Anúncios e o melhor leite vegetal do pedaço

Primeiro os anúncios.

Sábado, dia 28 de fevereiro, terei o prazer de fazer uma demonstração de culinária durante o curso de nutrição “Emagreça sem dúvida” com o dr Eric Slywitch (médico, especialista em Nutrologia), em Recife. Serão 8 horas de curso e além de ter acesso a conhecimentos valiosos (Como funciona a ganha e perda de peso? Como nossa saciedade é controlada?) você ainda se delicia um almoço e um lanche vegano. E ainda tem a minha demonstração culinária com direito a degustação. Se você estiver em Recife não perca essa oportunidade única! E no dia anterior tem uma palestra gratuita com o dr Eric.

Sou uma grande admiradora do trabalho dele e quase tudo que sei sobre nutrição aprendi com os artigos que ele escreve em seu site e com o seu livro ‘Alimentação sem carne’. Então vocês podem imaginar a minha felicidade em poder ver uma palestra e participar de um curso com ele. E a honra que senti quando ele me convidou pra fazer uma demonstração culinária durante o curso!

Também gostaria de fazer um convite pro pessoal de Natal. Domingo, dia primeiro de março, vai ter um piquenique Papacapim no Parque das Dunas, a partir das 15h. Minha estada em terras tupiniquins está chegando ao final e queria aproveitar o meu último domingo aqui pra rever velhos amigos e fazer novas amizades. Estão todos convidados. A coisa vai funcionar assim. Cada um leva um prato VEGANO (porque eu quero provar tudo:), doce ou salgado, na quantidade que quiser e compartilhamos tudo. Melhor levar algo fácil de ser degustado e que não necessite prato/garfo/faca. Estarei na área de piquenique do Parque (onde ficam as mesas de madeira) esperando por vocês. Vai ser lindo.

E agora uma receita que há anos tenho vontade de dividir com vocês.

Contei aqui que o meu leite vegetal preferido é o de amêndoas e ainda não achei nenhum mais perfeito. Comecei a fazer e consumir leite de amêndoas regularmente quando fui morar na Palestina, já que amendoeiras abundam por lá e eu podia comprar diretamente dos agricultores, por um preço bom. Mas esse não é o leite que consumo diariamente quando estou no Brasil, visitando a família. Aqui em Natal (e imagino que isso seja verdade no resto do país) amêndoas são um produto de luxo. Antigamente quando eu estava nos trópicos costumava comprar leite de soja, o que é a opção mais popular entre os veganos e os intolerantes à lactose daqui. Mas nunca gostei do sabor desse leite, muito menos da ‘transgenicalidade’ da soja. Então um dia decidi fazer leite de coco em casa e usar em tudo. E a minha vida nunca mais foi a mesma.

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Eu já fazia leite de coco pra usar em cuscuz e em receitas como meu ensopado marinho. E ao me dar conta que leite de coco caseiro é muito mais suave e delicado do que a versão industrializada, vendida em caixinhas e vidrinhos, pensei que talvez ficasse bom como substituto do leite animal em papas e vitaminas. No início a minha família estranhava e levantada as sobrancelhas sempre que me via derramar o líquido branco sobre flocos de aveia ou mixá-lo com frutas. Eles achavam que ficava tudo com o gosto forte do leite de coco industrializado. Mas garanto que o sabor é muito discreto e na maior parte do tempo passa totalmente desapercebido. Já dei o leite puro e em vitaminas pros céticos provarem e todos concordaram que no primeiro caso o sabor é muito suave e que no segundo nem dá pra adivinhar que tem coco ali.

E ainda tive uma agradável surpresa. Sempre preferi o meu café preto, mas na última vez que estive em Recife Bárbara, minha anfitriã, fez leite de coco e deixou em cima da mesa durante o café da manhã. Fiquei curiosa pra descobrir que gosto ele teria no meu café e o resultado foi tão maravilhoso que achei que tinha tido a ideia do ano! Até que Bárbara fez a mesma coisa e me disse que aquilo se chamava ‘café havaiano’. Depois outras pessoas de Recife me disseram que sempre colocavam leite de coco no café. Me dei conta que a ideia brilhante que eu achava que era minha pipocou na cabeça de muitos, mas não me deixei desmoralizar com isso. Desde então coloco regularmente leite de coco no meu café e alguns membros da família começaram a me imitar.

Já estou ouvindo várias pessoas dizerem: “Mas coco tem gordura demais!” Essa tarde eu estava bebendo o meu café com leite de coco quando escutei: “Isso deve dar um desarranjo na barriga.”  Então explicações pros lipofóbicos e pra quem cresceu acreditando que coco deve ser evitado porque é muito gordo se fazem necessárias.

Além de ter minerais e vitaminas, o coco é rico em antioxidantes, que ajudam o nosso organismo a combater radicais livres e possui ácido láurico, um ácido graxo com propriedades anti-inflamatórias e que protege a flora intestinal. E além de lutar contra infecções o coco, pasmem, auxilia na digestão (!!!!!). Agora a parte que mais gosto de anunciar ao pessoal que acha que tomar leite de coco não é uma boa ideia porque tem muita gordura: apesar de ser rico em gorduras saturadas, a gordura do leite de coco se transforma rapidamente em energia e não é armazenada pelo corpo. Essa gordura é termogênica, o que significa que ela eleva a temperatura do corpo e precisa de mais energia pra ser digerida, aumentando a queima de calorias. E como se isso não fosse lindo o suficiente, a gordura do coco promove a sensação de saciedade e diminui a vontade de comer carboidratos (lembre que açúcar é um carboidrato). Ou seja, o coco é um aliado da boa forma. Está na hora de acabar com esse injustiça com o pobre do coco. Ele é um alimento muito saudável.

Eu dou prioridade a ingredientes locais na minha alimentação e ter ingredientes diferentes, de acordo com o lugar onde estou, me inspira e faz com que minhas receitas sejam ainda mais variadas. Se o leite de amêndoas fazia muito sentido na Palestina, aqui no Brasil, ou pelo menos aqui no Nordeste, acho que podemos dizer a mesma coisa do leite de coco. É um fruto barato, fácil de encontrar, que trás inúmeros benefícios pra saúde e que combina maravilhosamente bem com nossas frutas e comidas típicas.

