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Você se tornou veg(etari)ano e desde que fez a transição de regime passou a ter fome o tempo todo?  Você gostaria de comer mais refeições veganas/vegetarianas, mas tem a impressão que só proteína animal consegue saciar a sua fome? Quando você come um prato vegetariano/vegano seu estômago começa a roncar pouco tempo depois? Escutei essas reclamações inúmeras vezes, então resolvi (enfim! enfim!) escrever sobre o assunto. Leitores famintos, seus problemas estão prestes a acabar.

É possível se sentir saciado com um alimentação 100% vegetal?

Absolutamente, totalmente, 100% possível. Eu nunca tive problemas de saciedade, nem mesmo no início do meu veganismo, por isso levei algum tempo pra entender porque tantas pessoas estavam reclamando da fome de ogro que as acompanham desde que elas disseram adeus aos produtos de origem animal. Mas quando comecei a perguntar o que essas pessoas estavam comendo no dia-a-dia, o mistério se resolveu.

Antes de declarar que só produtos de origem animal são capazes de matar a sua fome, é bom dar uma olhada na maneira como você se alimenta. Percebi que pessoas que adotaram uma dieta vegetariana/vegana e que reclamam da fome constante estão fazendo os mesmos erros. As razões mais comuns pra fome de ogro dos vegs são as seguintes:

1- Não ingerir nutrientes suficiente.

Se você não está ingerindo todos os nutrientes que o seu corpo precisa, ele vai interpretar isso como fome. A explicação é simples. O corpo precisa de nutrientes pra funcionar corretamente e ele tem acesso a esses nutrientes através da comida. Se a comida que você está ingerindo é pobre em nutrientes seu corpo continuará enviando o sinal de fome, pois ele ainda não conseguiu o que queria (nutrientes). Se você continuar comendo alimentos nutricionalmente pobres, seu estômago vai ficar cheio, mas isso não saciará sua fome, pois suas reservas de nutrientes continuarão vazias. É fácil exagerar na pizza e continuar com a sensação de que poderíamos comer mais, mesmo depois de sentir o estômago cheio. Essa é provavelmente a causa da epidemia de obesidade que vemos no mundo hoje: ao escolher alimentos nutricionalmente pobres acabamos comendo muito mais do que deveríamos. Já quando como uma salada com leguminosas (como essa aqui), me sinto satisfeita e a ideia de continuar comendo depois de ter preenchido o meu estômago se torna totalmente absurda. Comida nutritiva faz toda a diferença na hora de saciar a fome.

2- Se tornar ‘massatariano’.

Isso é um exemplo do erro número 1, mas é tão comum que senti que precisava tratar dele separadamente. Todo mundo conhece (ou já foi) um vegetariano que come poucos vegetais e muita massa: pão, macarrão, pizza… E como massas, mesmo as integrais, são nutricionalmente pobres quando comparadas à verduras e frutas, seu organismo vai continuar com fome de nutrientes, independente da quantidade de carboidrato que entrar no seu estômago. Às vezes a razão do ‘massatarianismo’ é porque as pessoas não sabem o que comer além de carboidratos. Se esse for o seu problema,  a seção de receitas aqui do blog está recheada de pratos à base de leguminosas e verduras. Às vezes as pessoas exageram no carboidrato porque ele é a única opção veg disponível quando comemos fora de casa. Prefira restaurantes self-service, onde você vai encontrar pelo menos algum prato com feijão e verduras cruas e cozidas. E tem também aquele caso mais raro de vegetarianos que simplesmente não gostam de verduras. Se você respondeu ‘presente’, não se desespere. Conheci uma moça que era vegetariana e que não gostava de fruta (só de suco de maracujá) nem de verduras (além de tomate, que também é uma fruta, mas passemos). Quando soube que ela tinha se tornado vegana e que não ia mais contar com os sanduíches de queijo pra preencher o estômago fiquei preocupada. Felizmente depois que o veganismo entrou na vida dela o seu paladar expandiu de maneira surpreendente e hoje ela gosta de quase todas as verduras e frutas. Milagre? Não, isso só prova mais uma vez que nosso paladar pode ser educado e que gosto é altamente modelável.

