com Sean Penn interpretando Harvey Milk, ou se viu a série “When we rise”, criada pelo mesmo roteirista e dirigida por Gus Van Sant (a melhor série LGBT que já vi, porque conta a história da nossa luta por direitos, baseada na vida de ativistas reais, mas também as interseções com o feminismo e o movimento negro) o Castro é um lugar mítico. À partir dos anos 60 esse bairro acolheu uma comunidade LGBT enorme, que lutou ativamente por direitos durante décadas e foi o palco de uma tragédia humana, a epidemia de HIV/AIds nos anos 80, que levou a vida de um terço dos seus membros.

Andar pela rua principal do Castro (Castro St), que continua sendo um dos maiores símbolos de ativismo LGBT no mundo, foi muito emocionante pra mim. Tem até uma calçada da fama LGBT lá! Milk tinha uma loja de fotografia nessa rua e hoje um centro/loja da Human Rights Campaign, uma associação que luta por direitos LGBT, funciona no mesmo lugar. Essa rua é cheia de bares, cafés e abriga o cinema com o letreiro icônico. Infelizmente os bares são muito mais Gs do que Ls e são pouquíssimos os lugares frequentados por uma maioria lésbica. O lugar que mais gostei na rua foi a livraria Dog eared Books, que tem uma seção LGBT imensa, como era de se esperar, mas também toda uma parte dedicada a livros com temáticas LGBT e feminista pra crianças! Fui algumas vezes lá e confesso que folheei mais livros pra crianças do que pra adultas.

Passeios

Cheguei em SF com planos de fazer grandes passeios pelas florestas da região, mas, como expliquei na primeira parte desse guia, decidimos simplificar nossos programas e ficar pela cidade, mesmo. Posso recomendar a caminhada no parque Golden Gate, que oferece uma vista linda da famosa ponte e até um pedaço de praia pra você fazer seu piquenique (foi o que fizemos). E se você curtir andar de barco, recomendo pegar o ferry no centro (San Francisco Ferry Building) e ir pra Sausalito. É um cidade pequena na baía em frente à SF, logo à direita da Golden Bridge. Além de ser gostoso passear de ferry, você vai ter uma vista linda da ponte (ida e volta) e de SF e Alcatraz (volta). Sausalito é um charme, mas não tem muita coisa pra fazer por lá além de admirar a paisagem. Leve seu piquenique, sente nos jardins que beiram o mar e relaxe enquanto espera o ferry que te levará de volta. Vocé pode ver o preço e os horários do ferry, nos dois sentidos, nesse site.

Se você estiver com tempo, vale a pena visitar Oakland, onde a cena vegana também é vibrante. O restaurante Millenium, que apareceu na parte gastronômica do guia, fica lá e é fácil ir de uma cidade pra outra com transportes públicos. Além dos vários restaurantes veganos da cidade (mais uma vez, Happy Cow é a sua melhor amiga pra encontrar endereços veganos), tem um centro comunitário muito bacana chamado Omni Commons. Se ativismo te interessa, dê uma olhada no site pra ver se vai ter algum evento interessante durante sua viagem. Eu pude assistir à uma palestra com uma ativista LGBT russa que falou das dificuldades de fazer ativismo LGBT no país dela. Descobri que a situação era ainda pior do que tinha imaginado, mas conectar com outras ativistas é sempre uma inspiração. Também participamos do protesto do primeiro de maio em Oakland, junto com a comunidade de imigrantes, principalmente latinas, e nativa. Fiquei muito feliz em ver a Palestina incluída na pauta do dia (ninguém é livre até que todas sejamos livres!) e conheci algumas ativistas da pequena comunidade palestina local.

Parênteses consumista

Por questões éticas eu compro quase toda a roupa que uso de segunda mão (menos roupa íntima, de banho e meias). Então as únicas lojas de roupa que recomendarei nesse blog são lojas de caridade (Exército da Salvação, Liga contra o câncer, Emmaüs etc), pois são as únicas que frequento. SF tem algumas muito boas e se você procurar com paciência vai encontrar algumas peças de ótima qualidade, por um precinho modesto.  E se você está procurando o uniforme lésbico, nossa amada camisa xadrez, você encontrará as mais macias e confortáveis por lá. Raciocine aqui comigo. Além do povo nos states adorar camisa xadrez, outra lésbica já usou aquela peça, amaciando ainda mais o tecido. Segundo minha amiga Camila a camisa xadrez foi sequestrada pelos hipsters (e segundo uma seguidora minha no IG, isso é roupa de São João, mesmo), mas nada tema, amiga lésbica. Nós usávamos camisa xadrez antes dos hipters aparecerem e continuaremos vestindo nossas camisas xadrez quando eles entrarem em extinção. Achei as lojas mais interessantes no Mission e basta fazer um google “thrift shop mission district” (“thrift shop” significa “loja que vende roupas e objetos de segunda mão pra arrecadar fundos pra algum tipo de organização de caridade”) que você acha até um mapa com todas elas. Não confundir “thrift shop” com “vintage shop”, que é a versão chique e cara da loja de segunda mão. Mas se você procura por roupas vintage, com certeza também vai achar várias lojas do tipo em SF.

Outro lugar bacana pra comprar roupa é na loja da Human Rights Campaign que citei acima (na Castro St). Como expliquei, só compro roupa de segunda mão, mas essa loja vende camisetas lindas, super macias e com mensagens LGBT e todo o lucro vai pra organização, que luta pelos nossos direitos. Li as etiquetas das roupas antes de comprar e as que trouxe pra casa tinham sido fabricadas nos EUA, aumentando as chances das costureiras terem condições justas e dignas de trabalho (quando comparamos com as condições das trabalhadoras nos “sweatshops” dos países da Ásia).

Tenho outra recomendação de loja, mas sei que não será pra todo mundo. SF abriga um dos primeiros sex shops feministas que se tem notícia, Good Vibrations, que abriu em 1977. Conversei um pouco com a vendedora, que tinha muito orgulho fazer parte da equipe e que me contou que elas estavam comemorando os 40 anos da loja. Além de sex toys, lingerie e literatura erótica, o local oferece workshops práticos, aulas de educação sexual e de sexo seguro. Os sex toys são incríveis, das melhores marcas do mundo, fabricados realmente pensando no prazer da mulher, de todas as orientações sexuais, sozinha ou acompanhada. Claro que os preços são salgadinhos, mas escute essa pessoa que já vendeu sex toys e que já foi proprietária e usou vários tipos diferentes. Melhor investir em um sex toy de qualidade, recarregável, que vai durar muitos anos e que é mais ecológico (fuja dos toys que usam pilhas) do que comprar algo barato que terá um desempenho inferior e uma vida útil curta, o que além de acabar custando mais (se você substituí-lo por outro), também vai aumentar a sua pegada ecológica.

Algumas dicas

Pra terminar esse guia, algumas dicas práticas. SF é extremamente cara, então as dicas que gostaria de compartilhar aqui são todas sobre como economizar. Se você ganhou na loto antes de ir pra lá, fique à vontade pra não ler os próximos parágrafos. Pra todas as outras pessoas, aqui vão as recomendações.

Primeiro: compre comida no supermercado e coma em casa e/ou faça piqueniques ao invés de fazer todas as refeições em restaurantes. Segundo: tente se locomover o máximo possível a pé.  Na verdade sempre faço isso porque é a maneira que mais gosto de explorar cidades quando viajo, mas tem a vantagem de ser a maneira mais econômica de viajar também. Como SF é bem grande, programe as visitas por bairros pra poder fazer uma parte das visitas do dia a pé. E não esqueça de procurar os parques mais bacanas na região antes de sair de casa, pra já saber onde você estenderá a toalha de piquenique e organizar as visitas em função disso. Se cozinhar não for uma opção, nos supermercados você encontra comida vegana pronta. É mais caro do que cozinhar em casa, mas ainda sai mais barato do que comer em restaurantes.

Pra cozinhar em casa você vai precisar, obviamente, de uma casa. Essa é a minha terceira dica: alugue uma casa (Airbnb, por exemplo). Hotéis são geralmente mais caros e não oferecem a possibilidade de cozinhar no local. Se você estiver viajando sozinha, talvez um albergue com cozinha comunitária seja a opção mais barata, mas como viajei acompanhada não posso confirmar isso. E não esqueça de procurar os dias de entrada gratuita nos museus que quiser visitar (veja o site do museu), pois talvez você esteja por lá exatamente nesse dia. Uma última coisinha. Os tickets de transporte público são válidos por 90 minutos a partir do momento em que foi comprado (ou que você passou na catraca). Então se você precisar pegar dois ônibus e um bonde pra chegar em um determinado lugar, só precisa de um ticket, com a condição de fazer o trajeto em até 90 minutos. Eu não entendi isso no início e usava um ticket diferente cada vez que subia no ônibus e acabei desperdiçando algumas passagens. A hora do primeiro embarque fica marcada no ticket, então você sempre vai saber até quando pode usar o mesmo.

Se SF fosse um cheiro: maconha. Por onde andei, lá estava ela. Eu tenho zero problema com quem fuma e acho o cheirinho até bom. Fumaça de cigarro e gente bêbada me incomodam muito, muito mais. Principalmente gente bêbada. Porém o parque inteiro pode estar fumando maconha do meu lado que eu nem tchuiu. Mas se você se incomoda profundamente com isso, se prepare psicologicamente, pois o aroma da erva está praticamente por todos os lados.

Se SF fosse um sabor.. Difícil de escolher só um, pois a cidade ficou associada na minha memória gustativa com a salsa de tomate assada do Papalote, o maravilhoso pão com fermento natural, o kombucha com gengibre que eu comprava de litro no supermercado, mas, acima de tudo, com os queijos veganos que comi por lá. Principalmente o defumado da Miyoko’s Creamery.

Se SF fosse uma música, minha escolha é bem óbvia: “San Francisco”, cantada por Scott Mackenzie. Assim que avisei à família em Natal que estava indo pra SF meu irmão respondeu: “make sure to wear some flowers in your hair”. Aí não deu outra: passei onze dias cantarolando a música pela cidade e até coloquei umas flores no cabelo e gravei um vídeo cantando a música pra ele, porque sou uma irmã que gosta de passar essas vergonhas.

 *Essa última foto é de um lugar incrível, o ” Women’s building“, o primeiro centro comunitário de mulheres da cidade, criado em 1979. O prédio em si é lindo, coberto com pinturas de mulheres de todos os tipos e o centro oferece todos os tipos de ferramentas pra ajudar mulheres a “criar uma vida melhor pra elas próprias, suas famílias e sua comunidade”. Quem viu Sense8 talvez vai reconhecer o lugar, pois foi lá que Nomi se escondeu durante alguns episódios.

Guia Vegano São Francisco – parte I

No final de abril viajamos em lua de mel pela segunda vez. Dessa vez o destino foi São Francisco/EUA. A primeira lua de mel, anos atrás, foi na Irlanda e ainda sonho em voltar lá.

