Mês passado Celine, a irmã do meio de Anne, veio nos visitar pela primeira vez. Vivemos cercadas de belezas naturais, mas nosso ritmo de trabalho é tão intenso que só mesmo quando recebemos visitas nos “forçamos” a aproveitar. E porque hoje é segunda e o dia está frio e escuro, comecei a olhar as fotos e relembrar essas ensolaradas micro férias que tiramos quando Celine estava aqui. (Conselho: clique nas fotos menores pra aumentá-las e admirar melhor as belezas desse lugar.)

As duas primeiras fotos são do mercado em Jerusalém ocidental, a parte israelense da cidade. Adoro esse mercado, pena que pra chegar lá preciso pegar um taxi, atravessar um check point do exército israelense, pegar um ônibus e caminhar 20 minutos. Poucos quilômetros o separa de Belém, mas se locomover aqui pode ser difícil e incerto. A foto abaixo é da loja etíope, a minha preferida  no mercado. A maior parte dos judeus da Etiópia migraram pra Israel nos anos 80 e trouxeram com eles seus costumes e tradições. A comida, claro, é uma parte importantíssima da cultura e além de lojas de produtos típicos, tem ótimos restaurantes etiópios na cidade. A primeira, e única, vez que comi comida da Etiópia foi aqui e foi uma agradável surpresa descobrir que, além de saborosa, ela é extremamente vegan friendly.

As próximas fotos são de Wadi Qelt, um oásis no meio do deserto entre Belém e Jericó. A caminhada, seguindo um antigo canal, às margens de um precipício, dura entre 4 e 5 horas, mas o visual compensa e muito o esforço.

Graças a esse canal, que está lá há séculos, alimentado por uma fonte natural, a vida no meio do deserto é possível e algumas famílias beduínas vivem lá. Eles plantam um pouco, mas vivem principalmente da criação de cabras. O contraste entre a aridez do lugar e o verde quase fosforescente por onde a água passa é impressionante. Mais impressionante ainda ao vivo.

No meio do caminho tinha um monastério, tinha um monastério no meio do caminho. O lugar é lindo e sempre que passo por lá invejo os padres ortodoxos que moram nesse cenário de sonho. Uma pena eles não aceitarem hóspedes, pois adoraria passar uma semana comtemplando o deserto com eles.

A destinação final da nossa caminhada: Jericó, a mais antiga cidade habitada do mundo. Faz mais de 10 mil anos que a cidade existe e durante todo esse tempo nunca deixou de ter gente morando lá.

Como queríamos mostrar um pouco de tudo à Celine, passamos um dia em Tel Aviv (Israel). A cidade em si não é nada atraente pra mim, só uma cidade grande com muito tráfego e praias feinhas (justiça seja feita: a vida noturna é quentíssima, é verdade, mas eu não dou bola pra esse tipo de coisa). Mas do lado tem a antiga cidade palestina de Jafa, hoje anexada à Tel Aviv. O centro histórico de Jafa é bem conservado e abriga inúmeros tesouros. Olha que mimo essa varandinha! Adoraria ter uma dessas pra tomar meu café da manhã todos os dias.

E a parte mais turística de todas: o mar morto. Esse imenso lago salgado, entre a Palestina, Israel e Jordânia, é o ponto mais baixo (na superfície) do planeta. As margens ficam a mais de 400 m abaixo do nível do mar e sempre faz calor por lá, o que é ótimo pra escapar do inverno daqui, mas insuportável no verão. Por ser 10 vezes mais salgado do que o mar, não existe vida que resista a esse meio hostil (tirando uma bactéria e parece que um tipo de alga também), por isso o seu nome.

As pedras nas margens são cobertas com uma espessa, e cortante, camada de sal. É difícil e doloroso andar aqui descalço e mesmo de chinelo Anne cortou o calcanhar na crosta de sal.

Por causa da alta concentração salina, o mar morto é muito mais denso do que o corpo humano, o que causa fenômenos estranhos quando estamos dentro dele. Todo mundo boia (muito!) e é impossível mergulhar. A impressão é que estamos nos banhando em óleo. Parece divertido? Muito, mas só durante alguns minutos. Depois o sal começa a incomodar e pobre dos que têm machucados na pele. Por menor que sejam (arranhões, cutículas mordidas, picadas de mosquito) eles vão arder ferozmente. As moças sofrem ainda mais pois todo esse sal irrita nossa… intimidade. Mas nada se compara a dor que sentimos quando gotinhas dessa água entra nos olhos. Parece bem menos divertido agora, não é?

Espero que a semana seja luminosa pra todos e que essas fotos tenham levado um pouco de beleza pra segunda-feira de vocês.