3-Limitar as porções de comida (vegetal) que aparece no prato.

Esse erro é comum entre pessoas que querem perder peso e que se acostumaram a seguir dietas de restrição calórica. Passamos a vida inteira ouvindo nutricionistas falar que é preciso limitar a quantidade de comida que entra no nosso estômago se quisermos perder peso e embora isso seja verdade quando se trata de alimentos de origem animal, a história muda quando se trata de alimentos de origem vegetal. É praticamente impossível engordar comendo comida vegetal e integral (integral aqui significa ‘comida não refinada/transformada’, não alimentos feitos com farinha de trigo integral!). Verduras, frutas, leguminosas e cereais integrais são cheios de nutrientes e fibras e pobres em gorduras, ou seja, é a combinação perfeita pra saciar o seu apetite e encher o seu organismo de nutrientes com poucas calorias. A única exceção aqui são as oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas e sementes), que são mais calóricas e ricas em gorduras (boas) e por isso devem ser consumidas em quantidades menores.

Comida de origem animal tem muito mais calorias e gorduras (muitas vezes gorduras ruins), então ao eliminar esses alimentos do seu prato você ganhará o direito de caprichar na quantidade de vegetais, sem no entanto aumentar a quantidade de calorias da sua dieta. Aqui vão alguns exemplos que provam o que acabei de falar.

100g de queijo prato = 392 calorias

100g de brócolis (cozido) = 35 calorias

Ou seja, pra atingir as quase 400 calorias dos 100g de queijo você vai precisar comer mais de 1kg de brócolis cozido!

185g de carne vermelha magra (1 bife, sem gordura visível, pesado depois de cozido) = 413 calorias

185g de lentilha cozida = 198 calorias

Ou seja, você precisa de uma porção duas vezes maior de lentilhas pra chegar nas 413 calorias do bife magro.

Entendeu agora porque quem se alimenta de maneira exclusivamente vegetal NÂO precisa limitar porções, mesmo se quiser perder peso? Mas antes que alguém saia por aí enchendo a barriga de batata frita com o pretexto de que ‘é vegetal, então posso comer à vontade’, preciso relembrar que essa regra só se aplica a vegetais integrais (refrigerante e biscoito recheado podem até ser veganos, mas NÃO entram nessa lista) e sem gordura acrescentada, principalmente gordura ruim (ou seja, frituras estão fora).

Veganos, não limitem suas porções. Lembrem-se que 400 calorias de vegetais é uma porção muito maior do que 400 calorias de carne ou de queijo. Não estou dizendo que você precisa comer 1kg de brócolis no almoço se quiser matar a fome e sim que você pode aumentar a quantidade de vegetais do seu prato sem se preocupar com as calorias. Coma até se sentir satisfeito, mesmo se isso significa encher o prato e repetir. Se o conteúdo do seu prato for vegetais integrais (e que não foram fritos), você não vai correr o risco de engordar. Esse é um dos maiores luxos de ter uma alimentação vegana natural (não industrializada) e integral: você nunca mais vai precisar contar calorias!

4- Ter medo de gordura (e não saber a diferença entre gordura boa e gordura ruim).

O oposto de quem exagera nos alimentos gordurosos pensando que o fato de ser vegana torna a comida automaticamente saudável é evitar todo tipo de gordura com medo de engordar. Abaixo a gordura-fobia! Precisamos de gordura pra ter um sistema nervoso e endócrino saudável. E você sabia que algumas vitaminas só são assimiladas na presença de gorduras? E, o mais importante pro assunto desse post: gordura é essencial pra nos dar a sensação de saciedade.

