Eu achei que deveria

Pudim de aveia, banana e chocolate

Faz mais de dois meses que não publiquei nenhuma receita de sobremesa e se você é novo por aqui deve estar achando que doces não fazem parte da minha dieta. Leitor(a), você achou certo: as sobremesas tradicionais não me seduzem e eu não como açúcar (estou me referindo ao pó branco) nunca, nem amarrada, nem pra ganhar dinheiro. Mas não se engane, eu gosto de degustar uma coisinha doce aqui e acolá. No entanto, entre junho e setembro (o verão aqui) a feira fica carregada de uvas deliciosas, mangas suculentas, pêssegos e figos perfumados e tantas outras frutas saborosas que esqueço completamente dos bolos, pudins, sorvetes e afins. E vou confessar uma coisa. Quando eu mordo um pêssego maduro (que amadureceu no pé) e aquele sabor inebriante invade minha boca e narinas penso: “Nenhuma sobremesa é nem nunca será tão perfeita” e aí perco a vontade de criar receitas doces. Juro. Podem me chamar de xiita.

Mas agora que começou a anoitecer mais cedo, que o vento está cada dia mais fresco e que as frutas de verão estão desaparecendo, me peguei com vontade de comer algo doce que não fosse uma simples fruta. Em uma noite em que o jantar foi leve demais, desejei algo doce, mas consistente o suficiente pra preencher o vazio no estômago. Na improvisação nasceu esse pudim, que nada mais é do que uma papa de aveia com chocolate e banana (inspirada na minha papa preferida). Eu fico até sem jeito de publicar uma receita tão boba aqui, mas ficou tão bom que achei que deveria. Não é nenhuma sobremesa especial que eu serviria aos convidados, mas esse pudim é facílimo de fazer, rápido e mata a fome e a vontade de comer doce ao mesmo tempo. Não é decadente como uma torta de chocolate, mas quebra o galho naquelas horas em que você quer algo gostoso e que fique pronto em menos de 5 minutos. E ainda vem com um super bônus: é uma sobremesa que alimenta (com muitas fibras, ferro e potássio). Eu comi o meu diretamente da panela, com a colher de pau, mesmo. Aconselho você a fazer igual.

 

Pudim de aveia, banana e chocolate

É importante usar leite de coco, pois ele deixa a aveia mais cremosa e combina muito bem com a banana. Testei com leite de amêndoas e o resultado não ficou bom. Eu usei um leite de coco orgânico que trouxe da Europa, sem conservantes e bem líquido, bastante parecido com leite de coco fresco. Claro que o ideal seria usar leite de coco fresco, que é naturalmente adocicado, tem um sabor delicado e não tem conservantes, mas se tudo o que você tiver for leite de coco de caixinha, não tem problema. Nesse caso é importante misturar com um pouco de água por três motivos. Primeiro pro sabor ficar mais suave (o gosto do coco tem que ser discretíssimo). Segundo pra atingir uma conscistência mais fluida (leite de coco industrializado é bem mais espesso que o natural e o pudim ficaria grosso demais). Terceiro pra diminuir o teor de gordura da receita e fazer uma sobremesa mais leve e digesta.

3cs de aveia em flocos finos

1/2x de leite de coco de ótima qualidade

1/2x de água

(pode substituir os dois ingredientes acima por 1x de leite de coco fresco, bem líquido)

1 pitada de sal

1 banana

2cs de chocolate meio amargo picado

1/2cc de extrato de baunilha (opcional)

açúcar, se achar necessário

Cozinhe a aveia com o leite de coco e a pitada de sal, em fogo baixo, até engrossar. Adoce a mistura, se achar necessário. Junte o chocolate picado, a banana em pedacinhos e a baunilha (se estiver usando). Misture tudo e sirva quente. Rende 2 porções. (Reparem que nas fotos acima intercalei camadas de papa, banana e chocolate, mas foi por razões estéticas. Na hora de comer misturei tudinho.)

Intenso, cremoso, delicioso…e saudável!?

Gelato de chocolate

Aqui no blog eu prefiro publicar receitas simples, que usam ingredientes facilmente encontrados, por isso hesitei bastante antes de dividir a receita de hoje.  Mas esse gelato criado acidentalmente é tão gostoso que seria um crime guardá-lo só pra mim.