Até agora adorei usar leite de coco no café, na aveia dormida (foi um sucesso durante o retiro gastronômico em Pernambuco), papa de aveia, vitaminas de frutas (com banana-com ou sem cacau- e acerola fica uma delícia!) e sorvetes de frutas (como esse). Mas o céu é o limite e tenho certeza que ainda vou descobrir muitas maneiras de utilizar esse leite, que hoje eu gosto tanto quanto o de amêndoas.

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Leite de coco (fresco, saudável, delicioso e que pode ser usado em tudo, inclusive no café)

Quanto mais fresco o leite, mais suave o sabor. Depois de alguns dias na geladeira o sabor do coco fica um pouco mais forte. Ele ainda será discretíssimo nas vitaminas de frutas, mas o sabor de coco será mais marcante em papas de aveia, aveia dormida e no café. Nada muito problemático, mas prefiro avisar. Um coco médio rende aproximadamente 1 litro de leite. Se seu coco for muito grande ou muito pequeno aumente ou diminua a quantidade de água proporcionalmente. Se você não sabe como abrir e retirar a polpa de coco seco, esse vídeo explica direitinho.

1 coco maduro (também chamado de coco seco) médio

1 litro de água

Abra o coco e retire a polpa. Você pode retirar a polpa com a ponta de uma faca. Tudo bem se na polpa estiver colado na parte escura e mais dura que fica entre a polpa branquinha e a casca. O leite será coado, então tudo bem. Se você tiver a sorte de encontrar coco fresco ralado na feira, fazer leite será ainda mais fácil (peça uma quantidade equivalente a um coco, pra saber quanto de água utilizar).

Aqueça meio litro de água até ficar quente, mas não muito (você ainda deve ser capaz de colocar o dedo na água sem se queimar). O calor ajuda a extrair o máximo de leite da polpa, mas evite usar água muito quente por duas razões: 1- pra não prejudicar o copo do seu liquidificador, se ele for de plástico. 2-Pra manter o leite cru e preservar o sabor fresquinho e todas as propriedades nutricionais.

Coloque a polpa do coco, em pedaços ou ralada, no liquidificador e despeje a água quente por cima. Bata (tampe bem) durante 30 segundos. Use uma peneira fina, de preferência de metal, pra coar o leite, espremendo bem com as costas de uma colher. Coloque a polpa de coco de volta no liquidificador, aqueça mais meio litro de água e repita o processo. Assim, com duas extrações, você obtém um leite mais encorpado e saboroso.

Depois coar a polpa pela segunda vez coloque-a em um pano fininho, faça uma trouxinha e esprema bem com as mãos. Esse passo é opcional, mas assim você extrai até a última gota de leite e não desperdiça nada. Descarte a polpa que sobrar ou use pra aumentar a quantidade de fibras em bolos e biscoitos (nunca tentei, mas sei que tem quem faça isso).

Transfira o leite pra uma garrafa de vidro ou outro recipiente limpo e com tampa e conserve na geladeira. Rende um pouco mais de 1 litro e se conserva entre 3-4 dias na geladeira.

 

Smoothie tropical

No meio de uma semana intensa (compromissos com a saúde, preparação de uma palestra e oficinas, mais a angústia de ter começado a contagem regressiva pra deixar o país), passei por aqui pra dividir a r.eceita do meu novo smoothie preferido.

Quando estou no Brasil adoro usar a polpa de cocos verdes (que aqui chamamos de ‘lama’) em smoothies e vitaminas. Também gosto de misturar a lama e a água de um coco verde com uma colher de chia e me deliciar com esse ‘pudim’, como mostra a foto abaixo.

pudim chia coco

Mas voltemos ao smoothie. Adicionar polpa de coco verde a esse tipo de bebidas foi uma das melhores ideias que já tive (tenho certeza que outras pessoas tiveram a mesma ideia, mas vou fingir que pensei nisso primeiro). Além de deixar a bebida mais cremosa, você estará desfrutando de todos os nutrientes da polpa de coco, como minerais, vitaminas e gorduras boas. O sabor é suave e quem já provou um coco verde sabe que ele não tem aquele sabor forte do coco maduro, que algumas pessoas por aqui não aprovam. Então mesmo se coco não é a sua praia, a polpa do coco verde não vai te incomodar nesse smoothie.

Como eu adoro coco, verde e maduro, também uso um pouco de leite de coco, que faço em casa, pra acentuar o sabor tropical desse smoothie. Você pode substituí-lo por água de coco, se quiser um sabor mais suave. Se decidir usar a lama de coco verde saiba que o gelo é essencial pra deixar a bebida mais cremosa e homogênea. Explico. Quando trituro a lama com os outros ingredientes dessa receita ela fica bem picadinha, mas nunca se desfaz completamente. O gelo, ao ser batido no liquidificador, se desfaz em milhares de micro partículas sólidas que terminam de triturar a polpa de coco e transformam a bebida em uma emulsão ultra cremosa.

Gosto de aumentar ainda mais os nutrientes desse smoothie juntando uma colher de sopa de chia, que misturo no copo, mesmo. Como a qualidade da minha alimentação sempre cai durante as férias, ando colocando chia em tudo que passa pela minha frente. Meu cérebro, que não sai de férias, está precisando do ômega-3 que elas oferecem.

E antes de dividir a receita com vocês, um convite. Sexta-feira, dia 9 de agosto, estarei em Recife (novamente) pra fazer uma palestra sobre violações de direitos humanos e resistência popular na Palestina. Vai ser na livraria Cultura do Shopping Rio Mar, às 19h30 e a entrada é gratuita.

smoothie tropical

Smoothie tropical

É importante retirar o talo do abacaxi, pois ele é mais fibroso e deixa a bebida com uma textura menos agradável. Mas nada de jogá-lo fora! Eu como o meu enquanto preparo o smoothie. Substituia o leite de coco por água de coco, se quiser um sabor de coco mais discreto. Na foto acima ainda não tinha misturado a chia com o smoothie, mas claro que mexi bem antes de degustar.

1 laranja

1x (bem cheia) de abacaxi picado, sem o talo

1 banana

1/2x de leite de coco (melhor se for feito em casa)

Polpa (lama) de dois cocos verdes

5 cubos de gelo

Corte a laranja em quatro, retire a casca e as sementes. Coloque no liquidificador com o abacaxi, a banana, o leite (ou água) de coco e a polpa de coco verde. Bata bem até ficar cremoso. Junte o gelo e bata mais alguns instantes, até ele se desfazer completamente. Sirva imediatamente, com ou sem chia. Rende 750ml (duas porções pequenas ou uma gigante).