Mas existe uma diferença gigantesca entre comida naturalmente rica em gordura boa (abacate, castanhas e sementes) e comida feita com gordura, geralmente gordura ruim (frituras, maionese, tortas cheias de margarina, óleo de soja e milho etc.). O exemplo da batata frita ilustra bem isso. Batatas são naturalmente pobres em gorduras, mas depois de nadar no óleo quente se tornam extremamente gordurosas. Esse é o tipo de gordura que você deve evitar. Conselho pros vegetarianos: queijos e laticínios em geral são as maiores fontes de gordura saturada da alimentação ocidental, então não exagere. Por outro lado sementes, castanhas e abacate são ricos em gordura BOA e além disso brindam o seu organismo com minerais, vitaminas e fibras. Isso batata frita nenhuma vai fazer por você!

Cada organismo é único e algumas pessoas precisam de mais gordura do que outras pra se sentirem saciadas. Se você evita todo tipo de gordura, ou se a quantidade de gordura boa da sua alimentação é muito pequena, talvez sua fome venha daí. Acrescente uma fonte de gordura boa (abacate, castanhas, sementes, óleo de linhaça, azeite e óleo de coco virgem) em cada uma das suas refeições e com certeza você se sentirá mais saciado.

5- Confundir o peso no estômago causado por refeições ricas em alimentos de origem animal com estômago satisfeito.

Sabe aquele peso que você sente na barriga depois de ingerir uma refeição rica em carne e laticínios? É pouco provável que você se sinta da mesma maneira depois de comer uma refeição vegana. Estamos tão acostumados a comer até sentir desconforto que muita gente acaba acreditando que isso é se sentir satisfeito. E como comida de origem animal precisa de mais energia pra ser digerida, é normal se sentir mais lento depois de uma refeição com carne. Quando você come uma refeição 100% vegetal e feita com alimentos naturais e integrais, a sensação de ‘estômago cheio’ é bem diferente. Plantas são mais fáceis de serem digeridas e raramente sentimos peso no estômago ou aquela moleza que nos convida a tirar um cochilo depois da refeição. Pra quem não tem o hábito de se alimentar dessa maneira, isso pode ser interpretado como ‘minha fome não foi saciada’.

Tempos atrás uma leitora onívora me escreveu pra contar que tinha feito minha lasanha preferida. Ela disse que tinha adorado a receita porque ela era tão leve e saborosa! Fiquei muito surpresa, pois essa é uma das receitas mais pesadas do meu repertório (talvez A receita mais pesada). Foi então que percebi o quanto comida de origem animal pesa no estômago. Mesmo o prato vegetal mais pesado pra mim parece leve no estômago de um onívoro.

Saiba que seu organismo precisará de algumas semanas antes de se adaptar completamente ao novo regime. E depois do período de adaptação, você vai perceber que essa ‘leveza post-refeição’, que era confundida com fome, é mais uma grande vantagem de ter uma alimentação natural e vegetal.

 almoço feijão quinoa salada

Como expliquei no início do texto, quando um veg(etari)ano reclama de ter fome o tempo todo é por causa de uma das razões (ou várias) que expliquei acima. Mas tem mais alguns motivos que podem estar causando a fome desmesurada de alguns vegs e de onívoros também:

-Não beber água suficiente.

Conheço muita gente que bebe menos água do que deveria. E pode parecer loucura, mas é muito fácil confundir sede com fome. Pra saber se a sua fome é real ou se é só desidratação, beba um copo de água (um copo, não dois goles!) e espere alguns minutos. Sua fome foi embora? Então seu corpo só estava precisando de água.

-Não se sentir satisfeito porque a comida nunca é gostosa.

Essa é pro pessoal veg que tem sempre que se contentar com um prato inferior ao que o onívoro do lado está comendo. Já percebeu que quando comemos comida sem graça sempre aparece a vontade de comer algo gostoso depois? Eu sinto muito isso quando estou viajando e sou obrigada a comer comida sem sabor porque é a única opção vegana do cardápio. Comer é muito mais do que levar nutrientes pra dentro do corpo, é também uma fonte de prazer. E sem prazer fica difícil se sentir satisfeito. A boa notícia é que ninguém precisa abrir mão do prazer gastronômico pra ter uma alimentação vegetal. Aprenda a preparar pratos vegetais deliciosos (ou case com alguém que saiba) e isso deixará de ser um problema.