Uma noite eu queria uma sobremesa gelada. Decidi pegar meu liquidificador e ir misturando um pouco disso, um pouco daquilo… Coloquei tudo no congelador e esperei a mistura congelar parcialmente. Eu tinha feito uma porção bem pequena e meia hora depois minha sobremesa estava pronta. Provei e pensei: “Tem potencial”. Então fui adaptando a receita, juntando outros ingredientes e, três tentativas depois (tenho que agradecer minhas cobaias pelas dicas), nasceu um gelato de chocolate vegano que deixaria minha nona italiana orgulhosa, caso eu tivesse uma. A textura é perfeita: densa e ultra cremosa, como todo bom gelato. O curioso é que embora tenha uma quantidade significativa de banana, o que predomina é um sabor de chocolate ao leite, que lembra um certo picolé famoso que eu adorava quando criança (ainda existe “chica bon”?).

Sempre adorei sorvete mas no dia que provei gelato descobri que existia algo ainda melhor.  Se você não sabe qual a diferença entre os dois aqui vai uma explicação rápida. Sorvete tem mais gordura e, durante o processo de congelação, recebe quase o dobro de ar do que gelato. Resultado: o sabor do gelato é mais intenso, já que não tem uma quantidade excessiva de gordura pra “cobrir” o sabor dos outros ingredientes, e a textura é mais densa, já que tem menos ar. Outra diferença entre os dois é que sorvete é servido congelado, enquanto que gelato é servido em uma temperatura ligeiramente mais alta, logo é mais macio (e dificil de ser degustado sem se lambuzar).

Depois de triturado pra quebrar os cristais de gelo, pronto pra voltar pro congelador.

Eu ganhei uma máquina de fazer sorvete da madrinha de Anne no natal, mas quis experimentar fazer gelato sem máquina pois sei que pouca gente possui esse equipamento. A máquina congela a mistura mexendo o tempo todo, o que quebra os cristais de gelo e deixa o gelato/sorvete cremoso. Mas é possível atingir um resultado parecido sem máquina. É importante usar uma boa dose de gordura já que além de dar cremosidade, gordura não congela (na receita uso castanhas de caju). Um pouco de álcool é bem vindo, pois álcool também não congela, contribuindo pra diminuir a cristalização da mistura. Porém o mais importante é quebrar os cristais de gelo que se formam enquanto o gelato congela. Parte do problema foi resolvido usando banana congelada, que além transformar imediatamente a conscistência, deixando-a parecida com “sorvete mole”, funciona como emulsificante, encorpando a mistura. Tudo isso com um grande bonus: o açúcar da fruta que adoça o gelato de maneira natural. Depois é só passar o gelato pronto no liquidificador, pra quebrar os cristais de gelo que possam ter se formado.

Como eu disse mais acima, gelato não é servido totalmente congelado, mas é difícil  controlar a temperatura dentro de um congelador doméstico. Por isso recomendo não colocar o gelato diretamente sobre o gelo (coloque-o sobre a grelha do congelador, se o seu tiver uma, ou sobre outro recipiente pra impedir o contato direto com o gelo) e servir assim que atingir a conscistência ideal: quase congelado mas ainda cremoso. Se sobrar gelato pra ser servido mais tarde, lembre de tirá-lo do congelador alguns minutos antes de degustá-lo.

Quanto ao ingrediente difícil de encontrar, eu estava falando das quatro tâmarazinhas que entram na receita. Tâmara é um concentrado de açúcar natural (e de nutrientes), perfeito pra adoçar sobremesas, e tem um sabor que lembra caramelo (por isso o apelido de “caramelo da natureza”). Aqui onde moro tem tâmaras por toda a parte, mas sei que no Brasil além de ser mais difícil de encontrar, elas custam uma fortuna. Nunca testei a receita sem as tâmaras, mas acredito que xarope de agave funcione como substituto. Claro que as tâmaras não são usadas só pra adoçar, elas acrescentam um suave sabor camarelizado que adoro, mas tenho certeza que o gelato ainda será delicioso sem elas. Se quiser um sabor de chocolate mais intenso, simplesmente elimine as tâmaras que o doce da banana é sufuciente pra adoçar o gelato.

Eu não sou de me entusiasmar facilmente com sobremesas, mas confesso que essa daqui merece palmas: absolutamente deliciosa e totalmente natural. Quando foi a última vez que você se deparou com uma sobremesa que faz salivar e ao mesmo tempo é saudável, sem colesterol, sem nenhum produto de origem animal, sem açúcar, cheia de vitaminas, minerais e fibras? Eu não gosto de dar ordens, mas às vezes é necessário: levante-se dessa cadeira agora e vá pra cozinha fazer esse gelato. Depois não precisa mandar flores pra me agradecer (não é ecológico e Anne é alérgica a polen) mas outros presentes são bem vindos.

