Bruxelas não é a cidade mais vegan-friendly que visitei, mas tem opções suficientes pra satisfazer os veganos de passagem. As três especialidades gastronômicas são cerveja, batata frita e chocolate. Batata frita, embora chamada “french frie” em Inglês, nasceu na Bélgica e se você é fã saiba que vai se deliciar com as melhores fritas do mundo. Elas são vendidas por todos os cantos da cidade, em barraquinhas ou lanchonetes e, naturalmente, são veganas. Mas atenção: os belgas têm a estranha mania de comer batata frita com maionese (senhor!), entre outros molhos gordurosos, então peça a sua sem molho nenhum ou, se gostar, com ketchup.

A cerveja é outra tradição belga. Os “connaisseurs” afirmam que a Bélgica produz as melhores do mundo. Se essa for a sua praia, amigo(a), Bruxelas é o paraíso. Das mais claras e leves às mais escuras e intensas, passando pelas florais, “frutais” e “madeirais”, lá você encontra verdadeiros néctars dos deuses. Eu não bebo álcool e nunca gostei de cerveja, mas Anne, que tem um certo conhecimento no assunto e experimentou algumas durante a viagem, disse que a fama é merecida. Veganos sabem (ou deveriam saber) que nem toda cerveja é apropriada pro nosso consumo.  Algumas usam bexiga de peixe e gelatina (!!) na composição, mas aqui vai uma excelente notícia. Pesquisei um pouco e, segundo os artigos que li, as leis de fabricação de cerveja na Bélgica são ultra rígidas e não autorizam nenhum ingrediente de origem animal nas receitas. A razão disso é manter a fabricação o mais tradicional possível, o que garante a excelência das cervejas, mas também faz a alegria dos veganos. Se o assunto te interessar, saiba que as cervejas alemãs seguem o exemplo belga e são veganas, enquanto que na Inglaterra e na Irlanda, por usarem um processo de fabricação diferente, as cervejas quase sempre usam ingredientes de origem animal. Como as batatas fritas, as cervejas belgas são vendida em todos os lugares. Dica pros apreciadores: as cervejas vendidas na pressão são ainda melhores, mas se você quiser provar algo realmente único saiba que as artesanais são as mais especiais de todas. Peça conselho ao garçom, ele saberá explicar as características gustativas de cada uma.

 

Não é segredo que a Bélgica produz o melhor chocolate do mundo (melhores batatas fritas, melhores cervejas, melhor chocolate….). Em Bruxelas você terá a oportunidade de provar os mais finos, saborosos e preciosos chocolates. Lojas de chocolates estão espalhadas por todos os lugares da cidade e Godiva é provavelmente a mais famosa fora da Bélgica. As “pralines” (pequenos bombons de chocolate recheados, uma especialidade belga) e as trufas (que não tem nada a ver com as “trufas” brasileiras) não são veganas pois têm creme de leite, mas tem algumas confecções vegetais, é só perguntar. Comparado ao chocolate vendido no resto do mundo (especialmente no Brasil), qualquer lugar oferece um chocolate de qualidade superior, mas se você quiser provar o top do top, a “crème de la crème” do chocolate, Pierre Marcolini é o cara. A loja desse “chocolatier” parece mais uma joalheria do que uma chocolateria e os preços são de cair o queixo. Mas é uma experiência única que vale a pena. Quando você terá outra oportunidade de provar o melhor chocolate do mundo? Eu prefiro mil vezes uma caixa de chocolates de Pierre Marcolini do que uma jóia. O “must” são as barras de chocolate “single origine”, que usam cacau premium cultivado em um único lugar e, pra nossa imensa felicidade, são veganas (com exceção, claro, do chocolate ao leite).  Cada fazenda de cacau produz um favo de sabor diferente, dependendo do clima, do solo, do método de produção… O resultado é chocolate pra esnobes, mas tão maravilhoso que você vai desejar ganhar na loteria pra só comer daquele chocolate pelo resto dos seus dias. Vale lembrar que o teor de cacau nos chocolates europeus de qualidade é bem mais elevado do que nos chocolates brasileiros, mesmo os “meio-amargo” ou “amargo”. Isso produz um chocolate muito mais potente e amargo, o que na minha opinião é muito melhor, mas que pode ser estranho pra quem está acostumado com chocolates mais doces ou os do tipo “ao leite”.

Pierre Marcolini – Rue des Minimes, 1 (na Place du Grand Sablon)

 

Restaurantes veganos. Infelizmente não comi em nenhum restaurante vegano, nem mesmo vegetariano, quando estive em Bruxelas. Depois de ter pesquisado no site Happy Cow fiquei com vontade de visitar alguns, mas por falta de tempo acabou ficando pra próxima. Esses são os dois restaurantes onde eu queria ir (se você quiser a lista dos restaurantes vegs da cidade é só consultar o site acima).