-Sua fome pode ser de origem emocional.

Comida traz reconforto pra maioria das pessoas. Sentimos vontade de comer quando estamos entediados, tristes, felizes, passando por dificuldades… Mas existe uma maneira simples de saber se a sua fome é física ou emocional. Tente imaginar um prato cheio de salada crua na sua frente. Ficou com vontade de devora-lo? Então é fome, mesmo. Vegetais crus são provavelmente os alimentos menos ‘viciantes’, ou seja, ninguém come salada por pura gula nem pra preencher uma carência emocional. Se o prato de salada não te atrair nem um pouco e você tiver pensamentos do tipo “Hum… o eu queria mesmo era uma torta de chocolate”, então pode ter certeza que a fome não é real. Quando estamos com fome aceitamos qualquer comida que aparecer pela frente (conhece o ditado que diz “O melhor tempero é a fome”?). Fome emocional só se satisfaz com determinados alimentos, geralmente extremamente calóricos (bolo, salgadinhos, frituras, doces…).

-Algum problema de saúde.

Se você leu até aqui e achou que sua fome não pode ser explicada por nenhuma das razões acima (sua alimentação é composta por alimentos integrais e nutritivos, você não tem medo de gorduras boas, não limita suas porções, bebe bastante água, não tem fome emocional…) então talvez o problema seja mais complexo. Dificuldade em assimilar nutrientes (causada pelo acúmulo de toxinas no estômago, consequência de muitos anos de alimentação industrializada, ou por outra razão) e desequilíbrio hormonal podem estar causando a sua fome exagerada. Mas isso só um médico será capaz de detectar.

A fórmula mágica da saciedade 

Agora que você identificou a origem da sua fome colossal e descobriu como remediar o problema, gostaria de ensinar algo extremamente útil pra qualquer pessoa que queira ter uma alimentação equilibrada. A fórmula mágica pra criar refeições completas e que saciam é : fibra + proteína + gordura boa. Você precisa desses três elementos pra se sentir saciado e se faltar algum deles no prato as chances de escutar o estômago roncar pouco tempo depois da refeição são grandes. Se você não sabe quais alimentos vegetais são ricos em fibras, proteínas e gorduras boas, aqui vão algumas explicações simplificadas, mas úteis na hora de compor o cardápio.

Feijões, lentilhas e grão de bico (leguminosas) são ricos em proteínas e fibras.

Verduras e frutas são ricas em fibras.

Abacate é rico em fibras e gorduras boas.

Castanhas, nozes, amêndoas, sementes de girassol, de gergelim e de linhaça (oleaginosas) são ricas em proteínas, gorduras boas e fibras.

Azeite, óleo de linhaça e óleo de coco virgem são ricos em gorduras boas.

Como o mundo vegetal é rico em fibras (fibras SÓ existem em alimentos de origem vegetal), na hora de planejar minhas refeições me concentro mais na proteína e na gordura boa. Meu café da manhã sempre tem aveia (rica em proteína e fibras), frutas frescas e/ou secas (fibras) e castanhas, sementes (gordura boa e proteína) e óleo de coco virgem (gordura boa). No almoço e no jantar tem sempre uma leguminosa (proteína e fibras), verduras cruas e/ou cozidas (fibras) e uma fonte de gordura boa (acrescento sementes ou abacate na salada, rego meus pratos com azeite ou com tahina…). Como castanhas e sementes são ricas em gorduras E em proteína, elas também aumentam a quantidade de proteína da refeição. Se eu estiver com muita fome também como um cereal integral, geralmente arroz ou quinoa (que também é rica em proteína).

