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salada de beterraba e nozes1

Vocês sugeriram que eu publicasse mais receitas de sobremesas e cá estou eu com uma receita de salada (e isso logo depois de ter publicado uma receita de sopa!)… Mas o que posso fazer? Tem gente que saliva com tortas de chocolate e cheesecakes, outros com beterraba e sopas.

Essa é a minha salada de beterraba preferida, uma receita que faço regularmente aqui em casa. Já publiquei outras saladas de beterraba aqui no blog, como essa salada de beterraba e rúcula e essa outra de beterraba e laranja, ambas simples e deliciosas. Mas a salada de hoje é mais que deliciosa, é maravilhosa! Sei que sou suspeita pra falar, pois sou louca por beterraba e adoro nozes com todas as minhas forças, mas se você gosta dos ingredientes dessa receita separados, pode ter certeza que a soma deles é uma explosão de sabores e texturas. O macio e doce da beterraba, o sabor marcante e o crocante das nozes, o frescor verde da salsinha… sublime!

Mas, amantes de sobremesas, não se desesperem! A receita de torta de chocolate e café que fiz pro almoço de natal ainda está esperando pra aparecer aqui. Achei que seria indecente publicar algo do tipo numa segunda-feira, mas na quarta-feira já me parece totalmente aceitável… Porém não deixem a perspectiva da torta distrair vocês. Essa salada também merece atenção e com um look lindo desses deveria aparecer na sua mesa em ocasiões especiais (e em segundas-feiras chuvosas).

 salada de beterraba e nozes3

Salada de beterraba com nozes

Beterrabas, assim como todo legume, absorvem melhor os sabores se você tempera-las ainda quentes. Por isso o ideal é despejar o molho sobre os cubos de beterrabas quentes, deixar esfriar e só então juntar os outros ingredientes. O sal com salsão, ou qualquer outro sal com ervas, deixa essa salada ainda mais saborosa. Pra quem não sabe como cozinhar beterraba: coloque as beterrabas inteiras e com casca em uma panela de pressão, cubra com água e cozinhe entre 20-40 minutos (a partir do momento em que a panela pegar pressão), dependendo do tamanho das suas beterrabas.

2 beterrabas médias cozidas, descascadas e cortadas em cubos pequenos

1/2x de nozes

1 punhado generoso de salsinha, picada

Molho:

3cs de azeite

2cs de vinagre balsâmico

1cc de mostarda de Dijon (opcional)

1/2 dente de alho, ralado

1cs de chalota* ou 1/2cs de cebola roxa, picadinha

Sal com salsão (receita aqui) ou sal marinho

Pimenta do reino

Misture o azeite, vinagre, mostarda de Dijon, alho e chalota (ou cebola roxa) e despeje sobre os cubos de beterraba quentes (leia explicações acima). Tempere com sal de salsão (ou outro) e pimenta do reino a gosto. Enquanto a beterraba esfria, toste as nozes a seco em uma frigideira grande. Sacuda a frigideira algumas vezes pras nozes tostar dos dois lados. Quando as nozes estiverem bem douradas e perfumadas, retire do fogo, deixe esfriar um pouco e pique grosseiramente.  Junte as nozes e a salsinha à beterraba e misture bem. Prove e corrija o tempero. Sirva em temperatura ambiente. Rende 4 porções como acompanhamento.

*Chalota é um tipo de cebola mais suave e menor do que cebolas comuns. A casca é dourada, mas o interior é lilás, elas são alongadas e geralmente têm dois gomos. Gosto muito de chalotas, pois elas têm um sabor mais delicado mesmo quando consumidas cruas. Se usar cebola roxa, que é mais intensa, use só 1/2cs.

Salada de lentilha e pera

Quando comecei a cozinhar pra Anne, no início do nosso relacionamento, eu me deparei com o problema que muitos veganos enfrentaram (ou enfrentarão) algum dia: eu tinha me apaixonado por uma onívora e não sabia o que preparar pro jantar. Minha amada não era só onívora, ela era francesa. Na França uma refeição só é digna desse nome se nadar na manteiga e no creme, tiver pelo menos dois tipos de bicho morto e terminar com uma bandeja de queijos. Pior ainda, minha amada onívora francesa vinha da Auvergne, uma região no coração da França, famosa por transformar porquinhos indefesos em um número inimaginável de produtos comestíveis. Lá os bebês passam do mingau diretamente pro salame (Só Jesus Cristo salva!). Pensei: “Onde fui amarrar o meu bode?” (Se você não tem família morando na caatinga e desconhece o palavriado local, aqui vai a tradução: “Onde fui me meter?”)