 

Uma rede, um alpendre, um açude…e um chá de canela

chá de canela com nozes

Na minha vida anterior, quando eu estudava linguística em Paris, tive a sorte de frequentar uma universidade com uma das melhores bibliotecas universitárias da Europa. O que tornava essa biblioteca realmente especial pra mim não era o tamanho, mas o fato dela ter uma seção inteira com literatura brasileira e portuguesa em Português. A universidade tinha curso de Português e a ideia era que esses universitários pudessem explorar a literatura lusófona na língua de Camões. Mas acho que quem mais aproveitava era eu, que fazia um curso totalmente diferente, mas que vinha matar a saudade da minha língua e dos meus autores preferidos regularmente. Sempre que a distância da minha terra parecia insuportável, eu me refugiava nessa ala da biblioteca. Eu tinha a impressão que se o autor viesse do Nordeste, o livro matava ainda mais a saudade. Foi durante essa minha fase de obsessão com o Sertão que li, pela primeira vez, ‘Memorial de Maria Moura’, de Rachel de Queiroz.

Alpendres, redes e açudes eram tudo o que eu precisava naquele momento, mas aventuras, botijas, romances contrariados e uma heroína cangaceira deixou tudo ainda mais interessante. Uma passagem do livro ficou marcada pra sempre na minha memória. O livro é maravilhoso, não há dúvidas, mas vejam só, eu já tinha o micróbio da culinária dentro de mim naquela época e fiquei impressionada foi quando Marialva encontrou Valentim pela primeira vez e serviu, no seu alpendre, chá de canela pra ele. Chá de canela! Meus pais são sertanejos, eu fui inúmeras vezes pro interior do RN, onde boa parte da minha família materna ainda mora, mas nunca, nunca tinha ouvido falar de chá de canela. Eu adoro canela, ela é provavelmente a minha especiaria preferida, então fiquei um pouco ressentida. Por que nunca me ofereceram chá de canela nas minhas andanças pelos alpendres?  Será que já não se bebe mais chá de canela no sertão, só café e cachaça?

Curiosamente, não me atrevi a tentar o chá em casa. Primeiro porque eu não tinha ideia de como fazer isso (hoje acho óbvio, mas nunca tinha pensado em ferver os paus de canela) e segundo porque aquele chá ficou associado na minha mente ao Sertão e beber ele em casa me parecia totalmente fora de contexto.

Muitos anos depois eu fui visitar meus amigos Tareq e Sara no campo de Al Arroub, logo depois do nascimento de Watan, o primeiro filho deles. A mãe de Sara estava lá pra ajuda-la com o bebe e adivinha o que ela serviu pra gente? Chá de canela! Imagino que a canela sendo uma especiaria muito popular, vários povos do mundo fazem chá com ela, mas foi surreal provar a bebida que eu tinha associado ao Sertão em um campo de refugiados na Palestina. A vida tem dessas coisas.

A mãe de Sara serve o chá com pedacinhos de nozes, o que aumenta ainda mais o prazer de toma-lo. As nozes absorvem a doçura e o perfume da canela e ficam irresistíveis. E é muito agradável intercalar os goles de chá com a mastigação de uma ou outra noz. Você pode fazer o chá sem as nozes, mas a presença delas aqui deixa a bebida mais especial.

Ainda não consegui degustar um chá de canela numa rede armada em um alpendre do Sertão, olhando um açude e um serrote, como nas minhas fantasias queirozianas, mas não perdi as esperanças. Enquanto isso vou bebendo meu  chazinho em casa, mesmo.

canela

Chá de canela com nozes

A qualidade da canela faz toda a diferença aqui. A primeira vez que fiz esse chá usei uma canela ruim e mesmo depois do uma noite de molho e de ter deixado ferver por quase uma hora, a bebida continuava insípida. Na segunda vez, meros 4 minutos de fervura (depois da noite de molho) foram suficientes pra fazer um chá bem forte. Se sua canela em pau não exalar um aroma relativamente forte, ela provavelmente está velha demais e não serve pra fazer esse chá. Canela é ótima pra esquentar o corpo (esse chá é perfeito no inverno) e como ela tem propriedades antibacterianas, expectorantes e anti-inflamatórias, esse chá dá uma forcinha ao seu corpo durante gripes e resfriados.

30g de canela em pau de ótima qualidade

Nozes

Cubra a canela com 2x de água e deixe de molho durante uma noite. No dia seguinte transfira tudo pra uma panela pequena e acrescente mais 1x de água. Deixe ferver alguns minutos, coberto. Prove o líquido regularmente e quando estiver forte o suficiente pro seu gosto, desligue o fogo (aqui em casa fervi a canela durante 4 minutos, mas esse tempo varia de acordo com a qualidade da sua canela). Como essa bebida tem um sabor intenso, é melhor servi-la em copinhos pequenos, como se faz aqui na Palestina. Polvilhe cada copo com as nozes picadas grosseiramente (uso 1cc por copo). Não precisa adoçar, pois a canela já é doce o suficiente. Rende 6 porções pequenas.

Desastre culinário e uma vitamina de consolo

Vitamina de pêssego, banana e chia

Desastres culinários acontecem com os melhores cozinheiros e a minha humilde cozinha não poderia ser uma exceção. Desde ontem afago, acaricio e converso com uma bola de massa que deveria se transformar em bagels hoje. Minha agenda de afazeres do mês de novembro está assoberbadíssima e a ideia era congelar pão pras próximas duas semanas. Mas os deuses do pão não estavam do meu lado. Não sei o que deu errado, porém suspeito que meu fermento pra pão venceu e não faz mais efeito. O fato é que meus bagels não cresceram nada, ficaram tão densos e pesados quanto tijolos de barro e são totalmente intragáveis. Enquanto digito essas linhas uma fornada de 16 (16!!!!) bagels aguarda o seu destino no forno apagado. Na verdade 15, pois comi um pra tentar me convencer que, não, não, meus pãezinhos não são tão ruins assim, e acabei com o equivalente a um quilo de cimento no estômago. Ai! Infelizmente o destino da fornada será o lixo. Nem me lembrem do desperdício que isso significa, pois minha consciência já está tão pesada quanto o meu estômago!