Anne sempre quis visitar São Francisco e apesar dos EUA nunca terem estado na minha lista de destinações sonhadas, SF era a única cidade de lá que me interessava. Ela sempre existiu na minha imaginação como um lugar alternativo, tolerante e totalmente diferente do resto do país. Minha irmã caçula, que morou dois anos nos EUA e visitou várias cidades lá, me falou que era exatamente isso. E o momento era perfeito. Anne já estava nos EUA, em uma turnê de um mês apresentando o último projeto dela sobre Gaza, Obliterated Families, e o final da turnê coincidia com o final do meu trabalho com os tours políticos/ativistas na Palestina. Decidimos então nos encontrar em SF, eu vindo da Palestina (com uma passagem por Paris) e ela de Seattle.

A cidade superou todas as minhas expectativas e vivemos momentos incríveis, visitamos lugares lindos, conhecemos pessoas que me tocaram profundamente, participamos de um grande protesto, junto com a comunidade de imigrantes, contra a política racista e islamofóbica de Trump, encontramos ativistas que lutam por justiça social e comemos muitíssimo bem. A receita de uma lua de mel perfeita na opinião de duas ativistas veganas.

Como acontece sempre que visito uma cidade pela primeira vez, decidi reunir minhas experiências em um Guia Vegano. Um aviso pra quem nunca leu um dos meus guias veganos antes: o que você vai ver aqui está longe de ser um guia turístico completo da cidade. O objetivo principal dessa série é descrever a cena vegana local e compartilhar meus lugares preferidos, além de uma ou outra experiência marcante que vivi por lá. É um relato pessoal, diferente do formato tradicional de guia turístico e reflete a maneira como viajo.

E falando na maneira como viajo, queria compartilhar algo antes de começar a descrever a comida deliciosa que experimentei em SF.  Eu não sou aquela viajante que programa uma maratona de visitas a cada dia, nem gosto de bater ponto em todos os lugares turísticos da cidade que estou visitando. Pra minha grande felicidade casei com uma viajante igual a mim. E dessa vez nosso ritmo ficou ainda mais lento, pois precisávamos de descanso depois de meses de trabalho intenso. No final adorei viajar de uma maneira totalmente relaxada, curtindo sem pressa cada instante e optando por programas mais singelos (caminhadas no bairro, piqueniques nos parques, manhãs tranquilas com fartos cafés na cozinha da casa que alugamos…). Eu me dizia sempre que não queria explorar tudo de uma vez pra deixar algumas surpresas pra próxima visita à cidade. Não sei se um dia terei a oportunidade de voltar à SF, mas mesmo se isso não acontecer ter adotado essa postura mental acalmou algo dentro de mim e me fez aproveitar a viagem ainda mais.

Pra esse post não ficar muito longo, dividi o guia em duas partes. A primeira terá foco na comida vegana e a segunda parte será dedicada aos lugares mais bacanas que visitei e terá algumas dicas práticas.

Comida vem primeiro, claro, porque descobrir novos sabores é a parte que mais gosto nas viagens. SF é um paraíso gastronômico, mas diferente da maioria da cidades consideradas como tal, pessoas veganas também tem acesso a esse paraíso. A California, principalmente o norte do estado, onde fica SF, é famosa por ser um ninho de pessoas alternativas, com opniões políticas mais progressistas do que o resto do país. O fato de abrigar uma grande comunidade vegetariana há décadas moldou profundamente a paisagem gastronômica da cidade, com uma oferta vegetal extremamente variada e que vai agradar todos os gostos. Tem sucos verdes extraídos a frio, comida japonesa zen, tigelas macrobióticas, fast-food, junk-food, comida mexicana de rua, culinária mexicana mais refinada, restaurantes gastronômicos que merecem estrelas do Michelin (quando vamos ter um guia Michelin vegano?), feiras de produtores orgânicos, supermercados populares com vasta oferta vegana, supermercados-templos de comida orgânica e vegana…Com tantas opções é fácil se aperrear tentando provar o máximo de pratos possível, mas olha a ansiedade da viajante voltando!

Como sempre, aconselho você dar uma olhada no site Happy Cow, onde é possível ver a lista detalhada de todos os restaurantes veganos, vegetarianos e simpatizantes da cidade. Cheguei com uma lista grande, mas acabei visitando menos lugares do que imaginei. Fica pra próxima. Deixei de lado os planos de provar tudo e acabei voltando pra comer novamente em vários lugares, coisa que eu não lembro de ter feito antes durante uma viagem. Também cozinhei bastante em casa, principalmente à noite. Abaixo você encontrará os meus lugares preferidos. Já vou me desculpando pela qualidade das fotos, mas fiz todas com o meu telefone e a luz dentro de restaurantes não é a melhor pra fazer fotografia. Visitem os sites dos restaurantes pra ver fotos que realmente fazem justiça às delícias servidas lá.

Millennium

Vou começar com o ponto alto da viagem. Eu ouvi falar desse restaurante vegano anos atrás e eu já tinha vontade de comer lá muito antes de decidir viajar pra SF. Então a primeira coisa que fiz quando cheguei na cidade foi reservar uma mesa lá. O restaurante é concorrido, por isso a reserva é essencial. Já o brunch no domingo é mais tranquilo, mas pra você não correr o risco de ir parar lá e ficar sem mesa, eu aconselho reservar do mesmo jeito. Jantamos no Millennium e a comida era tão saborosa quanto eu tinha imaginado. Cada prato tinha sido preparado com maestria, tanto na combinação de sabores e texturas quanto na apresentação. É raro ter uma experiência gastronômica em um restaurante quando se é vegana, pois a culinária vegetal ainda está debutando no mundo da alta gastronomia, então vale muito a pena comer lá. Os preços refletem a qualidade dos pratos, mas não são tão mais elevados do que o que você pagaria por um sanduíche em um dos cafés descolados da cidade. Dica: se seu orçamento está bem apertado, vá ao restaurante no horário de almoço e peça o menu do dia. Fica bem mais em conta. Gostamos tanto que voltamos pro brunch no domingo e foi ainda melhor! O serviço é muito simpático, o local é agradável e tem kombucha na torneira (na cozinha dos meus sonhos tem uma torneira de kombucha).

 

Gracias Madre

Um charmoso restaurante mexicano e vegano. O casal por trás do Gracias Madre é o mesmo dos  Cafes Gratitude, também veganos. Provei alguns pratos quando estive lá e uns estavam deliciosos, outros apenas ok. Mesmo assim gostei muito da experiência e recomendo o lugar pra quem quer degustar uma culinária mexicana que vai além do burrito, preparada somente com ingredientes vegetais. Não deixe de provar o bolo de chocolate com sorvete de coco.

Houve uma polêmica grande ano passado relacionada com esses restaurantes e acho que não posso não tratar do assunto aqui. As pessoas que criaram o Cafe Gratitude e Gracias Madre assumiram publicamente que tinham voltado a consumir animais, depois de décadas de veganismo. Pra piorar ainda mais começaram a criar vacas pra consumo no sítio onde parte dos vegetais dos restaurantes é cultivada. Por causa disso uma parte da comunidade vegana decidiu boicotar os restaurantes. Se alguém aqui se interessar pela minha opinião, lá vai. Sempre me parte o coração ver pessoas veganas voltarem a comer animais. O que acontece na cabeça delas pra fazer com que voltem a comer quem por anos era visto como amigo, não comida, me intriga profundamente. Mas sejamos honestas. Sempre que você descobre que abriu um restaurante vegano na sua cidade, ou ouve falar de um café vegano na cidade que você vai visitar, você procura se informar antes se a proprietária é vegana e só come lá se a resposta for afirmativa? Infelizmente ainda existem poucos restaurantes veganos mundo afora e muitos deles pertencem à pessoas onívoras. Eu mesma trabalhei em um restaurante vegano em Londres cujo proprietário era onívoro. O número de pessoas veganas no mundo está crescendo e vamos ver cada vez mais restaurantes veganos pipocar por aí. Não necessariamente porque veganas adoram abrir restaurantes, mas porque se existe um mercado, existe a possibilidade de lucrar e pessoas onívoras vão querer investir nisso. Se eu souber que as pessoas por trás de um determinado restaurante vegano também são veganas, vou apoiar com mais alegria ainda. Mas se eu descobrir que a dona desse ou daquele restaurante vegano come animais, eu ainda assim vou ficar feliz por ela estar oferecendo comida vegana pra nós quando poderia ter decidido abrir um restaurante que serve animais, causando mais sofrimento e injustiça no mundo.

Papalote

E falando em comida mexicana, esse restaurante (que serve animais) oferece várias opções veganas. Dizem que você encontra o melhor burrito de SF lá e eu acredito que seja verdade. Além de burritos tem tacos e saladas, e você pode pedir praticamente todos os ítens em versão 100% vegetal. Funciona assim: a base dos pratos (tortilla, tacos, dois tipos de arroz, três tipos de feijão) é totalmente vegana, assim como uma parte dos molhos (guacamole, salsa). Aí cada pessoa acrescenta o recheio que preferir, que pode ser um animal ou tofu marinado com anchiote (um molho mexicano), vegetais grelhados, chorizo de soja… As porções são gigantes, os preços são camaradas e a salsa de tomate assado é tão incrível que tive vontade de beber no copo. Tão bom que comi lá três vezes.

Cha-Ya

Restaurante japonês zen, que serve comida tradicional de templo. O menu, 100% vegano, tem mais de 40 opções. Comida de templo é preparada usando métodos simples e poucos temperos, o que os paladares acostumados com sabores fortes podem achar “sem gosto”.Mas muitos dos pratos são mais temperados, justamente pra agradar a um número maior de pessoas. Eu gostei de tudo que provei e almoçamos lá duas vezes.

New tree

Um café que serve animais, mas oferece opções veganas deliciosas. Tudo orgânico e “fair trade”. Tem sanduíches, wraps, saladas, sopas (a sopa do dia é sempre vegana), sobremesas, cookies (alguns veganos e sem glúten), leite vegetal pro seu cappuccino, papa de aveia (cozida na água, com frutas secas e castanhas). Bom pro café da manhã e almoço. O “tempeh burger”, feito tempeh, cogumelos, missô e tomate seco foi um dos melhores que já comi na vida! Menção especial pro maravilhoso mousse de chocolate vegano, feito com abacate, cacau, agave e leite de amêndoas. O local também é uma loja de chocolates e fiquei surpresa ao descobrir que o chocolate quente da casa é sempre vegano (e voluptuosamente delicioso!).

 

Golden Era

Passei na frente desse restaurante por acaso e que surpresa feliz! Totalmente vegano, ele serve comida vietnamita, chinesa, tailandesa e indiana e tem um cardápio tão grande que vai ser difícil escolher. Rolinhos (com papel de arroz ou do tipo frito), saladas, wraps, pratos à base de arroz, sopas, panquecas vietnamitas… Os rolinhos primavera (recheados com tofu e vegetais crus) servido com molho de amendoim estavam divinos!

Supermercados

Como alugamos uma casa em SF eu tive acesso à uma cozinha equipada e preparei várias refeições em casa. Porque muitas vezes faltava disposição pra sair pra comer à noite, mas principalmente porque SF é uma cidade muito cara e fazer todas as suas refeições em restaurantes vai esvaziar a sua carteira em uma velocidade impressionante. E além da economia, eu acabo me cansando de comida de restaurante e sentindo vontade de comer algo preparado por mim, do jeitinho que eu gosto. Claro que o fato de SF ter uma abundância de vegetais incríveis e oferecer produtos veganos de alta qualidade, como ravioli recheado com ricota de amêndoas, não só facilitou a preparação de refeições em casa, como me inspirou bastante.  Os dois supermercados abaixo possuem vários endereços pela cidade, então procure na internet qual o mais perto de onde você estiver hospedada.