Mas o amor é uma força extremamente criativa e ao invés de sair correndo e pedir pra namorar o primeiro herbívoro que eu encontrasse, o que aqui seria inevitavelmente uma cabra, decidi preparar pratos capazes de agradar à nós duas. Lembro muito bem dos nossos primeiros jantares juntas, da minha tensão ao preparar a comida, da expectativa na hora da primeira garfada. Pra minha grande surpresa, e pra dela também, ela adorou tudo. Tanto que três meses depois minha francesa onívora auvergnate se tornou vegana. Vale salientar que foi por livre e espontânea vontade, embora ela afirme que minha comida foi um fator decisivo.

Dos pratos criados naquela época, um dos que preparo até hoje é salada de lentilha com pera. Eu procurava usar ingredientes conhecidos, nada de seitan ou tofu pra não assustar a moça, e salada de lentilha é um prato muito apreciado na França. A receita tradicional usa lardon, um tipo de bacon, mas fiz várias adaptações e cheguei a um resultado que as duas veganas daqui de casa achamos delicioso. Ela é rica em proteínas, ferro e ômega 3, podendo ser o prato principal de um almoço ou jantar leve. Você também pode servi-la como acompanhamento (com tofu assado fica ótimo). Adoro lentilhas porque, além de serem super nutritivas, elas dão saciedade sem no entanto pesar no estômago. Perfeito pra servir pra onívoros que acham que é impossível encher a barriga comendo só vegetais.

Não garanto que essa salada vai trasformar aquele(a) onívoro(a) que você ama em vegano(a), mas com certeza ela vai agradar vegs, não vegs e simpatizantes. Aprendi que, quando o assunto é veganismo, o estômago é o melhor atalho pra chegar ao cérebro. Garanto que um prato vegano saboroso vale mais que mil discursos na hora de convencer um onívoro que existe prazer gastronômico no reino vegetal. E se entre o estômago e o cérebro você antingir o coração, como aconteceu comigo, então você ganhou na loteria.

Salada de lentilha e pera*

Uso uma variedade de lentilha bem pequena e verde claro que conserva a forma depois de cozida, perfeita pra usar em saladas. Na França tem um tipo de lentilha parecido, a lentilha Puy (pequenina e escura). Se não encontrar lentilha Puy, ou algo parecido, você pode usar lentilha comum, mas pra evitar que ela se transforme em purê tome cuidado pra não cozinhá-la demais e misture a salada delicadamente. Acho que nozes combinam perfeitamente com lentilha e pera, mas se você não gostar (ou não encontrá-las) pode substituí-las por outra oleaginosa ( castanhas do Pará, avelãs, sementes de girassol, de jerimum…).

5 cebolinhas picadas (parte branca mais um pouco do verde)

1x de salsão** (aipo) picadinho (só o talo)

1 dente de alho grande picado/amassado

3x de lentilha cozida, mas ainda firme (de preferência lentilha Puy ou outra variedade pequena e firme)

2 peras pequenas, descascadas e cortadas em cubos pequenos

1 punhado de nozes

2cs de shoyu mais uma pitada de tomilho desidratado

2cs de vinagre balsâmico

2cs de azeite

sal e pimenta do reino a gosto

Em uma frigideira (de preferência de ferro), toste as nozes a seco (fogo médio) durante alguns minutos. Mexa de vez em quando pra tostar dos dois lados e tome cuidado pra não queimá-las. Desligue o fogo, transfira as nozes pra uma tábua de cortar legumes e, usando uma faca grande ou as mãos, quebre-as em pedaços menores. Reserve.

Na mesma frigideira ou em uma panela média, aqueça 1cs de azeite e refogue a cebolinha (reserve um punhadinho da parte verde pra decorar a salada), o alho e o salsão durante 3 minutos. Junte a lentilha, tempere com sal com o molho shoyu, tomilho e vinagre balsâmico. Mexa delicadamente pra não quebrar as lentilhas. Quando as lentilhas estiverem mornas desligue o fogo, junte 1cs de azeite e pimenta do reino a gosto. Prove e corrija o tempero (se estiver usando  o molho shoyo, talvez seja necessário juntar um pouco de sal). Acrescente as peras em cubinhos, as nozes tostadas e misture bem (mais uma vez, delicadamente pra não quebrar as lentilhas). Decore com a cebolinha restante (só a parte verde) e sirva ainda morno.

