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Primeiro os anúncios.

Sábado, dia 28 de fevereiro, terei o prazer de fazer uma demonstração de culinária durante o curso de nutrição “Emagreça sem dúvida” com o dr Eric Slywitch (médico, especialista em Nutrologia), em Recife. Serão 8 horas de curso e além de ter acesso a conhecimentos valiosos (Como funciona a ganha e perda de peso? Como nossa saciedade é controlada?) você ainda se delicia um almoço e um lanche vegano. E ainda tem a minha demonstração culinária com direito a degustação. Se você estiver em Recife não perca essa oportunidade única! E no dia anterior tem uma palestra gratuita com o dr Eric.

Sou uma grande admiradora do trabalho dele e quase tudo que sei sobre nutrição aprendi com os artigos que ele escreve em seu site e com o seu livro ‘Alimentação sem carne’. Então vocês podem imaginar a minha felicidade em poder ver uma palestra e participar de um curso com ele. E a honra que senti quando ele me convidou pra fazer uma demonstração culinária durante o curso!

Também gostaria de fazer um convite pro pessoal de Natal. Domingo, dia primeiro de março, vai ter um piquenique Papacapim no Parque das Dunas, a partir das 15h. Minha estada em terras tupiniquins está chegando ao final e queria aproveitar o meu último domingo aqui pra rever velhos amigos e fazer novas amizades. Estão todos convidados. A coisa vai funcionar assim. Cada um leva um prato VEGANO (porque eu quero provar tudo:), doce ou salgado, na quantidade que quiser e compartilhamos tudo. Melhor levar algo fácil de ser degustado e que não necessite prato/garfo/faca. Estarei na área de piquenique do Parque (onde ficam as mesas de madeira) esperando por vocês. Vai ser lindo.

E agora uma receita que há anos tenho vontade de dividir com vocês.

Contei aqui que o meu leite vegetal preferido é o de amêndoas e ainda não achei nenhum mais perfeito. Comecei a fazer e consumir leite de amêndoas regularmente quando fui morar na Palestina, já que amendoeiras abundam por lá e eu podia comprar diretamente dos agricultores, por um preço bom. Mas esse não é o leite que consumo diariamente quando estou no Brasil, visitando a família. Aqui em Natal (e imagino que isso seja verdade no resto do país) amêndoas são um produto de luxo. Antigamente quando eu estava nos trópicos costumava comprar leite de soja, o que é a opção mais popular entre os veganos e os intolerantes à lactose daqui. Mas nunca gostei do sabor desse leite, muito menos da ‘transgenicalidade’ da soja. Então um dia decidi fazer leite de coco em casa e usar em tudo. E a minha vida nunca mais foi a mesma.

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Eu já fazia leite de coco pra usar em cuscuz e em receitas como meu ensopado marinho. E ao me dar conta que leite de coco caseiro é muito mais suave e delicado do que a versão industrializada, vendida em caixinhas e vidrinhos, pensei que talvez ficasse bom como substituto do leite animal em papas e vitaminas. No início a minha família estranhava e levantada as sobrancelhas sempre que me via derramar o líquido branco sobre flocos de aveia ou mixá-lo com frutas. Eles achavam que ficava tudo com o gosto forte do leite de coco industrializado. Mas garanto que o sabor é muito discreto e na maior parte do tempo passa totalmente desapercebido. Já dei o leite puro e em vitaminas pros céticos provarem e todos concordaram que no primeiro caso o sabor é muito suave e que no segundo nem dá pra adivinhar que tem coco ali.

E ainda tive uma agradável surpresa. Sempre preferi o meu café preto, mas na última vez que estive em Recife Bárbara, minha anfitriã, fez leite de coco e deixou em cima da mesa durante o café da manhã. Fiquei curiosa pra descobrir que gosto ele teria no meu café e o resultado foi tão maravilhoso que achei que tinha tido a ideia do ano! Até que Bárbara fez a mesma coisa e me disse que aquilo se chamava ‘café havaiano’. Depois outras pessoas de Recife me disseram que sempre colocavam leite de coco no café. Me dei conta que a ideia brilhante que eu achava que era minha pipocou na cabeça de muitos, mas não me deixei desmoralizar com isso. Desde então coloco regularmente leite de coco no meu café e alguns membros da família começaram a me imitar.

Já estou ouvindo várias pessoas dizerem: “Mas coco tem gordura demais!” Essa tarde eu estava bebendo o meu café com leite de coco quando escutei: “Isso deve dar um desarranjo na barriga.”  Então explicações pros lipofóbicos e pra quem cresceu acreditando que coco deve ser evitado porque é muito gordo se fazem necessárias.