Whole Foods

O templo da comida orgânica nos EUA, onde você encontra tudo que sempre quis comer em um lugar só. Vou logo avisando que os preços são bem elevados e se você se empolgar muito vai ter que empenhar um rim pra pagar a conta. Se eu morasse nos EUA provavelmente não entraria nunca nessa rede de supermercados, mas tinha um Whole Foods pertinho da casa que alugamos e quando estou de férias, pagar mais caro pela facilidade e praticidade pode valer a pena. Principalmente quando o supermercado caro em questão está lotados das coisas veganas mais deliciosas do pedaço! Eu olhava as prateleiras e parecia que eu estava vendo celebridades! Os queijos vegetais que eu tinha visto em sites e revistas estavam todos lá, piscando pra mim. Encontrei, e levei pra casa, os queijos maravilhosos e a manteiga (fermentada, feita de maneira tradicional) da Miyoko’s Creamery e os queijos igualmente maravilhosos da Kite Hill. Fazia muito tempo que eu queria provar os dois e gente, gente…O que é aquilo? Valeu a pena gastar todos os meus tostões lá. Também recomendo os ravioli recheados com ricota de amêndoa, da Kite Hill, que mencionei acima. Eles estão junto com as outras massas frescas, na parte refrigerada.

Trader Joe’s

Um supermercado mais popular que Whole Foods, com preços mais acessíveis. Apesar de não ter os queijos-celebridades, tem muitos produtos veganos. Acabo de descobrir que os queijos da Miyoko’s Creamery são vendidos lá também.

Não posso terminar a parte comestível desse guia sem falar que SF é famosa pelo pão com fermento natural (“levain” ou, em Inglês “sourdough”).  Reza a lenda que os micróbios que povoam a região de SF são especiais, por isso o pão de lá é tão bom. Lenda ou não, o pão é realmente incrível, com um crosta brilhosa e crocante e com um miolo denso e agradavelmente azedo, como todo bom pão feito com fermento natural. O “San Francisco sourdough” é o tradicional, mas você também encontra pães mais elaborados, também feitos com uma longa fermentação natural: com farinhas de cereais diferentes, com sementes, com frutas secas… Provei um com figos e nozes que era de cair da cadeira! Eu comprava pão no bairro onde estava hospedada, mas as padarias mais famosas da cidade são Boudin Bakery e, claro, Tartine. Apesar das várias recomendações que recebi, acabei não visitando nem uma nem outra. Se filas gigantescas não te assustam, vai lá.

Se você for à Berkeley, uma cidade vizinha, aproveite pra passar pela Vegan Republic, uma loja totalmente vegana que usa o lucro pra patrocinar um santuário de animais. Lá você também encontra os queijos Miyoko’s Creamery e Kite Hill, além de vários livros de culinária vegetal. Eu tive a sorte de passar por lá e adorei a loja.

E se café é a sua praia, o templo do café em SF se chama Blue Bottle. Passei em frente, achei o povo tão hipster e o lugar tão moderno, com umas engenhocas de café tão diferentes que, apesar de café ser muito a minha praia, deduzi que eu precisava fazer um curso pra pedir café ali e fui embora. Dias depois me deparei com um lugar que servia o café Blue Bottle e pedi um porque eu precisava provar aquilo. Achei com gosto de café, mas o que danado eu estava esperando? Se a sua pessoa for mais hipster que a minha, vai lá.

(A segunda parte desse guia aparecerá em breve.)

Berlim

Algumas semanas atrás eu fui visitar Anne em Berlim, onde ela está morando atualmente. Eu estive na cidade alguns anos atrás, também durante o verão, e adorei. Até escrevi um Guia Vegano da cidade. As opções veganas aumentaram ainda mais desde a primeira vez que estive lá e o guia merece uma segunda parte. Berlim é sem dúvida a capital vegana da Europa. É incrível ver como veganismo é algo comum e bem aceito por lá. Comi em vários restaurantes veganos, mas também em restaurantes tradicionais, pois é comum ter opções veganas em praticamente todos os lugares. Você pode sair pra comer com suas amigas onívoras e ter a certeza que vão encontrar facilmente um lugar que vai deixar a barriga de todo mundo satisfeita.

Mas por enquanto vou me contentar em compartilhar alguns momentos da viagem, então esse guia será visual, mas com algumas recomendações no final do post pra quem estiver de passagem na cidade, incluindo onde  quiser provar um super brunch vegano.

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Esse queijo vegano incrível (à base de castanha de caju, fermentado e curado de maneira artesanal) veio de Nova York, da queijaria vegana Dr Cow.

A sexta e sétima fotos foram feitas na creperia vegana Let it be, que também recomendo.

Outro lugar que recomendo é o restaurante/café Charlie’s Vega Food and Coffee. Achei por acaso e fui comer lá por simples curiosidade, mas a comida me surpreendeu. Muito, muito boa! Comi um pãozinho de farinha de arroz no vapor, recheado com legumes e cogumelos que minha amiga Nozomi, que é japonesa, disse se chamar yasai-man. Era tão bom que imediatamente depois de devora-lo pedi outro. Também provei uma sopa de ervilha, hortelã e coco  incrivelmente perfumada, um ragu de cogumelos, coco e capim santo (os sabores do local são inspirados da culinária asiática) e um bolo de chocolate e pera delicioso. (fotos 10 e 11)

O restaurante que serve o melhor brunch vegano que já degustei (fora de casa) se chama Koops e Anne também jantou lá no seu aniversário, acompanhada da irmã vegetariana e do irmão onívoro e da cunhada onívora e todos saíram de lá impressionados com a qualidade da comida. (fotos 12 e 13). E do ladinho do restaurante tem uma sorveteria vegana (foto 14).

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E acreditam que encontrei uma leitora de longa data do blog no aeroporto indo pra Berlim no mesmo voo? Inês é portuguesa e também mora em Londres. Ela é cantora, mas nunca tive a oportunidade de vê-la cantar aqui. Tive que ir até Berlim pra ver a linda no palco e foi mágico.

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Guia Vegano – Marselha (França)

Acabo de chegar de dez dias de férias em Marselha. “Chegar” é modo de falar, pois na verdade eu não chego, eu passo. E estou novamente de passagem no interior da França, mas já de malas prontas pra próxima aventura. (Lembrando a quem não sabe: o Papacapim está no Instagram e sempre compartilho fotos das minhas andanças e comilanças pelo mundo.)

Mas então, Marselha. Apesar de ter morado seis anos inteirinhos em Paris, nunca tinha me aventurado pelo sul da França. Um grande erro que decidi corrigir. Quando eu levava minha vida tranquila de universitária na cidade luz meus amigos parisienses diziam: “Marselha? Oh, la, la! É uma cidade suja, barulhenta e perigosa!” E eu pensava com os meus botões que essa noção de “cidade perigosa” é relativa e que não podia ser pior do que as grandes metrópoles brasileiras. Pois tenho a satisfação de informar que meus amigos parisienses estavam errados. Marselha, a segunda maior cidade da França, é incrível, vibrante, um caldeirão cultural com praias lindas de águas cristalinas e pessoas gentis e simpáticas. Sim, a criminalidade existe, principalmente em certos bairros (longe do circuito turístico), exatamente como em todas as cidades onde as desigualdades sociais são gritantes e a discriminação racial rola solta. Mas em nenhum momento me senti em perigo. E sim, a cidade é menos “arrumadinha” que a capital e tem graffiti em praticamente todos os muros e portas, mas não considero isso sujeira: adoro arte de rua. Sem falar que com tanta gente falando Árabe ao meu redor me senti em casa.

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E o que me deixou ainda mais feliz foi ver o quão vegan-friendly a cidade é. Além de ter vários restaurantes vegetarianos (sempre com opções veganas) e um vegano, em praticamente todos os lugares tinha opções vegetais. Achei o pessoal super consciente da existência de veganos e preocupado em oferecer opções pra todos. Parece que, pelo menos nessa cidade, não somos totalmente invisíveis aos olhos dos restaurantes tradicionais. Em vários cafés/lanchonetes/restaurantes vi no menu (que na França sempre fica do lado de fora, pra você saber o que pode comer- e quanto vai pagar- antes de decidir entrar, super útil pra veganos) opções “carnívoras” e “vegetarianas”, que na maior parte do tempo eram 100% vegetais. Achei engraçado eles escreverem “sanduíche/prato carnívoro” (ou simplesmente “carni”) e minha imaginação fértil imaginava as coisas mais loucas.

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Então aqui vai um pequeno guia com os lugares onde comi durante minha visita à Marselha. Quase todos esses lugares eram vegs e orgânicos. Foi emocionante ver que veganismo e comida orgânica andam juntinhos por lá, o que não significa que os preços são mais caros do que os lugares vegs não-orgânicos. Os arredores da praça Cours Julien é a parte mais bacana da cidade (bares, cafés, livrarias independentes…) e é o lugar ideal pra se hospedar (foi lá onde fiquei), pois a partir dali dá pra visitar quase tudo a pé. Todos os endereços do guia  ficam no centro, com excessão da pizzaria, então o acesso é fácil.

Não pude visitar todos os restaurantes que estavam na minha lista, pois com tantos produtos maravilhosos acabei cozinhando bastante em casa. Recomendo, como sempre, uma visita ao site Happy Cow pra ver a lista completa com todos os lugares vegs e veg-friendly da cidade.

Duas especialidades gastronômicas locais são acidentalmente veganas: panisse e pistou. A primeira é um tipo de ‘polenta’ feita com farinha de grão de bico, que você deixa esfriar e, depois de firme, corta em rodelas e depois frita. Panisse é servida em cones de papel na beira da praia ou em bares, como lanche ou acompanhando o aperitivo. Pistou é o pesto do sul da França, mas diferente do irmão gêmeo italiano ele não leva queijo (só manjericão, azeite, alho, pimenta do reino e sal). Recomendo os dois, separados ou, melhor ainda, juntos.

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L’écomotive – café vegetariano e orgânico, com muitas opções veganas. 

Foi o lugar que mais gostei na cidade. O café é ótimo e tem leite de soja (vinde a nós, cappus veganos!). São três opções de pratos por dia e o menu muda o tempo todo (opções sem glúten). Tem também bolos, tortas e cookies, sempre com opções veganas. Minha amiga Haidi, que já apareceu aqui no blog, é a cozinheira nos fins de semana. Como ela é vegana, nos sábados e domingos os três pratos são veganos e a oferta de doçuras vegetais aumenta (na foto acima todos os doces são veganos!). O lugar é charmoso e descontraído. De manhã é bem calmo e como tem wi-fi é um ótimo lugar pra trabalhar (se, como eu, você precisa trabalhar durante as férias). Preços bem em conta (9 euros o prato completo). Fica aberto até às 19h, mas não serve jantar.

L’écomotive

2 Place des Marseillaises, 13001 Marseille

Aberto os sete dias da semana, das 8h às 19h.