Serve 4 porções como acompanhamento.

*Alguém já se acostumou com a ausência de acento na palavra “pera”?

**A salada da foto não tem salsão pois há meses que esse legume desapareceu da feira que frequento.

Muhammara (patê de pimentão vermelho grelhado e nozes)

 Cumprir minhas promessas parece missão impossível nesse fim de ano. A receita de hoje, que eu deveria ter publicado ontem, é minha última descoberta em matéria de patê vegetal. Eu estou sempre procurando/criando novas receitas de patês por vários motivos. Primeiro porque é minha maneira preferida de usar oleaginosas (se você perdeu meu último post sobre essas maravilhas da natureza clique aqui) e a garantia de me fazer comer castanhas, amêndoas e nozes diariamente. Segundo porque é uma das preparções culinárias mais práticas e versáteis que conheço. Fica ótimo dentro de um sanduíche, serve de recheio pra maki vegetal e rolinhos primavera crus, pode se transformar em molho pra macarrão e funciona até como mistura* na hora do almoço, ao lado de algum cereal e salada.

Fazia tempo que queria provar um patê sírio, que acabou sendo adotado por libaneses e turcos, à base de nozes e pimentão grelhado. Eu adoro pimentão grelhado e ainda não tinha nenhuma receita de patê com nozes então essa receita tinha tudo pra me agradar. Achei várias versões do “muhammara” na internet e acabei misturando algumas, ajustando as proporções de acordo com meus gostos e criando minha própria versão. O resultado não me decepcionou e encantou a outra moradora dessa casa e uma amiga australiana que nos visitou ontem. Se um patê sírio/libanês/turco agradou uma brasileira, uma francesa e uma australiana significa que, além de globalizado, ele é muito bom!

*No nordeste o pessoal chama de “mistura” a proteína principal (de origem animal) nas refeições.

Muhammara (minha versão)

A receita original usa melado de romã, um ingrediente muito apreciado na culinária árabe. Ele tem um sabor ácido e adocicado que dá um toque especial às receitas orientais. Se você não achar melado de romã pode fazer a receita sem, seu “muhammara” ficará ótimo mesmo assim. Outro ingrediente opcional é o molho de pimenta. Mesmo se você não gostar de comida picante, eu aconselho colocar umas gotinhas no seu patê. A doçura do pimentão vermelho abafa o ardido da pimenta, que acaba só realçando o sabor.

2 pimentões vermelhos

1 dente de alho pequeno picado

½ x de nozes

2 fatias de pão de forma integral

½ cc de cominho em pó

1cs de suco de limão

1cs de azeite

1cc de melado de romã (opcional)

algumas gotinhas de molho de pimenta (opcional)

sal a gosto

Aqueça o forno em temperatura alta. Lave o pimentão, coloque-o no forno diretamente sobre a grelha,e deixe assar até a casca ficar chamuscada em vários lugares. Enquanto o pimentão assa, coloque as fatias de pão no forno durante alguns minutos. Assim que o pão secar e ficar crocante retire do forno (cuidado pra não deixar queimar) e reserve. Continue assando o pimentão até uma boa parte da casca ficar preta. (veja foto no final deste post) Retire o pimentão do forno e coloque-o imediatamente em um recipiente plástico com tampa, tampe bem e deixe descansar 10 minutos. Isso vai fazer o pimentão “suar” e a casca vai se desprender naturalmente. Depois do “repouso”, corte o pimentão ao meio, no sentido do comprimento, retire as sementes e o cabinho depois corte cada metade ao meio novamente, sempre no sentido do comprimento. Com os dedos, puxe a pele do pimentão, que se desprenderá facilmente. Coloque os pimentões grelhados no copo do liquidificador e esmigalhe o pão assado por cima. Junte todos os outros ingredientes e triture até o patê ficar homogêneo. Talvez você precise desligar o motor algumas vezes e mexer a mistura com uma colher pra facilitar o trabalho do liquidificador. Prove e corrija o sal, se necessário. Sirva com pão ou rodelas de pepino. Rende cerca de 1x de patê. O patê pode ser conservado alguns dias na geladeira, guardado em um recipiente com tampa.