Enquanto me adapto ao vento frio do começo do outono europeu (que saudade do calorzinho da Palestina nessa época do ano!), gostaria de dividir mais algumas descobertas que fiz durante as férias no Brasil. Depois da primeira visita à Recife, voltei à terra de Lenine pra dar uma palestra sobre as violações dos direitos humanos e resistência popular na Palestina. Era a ocasião perfeita pra visitar dois lugares que estavam na minha lista desde a última visita, então acabei estendendo um pouco a estada. Dessa vez descobri que minha irmã caçula, que me acompanhou durante a viagem, é na verdade minha gêmea. Algumas pessoas foram felicitá-la depois da palestra achando que ela era era eu, o que nos fez dar boas gargalhadas. Mas estou divagando. O que eu realmente queria contar pra vocês é o seguinte.

Visitei uma loja maravilhosa, que vende todos os meus ingredientes preferidos e mais alguns e, como se isso não fosse suficiente, tem preços muito acessíveis. Na verdade nunca comprei esse tipo de ingredientes no Brasil por um preço tão camarada. Fiquei mais feliz do que criança na Disney e voltei pra Natal com a bolsa lotada de chia (a mais barata que achei até hoje!), castanha do Pará, farinha de banana verde (ainda não sei o que fazer com ela e aceito sugestões), sementes de girassol, maçã e pera (!) desidratadas… Pra tudo ficar perfeito, Josias, o dono do lugar, é extremamente prestativo e pode te dar dicas de como usar os ingredientes maravilhosos que ele vende. E contrariando a frase ‘se melhorar, estraga’, a coisa ficou melhor ainda quando descobri que uma moça super simpática (e leitora do blog! Oi, Rafaela!) vende deliciosos sanduíches veganos e orgânicos na entrada da loja. Em uma das fotos abaixo minha irmã (a gêmea que não é gêmea) e o pequeno Mateus estão felizes da vida escolhendo um sanduíche de Rafaela.

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Vai lá: Empório Pura Vida, Rua da Praia, 169, Santo Antônio.

E falando em orgânicos, visitei novamente a feira de orgânicos na praça de Casa Forte. Nas duas vezes que fui lá fiquei encantada com a diversidade de produtos e os preços acessíveis. Seria maravilhoso se Natal tivesse um lugar assim (por enquanto vamos comprar na feira de orgânicos ao lado da praça cívica da UFRN e quem saber ela não acaba se desenvolvendo mais?).

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O outro lugar que estava na minha lista desde a última viagem era o restaurante Papaya Verde. Queridos leitores, parem tudo que estiverem fazendo agora e me ouçam com atenção: esse restaurante serve a comida vegana mais saborosa que já comi no Brasil! Provavelmente a comida vegana mais saborosa que já comi no mundo inteiro! O único lugar onde comi comida tão boa quanto essa foi na minha cozinha. Eu queria morar em frente ao restaurante e comer aquele vatapá, aquele bobó e aquela torta de palmito todos os dias. O restaurante é self-service e tem pratos onívoros e veganos, o que pra mim deixou tudo ainda mais bacana. Por mais que eu goste de restaurantes veganos e queira apoiá-los, a maioria dos meus amigos/familiares não é veg e nem sempre é fácil convencer um  carnívoro a comer em um restaurante ‘diferente’. Por isso acho maravilhoso quando em um mesmo lugar vegs e não vegs são tratados com o mesmo cuidado, ou seja, tem comida gostosa pra todo mundo (metade do buffet é vegano!). E, o melhor de tudo, os amigos onívoros terão a oportunidade de provar pratos veganos e descobrir as delícias dessa culinária. As fotos abaixo não fazem justiça à comida maravilhosa servida ali (minha câmera estava quebrada, usei a da minha irmã que, junto com a iluminação artificial, deixou muito a desejar…), mas são as únicas que tenho, então lá vai.

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João, um dos sócio do restaurante, fez um sistema de etiquetagem dos pratos muito engenhoso. Ele facilita a vida dos veganos sem no entanto gritar “VEGANO” na cara dos onívoros, pois alguns ainda se assuntam com o que é diferente (algumas pessoas reclamaram da quantidade de comida veg do buffet, mas depois da mudança de etiquetas elas se acalmaram e os pratos vegs continuam lá, ao lado dos não vegs, sem incomodar ninguém.) Tem até sobremesas veganas! Não é segredo que sobremesas tradicionais não são a minha praia, mas provei três pra poder contar pra vocês o que achei (eu sei, eu sei, que trabalho difícil esse meu…). O veredito? Delícia! Minha irmã, que almoçou no Papaya Verde comigo, até confessou que preferia a torta de chocolate de lá do que o cheesecake de maçã e caramelo que fiz no dia seguinte. E além de ser fanática por sobremesas, minha irmã é extremamente exigente, então se ela aprovou podem ter certeza que a coisa é realmente boa.

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Só posso dizer o seguinte: se você mora em Recife, corra pra lá e se não mora, vale a pena ir à Recife só pra comer no Papaya Verde. Viva o turismo gastronômico vegano!

 Vai lá: Restaurante Papaya Verde, Rua Santo Elias, 409, Espinheiro.

Agora chega mais pra cá que vou contar um segredo (que depois desse post não será mais segredo, claro, mas essa é a ideia). Marcelo, um rapaz que mora no meu coração e não paga aluguel, se juntou com João, que me conquistou com o seu bobó, e depois de muitos testes desenvolveram (veganos, segurem-se pra não cair das cadeiras) um queijo vegetal defumado maravilhoso! Se provolone fosse cremoso e vegano, ele seria esse queijo. Por enquanto os rapazes estão degustando sozinhos essa delícia (ok, eles dividem com os amigos mais próximos), mas me falaram que estão acariciando a ideai de comercializá-la. Então vamos começar uma campanha pra ver se eles topam dividir o tesouro com mais gente. Queremos queijo vegano defumado!

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Gostaria de agradecer o pessoal da SVB Recife, que me convidou pra fazer os eventos (abraços especiais pra Bárbara, Tiago, Marcelo, João e Josias). E ao jornal Ganapati, que vez ou outra publica uma receita minha, o que me deixou cheia de orgulho. Esse fim de semana eles estão todos em Curitiba, curtindo o VegFest, e eu adoraria estar lá com eles.

Bendito o dia em que eu criei esse blog! Através dele pude conhecer pessoas incríveis (lembram do último post?) e ganhei um grupo inteiro de amigos generosos, sensíveis, inteligentes e que transbordam compaixão. Foi um prazer imenso conhecer pessoalmente essa turma e descobrir um pouco da comunidade veg de Recife, que é interessantíssima. Já estou com vontade de voltar…