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Londonewyork- restaurante vegano orgânico

O único restaurante vegano da cidade atualmente só abre pro almoço. Como em todos os restaurantes orgânicos que oferecem produtos locais e sazonais, o menu muda constantemente. No dia que estive lá provei quatro pratos diferentes e alguns estavam ótimos, outros nem tanto. Provei também uma sobremesa que estava sensacional: torta folhada de coco e caramelo salgado. O que mais me chamou a atenção, no entanto, foi um seitan feito com arroz, logo sem glúten. Eu nunca gostei da textura nem do sabor de seitan e por ser glúten puro sempre deixa meu estômago se sentindo triste, triste, mesmo quando eu como só um pedacinho. Mas o seitan de arroz não só é totalmente sem glúten (mais agradável pro estômago) como ainda é muito mais gostoso e suculento do que o seitan de trigo. Um achado!

Londonewyork

77 Rue de Lodi, 13006 Marseille

Aberto de segunda à sábado, das 10h às 18h.

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Le cours en vert – restaurante vegetariano orgânico com opções veganas

O menu muda todos os dias, de acordo com o que for encontrado na feira daquele dia. Então os legumes são super frescos, de estação e orgânicos. Provei três pratos diferentes e a comida estava gostosinha, mas não provocou grandes emoções em ninguém (talvez eu não tenha tido sorte no dia em que estive lá).

Le cours en vert

102 Cours Julien, 13006 Marseille

Aberto os sete dias da semana, das 12h às 15h e das 19h30 às 22h.

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Green Bear – café-lanchonete vegetariano com opções veganas.

Passei por lá no final da tarde e já não tinha mais quase nada pra comer, então só tomei um cappuccino e provei um mousse de framboesa (à base de aquafaba). Green Bear tem três endereços na cidade e o que visitei (abaixo) tem wi-fi e uma sala perfeita pra quem quer responder emails ou planejar as visitas do dia em um lugar agradável, acompanhada de um cappu vegano.

Green Bear

123 La Canebière – 13001 Marseille

Aberto de segunda à sexta, das 11h às 17h.

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La Baie du Dragon – vietnamita/tailandês. Restaurante tradicional com vários pratos 100% vegetais.

Foi uma experiência e tanto jantar nesse restaurante. O dono, que também serve as mesas, é uma figura. Ele é engraçado e caloroso, mas não hesita em te dar umas respostas secas se achar a sua pergunta idiota (“Nem cru é o que exatamente? Aqueles rolinhos primaveras com papel de arroz?” “Não, é nem cru!” Quando os benditos chegaram eram exatamente os rolinhos com papel de arroz.) Mas ele é gente finíssima e um grande simpatizante do veganismo. O adesivo que vocês vêem acima, criado pela associação de direitos animais L214, significa que o restaurante, apesar de tradicional, se compromete a oferecer pratos veganos elaborados e saborosos pros clientes vegs. O menu tem uma seção especial com pratos veganos: entradas, pratos principais, acompanhamentos.  Ele explicou que se dependesse só dele o restaurante seria 100% vegetal. A conversa que escutei na mesa ao lado fez meu queixo cair. A cliente pediu sugestões de pratos. Ele sugeriu todos os pratos veganos do menu (!!!!). Ela disse: “Eu não sou vegetariana” e ele respondeu: “Uma pena!”.  Os pratos são muito bem temperados, os sabores equilibrados e delicados e o tofu é uma delícia! Muitas opções sem glúten. Os pratos são individuais (porções pequenas), então não cometam o mesmo erro que eu pedindo um prato pra duas. O restaurante é bem popular, então lembre de reservar no fim de semana.

 La Baie du Dragon

8 Place Notre Dame du Mont, 13006 Marseille

Aberto de segunda à sábado, das 12h às 14h30 e das 19h às 22h30.

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Pizzaria L’eau à la bouche – pizzaria tradicional que oferece uma pizza vegetariana sem queijo

Segundo Haidi, é a melhor pizzaria da cidade. Pra nossa grande sorte tem uma pizza 100% vegetariana no menu. Na hora de fazer o pedido falei: “Uma vegetariana sem queijo, por favor” e fiquei aguardando a cara de choque e/ou reprovação do pizzaiolo. Pra minha grande surpresa ele (que descobri depois ser o dono da pizzaria) respondeu, sem levantar os olhos, que a vegetariana da casa nunca tem queijo. Ô glória! Agradeci por ele ter pensado nos veganos e ele respondeu: “Mas é normal! Nó temos que pensar em agradar todos os clientes!” E a pizza não decepcionou (abobrinha e berinjela grelhadas, cebola, coração de alcachofra, alcaparras, azeitonas pretas, tudo numa massa fininha, do jeito que eu gosto). Dica: peça a pizza pra viagem e vá degustá-la na praia que fica ali do lado (Corniche, ver mais abaixo), sentada sobre as pedras com o mar turquesa aos seus pés. A pizzaria também funciona em um food truck no verão (na cidade l’Estaque, colada à Marseilha), que além da vegetariana também oferece uma pizza sem glúten.

L’eau à la bouche

120 Corniche Président John Fitzgerald Kennedy, 13007 Marseille

Aberta de quarta à domingo, de 12h à 15h e de 18h à 23h.

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Videodrome 2 – café-cinema, que também funciona como locadora de filmes

Esse lugar singular vale uma visita, mesmo se você estiver sem fome. Além de poder alugar DVDs e assistir a filmes na pequena sala de projeção nos fundos do café, todo dia rola uma sopinha que me garantiram que é sempre vegana. No dia que fui lá a sopa era de abobrinha com pistou (o famoso pesto local, acidentalmente vegano) e estava divina! Veio acompanhada de três fatias generosas de um maravilhoso pão au levain com passas. Por 4€ você tem uma refeição nutritiva e saborosa. Também tem sempre um cookie vegano e sem glúten no balcão (feito com farinha e óleo de coco, gostosinho mas que não tinha nada da textura/sabor de cookie). Tem mesas no exterior, na praça Cours Julien, e é super agradável tomar uma (cerveja ou xícara de chá) admirando os passantes.

Videodrome 2

49 Cours Julien, 13006 Marseille

Aberto de terça à domingo, das 15h às 2h.

Un mexicain à Marseille – lanchonete mexicana com opções veganas

Veganos podem pedir um burrito  ou tacos 100% vegetais (com feijão, milho, legumes grelhados, arroz, tomate e guacamole). Sucos/smoothies feitos na hora. Simples, barato, nutritivo e capaz de satisfazer grandes apetites.

 Un mexicain à Marseille

5 Place Paul Cézanne, 13006 Marseille

Aberto todos os dias da semana, das 12h às 24h.

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 Bio C Bon – loja de produtos orgânicos

Na França as lojas de produtos orgânico são uma mina de ouro pros veganos. Essa era um paraíso pra nós: frutas e verduras, leguminosas cruas e cozidas, burguers, salsichas, queijos, muitas pastas pra passar no pão, biscoitos, cereais, iogurtes, chocolates e mais de trinta (!!!) tipos de leite vegetal. As opções sem glúten abundam (achei até massa folhada pra assar em casa sem glúten!) e a loja é cheia de tesouros pros veganos gourmets (algas frescas! crepe de sarraceno! pasta de chocolate e avelã! creme de alcachofra!). Claro que os preços nesses tipos de lojas são mais elevados do que em supermercados, mas a qualidade é excelente e você encontra produtos que não são vendidos em outros lugares.

 Bio C bon

89 Cours Julien, 13006 Marseille

Aberta todos os dias da semana, das 9h30 às 20h (domingo das 9h30 às 13h30)

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Marché Paysan Cours Julien – feira orgânica

Uma vez por semana, nas quartas, tem uma feira orgânica na praça Cours Julien. As frutas e verduras orgânicas, produzidas localmente e vendidas pelos próprios agricultores, já valem a visita. No dia que estive lá comprei kale, vários folhosos pra salada (os vendedores fazem uma mistura com todas as folhas disponíveis, se você pedir) e tupinambo (também conhecido como ‘alcachofra-girassol’), um legume que eu conhecia de vista, mas nunca tinha experimentado (adorei!). Mas o que faz dessa feira um lugar ainda mais especial pras pessoas veganas é uma barraquinha onde um rapaz muito simpático faz um número impressionante de molhos, pastas pra passar no pão, legumes temperados e geleias, tudo com os vegetais que ele mesmo planta e colhe (orgânicos). Ele explicou que não usa nenhum ingrediente de origem animal nos seus produtos e, respeitando a tradição culinária do sul da França, faz tudo com um excelente azeite. Vi que em um potinho entrava mel na composição, mas todos os outros eram 100% vegetais. Voltei pra casa com uma pasta de beterraba e raiz forte, pistou, molho de pimenta, favas com coentro e ganhei de presente do vendedor um chutney de jerimum e gengibre. O que eu gostaria de ter levado pra casa, se ainda tivesse espaço na sacola: abobrinha com hortelã, abobrinha agridoce com curry, funcho romeno, ajvar (pasta de pimentão vermelho), caviar de berinjela, caponata… Descobri, graças à senhora que nos hospedou durante alguns dias, que um almoço ou jantar pro pessoal do sul pode ser composto somente desse tipo de preparações (muitas vezes feitas em casa), mais um bom pão, uma salada crua e vinho. A geladeira dela estava cheia de potinhos de vidros com os mais variados legumes, todos preparados por ela, e na hora das refeições ela colocava tudo na mesa, junto com uma salada fresquinha, e cada uma se servia do que quisesse, como um piquenique. Se você quiser preparar uma refeição nesse estilo e provar as delícias que são os legumes e as pastas do sul, você precisa visitar essa barraquinha.

Marché Paysan

Praça Cours Julien

Todas as quarta-feiras, das 7h às 13h (melhor ir cedo).

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Saladin Épices du Monde – Mercado de frutas e verduras e loja de especiarias 

Do lado do Marché  de Noailles eu achei o meu parque de diversões. Se chama “Saladin” e lá você vai achar o que acredito ser todas as especiarias que já apareceram nessa terra. Dei tantos pinotes lá dentro que uma certa pessoa ameaçou me filmar e colocar o vídeo no blog pra vocês verem e, imagino, rirem. Tinha as mais variadas frutas secas (tâmaras suculentas), tomates secos, farinha de grão de bico indiana, muitos, muitos tipos de azeitonas (verdes, pretas, temperadas), vários tipos de cogumelos desidratados, dezenas de ervas secas, especiarias de todos os tipos… Tinha até cumaru (tonka) do Brasil! E mais de trinta tipos de sal (juro, eu contei). As duas fotos acima só mostram um pedacinho da coleção de sal da loja. Tinha sal roxo, azul, cinza, preto, defumado, temperado, com gosto de ovo (queria trazer o saco inteiro pra usar no meu omelete vegano), flor de sal, cristais em forma de pirâmide… Durante os dez dias que passei na cidade fui à essa loja cinco vezes, ou seja, um dia sim e outro não. No final eu já estava contando a minha vida na Palestina em Árabe pro vendedor marroquino e ninguém mais se dava o trabalho de falar Francês comigo. Quase peço um emprego lá, aceitando ser paga em sal (sabiam que é daí que vem a palavra ‘salário’? Eu ia voltar às origens da prática). Se você gosta de cozinhar recomendo demais uma visita à essa loja.