Den Teepot – Rue des Chartreux, 66 (vegano)

Dolma – Chaussée d’Ixelles, 329 (vegetariano, vegan-friendly)

 

Lanchonetes “healthy fast-food”. Em Bruxelas tem algumas lanchonetes que vendem comida pronta, mas com uma diferença: as opções são saudáveis, feitas com produtos frescos e de qualidade (integrais, orgânicos…). Nesses lugares tem sempre algumas opções veganas, como sanduíches, saladas, sopas e alguns pratos quentes. Vou ser sincera, os pratos veganos oferecidos não são deliciosos, mas são bons o suficiente, além de ter a vantagem de serem mais baratos do que em um restaurante. A melhor lanchonete desse estilo se chama “Exki” e com 17 espalhadadas pela cidade vai ser fácil encontrar uma por perto quando a fome bater.

Exki – Rue Marché aux herbes, 93, perto da Grande Place (essa é a mais central, onde comi uma vez, mas você encontra todos os endereços no site) . 1 sopa ou salada + 1 sanduíche + 1 garrafinha de água custava 7,20 € quando estive por lá.

 

Le Pain Quotidien. Uma padaria-café-restaurante veg-friendly com várias unidades pela cidade. A atmosfera é muito mais agradável e confortável do que na lanchonete acima, mas os preços são mais elevados. A lista de pães é imensa (5 cereais, com azeitonas, com passas, com nozes…) e todos são orgânicos. Um ótimo lugar pro café da manhã: os pães são deliciosos, eles fazem cappucino com leite de soja e oferecem uma pasta de chocolate vegana de cair pra trás (o único defeito é não ter margarina). O cardápio do almoço tem três opções veganas: duas “tartines” (um tipo de sanduíche aberto, feito com o maravilho pão da casa) e uma salada completa. Pedimos a tartine com creme de alcachofa, beringela e abobrinha grelhadas, caviar de tomate seco e rúcula e a salada de quinoa, pimentão vermelho, beringela e abogrinha grelhados, beterraba, hummus e lentilhas. Delícia pura! Os melhores pratos que comemos durante nossa estada. Restaurantes onívoros aprendam: seus clientes veganos merecem comida de qualidade, criativa e saborosa, não saladas sem graça e macarrão com molho de tomate.

Le Pain Quotidien – Rue des Sablons, 11 (foi aqui que comi, mas tem outros restaurentes pela cidade, é só consultar o site).

Supermercados. Como em todas as capitais européias, os supermercados da cidade são uma mina de ouro pros veganos. Tem vários pratos prontos (saladas, sopas, massas, etc), muitas frutas, verduras, feijões e grão de bico enlatados, pães especiais (que você fatia na hora) e uma grande variedade de especialidades veganas (hamburguers, salsichas, “bifes” de cereais, falafel, creme de chocolate de soja, leite e creme de soja, entre outros). O supermercado perto de onde fiquei se chamava Delhaize e tinha uma variedade imensa de produtos vegs.

Lojas de produtos orgânicos. Vale a pena se informar na sua chegada sobre as lojas de produtos orgânicos do bairro. Na pequena lojinha perto de onde fiquei encontrei dois tipos de queijo vegetal, vários hamburguers e salsichas de soja/cereais, um número enorme de patês vegetais, sem falar os diferentes tipos de leite vegetal, cereais, granolas/mueslis, etc.

Resumindo

No café da manhã o mais barato é comprar pães (experimente os com cereais), sucos, smoothies, margarina e frutas frescas nos supermercados. Se quiser incrementar ainda mais procure um leite vegetal, cereais do café da manhã e patês nas lojas de produtos orgânicos. Ou, se quiser um café da manhã mais especial, recomendo o Pain Quotidien. É mais caro e as opções são mais limitadas, mas o pão e o café são deliciosos (e tem leite de soja), o lugar é charmoso e o creme de chocolate é vegano. No almoço as opções mais baratas são as lanchonetes do tipo Exki, ou o bom e velho piquenique (com produtos comprados nos supermercados et lojas de produtos naturais). No jantar vale a pena experimentar um restaurante vegano, ou (se o tempo estiver bonito e o dinheiro curto) piquenicar novamente. Vi várias pessoas jantando (piquenique) ao ar livre na Grande Place, o lugar mais bonito e turístico de Bruxelas. É algo que quero experimentar da próxima vez que passar por lá.  E não deixe de provar as três especialidades locais, garanto que vale a pena. A menos que, assim como eu, você não goste de batata frita nem de cerveja. Nesse caso se considere uma pessoa sortuda: vai sobrar mais dinheiro e espaço no estômago pro melhor chocolate do mundo.

(Todas as fotos desse artigo foram feitas por mim, com excessão da segunda, feita por Anne).