 

Gelato vegano de chocolate

As melhores tâmaras são macias e suculentas. Se suas tâmaras estiverem meio secas e duras, deixe-as de molho em água morna por 1 hora. Se for substituir as tâmaras por xarope de agave, acredito que 4cs sejam suficientes. Use o melhor cacau que encontrar, puro e sem açúcar. Vai fazer uma grande diferença no sabor final. O único imperativo pra fazer essa receita é ter um liquidificador potente. Se seu liquidificador não tritura bem e deixa pedaços de fruta inteiros mesmo nas vitaminas, esqueça essa receita ou compre um liquidificador digno desse nome. Não quero fazer propaganda aqui, mas minha cunhada jura que os daquela marca que começa com “ar” e termina com “no” são os melhores de todos.

 3/4x de castanha de caju (crua*), de molho por 8 horas

1 1/2x de água

4x de banana congelada em rodelas

4 tâmaras

2cs 3cs de cacau em pó de ótima qualidade**

2cc extrato natural de baunilha

2cs de rum

Escorra as castanhas e triture no liquidificador com a água até elas se dissolverem completamente. Dependendo da potência do seu liquidificador vai levar de 30 segundos a alguns minutos então seja paciente. Esfregue um pouco do líquido entre os dedos: quando não sentir mais grânulos está pronto. Reserve (deixe o leite dentro do liquidificador). Remova os caroços das tâmaras e pique-as grosseiramente. Despeje as tâmaras picadas e o resto dos ingredientes no liquidificador (junto com o leite de castanhas) e triture até ficar homogêneo. Você vai precisar desligar o liquidificador algumas vezes e mexer tudo com uma espátula, empurrando o gelato na direção das hélices. A mistura deve ficar com aparência de sorvete mole e não deve ter nenhum pedacinho de banana inteiro. Transfira o gelato pra um recipiente de plástico com tampa e coloque no congelador. Quando estiver quase completamente congelado, despeje pedaços do gelato no liquidificador e triture novamente, pra quebrar os cristais de gelo. Mais uma vez você precisará desligar o motor algumas vezes e empurrar a mistura com uma espátula na direção das hélices. Despeje o gelato no recipiente de plástico e coloque de volta no congelador até ficar firme o suficiente pra servir. Esse gelato é super cremoso se servido poucas horas depois de ter sido preparado, mas pode ser conservado no congelador durante alguns dias (deixe alguns minutos em temperatura ambiente antes de servir). Esqueci de medir, mas acho que rende aproximadamente 1l.

*Teoricamente castanhas de caju nunca são cruas, já que é preciso assá-las pra extraí-las da casca, mas me refiro aqui à castanhas que não foram torradas, aquelas branquinhas e sem sal.

**Quando postei a receita tinha preparado o gelato com um cacau que comprei na França e que era super ultra concentrado. Fiz a receita novamente usando um cacau normal (comprado aqui em Belém) e o resultado foi bem menos intenso. Acho que 3cs é a quantidade certa se você estiver usando um cacau comum.

Smoothies

Smoothie de banana e morango

Algumas semanas atrás vi os primeiros morangos do ano na feira. Cansada das frutas de inverno (o que aqui significa maçã, pera e nada mais) e feliz em poder enfim começar a degustar as suculentas frutas da primavera/verão, tratei logo de comprar um quilo. O morango custou caro, mas como é uma das minhas frutas preferidas voltei pra casa toda saltitante. Minha alegria desapareceu quando coloquei o primeiro morango na boca: a fruta era quase insípida e ainda não estava madura. Bem feito pra mim, que esqueço de vez em quando que comprar fruta fora de época não vale a pena: não tem gosto, custa caro e não é nem um pouco ecológico (esses morangos, por exemplo, vinham de uma estufa aquecida a custo de muita energia pra fazer as frutinhas crescerem em pleno inverno).