 Saladin Épices du Monde

10 Rue Longue des Capucins, 13001 Marseille

Aberta todos os dias da semana, das 7h30 às 19h

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Marché de Noailles 

O quarteirão dessa feira (‘marché’ em Francês significa ‘feira’) vale uma visita. É aqui que se concentram as mercearias, restaurantes e padarias árabes (Marrocos, Tunísia e Argélia, países que formam o Magrebe) e é um dos lugares mais animados e coloridos da cidade. Lá você encontra cafés populares, onde velhinhos e jovens jogam conversa fora, padarias cheias de tesouros, restaurantes típicos e mercearias com (pausa dramática, corações veganos batendo acelerado) tahine libanesa! A única, a verdadeira, a sensacional, a que tem a reputação de ser a melhor do mundo! E por um precinho muito camarada, principalmente quando você compara com a tahine horrível que encontramos nas lojas orgânicas daqui.

As padarias tunisienses/marroquinas/argelinas são ótimas pra quando você quiser preencher um buraquinho no estômago, mas não tiver fome suficiente pra uma refeição completa. Além de vários tipos de pão (alguns com levain), você encontra folhados recheados com tomate e pimentão (tem a aparência de um crepe crocante, dobrado e com uma forma quadrada), o delicioso pão de sêmola (com ou sem fermento) e alguns doces veganos (pergunte se não tem manteiga nem mel, pois muitos têm).

Se a fome apertar, muitos restaurantes du Magrebe, embora sempre sirvam carne, oferecem opções naturalmente veganas. Tagines ou couscous de legumes (geralmente com grão de bico e muitas especiarias) são deliciosos.

Marché de Noailles (também conhecido como Marché des Capucins)

Rue du Marché des Capucins.

Aberto de segunda à sábado, das 8h às 19h.

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Durante as férias visitei duas ocupações (que os franceses chamam de ‘squats’). Le Raccoon (Place du Lycée) e Le Kiosque (38, Rue Clovis Hugues). Essas ocupas são lugares onde ativistas se encontram, trocam informações e organizam eventos. Fui ver um filme feminista de 1983 (‘Born in Flames’)  no Raccoon e participei de um evento de solidariedade com prisioneiras/os trans no Kiosque.  Fiquei sabendo desses eventos olhando as paredes da cidade: tem sempre cartazes colados por todos os lados com a programação dos dois lugares.

Nas duas ocupas a luta contra os vários tipos de opressão estão interligados, por isso quando rola comida por lá, é sempre vegana. O Raccoon também organiza jantares veganos onde cada um dá  o que quiser. Nas duas ocupas você encontra livros e panfletos sobre feminismo, racismo, imigrantes e refugiados, direitos animais, veganismo… No Raccon tem até uma ‘ loja grátis’ com roupas e sapatos que estão à disposição gratuitamente. São os lugares ideais pra entrar em contato com a cena ativista da cidade, aprender e conhecer pessoas bacanas (e veganas!).

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E antes de terminar esse guia, vou fazer algo que ainda não tinha feito nos outros Guias Veganos que publiquei aqui no blog: sugerir lugares que não têm nada a ver com comida. Se você estiver em Marselha não deixe de visitar um espaço cultural chamado ‘La Friche’, que fica na rua Jobin, no bairro Belle de Mai (foto que abre esse post e as duas acima). O centro foi criado em uma antiga fábrica de tabaco e tem salas de exposições, uma livraria, um café, um restaurante, quadra de basquete, pista de skate… Nos andares não utilizados (o prédio é enorme) crianças andam de patins e brincam livremente. A partir de março o terraço no último andar começa a funcionar e o centro organiza festas ali nas noites de verão.

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A Corniche também vale uma visita. As praias são bem diferentes das nossas, com pedras enormes e zero areia. Tem uma mini praia onde as pedras são minúsculas (foto acima), mas o pessoal que quer nadar geralmente pula das pedras direto pra água. Parece que no verão fica tudo lotado, mas como passei por lá no meio do inverno estava tudo tranquilo e pude piquenicar (a pizza mencionada acima) admirando a beleza do lugar.

Vale muito a pena sair um pouco da cidade e visitar pelo menos uma calanque. ‘Calanque’ é, de acordo com Wikipidia “um acidente geográfico encontrado no Mar Mediterrâneo, que se apresenta sob a forma de uma angra, enseada ou baía com lados escarpados, composta por estratos de calcário, dolomita ou outros minerais carbonatos.” Procurem ‘calanques’ no Google e vocês vão ver que coisa mais linda elas são. Visitei a calanque de Sormiou (dá pra ir de ônibus do centro de Marseille), que fica no Parque Regional das Calanques. Na entrada do parque você pode escolher uma das várias trilhas, mais ou menos longas. A caminhada é bem puxada, pois o terreno é extremamente acidentado, mas pra quem gosta de natureza e pode caminhar por várias horas , o passeio é incrível. As fotos abaixo dizem tudo.

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Guia Vegano de Natal – parte 3

Quando escrevi o primeiro Guia Vegano de Natal, em 2012, comer fora de casa ainda era um desafio pros veganos natalenses ou de passagem pela cidade. Um ano depois as opções tinham aumentado e escrevi a segunda parte do Guia. Esse ano fiquei extremamente feliz ao perceber que, seguindo a tendência mundial, o movimento vegetariano/vegano está ganhando força na cidade. Embora ainda não possa ser considerada um paraíso vegano, hoje a lista de restaurantes veganos/vegetarianos em Natal está mais longa e, o que me deixou mais impressionada, opções de pratos 100% vegetais aparecem no cardápio de vários restaurantes onívoros. Por isso repito: o futuro é vegetal!

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A descoberta mais feliz foi o restaurante vegano ‘A Casa’, que tem dois endereços na cidade. Um restaurante vegano no centro da cidade e outro perto da faculdade (pra facilitar a vida dos estudantes veganos e do pessoal veg que trabalha no centro), oferecendo comida nutritiva por um preço acessível? Maravilha! Fez muito sentido fazer a palestra ‘Alimentação vegana: elitista ou popular?’ nesse restaurante, pois eles estavam ali pra provar que comida vegetal é a mais popular e barata de todas. Como disse minha amiga Bárbara, ‘em que mundo feijão com arroz é mais caro do que bife?’. E A Casa faz um feijão delicioso. A feijoada vegana (foto acima), então, foi a melhor que já comi na vida! A comida é vendida no peso e eles também fazem quentinhas. Chegue cedo no restaurante de Potilândia (a primeira e segunda fotos), pois eles fazem comida em pequenas quantidades (pra não ter desperdício) e geralmente depois das 12h30 já acabou tudo. O restaurante do centro (terceira e quarta fotos) é bem maior e tem mais opções de pratos.

A Casa (aberto de segunda a sábado, das 11h30-14h)

Rua Granada, 126 – Potilândia

Rua Princesa Isabel, 680 (sobreloja da livraria Asa Branca)

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Pium, que fica a poucos quilômetros de Natal, está cada vez mais acolhedora pros veganos e o restaurante ‘Pé na Terra’ é mais uma opção pra quem estiver a caminho das praias do litoral sul, ou quiser respirar ares diferentes sem se afastar muito da capital. Lá você encontra tapiocas recheadas (tapioca com abacate, que ideia genial!), saladas, sucos, vitaminas, cervejas artesanais e nos fins de semana rola bobó de grão de bico (aquele que apareceu aqui no blog!). Também é possível encomendar comida (quentinhas ou congelados). Além de oferecer comida vegana, o local vende biocosméticos, grãos e ervas medicinais, além de promover eventos como bailes e apresentações de música brasileira. Que tal uma roda de coco com chope artesanal e comida vegana, tudo junto? Lá tem! E pra deixar essa feminista aqui ainda mais feliz, é um negócio criado por duas mulheres. Poucas coisas me alegram mais do que ver, e apoiar, negócios veganos criado por mulheres. Quando visitei o espaço elas estavam de mudança, então essa foto é do endereço antigo. Mas pelo que vi, o novo local é ainda mais lindo.

Pé na terra (de quinta a domingo, das 16h20-23h59).

Na Oca da floricultura Terra Viva, depois do posto policial da entrada de Pium.

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Meses atrás minha irmã enviou fotos do cardápio e das saladas lindas que ela comeu no restaurante ‘Enquanto seu lobo não vem’, dizendo que eu ia adorar o lugar. Ela estava certa. Apesar de não ser um restaurante vegano, o cardápio foi claramente criado pra alegrar essa parte da população. Tem muitas opções veganas (tudo claramente marcado no cardápio): saladas completas com proteína vegetal (tofu, cogumelo shitake, falafel ou hummus), entradas quentes, sanduíches e waffles salgados. Alguém deve ter contado pra eles que pra deixar os veganos realmente felizes era preciso oferecer sobremesas saborosas, então eles foram particularmente generosos nessa área. Tem waffles doces (abacaxi caramelizado, bola de creme de cupuaçu e calda de chocolate, ou com morangos frescos, sorvete de banana, creme de avelã e chantilly), sobremesas geladas (pedaços de brownie, sorvete de banana, calda de caramelo e chantilly) e cupcakes. E pro pessoal que evita glúten, além das saladas tem pene de arroz e cupcake sem glúten também. Os sucos e smoothies são divinos e ainda tem açaí, pra quem não é fã de sobremesas muito doces (presente!). Os preços são mais elevados, então é um lugar pra visitar só de vez em quando.

Enquanto seu lobo não vem (aberto de segunda a domingo, à partir das 12h)

Av. Praia de Genipabu, loja 12, Edifício Maria Clara, Ponta Negra

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‘Cantinho natureba’ é mais um restaurante mixto: metade do pequeno cardápio é veg, com opções que mudam diariamente. O lugar é simples, mas super agradável e no dia que estive lá pude escolher entre 4 opções veganas. Provei a berinjela assada com molho de tomate (que pedi sem o gorgonzola) e o tofu grelhado. Tudo acompanhado de salada, grão de bico e arroz integral. Nós, veganos, agradecemos quando os restaurantes entendem que ninguém fica de pé por muito tempo comendo somente folhas. Precisamos de cereais integrais e de leguminosas pra acompanhar a saladinha! E além dos pratos serem balanceados, as porções são honestas e gostei do carinho que colocaram na salada. Faltou o mesmo carinho com o tofu, mas é raro encontrar cozinheiros onívoros que sabem tratar esse ingrediente como se deve (com exceção dos japoneses, que fazem tofu melhor do que ninguém). A berinjela também deixou a desejar.

Conclusão: toda a minha gratidão vai pros restaurantes que se esforçam em oferecer opções veganas em seus cardápios, mas fico triste quando esses pratos são uma alternativa inferior em matéria de sabor. Bato palmas, muitas palmas pros chefs que decidem cozinhar pratos veganos, mas não custa nada fazer um esforcinho pra oferecer opções que sejam tão gostosas quanto os ítens onívoros do menu. Se não sabe como fazer isso, pergunte a um chef/cozinheiro vegano. Ou aos clientes veganos que aparecerem no seu estabelecimento. Tenho certeza que eles podem te dar boas dicas. Todo mundo vai sair ganhando: sua clientela vegana aumentará, você poderá se orgulhar de todos os pratos que saem da sua cozinha e até alguns onívoros começarão a pedir as opções veganas. Comida boa de verdade agrada qualquer pessoa, independente das orientações gastronômicas, e é cada vez mais comum ver onívoros optando por pratos vegetais por razões de saúde ou ecológicas.