Por causa disso não tive condições (espaço no estômago) pra almoçar, mas como precisava ingerir alguma coisa e achei um saquinho com pêssegos no congelador (lembranças do verão), fiz uma vitamina. Geralmente é isso que tomo quando preciso me alimentar, mas ao mesmo tempo estou sem vontade de comer. E gosto de aumentar os nutrientes das minhas vitaminas juntando uma colher de sopa de sementes de chia. Se você estava procurando mais uma maneira de incorporar essas sementinhas mágicas na sua alimentação, acabou de encontrar.

P.S. Prometo que a receita dos bagels (os bons, não os feitos de cimento) aparecerá aqui semana que vem. Felizmente certos dias sou capaz de fazer bagels deliciosos.

Vitamina de pêssego, banana e chia

Pelo menos uma das duas frutas deve estar congelada, mas se quiser uma mistura parecida com um sorbet, use as duas frutas congeladas. Acho que leite de amêndoas casa perfeitamente com pêssegos, mas você pode usar leite de soja ou outro leite vegetal (de preferência não adoçado). Você também pode substituir os pêssegos por outra fruta (mamão se dá muito bem com banana). Quer saber tudo sobre a chia? Leia esse post e mais esse.

1x de pêssegos em cubos (frescos ou congelados)

1 banana (fresca ou congelada)

1x de leite de amêndoas gelado (ou seu leite vegetal preferido)

1cs de sementes de chia

Bata todos os ingredientes, menos a chia, no liquidificador até ficar cremoso. Junte a chia e pulse duas ou três vezes (só o suficiente pra misturar as sementes com o líquido, sem necessariamente tritura-las). Sirva imediatamente. Rende uma porção generosa.

Smoothie de cereja com cacau

Antes de sair de férias aproveitei as últimas cerejas da estação, que eu tinha congelado alguns dias antes, pra fazer um smoothie. Usei leite de amêndoas, porque amêndoa e cereja nasceram uma pra outra, e bananas, pra adoçar e ficar mais cremoso.  Depois do primeiro gole tive uma ideia. Sempre gostei de chocolate recheado com cereja, então coloquei o smoothie de volta no liquidificador e bati novamente com um pouquinho de cacau em pó. O gosto de chocolate ficou bem discreto, mas acho que deixou o smoothie mais especial.

Eu sabia que cereja aqui no Brasil custava caro, mas depois de um incidente em uma feirinha de Copacabana algumas semanas atrás, descobri que essa frutinha vale quase tanto quanto ouro!  Minha irmã quis comprar meio quilo de cereja, achando que o quilo custava R$, 7,60, e quase desmaia ao descobrir que esse era o preço de 100g (o feirante deve estar rindo até agora)! Então se você não quiser raspar a poupança pra comprar cerejas, pode substitui-las por morangos, pois também ficam ótimos com cacau.

Smoothie de cereja com cacau

O leite de amêndoas casou perfeitamente com os outros sabores, mas você pode usar outro leite vegetal, se preferir. Pra obter um sabor de chocolate mais forte, sinta-se livre pra usar mais cacau. Nesse caso talvez você queira usar algo pra adoçar seu smoothie, pois o cacau vai deixá-lo mais amargo. E se a temperatura na sua cidade estiver alta, como é o caso de Natal nesse momento, talvez você queira ver as outras receitas de smoothies que já apareceram por aqui.

2x de cereja congelada (sem caroço)

1x de banana congelada em rodelas

Entre 1x e 1 1/2x de leite de amêndoas

2cc de cacau em pó (sem açúcar), ou mais se quiser um sabor de chocolate mais forte

Bata todos os ingredientes no liquidificador até ficar homogêneo. Com 1x de leite de amêndoas o smoothie fica mais espesso, com a consistência de um sorvete mole, mas se seu liquidificador não for muito potente talvez você precise juntar mais meia xícara de leite pro motor continuar funcionando. Se quiser um smoothie mais doce, use o adoçante natural que preferir. Rende 2 porções (cerca de 600ml, se você usar 1 1/2x de leite de amêndoas).

A melhor limonada do mundo: rosa e sem açúcar

Limonada rosa com hortelã

Se você lê esse blog há algum tempo sabe que 1-Sucos de frutas, mesmo naturais, não entram na minha lista de alimentos saudáveis e por isso… 2-Eu quase nunca tomo sucos. Se você é novo por aqui leia esse post pra entender melhor o que acabei de dizer. Porém tem um suco que descobri na Palestina e que tomei bastante durante meus primeiros anos aqui: limonada com hortelã. Talvez o conceito não seja novo pra vocês, mas eu nunca tinha provado suco de limão com hortelã antes e fiquei encantada com o casamento perfeito de sabores. É uma bebida tradicional e extremamente popular nessa terra, pois a maioria da população palestina é muçulmana e pouca gente bebe álcool por aqui (só os palestinos cristãos, palestinos muçulmanos seculares e estrangeiros).

A receita palestina é feita com suco fresco de limão, açúcar e hortelã batidos no liquidificador com bastante gelo pra ficar com uma consistência semi-congelada. Por não fazer parte da minha vida, açúcar sempre provoca reações estranhas no meu corpo nas raras vezes que o consumo. Alguns meses atrás percebi que minha barriga inchava quando eu tomava limonada com hortelã, como se o açúcar fermentasse lá dentro. A sensação era bem desconfortável e parei de tomar o suco de vez. Mas desde então fiquei pensando em fazer uma versão sem açúcar da limonada, afinal limão com hortelã é gostoso demais pra não ser degustado com frequência. Matutei, matutei, tive algumas ideias, que rejeitei antes mesmo de testar, até que ontem vi a luz!

Eu tinha voltado pra casa com uma linda melancia do mercado (está na época aqui), a primeira que comprei esse ano, e foi aí que a inspiração chegou. E se eu usasse melancia na limonada? Com um ingrediente, natural, barato e fácil de encontrar, eu substituiria o açúcar, a água e, se usasse uma parte da melancia congelada, o gelo também! Nunca na vida tomei suco de melancia porque sempre achei que devia ser algo extremamente sem graça, além de ser muito mais divertido comer melancia do que bebê-la. Mas na minha receita a melancia é apenas o suporte pros sabores do limão e da hortelã, então meu suco está longe de ser sem graça! Extremamente refrescante e saborosa, essa limonada rosa é a maneira mais gostosa de se hidratar durante o verão.

Sei que somente meus leitores europeus poderão degustar essa receita agora. Não é época de melancia no Brasil e em algumas regiões o clima está frio demais pra acolher esse suco semi-congelado (esse é o problema em viver em um lado do mundo e escrever receitas pro pessoal do outro lado). Mas, leitores brasileiros, guardem essa receita em um cantinho da memória e não deixem de experimentá-las assim que as melancias aparecerem nas feiras. Garanto que depois de provar minha limonada rosa seus dias de verão nunca mais serão os mesmos.