Quando despejei os morangos na pia pra serem lavados descobri que, além sem muito gosto, uma boa parte estava machucada. Então fiz o que sempre faço quando tenho frutas (principalmente morangos e bananas) ameaçando  se estragar na cozinha: congelei tudo. Adoro usar frutas congeladas pra fazer smoothies e compro bananas especialmente pra isso. Smoothies são bebidas que misturam frutas com algum tipo de líquido, normalmente suco de fruta fresca, leite ou iogurte. Quando descobri o tal do smoothie na França (a moda, de origem americana, tinha passado pela Inglaterra antes de chegar lá), a bebida nada mais era do que frutas inteiras mixadas com suco de frutas. Hoje a coisa se expandiu bastante e começaram a usar leites (vegetais ou não) e iogurtes (idem). Mas é importante lembrar que smoothies são bebidas naturais e saudáveis, não milk shakes, por isso sorvete NÃO faz parte de lista de ingredientes.

Embora eu goste de fazer smoothies com leite de amêndoas (o que pra mim não passa da nossa velha vitamina de frutas), o que acho realmente original, e genial pra nós veganos, é fazer as bebidas com suco de frutas frescas. Por que não pensei nisso antes? Vitaminas de frutas são uma verdadeira tradição na nossa cultura e cresci tomando vitamina de banana no mínimo três vezes por semana. Sei que muita gente (incluindo eu mesma) não gosta de leite de soja, leite de amêndoas não é uma opção pra todo mundo (amêndoas custa caro no Brasil) e outros leites vegetais (arroz, aveia…) não estão disponíveis em todos os lugares, então como fazer vitaminas veganas? A solução é usar sucos frescos no lugar do leite de vaca. Pode parecer estranho pra quem nunca provou um smoothie à base de suco, mas garanto que basta um gole pra mudar de idéia. A menos que você tenha uma contrífuga e possa fazer suco de maçã natural (sem água e sem açúcar), o mais prático é usar suco de laranja como base. Depois é só acrescentar as frutas de sua preferência, passar tudo no liquidificador e se deliciar.

Minha fórmula clássica é suco de laranja + duas frutas. Gosto de usar pelo menos uma parte das frutas congeladas, pro smoothie ficar bem geladinho, e juntar um pouco de semente de linhaça, pra ficar mais nutritivo. As vezes misturo duas frutas congeladas e um pouco de leite de amêndoas gelado e crio um smoothie/sorvete que degusto de colherinha. Sirvo esse tipo de smoothie depois do jantar, quando quero uma sobremesa leve e saudável. Aqui vão duas das minhas combinações preferidas pra servir de inspiração, mas sinta-se livre pra misturar as frutas que mais gostar e criar misturas únicas.

 

Smoothie de banana e morango com leite de amêndoas

O leite de amêndoas é absolutamente delicioso misturado com morangos, mas substitua por outro leite vegetal se preferir.

1 ½ x de leite de amêndoas (receita aqui)

1x de banana em rodelas (aproximadamente 1 banana grande), congelada ou não

2x de morangos picados congelados

2cc de linhaça (opcional)

 Bata todos os ingredientes no liquidificador e sirva imediatamente. Se quiser quiser uma textura parecida com sorvete (como na primeira foto) a banana também deve estar congelada. Rende 2 porções.

 

Smoothie de banana e morango com suco de laranja

Usar suco de laranja como base produz um sabor mais vibrante e ligeiramente mais doce, graças ao açúcar natural da laranja.

1 ½ x de suco de laranja fresco (suco de três laranjas)

1x de banana em rodelas (aproximadamente 1 banana grande), congelada ou fresca

2x de morangos picados congelados

2cc de linhaça (opcional)

 Bata todos os ingredientes no liquidificador e sirva imediatamente. Assim como na versão anterior, bananas congeladas produzem um smoothie parecido com sorvete (perfeito como sobremesa), enquanto que bananas frescas produzem um smoothie mais líquido (ótimo no café da manhã ou no lanche). Rende 750ml (duas porções).

O que fazer com alfarroba

Shake de banana e alfarroba

 