Além de ter minerais e vitaminas, o coco é rico em antioxidantes, que ajudam o nosso organismo a combater radicais livres e possui ácido láurico, um ácido graxo com propriedades anti-inflamatórias e que protege a flora intestinal. E além de lutar contra infecções o coco, pasmem, auxilia na digestão (!!!!!). Agora a parte que mais gosto de anunciar ao pessoal que acha que tomar leite de coco não é uma boa ideia porque tem muita gordura: apesar de ser rico em gorduras saturadas, a gordura do leite de coco se transforma rapidamente em energia e não é armazenada pelo corpo. Essa gordura é termogênica, o que significa que ela eleva a temperatura do corpo e precisa de mais energia pra ser digerida, aumentando a queima de calorias. E como se isso não fosse lindo o suficiente, a gordura do coco promove a sensação de saciedade e diminui a vontade de comer carboidratos (lembre que açúcar é um carboidrato). Ou seja, o coco é um aliado da boa forma. Está na hora de acabar com esse injustiça com o pobre do coco. Ele é um alimento muito saudável.

Eu dou prioridade a ingredientes locais na minha alimentação e ter ingredientes diferentes, de acordo com o lugar onde estou, me inspira e faz com que minhas receitas sejam ainda mais variadas. Se o leite de amêndoas fazia muito sentido na Palestina, aqui no Brasil, ou pelo menos aqui no Nordeste, acho que podemos dizer a mesma coisa do leite de coco. É um fruto barato, fácil de encontrar, que trás inúmeros benefícios pra saúde e que combina maravilhosamente bem com nossas frutas e comidas típicas.

Até agora adorei usar leite de coco no café, na aveia dormida (foi um sucesso durante o retiro gastronômico em Pernambuco), papa de aveia, vitaminas de frutas (com banana-com ou sem cacau- e acerola fica uma delícia!) e sorvetes de frutas (como esse). Mas o céu é o limite e tenho certeza que ainda vou descobrir muitas maneiras de utilizar esse leite, que hoje eu gosto tanto quanto o de amêndoas.

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Leite de coco (fresco, saudável, delicioso e que pode ser usado em tudo, inclusive no café)

Quanto mais fresco o leite, mais suave o sabor. Depois de alguns dias na geladeira o sabor do coco fica um pouco mais forte. Ele ainda será discretíssimo nas vitaminas de frutas, mas o sabor de coco será mais marcante em papas de aveia, aveia dormida e no café. Nada muito problemático, mas prefiro avisar. Um coco médio rende aproximadamente 1 litro de leite. Se seu coco for muito grande ou muito pequeno aumente ou diminua a quantidade de água proporcionalmente. Se você não sabe como abrir e retirar a polpa de coco seco, esse vídeo explica direitinho.

1 coco maduro (também chamado de coco seco) médio

1 litro de água

Abra o coco e retire a polpa. Você pode retirar a polpa com a ponta de uma faca. Tudo bem se na polpa estiver colado na parte escura e mais dura que fica entre a polpa branquinha e a casca. O leite será coado, então tudo bem. Se você tiver a sorte de encontrar coco fresco ralado na feira, fazer leite será ainda mais fácil (peça uma quantidade equivalente a um coco, pra saber quanto de água utilizar).

Aqueça meio litro de água até ficar quente, mas não muito (você ainda deve ser capaz de colocar o dedo na água sem se queimar). O calor ajuda a extrair o máximo de leite da polpa, mas evite usar água muito quente por duas razões: 1- pra não prejudicar o copo do seu liquidificador, se ele for de plástico. 2-Pra manter o leite cru e preservar o sabor fresquinho e todas as propriedades nutricionais.

Coloque a polpa do coco, em pedaços ou ralada, no liquidificador e despeje a água quente por cima. Bata (tampe bem) durante 30 segundos. Use uma peneira fina, de preferência de metal, pra coar o leite, espremendo bem com as costas de uma colher. Coloque a polpa de coco de volta no liquidificador, aqueça mais meio litro de água e repita o processo. Assim, com duas extrações, você obtém um leite mais encorpado e saboroso.

Depois coar a polpa pela segunda vez coloque-a em um pano fininho, faça uma trouxinha e esprema bem com as mãos. Esse passo é opcional, mas assim você extrai até a última gota de leite e não desperdiça nada. Descarte a polpa que sobrar ou use pra aumentar a quantidade de fibras em bolos e biscoitos (nunca tentei, mas sei que tem quem faça isso).