PS Se vocês estão se perguntando por que tem tanta foto de gato num blog de comida a resposta é que meus bichanos invadem as fotos sem a minha autorização. No meio da sessão de fotos Noor se instalou confortavelmente na bandeja onde estavam os copos de limonada (ele adora dormir nessa bandeja) e não teve como expulsá-lo.

Limonada rosa com hortelã

Nos EUA pink lemonade é uma bebida muito apreciada, mas na maior parte do tempo é colorida artificialmente (algumas receitas usam suco de cranberry). Além da cor, a única coisa que minha limonada rosa tem em comum com a receita americana é o limão. Tudo aqui é 100% natural e sem açúcar. Não esqueça de retirar as sementes da melancia antes de congelá-la. Eu usei uma quantidade pequena de limão, assim os sabores ficaram bem equilibrados. Se quiser um sabor mais intenso use mais suco de limão, mas nesse caso talvez você sinta a necessidade de adoçar o suco, que era exatamente o que eu queria evitar. Um pouquinho de raspas de limão intensifica o sabor sem, no entanto, aumentar a acidez da bebida. O sabor da melancia, embora discreto, também está presente, mas complementa muito bem os outros sabores. Por isso quase chamo minha limonada rosa de “melonada”. Esse suco é ainda mais refrescante se for servido semi-congelado (como nas fotos), mas você também pode usar só melancia fresca se quiser um suco totalmente líquido.

2x de melancia (em cubos, sem as sementes)

2x de melancia congelada, (em cubos, sem as sementes)

Suco de 1 limão pequeno (aproximadamente 4cs), ou a gosto

Uma pitada de raspas de limão

Um punhado de hortelã picada (aproximadamente 4cs)

Bata a melancia, a melancia congelada e o suco de limão no liquidificador. Junte a hortelã e bata mais um pouco, só o suficiente pra corta as folhas em pedacinhos miúdos. Sirva imediatamente. Rende duas porções de 250 ml cada.

Limonada rosa e o gato

Romã

Espero que todos estejam se divertindo e tendo um ótimo carnaval. Felizmente pra mim, por aqui não tem folia e com somente uma moradora na casa, as coisas estão mais tranquilas do que nunca.

O inverno desse ano está bem frio e como não tenho aquecedor (tenho um a gás, que está sem gás no momento, mas de todo jeito prefiro não usá-lo) passei os últimos dias com uma bolsa de água quente nos pés e uma caneca de chá nas mãos. Se pudesse, teria me refugiado embaixo das cobertas o tempo todo, mas tive que sair várias vezes sob a chuva grossa que não parou de cair durante toda a semana. No sábado saí pra comprar comida sob uma chuva de granizo e à noite comecei a me sentir meio mole, como se estivesse incubando um vírus malvado que iria explodir no dia seguinte. Ainda bem que tinha trazido pra casa as últimas romãs da feira.

Romã aqui é muito popular e durante boa parte do ano é possível encontrar suco fresco de romã nas esquinas da cidade. Tomei suco de romã pela primeira vez aqui, mas só recentemente comecei a prepará-lo em casa.  Nas lanchonetes e cafés eles usam um espremedor manual de ferro  estilo alavanca e eu achava que só com um desses seria possível extrair o suco dessa fruta. Mas depois de tentar com meu espremedor de laranja de plástico vi que também dava certo.

Sei que alguns posts atrás falei mal de sucos de frutas e disse que era sempre melhor consumir a fruta inteira. Continuo achando que é verdade, mas a romã tem um poder medicinal tão grande e é tão rica em antioxidantes que acredito que compensa. E de todo jeito, nunca consegui engolir as sementinhas da romã (mastigo bem, extraio o suco na boca e jogo resto fora), então nesse caso não faz nenhuma diferença.

A receita de hoje é na verdade uma dica. Quando começar a sentir que vai gripar, ou sempre que quiser dar uma forcinha ao seu sistema imunológico, corte uma romã madura ao meio e use um espremedor de laranja pra extrair o suco, exatamente como você faria com uma laranja. Você vai precisar fazer um pouco mais de força e talvez estourar com os dedos alguma sementinha que tenha ficado inteira (pressione as sementes contra o espremedor), mas sua saúde vai agradecer. Talvez tenha sido a combinação de suco fresco de romã, sopa de feijão e uma boa noite de sono, mas o fato é que domingo acordei novinha em folha.

Outra dica: se quiser retirar as sementes da romã pra comer ou utilizar em alguma receita, aprendi uma técnica infalível com Nigella Lawson. É só cortar a romã ao meio e bater no lado da casca com uma colher de pau.

Antes de ir embora, uma imagem do meu “carnaval” aqui. Mais tranquilo impossível!

A solução é muito simples

Vitamina de banana e laranja

Alguns alimentos considerados “saudáveis” pela maioria das pessoas não são muito populares aqui em casa. Eu falei de barrinhas de cereal industrializadas nesse post e o criticado da vez hoje é o suco de frutas. Estou me referindo aqui a sucos naturais, feitos com frutas frescas. Sucos industrializados são tão ruins que acho que ninguém mais pensa que é bom pra saúde, não é?

Minha antipatia por sucos de frutas pode ser justificada com três frases. Sucos contêm açúcar. Sucos não têm fibras. Sucos muitas vezes são consumidos algum tempo depois de terem sido preparados e já perderam boa parte das vitaminas.  Você sabia que meros 15 minutos depois de ser preparado, um suco de laranja já perdeu 70% da vitamina C? Essa vitamina é altamente oxidável e o contato com o ar destrói os benefícios do seu suquinho em poucos minutos.

Você pode escolher fazer suco sem açúcar (branco ou mascavo), não coar pra preservar as fibras (alguém aí já experimentou suco de umbu-cajá ou mangaba sem açúcar e sem ser coado?) e tomar tudo imediatamente depois de preparado, mas tem uma solução mais simples: comer frutas inteiras. Eu acredito que em matéria de alimentos, quanto mais próximo do seu estado natural eles forem consumidos, melhor. Sucos, mesmo não adoçados, são verdadeiros concentrados de frutose. Frutose é o açúcar das frutas e tem o mesmo efeito nefasto que o açúcar branco. Não estou dizendo que frutas não são saudáveis, mas sim que frutose não é. Já estou vendo a confusão que essa frase provocou em alguns leitores. Explico.