Logo que me mudei pra cá, tive o prazer de trabalhar durante seis meses, e morar durante algumas semanas, com uma americana chamada Janelle. Nós simpatizamos no minuto em que fomos apresentadas e somos amigas até hoje, apesar dos milhares de quilômetros que nos separam (ela mora em Seattle, EUA). O pai de Janelle é médico e ela estudou saúde pública, então seu conhecimento em matéria de nutrição é admirável. Passamos muitas horas explorando a feira de Jerusalém e a lojinha de produtos orgânicos que fica do lado. Graças à Janelle descobri que cevada não serve só pra fazer bebida, que aveia em flocos grossos é mais gostosa, e segundo ela mais nutritiva, que aveia em flocos finos e que é importante comer um punhado de oleaginosas todos os dias (conselho do seu pai). Ela é vegetariana mas vivia dizendo que se eu cozinhasse pra ela todos os dias ela se tornaria vegana sem hesitar. Um dia, pra agradecer todos os pratos que eu preparei durante as semanas que ela ficou hospedada na minha casa, ela me convidou pra lanchar na casa dela. Nesse dia ela preparou, entre outras coisas, alfarroba quente, um tipo de “chocolate” quente feito com leite de soja e alfarroba em pó no lugar do cacau. Eu não conhecia alfarroba e no início achei a bebida estranha, mas depois de alguns goles comecei a apreciar aquele sabor tão particular.

Antes de voltar pros EUA Janelle me presenteou com o pacote que alfarroba que ela tinha comprado na loja de produtos orgânicos e que ainda estava quase cheio. Adorei o presente mas confesso que ele ficou juntando poeira em uma prateira da minha cozinha durante… anos. Sim, anos. De todos os produtos que descobri com essa amiga, alfarroba foi o mais exótico e o que menos gostei. De dois em dois meses eu abria o potinho onde tinha guardado a alfarroba, cheirava aquele pó marrom e me perguntava o que eu ia fazer com aquilo. Muitas vezes pensei em jogá-lo fora, mas desperdiçar comida vai contra os meus princípios, ainda mais quando a comida em questão foi presente de uma pessoa querida. Alguns meses atrá, decidida a usar a alfarroba antes que ela apodrecesse (vencida já devia estar, mas como a aparêcia e o cheiro continuavam o mesmo declarei que ainda era seguro comsumí-la) preparei uma xícara de alfarroba quente. Essa segunda xícara da bebida me pareceu bem mais gostosa que a primeira então alguns dias depois preparei outra, que achei ainda melhor. Aí pensei : “E se eu colocar alfarroba na minha vitamina de banana?” E antes que eu me desse conta, dois terços do potinho de alfarroba tinha desaparecido e ela tinha entrado na (longa) lista das comidas que adoro. Dizem que é preciso provar pelo menos dez vezes um alimento novo antes de afirmar se você gosta ou não dele e parece que é verdade.

Alfarroba é usada como alternativa ao cacau pras pessoas que prefererem (ou precisam) consumir produtos não excitantes (cacau é excitante, como café, chá…). Embora a aparência seja quase idêntica, não espere o mesmo gosto do cacau. Acho importante insistir nesse ponto pois aqueles que provam alfarroba pensando que se trata de um cacau mais saudável acabam se decepcionando. O sabor é totalmente diferente, mas eu não acho que isso seja um problema, muito pelo contrário. Certo, pras pessoas que não podem comer cacau e que procuram um substituto parecido isso é bem frustante, mas pras todos os outros alfarroba é um sabor a mais a ser descoberto (e desfrutado).

Esse shake (que não passa de uma vitamina, mas que decidi chamar de “shake” pra ficar mais especial) foi minha obsessão no verão passado. Durante os longos meses de calor infernal eu só tinha vontade de beber meu super skake de leite de amêndoas, banana e linhaça, mas eu sempre o preparava com cacau. A versão com alfarroba  além de ser deliciosa, é uma ótima maneira de experimentar esse produto, já que misturado com a banana o sabor fica mais suave. O shake é perfeito no café da manhã, uma alternativa muito mais nutritiva e saborosa do que o tradicional café com pão. Além de ser delicioso e saudável, fica pronto em segundos, podendo ser preparado a qualquer momento do dia (é um dos meus lanches preferidos). Nunca foi tão gostoso ser saudável!