Cantinho natureba (aberto de segunda a sexta das 11h30-15h, domingos e feriados das 11h30-14h30)

Av. Capitão Mor Gouveia, 167

Minha amiga Potyra me levou pra comer no restaurante libanês Rachid’s e foi uma alegria só! Ainda não conheci uma criatura sequer que não gostasse de comida libanesa, ou do Oriente Médio em geral. É muito, muito bom! E o que eu mais gosto nesse tipo de culinária é que ela é muito inclusiva: têm várias opções naturalmente veganas. Como esses pratos são tradicionais e não adaptações pra agradar os clientes vegs, você sente a (imensa) diferença no sabor. Foram gerações e mais gerações de mães cozinhando vegetais com amor, centenas de anos de acumulação de conhecimento pelos chefs, tudo traduzido naqueles pratos. Eles foram criados pra serem gostosos, não pra serem ‘saudáveis’, ‘naturais’ ou ‘veg-friendly’. E como eles foram criados com o único intuito de serem deliciosos, mesmo os onívoros se rendem aos encantos do falafel, hummus e afins. Na Palestina, por exemplo, sanduíche de falafel não é uma variação vegetal e inferior do sanduíche com carne. É um sanduíche à parte, que seduz tantas papilas quanto as opções com derivados de animais. Mas estou divagando.

Voltando ao Rachid’s, a comida não decepcionou. Os sabores são autênticos e os pratos veganos abundam: falafel, hummus, taboule, charuto de folha de uva ou couve, baba ganush (que na Palestina chamam de mutabbal), molho de tahine, pãozinho recheado com espinafre, mdardara (o mesmo que mujadara)… A oferta era grande e a moça que me atendeu foi uma simpatia na hora de explicar quais ítens tinham ingredientes de origem animal, indo perguntar na cozinha quando ela não tinha a resposta e trocando molhos pra que meu prato fosse 100% vegetal.

Rachid’s

Avenida Estrela do Mar, 2231

E eu não podia deixar de fora a loja que é xará do blog. (Na verdade quase, pois o nome desse blog aqui é ‘Papacapim’ e o nome da loja é ‘Papa Capim’. Muita gente escreve o nome do blog separado, o que eu não consigo entender, já que ali em cima está escrito PAPACAPIM juntinho.) O engraçado é que alguns leitores de Natal me escreveram perguntando se eu tinha alguma coisa a ver com essa loja de produtos naturais. Uma leitora foi mais longe ainda e já chegou afirmando ‘A loja é sua, não é?’. Não, não é. Bem que eu gostaria de ter uma loja de produtos naturais, mas o nome foi só uma coincidência. Mas o dono da loja, olha que mundo pequenino, acabou descobrindo o meu blog e desde então acompanha o que escrevo por aqui. Eu sei porque ele me escreveu um email contando tudo:) Na loja você encontra uma variedade imensa de temperos (incluindo fumaça em pó, o que em terra de vegano equivale a ouro, pois trás de volta pra nossa dieta aquele sabor defumado que faz falta pra muita gente), leguminosas, cereais, farinhas integrais, suplementos e alimentos industrializados veganos e sem glúten (biscoitos, barrinhas, pães). Adorei os patês veganos à base de biomassa de banana verde (brilhante!) e tem também patês de tofu, que me impressionaram menos. Além da fumaça em pó, que é baratinha, achei mais dois tesouros por lá: morango congelado (muito mais barato do que morango fresco e perfeito pra fazer geleias, compotas e essa torta aqui) e chocolate de cupuaçu. Esse último revolucionou o meu mundo.

Papa Capim – alimentos saudáveis

Av. Prudente de Morais, 6332-A, Candelária

Agora é só esperar pela próxima oportunidade de tomar café de frente pro mar de Ponta Negra, torcendo pra que no ano que vem Natal tenha uma variedade ainda maior de lugares veganos/vegetarianos e simpatizantes com a alimentação vegetal.

A primeira foto foi feita por Anne Paq.

Guia Vegano Natal- parte 2

Ano passado fiz o Guia vegano Natal, onde reuni alguns restaurantes (vegs ou com opções vegs) e lojas de comida na cidade do sol. Durante as férias desse ano descobri novos endereços bacanas pra nós veganos/vegetarianos e interessados em ingredientes e pratos vegetais saborosos em geral. As descobertas desse ano foram: um restaurante vegetariano, mas que é quase todo vegano, uma pizzaria com ótimas opções pro pessoal veg e uma loja que vende as melhores oleaginosas e frutas secas da cidade! (Assim que cheguei ao Brasil a lente da minha câmera fotográfica quebrou e passei a usar a da minha irmã, que tem uma qualidade muito inferior. Isso explica porque as fotos não estão tão boas.)

la verde vidala verde vida2

Praia é, pra mim, o lugar mais difícil de ser vegano. Já repararam que restaurantes e barracas na praia só servem peixes, frutos do mar e outros produtos de origem animal? Se tiver macaxeira frita e feijão verde (as únicas opções veganas que esse tipo de estabelecimento serve aqui no Nordeste, além, claro, de batata frita e salada de alface com tomate) considere que é o seu dia de sorte! Por isso fiquei extremamente feliz quando uma leitora sugeriu o restaurante vegetariano/vegano La Verde Vida, em Pirangi. A praia fica a poucos quilômetros de Natal e é passagem obrigatória pras praias mais badaladas do Litoral Sul. Infelizmente chegamos tarde e já não tinha tantas opções, mas apesar disso me deparei com uma variedade boa de pratos, todos saborosos e muitos extremamente criativos. Bife de caju, torta salgada de jaca verde, ensopado de mamão verde e a famosa lasanha de jaca (único prato que não era vegano no dia) são alguns exemplos. O arroz da terra e o feijão estavam suculentos e ainda pude degustar três sobremesas veganas! Tudo regado com um chazinho de gengibre e maracujá de lamber os beiços. Junta-se a isso a atmosfera relaxada do lugar, os preços acessíveis e a simpatia sem tamanho de Gladis, a dona da casa, e o resultado é um restaurante que realmente vale a pena visitar (e voltar sempre que possível).

Vai lá: Restaurante La Verde Vida Av. São Sebastião, 241, praia de Pirangi do Norte (estacione perto do hospital, na rua paralela). Aberto para almoço aos sábados e domingos (chegue cedo!). Contato: 8873-3063 e 9150-8180.

rossopomodororossopomodoro2

Ano passado descobri uma pizzaria tradicional italiana em Ponta Negra e fiquei feliz da vida em poder degustar pizzas de qualidade. Esse ano, graças à minha irmã e ao meu sobrinho, visitei a pizzaria Rossopomodoro, também em Ponta Negra, e me encantei. A massa tradicional italiana, fininha, saborosa e ligeiramente crocante, é do jeitinho que eu gosto. E no longo cardápio, não faltam opções pros veganos. Na verdade só tem uma pizza vegana ( se não me engano se chama ‘marinara’ e tem molho de tomate, orégano e acho que nada mais), porém tem algumas opções vegetarianas e é só pedi-las sem queijo. Não só eles não fazem cara feia quando você pede pra fazer sua pizza sem queijo, como também é possível acrescentar ingredientes como tomate seco, rúcula, alcaparras e alcachofas. Minha preferida (a da foto acima) tem tomate seco e rúcula e sempre pedia pra acrescentar alcaparras. Como vocês podem ver, eles são generosos com os ingredientes. Eles também servem um molhinho estilo pesto que é vegano (só tem manjericão, alho e azeite), então sempre comia minhas pizzas lambuzadas com ele. E pra tudo ficar ainda melhor, os preços são camaradas.

Vai lá: Pizzaria Rossopomodoro Av. Praia de Búzios, 9055, Ponta Negra. Contato:  3219-0347. Fechado nas quartas-feiras.

Lucena

O bairro do Alecrim continua sendo um ótimo lugar pra comprar cereais, leguminosas e oleaginosas com qualidade e preços bons. Mas esse ano minha irmã me levou pra loja Lucena, que é um verdadeiro paraíso pros amadores de castanhas e frutas secas. Encontrei as melhores (e maiores) castanhas do Pará que já comi, vários tipos de castanha de caju (uma especialidade do nosso estado), oleaginosas mais exóticas e todo tipo de fruta seca imaginável (morango, caju, banana, blueberry, cranberry, abacaxi…) e semente de chia pelo melhor preço da cidade (70 reais o quilo. Pode até parecer muito, mas nos supermercados da cidade o quilo sai por volta de 120 reais). Essa loja também vende cachaças envelhecidas, quinoa, amaranto, óleo de linhaça e outros produtos especiais, mas o que mais gostei lá foram as oleaginosas e frutas desidratadas. E os preços? Ainda mais em conta do que no Alecrim! Essa loja com certeza se tornou um dos meus endereços preferidos na cidade.

Vai lá: Produtos Lucena Rua Agnaldo Gurgel Júnior, 10, Candelária (perto do encontro das avenidas Integração com a Salgado Filho). Contato: 3207-8079. Vejam o site deles aqui.

Gostaria de ter visitado mais lugares e de ter organizado algum evento com os leitores de Natal (Marcela e Giselle, fiquei em dívida com vocês, perdão). Achei que dessa vez, por ficar dois meses inteiros lá, encontraria tempo pra fazer tudo, mas… Na minha lista pro ano que vem tem o restaurante A Casa, em Potilândia. É vegano, é barato e quem comeu por lá gostou. Chegue cedo, pois esse lugar pequeno é bem popular, então a comida acaba rápido (tentei ir depois das 12.30 e já não tinha mais nada). E, claro, pretendo encontrar os leitores papa-jerimuns. Talvez se eu começar a planejar agora, o evento (enfim!) aconteça.

Guia Vegano – Jerusalém

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Cinco anos morando aqui e só agora preparei um guia vegano da minha cidade preferida. Mas antes tarde do que nunca e ter esperado tanto tempo fez com que eu pudesse namorar a cidade longamente e ir descobrindo, aos pouquinhos, os tesouros que ela esconde.

Antes de dividir a lista dos meus lugares preferidos em Jerusalém, preciso avisar que esse é um guia parcial. Eu passei muito mais tempo na parte Oriental (palestina) da cidade do que na parte Ocidental (israelense). Por razões políticas, mas também de gosto. A parte Ocidental é moderna e lembra as grandes cidades americanas (pra mim isso não tem charme nem alma), enquanto Jerusalém Oriental, a parte mais antiga da cidade, é mais exótica, caótica e tem um perfume de mil e uma noites.  E, como disse mais acima, tem a questão política. Porque a ocupação israelense na parte Oriental da cidade (Jerusalém Oriental é ocupada pelos israelenses desde 1967 e isso é um fato reconhecido pela comunidade internacional) dificulta enormemente a vida dos palestinos de lá, prefiro usar o meu dinheiro pra apoiar a economia palestina. Outro detalhe que merece ser mencionado aqui: os preços na parte Ocidental da cidade são muito mais elevados do que na parte Oriental. Porém, por também frequentar, mesmo que raramente, a parte Ocidental da cidade, seria hipócrita não incluir alguns dos lugares que gosto de visitar por lá nesse guia. Que cada um decida onde quer gastar o seu dinheiro e qual economia prefere apoiar. Comer é um ato político, mas comer em Jerusalém vai ainda mais além e ganha uma dimensão ativista.