Frutose é tão ruim pra saúde quanto açúcar branco (se você não sabe, açúcar é 50% glicose e 50% frutose). Quando consumimos uma fruta fresca, consumimos frutose, mas também uma boa quantidade de fibras. As fibras freiam a entrada da frutose no organismo e então fica tudo bem. Mas quando esprememos ou trituramos a fruta e depois coamos pra fazer um suco, as fibras vão embora. Quando o suco entra no estômago as fibras da fruta não estão mais ali pra garantir que a frutose seja absorvida de mansinho, ela entra de uma vez no organismo. Depois de passar pelo intestino ela vai ser assimilada no fígado, que transforma a frutose em glicose. Como esse processo é feito em pouco tempo, a quantidade de açúcar no sangue aumenta de maneira brusca.

Outro grande problema dos sucos é que, por serem considerados uma bebida saudável, eles fazem parte da alimentação diária de muita gente. Excesso de glicose no organismo (a frutose do suco é transformada em glicose no fígado, lembra?) favorece o acúmulo de gordura. Li vários estudos explicando como o excesso de bebidas doces (refrigerantes E sucos de frutas) está intimamente ligado ao aumento dos casos de obesidade, principalmente nas crianças.

Ninguém deve se desesperar pensando “Pronto, não posso comer mais nada!” Como disse mais acima, a solução é muito simples, mais simples até do que fazer um suco: comer frutas inteiras. Além das fibras, que são indispensáveis pra nossa saúde (e não só pra desacelerar a entrada da frutose no organismo), frutas tem vitaminas e são uma delícia. A natureza pensou em tudo. Quando ela colocou frutose nas frutas, fez questão de colocar bastante fibras também. Espremer cinco laranjas e tomar o suco é fácil, mas comer cinco laranjas inteiras é mais difícil, pois toda aquela fibra vai encher seu estômago e você provavelmente vai ser obrigado a parar depois da quarta. Acho que esse é o papel da fibra nas frutas: te impedir de exagerar na dose de frutose. Não acha que a natureza está mandando uma mensagem aqui?

Querem sabe se tomo suco? Sim, mas muito raramente e nunca em casa. Gosto de degustar um suquinho quando estou no calor do Brasil, onde tem mangaba e umbu (frutas que adoro e que prefiro na versão suco do que inteiras). No resto do tempo prefiro me deliciar com mangas, uvas e laranjas no seu estado natural. Também adoro colocar frutas em vitaminas, pois assim não perco as preciosas fibras. O que nos leva à receita de hoje.

Já experimentaram fazer vitamina com uma laranja inteira (sem a casca, claro)? Fica uma delícia e conseguimos aliar a praticidade da bebida (é mais fácil engolir uma vitamina do que mastigar uma laranja) com todos os benefícios da fruta inteira. Eu trago algumas “más notícias” de vez em quando, mas também me esforço pra propor soluções simples.

 

Vitamina de banana e laranja

Rica em fibras (vindas da laranja e da linhaça), essa vitamina é uma ótima opção de lanche ou café da manhã. Eu corto bananas maduras em rodelas e congelo pra usar nas vitaminas, mas você pode usar só banana fresca, se preferir. Minhas bananas são pequenas, por isso uso duas. Se as suas forem grandes sinta-se à vontade pra usar só uma (fresca ou congelada). Amêndoa, banana e laranja ficam uma delícia juntas, mas você pode usar outro leite vegetal (leite de soja também fica ótimo).

1 banana pequena congelada (em rodelas)

1 banana pequena fresca

1 laranja

200ml de leite de amêndoas gelado (ou seu leite vegetal preferido)

1cs rasa de linhaça moída

Corte a laranja em quatro, retire a casca, as sementes e a parte branca que fica no meio (veja foto acima). Corte em pedaços menores e coloque a laranja no liquidificador com os outros ingredientes. Bata até ficar homogêneo. Será necessário triturar um pouco mais do que uma vitamina comum, pois as fibras da laranja são mais resistentes. Deguste imediatamente. Rende uma porção generosa.

Smoothies

Smoothie de banana e morango

Algumas semanas atrás vi os primeiros morangos do ano na feira. Cansada das frutas de inverno (o que aqui significa maçã, pera e nada mais) e feliz em poder enfim começar a degustar as suculentas frutas da primavera/verão, tratei logo de comprar um quilo. O morango custou caro, mas como é uma das minhas frutas preferidas voltei pra casa toda saltitante. Minha alegria desapareceu quando coloquei o primeiro morango na boca: a fruta era quase insípida e ainda não estava madura. Bem feito pra mim, que esqueço de vez em quando que comprar fruta fora de época não vale a pena: não tem gosto, custa caro e não é nem um pouco ecológico (esses morangos, por exemplo, vinham de uma estufa aquecida a custo de muita energia pra fazer as frutinhas crescerem em pleno inverno).

Quando despejei os morangos na pia pra serem lavados descobri que, além sem muito gosto, uma boa parte estava machucada. Então fiz o que sempre faço quando tenho frutas (principalmente morangos e bananas) ameaçando  se estragar na cozinha: congelei tudo. Adoro usar frutas congeladas pra fazer smoothies e compro bananas especialmente pra isso. Smoothies são bebidas que misturam frutas com algum tipo de líquido, normalmente suco de fruta fresca, leite ou iogurte. Quando descobri o tal do smoothie na França (a moda, de origem americana, tinha passado pela Inglaterra antes de chegar lá), a bebida nada mais era do que frutas inteiras mixadas com suco de frutas. Hoje a coisa se expandiu bastante e começaram a usar leites (vegetais ou não) e iogurtes (idem). Mas é importante lembrar que smoothies são bebidas naturais e saudáveis, não milk shakes, por isso sorvete NÃO faz parte de lista de ingredientes.