Shake de banana e alfarroba

Gosto de comprar vários quilos de banana, deixar amadurecer bem, cortar tudo em rodelas e congelar em saquinhos. Assim nunca sou pega desprevenida quando bate a vontade de tomar esse shake (e, acredite, isso acontece quase todos os dias). É importante congelar bananas bem maduras, já que congelado qualquer alimento parece menos doce pras nossas papilas. Eu nunca adoço minhas vitaminas pois acho totalmente desnecessário, mas se você congelar bananas ligeiramente maduras (e não extremamente maduras) o sabor e a doçura serão menos intensos. Não tenha medo de deixar a casca da banana começar a ficar preta antes de congelá-las. Aliás essa é uma ótima maneira de salvar aquelas bananas que estão meio “passadas”. Sempre compre sementes de linhaça inteiras e moa em casa (no liquidificador). Linhaça se oxida muito rápido depois de moída e precisa ser guardada no congelador, em um recipiente fechado. Sugiro aqui que você use 2cc de alfarroba e 1cc de cacau pra bebida ficar menos “estranha” pros novatos em matéria de alfarroba. Se você já conhece e gosta de alfarroba, ou prefere saborear ela sozinha, deixe o cacau de lado. Se, ao contrário, você detesta alfarroba (espero que você tenha provado dez vezes antes de chegar à essa conclusão), ou não encontrar esse produto na sua cidade, use somente o cacau (2cc são suficientes). A bebida será tão saudável e deliciosa quanto.

 

1x (bem cheia) de banana congelada em rodelas (1 banana grande)

1x de leite de amêndoas gelado (receita aqui)

1cc de linhaça moída

2cc de alfarroba em pó

1cc de cacau em pó

 

Bata tudo no liquidificador até ficar cremoso. A conscistência será muito parecida com a de um milk shake feito com sorvete.  Sirva imediatamente. Rende 1 porção.

 

 

Sobremesa sem desculpas

Pavê de banana com coco, baunilha e rum

Acho que não é mais segredo que não sou muito fã de sobremesas. Eu gosto de um pedacinho de bolo de vez em quando e com certeza aprecio um cookie ou um gelato bem feitos, mas a verdade é que raramente sinto desejo de comer doces. E como aqui em casa só tem eu e Anne, isso significa que qualquer sobremesa que eu fizer será dividida por dois e eu terei que dar conta de metade de um bolo de chocolate! Parece um sonho pra você? Pra mim não. Então geralmente só faço sobremesas quando temos convidados pra jantar. O que aconteceu sábado passado.

Como o prato principal era lasanha (receita nova que espero publicar aqui no dia que descobrir como fazer uma lasanha branca parecer atraente na foto) eu queria uma sobremesa leve. Criei esse pavê de banana com coco, baunilha e rum pra um dos jantares no meu “restaurante ocasional” ano passado. Foi um sucesso absoluto entre meus convidados europeus. Pois é, europeus. Sempre fico com receio de dividir minhas receitas de sobremesas com o pessoal do Brasil. Eu conheço suficientemente bem o repertório de sobremesas do meu país pra saber que “leve”, “pouco doce” e “sobremesa” nunca são combinados na mesma frase. Claro que não reclamamos diante de uma salada de frutas, embora boa parte dos meus compatriotas despeje uma dose generosa de leite condensado no seu prato antes de comê-la. Mas a verdade é que as sobremesas que fazem o pessoal da minha terra salivar são extremamente doces e carregadas de gordura, vinda de latinhas de leite condensado e creme de leite.

Esse pavê está bem longe das sobremesas descritas acima. Ele é leve e delicadamente perfumado com baunilha e rum. Gosto de usar biscoitos do tipo “speculoos” (os da marca “Lotus” são os melhores e são veganos), uma especialidade belga ligeiramente caramelizada e com toques de canela. Nunca vi esses biscoitos no Brasil mas você pode substituí-los por seu biscoito preferido. O importante é que ele não seja muito doce e tenha um sabor que se harmonize com os outros ingredientes. O leite de coco deixa o creme mais cremoso, mas o sabor fica bem suave no final. Pra mim uma sobremesa merece nota 10 quando os sabores são deliciosos e claramente detectados, sem uma espessa camada de açúcar encobrindo tudo, e as texturas interessantes. Esse pavê é um ótimo exemplo disso. Banana, rum, baunilha e coco vão muito bem juntos e as camadas diferentes oferecem texturas que se complementam.

Será que essa sobremesa vai fazer sucesso na sua casa? Se você for vegano, com certeza. Se leite condensado é pra suas sobremesas o que oxigênio é pros seus pulmões, talvez não. Mas comer algo leve de vez em quando (especialmente quando o assunto é sobremesa, que sempre chega quando seu estômago já está cheio) não deixa de ser uma boa idéia. E quer saber? Decidi que essa foi a última vez que dei explicações e me desculpei por uma sobremesa que criei. Existem milhões de receitas carregadas de açúcar e gordura por aí e ninguém vai ficar decepcionado se eu continuar criando receitinhas mais leves. Principalemente quando elas são tão saborosas quanto esse pavê.