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O lugar que mais gosto em Jerusalém é a cidade antiga. Apesar de ser a parte mais turística da cidade (a igreja do Santo Sepulcro-supostamente construída no lugar onde Jesus foi crucificado- a mesquita Al-Aqsa e o muro das lamentações estão todos dentro das muralhas da cidade antiga), ainda tem muitas pessoas morando naquelas casas antigas e você ainda vê mais palestino do que peregrinos pelas ruas estreitas. Saindo do circuito turístico, com as centenas de lojas de souvenir, você encontra cafés e restaurantes onde a população local vem degustar hummus, tomar o tradicional café Árabe, fumar narguilé e jogar dominó. Esses são alguns dos meus lugares preferidos.

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Não muito longe da Porta de Damasco, a entrada principal da cidade antiga, fica o ‘Jerusalem Hotel’. Esse charmoso hotel possui um restaurante muito agradável, com um teto de vidro e plantas por todos os lados. Embora o lugar não seja vegano (é um restaurante tradicional palestino), tem alguns pratos à base de vegetais (nada muito excitante), além de saladas criativas, hummus e muta’bal. O suco de limão com menta, a bebida nacional da Palestina, também é muito bom aqui. Idem pro narguilé. Comer aqui sai mais caro do que comer um sanduíche de falafel na rua, mas o ambiente vale a pena.

Jerusalem Hotel, Nablus Road (em frente à estação dos ônibus que vão pra Ramala).

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Dentro das muralhas da cidade antiga você vai encontrar um emaranhado de ruelas, muitas sem nome. Então ao invés de dar o endereço dos lugares, como faço normalmente, vou guiar vocês através de um percurso visual pelos meus lugares preferidos.

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Ao entrar na cidade antiga pela porta de Damasco você vai encontrar uma espécie de largo com vários restaurantes e lojas ao redor. Como muitos turistas passam por aqui, não aconselho esses lugares (o barulho é grande, os preços são mais salgados e a qualidade pode deixar a desejar). No final do largo tem uma lanchonete de falafel (pela quantidade de palestinos que vi comendo lá, parece que o negócio é bom) e uma rua que parte à esquerda e outra que parte à direita. Se você seguir pela rua da esquerda durante um minuto vai encontrar o ‘Jerusalem Star Restaurant’. Ele fica do lado direito, logo antes de uma passagem em forma de arco (veja a foto acima). Na verdade o lugar é um café bem antigo que serve sucos frescos (laranja ou romã, espremidas na hora) e café árabe. Adoro sentar aqui com um café e admirar os passantes do lado de fora. É um lugar calmo e charmoso onde você pode descascar entre duas visitas.

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Voltando pro largo que leva à porta de Damasco e seguindo pela rua da direita você vai descobrir muitas pérolas. Alguns metros mais longe tem uma ‘doceria’ com os tradicionais doces Árabes (baklava), feitos com nozes, amêndoas, pistache e muito (muito!) açúcar. O lugar é pequeno e só tem duas mesas, mas você pode comprar um prato de doces pra degustar mais tarde, em outro lugar. Além dos doces serem deliciosos e muito bem feitos (todas as vezes que estive por lá todos os doces eram veganos), o vendedor é extremamente gentil. Os doces tradicionais palestinos são todos feitos com ingredientes vegetais, com exceção de um ou outro que tem queijo (‘qanafel’ e ‘mutabak’, por exemplo).

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E falando em mutabak… Continue caminhando nessa rua, que é coberta e tem lojas e restaurantes dos dois lados, e alguns minutos mais tarde você vai ver uma escadaria (à direita) que leva à Igreja Copta Ortodoxa. Do lado das escadas tem um lugar mágico: Zalatimo. Fundado 150 anos atrás, esse lugar faz o melhor mutabak da cidade (a receita passou de geração em geração). Eles só preparam essa iguaria e nada mais. Mutabak é uma massa do tipo filo, recheada com um queijo típico ou nozes moídas, pincelada com azeite e assada até ficar dourada e crocante. Depois de assada o mutabak recebe um banho de calda de açúcar e deve ser degustado quente, de preferência com um café forte e amargo (o lugar não vende café, mas ali do lado tem um vendedor que faz um café ótimo e serve em copinhos de papel).

mutabak

A versão com nozes é totalmente vegana e deliciosa. Como toda sobremesa tradicional árabe, mutabak é extremamente doce e não é algo que comeria regularmente (não aguento engolir mais do que um pedacinho), mas vale a pena degusta-lo pelo menos uma vez. A parte ‘mágica’ do lugar é ver a preparação do mutabak, que é sempre feito na hora. Descrever o processo exigiria muitas linhas, então coloco aqui um vídeo feito pelo chef Yotam Ottolenghi, natural de Jerusalém (já falei dele nesse post), quando ele esteve por lá. (No vídeo ele diz que o mutabak é pincelado com manteiga clarificada, o que achei muito estranho já que nunca vi nenhum palestino cozinhar com manteiga. Quando perguntei ao cozinheiro ele confirmou minha suspeita: ele usa exclusivamente azeite, nunca manteiga.)

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Seguindo em frente na mesma rua você vai cruzar a Via Dolorosa (supostamente o caminho que Jesus fez com a cruz nas costas). Nessa área você vai encontrar o que muitos consideram como o melhor hummus da cidade: Abu Shukri. É difícil explicar como chegar lá, mas todos os palestinos conhecem esse lugar, então basta perguntar na rua. O lugar é minúsculo e muito simples, mas a comida é divina. O hummus de Abu Shukri é feito da maneira tradicional, com grão de bico pilado em um grande pilão de pedra (não triturado no liquidificador) e tem uma textura única. Só provando pra entender a gostosura. Além do hummus experimente um prato chamado m’sabahe, uma espécie de hummus desconstruído: grão de bico inteiro com um molho de tahina e ervas, regado generosamente com azeite (veja foto acima). O falafel de Abu Shukri também é delicioso.

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Meu amigo Nader me contou que o hummus servido no restaurante Lina, na mesma rua, também é feito de maneira tradicional e é tão gostoso quanto o de Abu Shukri. Não experimentei, mas fica a dica.

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Voltando pra rua principal (a mesma da doceria e de Zalatimo) e continuando a caminhada por mais alguns minutos você vai cruzar com a rua David à sua direita. Essa rua é a mais turística de todas, mas esconde uma pérola: a loja de especiarias e chás do meu amigo Bassem (a primeira foto desse post foi feita na loja). Lá você vai encontrar dezenas de temperos, ervas e chás perfumados, além de frutas secas e oleaginosas. Procure as misturas pra arroz e saladas, uma combinação de ervas, legumes desidratados e sementes que vai deixar seus pratos muito mais interessantes. Também recomendo os chás de Bassem, que são de ótima qualidade. O meu preferido é o chá de pêssegos: chá verde (com folhas inteiras) com pedacinhos de pêssego desidratado. Bassem arranha várias línguas e se você disser que é brasileiro ou português ele vai trocar algumas frases na língua de Camões com você. Esse é um ótimo lugar pra comprar presentes comestíveis (os meus preferidos) pra família e amigos.

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Saindo da cidade antiga pela porta de Damasco e caminhando à direita durante alguns minutos você chega à rua Salahadim, uma das mais movimentadas de Jerusalém Oriental. Tem dois lugares nessa rua que adoro.  Na Educational Bookshop você vai encontrar todos os tipos de livro sobre a Palestina (culinária, política, ocupação, cultura, HD), em Inglês e outras línguas europeias. Mas a razão de ter incluído esse lugar em um guia vegano é a seguinte: a livraria tem um café onde você pode degustar um delicioso cappuccino com leite de soja e eles servem sempre uma sopa vegana (geralmente de lentilha), além de algumas saladas. Tem mesas dentro da livraria e na calçada (quando o tempo está bom).

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Do outro lado da rua, quase em frente à Educational Bookshop, tem uma padaria chamada French Loaf. Lá você encontra dois salgados veganos: um folhado recheado com batata e uns triângulos crocantes recheados com cogumelo e batata e polvilhado com sementes de papoula (uma delícia que você não pode deixar de provar). Alguns dos biscoitos também são veganos, basta pergunta ao vendedor que ele te mostrará. Eu gosto de comprar o salgado de cogumelo e batata e leva-lo pra Educational Bookshop, onde acompanho o meu lanche de um cappuccino (com leite de soja).

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Na parte Ocidental da cidade a área mais interessante (e a única que conheço bem) fica em torno da rua Jafa. Logo no início da rua tem duas lanchonetes de bagels. Já confessei o meu amor por bagels aqui no blog (e até dividi com vocês a minha receita), então quando passo por lá sempre compro um saco de bagels que congelo e vou comendo durante a semana. A minha lanchonete preferida se chama Holy Bagel e você monta o próprio sanduíche: escolha o tipo de bagel (integral, com sementes, com cebola…) e os recheios (dentre os veganos geralmente tem guacamole, legumes assados, legumes crus –cebola, tomate, folhas verdes-, alfafa e molho de tahina).

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Não longe de lá, na rua Shlotzion, tem uma lanchonete especializada em sabich, um sanduíche típico da comunidade judaica iraniana que foi morar em Israel. Sabich é composto de berinjela frita mais batata cozida, vários legumes crus e um delicioso condimento chamado ‘amba’, feito com manga, vinagre, cúrcuma, mostarda, feno-grego e pimenta (parece estranho, mas é muito, muito bom). Tradicionalmente sabich tem ovo cozido, mas basta pedir sem que o sanduíche fica vegano.

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Existe uma grande comunidade de judeus etíopes em Israel e não é raro ver restaurantes típicos pela cidade. A culinária etíope é extremamente veg-friendly e se você cansou da dupla hummus-falafel experimente um desses pratos exóticos. Continue caminhando na rua Jaffa e vire à esquerda logo depois da praça Zion. Nessa ruela tem um restaurante etíope chamado Queen of Ethiopia. Vários itens do menu são veganos (no menu- em Inglês-vai estar escrito ‘vegetarian’, mas na verdade é vegano) e o meu prato preferido é o que eles chamam de ‘mix vegetariano’, composto de injera (o pão-crepe fermentado que é a base das refeições na Etiópia) e várias preparações de lentilha e legumes.

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Esse guia foi o mais pessoal de todos, pois estou dividindo com vocês os meus lugares preferidos. Mas é bom lembrar que tem muitos outros lugares interessantes na cidade e que em geral, com todo esse hummus e falafel pelos cantos, é muito fácil ser vegano em Jerusalém. E se vocês passarem pela cidade um dia, talvez me surpreendam tomando café no Star Restaurant, comendo o maravilhoso hummus de Abu Shukri ou conversando com meu amigo Bassem, entre chás e especiarias. Se me virem, não deixem de dizer ‘oi’ e se eu estiver com tempo mostrarei pra você os outros lugares especiais que não entraram nesse guia.