Embora eu goste de fazer smoothies com leite de amêndoas (o que pra mim não passa da nossa velha vitamina de frutas), o que acho realmente original, e genial pra nós veganos, é fazer as bebidas com suco de frutas frescas. Por que não pensei nisso antes? Vitaminas de frutas são uma verdadeira tradição na nossa cultura e cresci tomando vitamina de banana no mínimo três vezes por semana. Sei que muita gente (incluindo eu mesma) não gosta de leite de soja, leite de amêndoas não é uma opção pra todo mundo (amêndoas custa caro no Brasil) e outros leites vegetais (arroz, aveia…) não estão disponíveis em todos os lugares, então como fazer vitaminas veganas? A solução é usar sucos frescos no lugar do leite de vaca. Pode parecer estranho pra quem nunca provou um smoothie à base de suco, mas garanto que basta um gole pra mudar de idéia. A menos que você tenha uma contrífuga e possa fazer suco de maçã natural (sem água e sem açúcar), o mais prático é usar suco de laranja como base. Depois é só acrescentar as frutas de sua preferência, passar tudo no liquidificador e se deliciar.

Minha fórmula clássica é suco de laranja + duas frutas. Gosto de usar pelo menos uma parte das frutas congeladas, pro smoothie ficar bem geladinho, e juntar um pouco de semente de linhaça, pra ficar mais nutritivo. As vezes misturo duas frutas congeladas e um pouco de leite de amêndoas gelado e crio um smoothie/sorvete que degusto de colherinha. Sirvo esse tipo de smoothie depois do jantar, quando quero uma sobremesa leve e saudável. Aqui vão duas das minhas combinações preferidas pra servir de inspiração, mas sinta-se livre pra misturar as frutas que mais gostar e criar misturas únicas.

 

Smoothie de banana e morango com leite de amêndoas

O leite de amêndoas é absolutamente delicioso misturado com morangos, mas substitua por outro leite vegetal se preferir.

1 ½ x de leite de amêndoas (receita aqui)

1x de banana em rodelas (aproximadamente 1 banana grande), congelada ou não

2x de morangos picados congelados

2cc de linhaça (opcional)

 Bata todos os ingredientes no liquidificador e sirva imediatamente. Se quiser quiser uma textura parecida com sorvete (como na primeira foto) a banana também deve estar congelada. Rende 2 porções.

 

Smoothie de banana e morango com suco de laranja

Usar suco de laranja como base produz um sabor mais vibrante e ligeiramente mais doce, graças ao açúcar natural da laranja.

1 ½ x de suco de laranja fresco (suco de três laranjas)

1x de banana em rodelas (aproximadamente 1 banana grande), congelada ou fresca

2x de morangos picados congelados

2cc de linhaça (opcional)

 Bata todos os ingredientes no liquidificador e sirva imediatamente. Assim como na versão anterior, bananas congeladas produzem um smoothie parecido com sorvete (perfeito como sobremesa), enquanto que bananas frescas produzem um smoothie mais líquido (ótimo no café da manhã ou no lanche). Rende 750ml (duas porções).

Mudei de idéia…

Que tal uma pausa no meio de toda essa verdura que apareceu aqui no blog? Alguém aceita um xícara de chocolate quente com biscoitos? Lembra quando, não muito tempo atrás, eu declarei meu desafeto por chocolates quentes ultra espessos e dividi a receita do meu chocolate quente preferido? Bem, eu tenho um novo chocolate quente preferido. Os franceses dizem que só os idiotas não mudam de opinião, então lá vai: a receita nova é mais encorpada que a anterior e achei isso ótimo. Ainda recuso chocolate quente que se aproxima mais de um mingau do que de uma bebida, mas descobri que se eu engrossá-lo só um pouquinho ele fica ainda mais saboroso e continua leve.

Essa receita nasceu durante aquele período crítico no meio da tarde em que seu corpo exige algo doce e delicioso e que fique pronto em minutos (melhor ainda se a coisa doce e deliciosa estiver prontinha na geladeira, esperando pelo ataque do seu garfo/colher, mas aí já é pedir demais). Baseada na minha receita de pudim de chocolate, nasceu um chocolate quente encorpado, profundamente achocolatado e ligeiramente decadente graças a um toque de whisky. Desde então minhas tardes geladas de inverno nunca mais foram as mesmas.

Chocolate quente cremoso (só para adultos)

Uma dica que já dei aqui no blog mas que não machuca repetir: se seu chocolate for fraquinho em cacau, junte 1cc de cacau em pó sem açúcar (dissolva bem em um pouquinho de leite antes). Mas faça o possível pra conseguir um chocolate de qualidade pois ele faz toda a diferença aqui. O leite de soja que uso é ligeiramente doce, então não adoço meu chocolate. Adapte a receita de acordo com o leite de soja que você usar e seus gostos.

1x de leite de soja

1cc (quase rasa) de amido de milho (maizena)

40gr de chocolate com no mínimo 50% de cacau (eu uso 70%)

1cs de whisky

Dissolva o amido de milho em 1cs de leite frio. Despeje em uma panela pequena (a menor que você tiver) e junte o resto do leite. Pique o chocolate com uma faca (40gr equivale mais ou menos à 3cs de chocolate picado), junte ao leite e leve ao fogo baixo, mexendo sem parar com uma colher de pau. Quando começar a ferver conte até 10 e desligue o fogo. A essa altura o chocolate vai ter derretido completamente e a mistura vai ter engrossado um pouco. A bebida engrossa mais um pouquinho enquanto esfria. Junte o whisky, misture bem e despeje em uma caneca. Sirva imediatamente (melhor ainda se tiver uns biscoitinhos pra mergulhar no chocolate). Rende 1 porção.

O que fazer com alfarroba

Shake de banana e alfarroba

 

Logo que me mudei pra cá, tive o prazer de trabalhar durante seis meses, e morar durante algumas semanas, com uma americana chamada Janelle. Nós simpatizamos no minuto em que fomos apresentadas e somos amigas até hoje, apesar dos milhares de quilômetros que nos separam (ela mora em Seattle, EUA). O pai de Janelle é médico e ela estudou saúde pública, então seu conhecimento em matéria de nutrição é admirável. Passamos muitas horas explorando a feira de Jerusalém e a lojinha de produtos orgânicos que fica do lado. Graças à Janelle descobri que cevada não serve só pra fazer bebida, que aveia em flocos grossos é mais gostosa, e segundo ela mais nutritiva, que aveia em flocos finos e que é importante comer um punhado de oleaginosas todos os dias (conselho do seu pai). Ela é vegetariana mas vivia dizendo que se eu cozinhasse pra ela todos os dias ela se tornaria vegana sem hesitar. Um dia, pra agradecer todos os pratos que eu preparei durante as semanas que ela ficou hospedada na minha casa, ela me convidou pra lanchar na casa dela. Nesse dia ela preparou, entre outras coisas, alfarroba quente, um tipo de “chocolate” quente feito com leite de soja e alfarroba em pó no lugar do cacau. Eu não conhecia alfarroba e no início achei a bebida estranha, mas depois de alguns goles comecei a apreciar aquele sabor tão particular.