Transfira o leite pra uma garrafa de vidro ou outro recipiente limpo e com tampa e conserve na geladeira. Rende um pouco mais de 1 litro e se conserva entre 3-4 dias na geladeira.

 

No meio de uma semana intensa (compromissos com a saúde, preparação de uma palestra e oficinas, mais a angústia de ter começado a contagem regressiva pra deixar o país), passei por aqui pra dividir a r.eceita do meu novo smoothie preferido.

Quando estou no Brasil adoro usar a polpa de cocos verdes (que aqui chamamos de ‘lama’) em smoothies e vitaminas. Também gosto de misturar a lama e a água de um coco verde com uma colher de chia e me deliciar com esse ‘pudim’, como mostra a foto abaixo.

pudim chia coco

Mas voltemos ao smoothie. Adicionar polpa de coco verde a esse tipo de bebidas foi uma das melhores ideias que já tive (tenho certeza que outras pessoas tiveram a mesma ideia, mas vou fingir que pensei nisso primeiro). Além de deixar a bebida mais cremosa, você estará desfrutando de todos os nutrientes da polpa de coco, como minerais, vitaminas e gorduras boas. O sabor é suave e quem já provou um coco verde sabe que ele não tem aquele sabor forte do coco maduro, que algumas pessoas por aqui não aprovam. Então mesmo se coco não é a sua praia, a polpa do coco verde não vai te incomodar nesse smoothie.

Como eu adoro coco, verde e maduro, também uso um pouco de leite de coco, que faço em casa, pra acentuar o sabor tropical desse smoothie. Você pode substituí-lo por água de coco, se quiser um sabor mais suave. Se decidir usar a lama de coco verde saiba que o gelo é essencial pra deixar a bebida mais cremosa e homogênea. Explico. Quando trituro a lama com os outros ingredientes dessa receita ela fica bem picadinha, mas nunca se desfaz completamente. O gelo, ao ser batido no liquidificador, se desfaz em milhares de micro partículas sólidas que terminam de triturar a polpa de coco e transformam a bebida em uma emulsão ultra cremosa.

Gosto de aumentar ainda mais os nutrientes desse smoothie juntando uma colher de sopa de chia, que misturo no copo, mesmo. Como a qualidade da minha alimentação sempre cai durante as férias, ando colocando chia em tudo que passa pela minha frente. Meu cérebro, que não sai de férias, está precisando do ômega-3 que elas oferecem.

E antes de dividir a receita com vocês, um convite. Sexta-feira, dia 9 de agosto, estarei em Recife (novamente) pra fazer uma palestra sobre violações de direitos humanos e resistência popular na Palestina. Vai ser na livraria Cultura do Shopping Rio Mar, às 19h30 e a entrada é gratuita.

smoothie tropical

Smoothie tropical

É importante retirar o talo do abacaxi, pois ele é mais fibroso e deixa a bebida com uma textura menos agradável. Mas nada de jogá-lo fora! Eu como o meu enquanto preparo o smoothie. Substituia o leite de coco por água de coco, se quiser um sabor de coco mais discreto. Na foto acima ainda não tinha misturado a chia com o smoothie, mas claro que mexi bem antes de degustar.

1 laranja

1x (bem cheia) de abacaxi picado, sem o talo

1 banana

1/2x de leite de coco (melhor se for feito em casa)

Polpa (lama) de dois cocos verdes

5 cubos de gelo

Corte a laranja em quatro, retire a casca e as sementes. Coloque no liquidificador com o abacaxi, a banana, o leite (ou água) de coco e a polpa de coco verde. Bata bem até ficar cremoso. Junte o gelo e bata mais alguns instantes, até ele se desfazer completamente. Sirva imediatamente, com ou sem chia. Rende 750ml (duas porções pequenas ou uma gigante).

 

chá de canela com nozes

Na minha vida anterior, quando eu estudava linguística em Paris, tive a sorte de frequentar uma universidade com uma das melhores bibliotecas universitárias da Europa. O que tornava essa biblioteca realmente especial pra mim não era o tamanho, mas o fato dela ter uma seção inteira com literatura brasileira e portuguesa em Português. A universidade tinha curso de Português e a ideia era que esses universitários pudessem explorar a literatura lusófona na língua de Camões. Mas acho que quem mais aproveitava era eu, que fazia um curso totalmente diferente, mas que vinha matar a saudade da minha língua e dos meus autores preferidos regularmente. Sempre que a distância da minha terra parecia insuportável, eu me refugiava nessa ala da biblioteca. Eu tinha a impressão que se o autor viesse do Nordeste, o livro matava ainda mais a saudade. Foi durante essa minha fase de obsessão com o Sertão que li, pela primeira vez, ‘Memorial de Maria Moura’, de Rachel de Queiroz.