Pavê de banana com coco, baunilha e rum

Você pode substituir os speculoos por biscoito do tipo “maizena” ou “maria”. Se estiver usando um favo de baunilha corte-o ao meio no sentido do comprimento e, com a ponta da faca, raspe as sementes. Guarde o favo dentro de um pote de açúcar (o açúcar ficará deliciosamente perfumado) ou faça seu próprio extrato de baunilha, guardando os favos usados dentro de uma garrafinha com algum álcool forte, como whisky, e deixando macerar durantes várias semanas. Detesto sobremesas doces demais então uso o mínimo possível de xarope de bordo. Se você quiser um pavê mais doce aumente a quantidade de xarope/açúcar no creme. Gosto de fazer pavês individuais pois é mais bonito e mais fácil de controlar as porções.

2 bananas médias

8,10 biscoitos speculoos, quebrados em pedacinhos pequenos (essa quantidade pode variar dependendo do tamanho do biscoito usado)

1 ½ x de leite de soja

5cs de creme de coco (a parte cremosa do leite de coco)

2cc de amido de milho

2cs de xarope de bordo, ou açúcar demerara

1 favo de baunilha (as sementes), ou 1/2cs de extrato natural de baunilha

uma dose mais 1cc de rum envelhecido

1cs de óleo de coco (ou azeite) pra fritar as bananas

Comece colocando uma lata de leite de coco na geladeira por pelo menos duas horas. O leite de coco vai se separar: a parte cremosa (gordura) vai ficar em cima e a parte mais líquida (água) embaixo. Abra, tomando o cuidado de não sacudir a lata, e retire 5 cs do creme que se encontra na superfície. Guarde o resto pra outra utilização. Em uma panela pequena, misture o creme de coco com o leite de soja, o xarope de bordo (ou açúcar) e as sementes de baunilha (se estiver usando extrato, acrescente depois). À parte dissolva o amido de milho em 2cs desse líquido e despeje tudo na panela. Cozinhe em fogo baixo, mexendo sempre com uma colher de pau, até engrossar ligeiramente. O creme continua a engrossar enquanto esfria. Desligue o fogo e junte 1cc de rum e o extrato de baunilha, se não estiver usando as sementes. Cubra com papel filme* pra impedir que uma película (nata) se forme,ou faça como eu: continue mexendo o creme até ele esfriar completamente. Aqueça o óleo de coco (ou azeite) em uma frigideira, de preferencia de ferro. Descasque e corte as bananas ao meio, no sentido do comprimento. Frite até ficar dourado dos dois lados. Despeje uma dose de rum (eu não meço, mas deve ser umas 3cs) e imediatamente incline a frigideira sobre a chama, deixando o fogo “entrar” na frigideira, pra flambar as bananas. Monte os mini pavês: despeje metade do creme frio no fundo de 6 copinhos, cubra com uma camada de biscoitos quebrados, seguido das bananas flambadas em pedaços, mais uma camada de biscoitos quebrados e termine com o resto do creme. Cubra cada copinho com um pedaço de papel alumínio (ou papel filme) e transfira pra geladeira. Deixe gelar por pelo menos 2 horas antes de servir. Rende 6 mini pavês (uso copinhos de 100ml).

*Pequena correção: esqueci de especificar que o papel filme tem que ficar diretamente em contato com o creme pra impedir que uma nata se forme.

Delícia vegana de chocolate e banana

Bolo “fondant” chocolate-banana

Na era pré-vegana da minha vida, criei um bolo de chocolate intenso e úmido que batizei, humildemente, de Supremo. Anos depois, a primeira receita vegana doce que criei foi inspirada nesse bolo. A mudança principal foi ter substituído os ovos por bananas. Eu estava muito apreensiva com relação ao resultado, mas o bolo que tirei do forno superou minhas expectativas. Ao invés de ter criado a versão vegana do Supremo, eu tinha criado algo completamente diferente. Não que isso seja ruim, claro. A receita rendeu um “fondant” de chocolate e banana. Os franceses gostam de usar a palavra “fondant” pra descrever bolos densos e levemente cremosos, que derretem na boca. Continuar lendo “Delícia vegana de chocolate e banana”

Você precisa fazer essas panquecas

Panqueca de banana

Eu tenho uma missão hoje: escrever o mínimo possível pra deixar você aproveitar a receita sem muita conversa fiada.

Continuar lendo “Você precisa fazer essas panquecas”