Antes de voltar pros EUA Janelle me presenteou com o pacote que alfarroba que ela tinha comprado na loja de produtos orgânicos e que ainda estava quase cheio. Adorei o presente mas confesso que ele ficou juntando poeira em uma prateira da minha cozinha durante… anos. Sim, anos. De todos os produtos que descobri com essa amiga, alfarroba foi o mais exótico e o que menos gostei. De dois em dois meses eu abria o potinho onde tinha guardado a alfarroba, cheirava aquele pó marrom e me perguntava o que eu ia fazer com aquilo. Muitas vezes pensei em jogá-lo fora, mas desperdiçar comida vai contra os meus princípios, ainda mais quando a comida em questão foi presente de uma pessoa querida. Alguns meses atrá, decidida a usar a alfarroba antes que ela apodrecesse (vencida já devia estar, mas como a aparêcia e o cheiro continuavam o mesmo declarei que ainda era seguro comsumí-la) preparei uma xícara de alfarroba quente. Essa segunda xícara da bebida me pareceu bem mais gostosa que a primeira então alguns dias depois preparei outra, que achei ainda melhor. Aí pensei : “E se eu colocar alfarroba na minha vitamina de banana?” E antes que eu me desse conta, dois terços do potinho de alfarroba tinha desaparecido e ela tinha entrado na (longa) lista das comidas que adoro. Dizem que é preciso provar pelo menos dez vezes um alimento novo antes de afirmar se você gosta ou não dele e parece que é verdade.

Alfarroba é usada como alternativa ao cacau pras pessoas que prefererem (ou precisam) consumir produtos não excitantes (cacau é excitante, como café, chá…). Embora a aparência seja quase idêntica, não espere o mesmo gosto do cacau. Acho importante insistir nesse ponto pois aqueles que provam alfarroba pensando que se trata de um cacau mais saudável acabam se decepcionando. O sabor é totalmente diferente, mas eu não acho que isso seja um problema, muito pelo contrário. Certo, pras pessoas que não podem comer cacau e que procuram um substituto parecido isso é bem frustante, mas pras todos os outros alfarroba é um sabor a mais a ser descoberto (e desfrutado).

Esse shake (que não passa de uma vitamina, mas que decidi chamar de “shake” pra ficar mais especial) foi minha obsessão no verão passado. Durante os longos meses de calor infernal eu só tinha vontade de beber meu super skake de leite de amêndoas, banana e linhaça, mas eu sempre o preparava com cacau. A versão com alfarroba  além de ser deliciosa, é uma ótima maneira de experimentar esse produto, já que misturado com a banana o sabor fica mais suave. O shake é perfeito no café da manhã, uma alternativa muito mais nutritiva e saborosa do que o tradicional café com pão. Além de ser delicioso e saudável, fica pronto em segundos, podendo ser preparado a qualquer momento do dia (é um dos meus lanches preferidos). Nunca foi tão gostoso ser saudável!

Shake de banana e alfarroba

Gosto de comprar vários quilos de banana, deixar amadurecer bem, cortar tudo em rodelas e congelar em saquinhos. Assim nunca sou pega desprevenida quando bate a vontade de tomar esse shake (e, acredite, isso acontece quase todos os dias). É importante congelar bananas bem maduras, já que congelado qualquer alimento parece menos doce pras nossas papilas. Eu nunca adoço minhas vitaminas pois acho totalmente desnecessário, mas se você congelar bananas ligeiramente maduras (e não extremamente maduras) o sabor e a doçura serão menos intensos. Não tenha medo de deixar a casca da banana começar a ficar preta antes de congelá-las. Aliás essa é uma ótima maneira de salvar aquelas bananas que estão meio “passadas”. Sempre compre sementes de linhaça inteiras e moa em casa (no liquidificador). Linhaça se oxida muito rápido depois de moída e precisa ser guardada no congelador, em um recipiente fechado. Sugiro aqui que você use 2cc de alfarroba e 1cc de cacau pra bebida ficar menos “estranha” pros novatos em matéria de alfarroba. Se você já conhece e gosta de alfarroba, ou prefere saborear ela sozinha, deixe o cacau de lado. Se, ao contrário, você detesta alfarroba (espero que você tenha provado dez vezes antes de chegar à essa conclusão), ou não encontrar esse produto na sua cidade, use somente o cacau (2cc são suficientes). A bebida será tão saudável e deliciosa quanto.

 

1x (bem cheia) de banana congelada em rodelas (1 banana grande)

1x de leite de amêndoas gelado (receita aqui)

1cc de linhaça moída

2cc de alfarroba em pó

1cc de cacau em pó

 

Bata tudo no liquidificador até ficar cremoso. A conscistência será muito parecida com a de um milk shake feito com sorvete.  Sirva imediatamente. Rende 1 porção.

 

 

Procurando o leite perfeito

Leite de amêndoas

No post anterior mencionei o fato de ter substituído o leite de soja por leite de amêndoas. Verdade seja dita: nunca fui fã de leite de soja. Assim que parei de tomar leite de vaca, meu primeiro impulso foi comprar uma caixa de leite de soja, mas achei o negócio intragável. No entanto tomei a caixa todinha, pois minha consciência pesa quando desperdiço comida. A cada gole eu pensava “Minha nossa senhora protetora dos veganos, será que não existe um leite melhorzinho que não venha da pobre Mimosa?” Felizmente as opções de leites vegetais são muitas. Resolvi então testar o leite de aveia. Meu amor por esse cereal já foi confessado aqui, então as chances de gostar do leite eram bem maiores. Meu encontro com o leite de aveia foi mais feliz, mas eu ainda achava que devia existir uma alternativa mais gostosa ao leite de vaca. Continuar lendo “Procurando o leite perfeito”

O que faz um bom chocolate

Tenho uma relação estranha com chocolate. Eu não gosto de comê-lo puro mas gosto de preparações com chocolate. Chocolate quente, por exemplo. Eu provei vários chocolates quentes na minha vida. A maioria não passava de leite com achocolatado totalmente sem graça. Na Espanha o chocolate quente é  bem espesso (tomado tradicionalmente com churros) e tem quase uma conscistência de pudim. Continuar lendo “O que faz um bom chocolate”