Alpendres, redes e açudes eram tudo o que eu precisava naquele momento, mas aventuras, botijas, romances contrariados e uma heroína cangaceira deixou tudo ainda mais interessante. Uma passagem do livro ficou marcada pra sempre na minha memória. O livro é maravilhoso, não há dúvidas, mas vejam só, eu já tinha o micróbio da culinária dentro de mim naquela época e fiquei impressionada foi quando Marialva encontrou Valentim pela primeira vez e serviu, no seu alpendre, chá de canela pra ele. Chá de canela! Meus pais são sertanejos, eu fui inúmeras vezes pro interior do RN, onde boa parte da minha família materna ainda mora, mas nunca, nunca tinha ouvido falar de chá de canela. Eu adoro canela, ela é provavelmente a minha especiaria preferida, então fiquei um pouco ressentida. Por que nunca me ofereceram chá de canela nas minhas andanças pelos alpendres?  Será que já não se bebe mais chá de canela no sertão, só café e cachaça?

Curiosamente, não me atrevi a tentar o chá em casa. Primeiro porque eu não tinha ideia de como fazer isso (hoje acho óbvio, mas nunca tinha pensado em ferver os paus de canela) e segundo porque aquele chá ficou associado na minha mente ao Sertão e beber ele em casa me parecia totalmente fora de contexto.

Muitos anos depois eu fui visitar meus amigos Tareq e Sara no campo de Al Arroub, logo depois do nascimento de Watan, o primeiro filho deles. A mãe de Sara estava lá pra ajuda-la com o bebe e adivinha o que ela serviu pra gente? Chá de canela! Imagino que a canela sendo uma especiaria muito popular, vários povos do mundo fazem chá com ela, mas foi surreal provar a bebida que eu tinha associado ao Sertão em um campo de refugiados na Palestina. A vida tem dessas coisas.

A mãe de Sara serve o chá com pedacinhos de nozes, o que aumenta ainda mais o prazer de toma-lo. As nozes absorvem a doçura e o perfume da canela e ficam irresistíveis. E é muito agradável intercalar os goles de chá com a mastigação de uma ou outra noz. Você pode fazer o chá sem as nozes, mas a presença delas aqui deixa a bebida mais especial.

Ainda não consegui degustar um chá de canela numa rede armada em um alpendre do Sertão, olhando um açude e um serrote, como nas minhas fantasias queirozianas, mas não perdi as esperanças. Enquanto isso vou bebendo meu  chazinho em casa, mesmo.

canela

Chá de canela com nozes

A qualidade da canela faz toda a diferença aqui. A primeira vez que fiz esse chá usei uma canela ruim e mesmo depois do uma noite de molho e de ter deixado ferver por quase uma hora, a bebida continuava insípida. Na segunda vez, meros 4 minutos de fervura (depois da noite de molho) foram suficientes pra fazer um chá bem forte. Se sua canela em pau não exalar um aroma relativamente forte, ela provavelmente está velha demais e não serve pra fazer esse chá. Canela é ótima pra esquentar o corpo (esse chá é perfeito no inverno) e como ela tem propriedades antibacterianas, expectorantes e anti-inflamatórias, esse chá dá uma forcinha ao seu corpo durante gripes e resfriados.

30g de canela em pau de ótima qualidade

Nozes

Cubra a canela com 2x de água e deixe de molho durante uma noite. No dia seguinte transfira tudo pra uma panela pequena e acrescente mais 1x de água. Deixe ferver alguns minutos, coberto. Prove o líquido regularmente e quando estiver forte o suficiente pro seu gosto, desligue o fogo (aqui em casa fervi a canela durante 4 minutos, mas esse tempo varia de acordo com a qualidade da sua canela). Como essa bebida tem um sabor intenso, é melhor servi-la em copinhos pequenos, como se faz aqui na Palestina. Polvilhe cada copo com as nozes picadas grosseiramente (uso 1cc por copo). Não precisa adoçar, pois a canela já é doce o suficiente. Rende 6 porções pequenas.