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*Agradecimentos especiais pros queridos amigos palestinos que me ajudaram a fazer esse guia: Bassem (o das especiarias), que me explicou onde ficava Zalatimo, e Nader, que desenhou um mapa pra que pudesse encontrar Abu Shukri (ele também trabalha na cidade antiga e conhece todas as ruelas como a palma da mão).  E um obrigada mais que especial pra Sahar, minha amiga israelense (vegana!) que fez um tour vegano na parte Ocidental da cidade comigo, me fez descobrir o sabich e até segurou meu sanduíche pra que eu pudesse fotografa-lo.

Guia Vegano Natal

Restaurante Magias da Terra

Promessa é dívida e aqui está o Guia Vegano de Natal. Fiquei muito feliz em ver que o número de vegetarianos/veganos está crescendo na cidade e que ficou bem mais fácil ser herbívoro naquelas terras. O futuro é verde!

O “Nativos” funciona em uma casa reformada e o ambiente é muito agradável. No cardápio: saladas orgânicas, várias opções de pratos quentes (veganos e vegetarianos), sobremesas (uma só vegana, mas deliciosa) e sucos naturais.  Foi o primeiro restaurante que visitei em Natal e a comida continua muito saborosa. Adoro o feijão preto de lá, que é quase uma feijoada, e os bolinhos de soja (até eu que não gosto de soja acho ótimo).

A deliciosa torta de banana com castanha e açucar mascavo (vegana).

Além disso, a proprietária é muito simpática e foi paciente com essa vegana aqui, explicando direitinho o que tinha em cada prato. Minha memória pra números é péssima, mas acho que o quilo da comida custa em torno de 29 reais (alguém me corrija se eu estiver errada).

Restaurante Nativos – aberto de domingo à sexta, das 11h às 14h30

Rua Barão do Curumataú, 2256 – Lagoa Nova (Por trás da CEASA)

 

No mercado de Petrópolis tem o “Viva Melhor”. O lugar é bem pequeno e a oferta de pratos é menor do que no Nativos, mas a simpatia do pessoal e o precinho camarada compensam. Além de saladas, pratos quentes vegetarianos e veganos (com gosto de comida caseira), sucos e sobremesas, é possível comprar alguns produtos feitos por eles. Provei, e aprovei, o pão integral, biscoitos de aveia e biscoitos salgados de linhaça (o produto que mais gostei). O quilo da comida custa 20,90 reais. Os biscoitos (salgado e doce) custam 3 reais o pacote, o pão integral custa 6. Eles também vendem sopas congeladas por encomenda (somente à noite, faça o pedido durante o almoço).

Restaurante Viva Melhor

Mercado de Petrópolis – Av. Hermes da Fonseca, 407

 

Mas o restaurante que conquistou meu coração foi o Magias da Terra, na Ecovila Pau-Brasil, em Pium. Visitei o lugar pela primeira vez quase três anos atrás e quando voltei lá pude constatar muitas mudanças (todas pra melhor). O lugar já era encantador, mas agora está ainda mais bonito e agradável. No site eles explicam: “A Ecovila é um projeto sustentável, situado em uma área de dois hectares. Utilizamos técnicas de permacultura, agroecologia e biodinâmica no manejo orgânico de nossa produção de frutíferas, hortaliças, condimentais, medicinais e ornamentais. No campo da Permacultura, manejamos uma agrofloresta sustentável, mantemos árvores nativas da Floresta Atlântica, reusamos nossas águas através dos filtros biológicos…” Eles também transformam o lixo orgânico produzido pelo restaurante em composto e têm até banheiro seco (o que causou uma crise de riso incontrolável na minha irmã, que nunca tinha visto banheiro seco, e em mim, diante da reação dela).

Um dos vários pratos que comi por lá.

 A comida está à altura da beleza do lugar: um número enorme de pratos frios e quentes, mais muitas pastinhas e diferentes tipos de pães. Todas as verduras são orgânicas e todos os pratos são deliciosos. Por 36 reais e uns quebradinhos, você come à vontade (buffet frio, quente e sobremesa, sucos à parte). Se quiser prolongar o prazer gastronômico, é possível levar os pães deles pra casa. O restaurante oferece algumas opções vegetarianas, mas no dia que fui lá o buffet inteiro era vegano. O que pedir mais? Quem quiser se manter informado da programação do local (cursos de permacultura, oficinas de culinária, luau com pizzas veganas), pode escrever pra lá pedindo pra entrar na lista de e-mails. E pra ver a formosura do lugar, e escutar Pedro e Larissa explicando o projeto, confiram esse vídeo.

Restaurante Magias da Terra, Ecovila Pau-Brasil – aberto nos fins de semana, das 12 às 15h.

Instruções pra chegar lá: entre na rua da feirinha de Pium (entre a feira e a igreja) e siga em frente até encontrar a entrada que leva à Lagoa Azul, à esquerda (antes tinha uma placa, agora você terá que perguntar ao pessoal local). Continue mais alguns metros nessa estrada de barro e você encontrará uma placa indicando o caminho da Ecovila, no lado esquerdo da estrada.

A foto não faz jus à deliciosidade da pizza (com beringela, abobrinha e pimentão grelhados).

A pizzaria “Tomatino” não é vegetariana, mas faz a melhor pizza que já comi em Natal e o pessoal é bastante veg-friendly, adaptando as receitas pra agradar herbívoros. A massa é fininha e crocante e os recheios são interessantes e feitos com ingredientes frescos. Meu maior problema em pizzarias não é, contrariamente ao que se possa imaginar, o queijo (basta pedir pra vir sem), mas sim a falta de criatividade nos recheios vegetais. Tirando milho verde, ervilha e azeitona, todos vindos de latas, o que detesto, não tem outras opções de recheio de origem vegetal. Palmito é bom, mas pizza só com molho de tomate e palmito é meio triste. Na minha última viagem à Itália provei pizzas veganas deliciosas (em pizzarias tradicionais), com legumes grelhados, alcachofras em conserva, cogumelos salteados, ervas frescas, rúcula… E lá ninguém te olha como se você tivesse duas cabeças quando você pede pizza sem queijo. Fiquei muito feliz em descobrir que na Tomatino eles fazem pizzas tão deliciosas quanto as que comi por lá. E pra ficar tudo odara, os preços são mais que justos.

Pizzaria Tomatino

Rua Praia de Muriú, 9218 – Ponta Negra

Nessa visita à Natal descobri uma loja de produtos que é uma maravilha pros veganos (ou não). Lá tem semente de chia, cereais especiais e oleaginosas, folhas de alga nori (pra fazer maki), condimentos difíceis de encontrar, especiarias e até sal rosa do Himalaia e sal defumado! Além de inúmeros ingredientes da culinária chinesa-japonesa, tem também vários produtos árabes, como zatar (condimento à base de tomilho e gergelim) e tahina. Tudo com preços muito melhores do que nos supermercados. Fiz verdadeiros achados: potes de tahina árabe (os mais baratos que já vi na cidade), tofu (8 reais o pacote com meio quilo) e cogumelos funghi e shitake desidratados. Pra quem gosta de preparar pratos exóticos, quer incluir ingredientes diferentes no cardápio ou simplesmente deseja comprar alguns ingredientes básicos por um preço mais barato, essa loja é uma pérola.

Loja Kouzina

Rua São João,1242 – Lagoa Seca (fica pertinho do Corpo de Bombeiros).

 

Não podia deixar de fora a minha loja preferida na cidade (já falei um pouco dela aqui). O Alecrim pra mim é cheio de tesouros e a “Casa do Milho Pipoca” é um deles. Júnior, o proprietário, explicou que a loja tem esse nome porque seu pai foi o primeiro comerciante em Natal a vender milho especial pra pipoca, 40 anos atrás. Ele ainda passa os dias na loja, mas é Júnior que faz quase todo o trabalho hoje. Não tem como competir com os preços de lá: castanha de caju, castanha do Pará, semente de linhaça, gergelim, arroz da terra, soja em grãos… tudo mais barato do que nos supermercados. E ainda tem vários tipos de feijão, granola, semente de chia, mel de engenho (melado)….

Casa do Milho Pipoca

Rua Presidente Quaresma, 546 – Alecrim (na rua da feira).

 

Há anos escuto falar da feirinha de orgânicos na UFRN, mas só nessas férias consegui visita-la. Você precisa acordar bem cedo (com as galinhas, na verdade) pra ir lá, mas vale muito à pena. São poucas barraquinhas, mas que oferecem uma variedade boa de frutas e verduras. E, pasmem, por um preço igual ou até melhor do que nos supermercados! Pra completar a maravilha, Pedro, do restaurante Magias da Terra, e Curo, um veterano da culinária vegetariana em Natal, vendem vários dos seus quitutes por lá: pães, bolos, biscoitos, pastéis de forno, tofu… Tudo na barraquinha de Pedro era vegano, mas Curo vende comida vegana e vegetariana (infelizmente no dia que fui lá não tinha opções veganas, mas ele aceita encomendas).

A ruma de legumes que eu e minha irmã compramos: couve-flor, couve manteiga, cenoura, feijão verde, tomate cereja, maracujá, pepino, alface americana, alface roxa, rúcula e coentro.
Os quitutes do Magias da Terra

Não me arrependi nem um pouco de ter madrugado: voltei pra casa com essa ruma de verdura orgânica pela bagatela de 28 reais! Mais as delícias do Magias da Terra: pão com urucum (minha irmã ficou louca por esse pão), pastel de forno integral recheado com berinjela e o ultra delicioso bolinho de cacau integral (com especiarias e cobertura de chocolate).

Feira de produtos orgânicos da UFRN

Fica perto da praça cívica, ao lado do estacionamento. Funciona somente nos sábados, das 5 às 9 da manhã (o ideal é chegar lá antes das seis pra ter mais opções).

E pra ninguém mais caluniar o veganismo dizendo que é mais caro do que alimentação onívora, aqui vão mais dicas de lugares onde compro verduras, frutas, leguminosas e cereais baratos quando estou em Natal.

Feira do Alecrim, todos os sábados de manhã na Av. 1 (Presidente Quaresma). Os preços são bons e a atmosfera é coloridíssima. Vale visitar pelo menos uma vez.

A CEASA de Natal tem frutas e verduras por preços menores do que nos supermercados. Não são orgânicas, mas ainda assim acho que é uma opção pra quem quer comer mais verduras/frutas sem gastar mais. Claro que melhor ainda, e mais barato, é ir na feirinha de orgânicos, mas se você não acordou a tempo, esse lugar pode quebrar o seu galho. Dentro da CEASA tem uma loja chamada “Ervas e Temperos”, onde você encontra, além de todos os tipos de temperos, grão de bico, lentilha, soja em grãos, PTS, cogumelos secos, semente de girassol… Mais uma vez, os preços aqui são melhores do que nos supermercados.

E pra quem gosta dos produtos do Nordeste, o melhor lugar pra comprar mel de engenho (melado) é na Casa da Rapadura, pertinho da Casa do Milho Pipoca. Seu Galileu tem um canavial e um engenho em Japecanga (interior do RN) e vende os produtos que ele mesmo produz. O mel de engenho é o melhor que já provei (quando passei por lá custava 5 reais o litro, mas o preço pode variar de acordo com a época do ano), mas ele também vende, claro, vários tipos de rapadura.

Ficou faltando visitar um restaurante vegetariano na minha lista: o Cantinho Vegetariano, na vila de Ponta Negra. Vai ficar pra próxima, mas se algum leitor de natal já comeu lá, adoraria ler suas impressões.