E não esqueça que você NÃO precisa limitar as porções das refeições que citei acima, pode comer o quanto for necessário pra satisfazer o seu apetite. Eu como quantidades obscenas de feijão e verduras (podem perguntar à minha família), além de ingerir um punhado de castanhas e sementes, mais um pouco de azeite, óleo de linhaça e óleo de coco virgem TODOS OS DIAS e continuo com o mesmo peso de sempre. Siga as dicas acima e pode se preparar pra dizer adeus à fome de ogro sem colocar em risco o seu peso.

 

Café da manhã é provavelmente a minha refeição preferida. Primeiro porque faço parte do grupo dos que acordam com o estômago roncando. Segundo porque comida de café da manhã é extremamente variada (já perceberam como o que se come pela manhã varia radicalmente de um país pra outro?). Só tem uma refeição ainda melhor do que essa: brunch. A ideia de juntar o café da manhã com o almoço (o nome vem da junção de breakfast com lunch) é pra mim genial. As opções de pratos aumentam ainda mais e, como brunchs acontecem no final da manhã, minha fome está ainda maior e o prazer de comer se intensifica.

Nos brunchs tradicionais (onívoros) a presença de ovos, embutidos e queijo é obrigatória, fazendo com que muitos pensem que essa refeição não faz parte do mundo dos veganos. Mas cá estou eu pra provar que isso está longe de ser verdade e que com um pouco de criatividade é possível criar um brunch delicioso totalmente vegetal.

brunch vegano2

Na hora de compor o cardápio misture pratos do café da manhã com alguns pratos (leves) de almoço. É importante que as receitas escolhidas se harmonizem e o resultado final não deve ser muito pesado. O brunch de domingo é uma tradição aqui em casa e gosto de fazer pratos saborosos, mas sem muita complicação. Também adoro servir brunchs pros amigos no meu restaurante ocasional e nesses eventos a comida é mais caprichada. Por isso vou dar duas fórmulas de brunch, uma básica e outra elaborada (pras ocasiões especiais).

Brunch vegano básico

Um bom pão + uma proteína vegetal + uma pasta/patê + um vegetal cru + uma bebida quente ou fria. Pra fazer um brunch sem glúten, troco o pão por batata salteada com cebola. Alguns exemplos de menus que seguem essa fórmula:

-Pão, bolinho de feijão preto com aveia, guacamole, salada verde e café/chá/suco.

-Pão, assado de lentilha, cogumelo com creme, broto de alfafa e café/chá/suco.

-Pão, tofu mexido, espinafre com creme, salada de tomate e café/chá/suco.

Batata salteada com cebola, tofu mexido , muta’abal, salada crua e café/chá/suco.

É importante servir algo cremoso pra acompanhar o pão/batata, por isso um patê ou um legume preparado com molho (espinafre com creme, por exemplo) é essencial. Lembrem que algumas receitas têm função dupla. Hummus, por exemplo, é uma proteína e ao mesmo tempo uma pasta pra passar no pão. Se quiser terminar o brunch com uma nota doce, frutas frescas cortadas são ideais. Geleia (como essa aqui), pra quem gosta, também pode ser servida aqui. Você também pode oferecer um leite vegetal pra acompanhar o café ou chá.

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Brunch vegano caprichado

Um bom pão + uma pasta/patê + um prato quente + uma salada crua/cozida + um prato doce + uma bebida quente + um suco fresco.

-Pão, queijo de castanha fermentado, omelete de grão de bico, salada de macarrão com brócolis e pesto, prato doce, bebidas.

-Pão, tapenade, crepes recheados com creme de tofu, castanha e espinafre, salada de batata de Lila, prato doce, bebidas.

-Pão, hummus, quiche de abobrinha, pimentão vermelho e tomate seco, panzanella, prato doce, bebidas.

-Pão, creme de feijão branco com alho e alecrim, panqueca de batata alemã com compota de maçã, salada morna de cogumelo e milho, prato doce, bebidas.

-Pão, muhammara, tourte de cogumelo e espinafre, salada de feijão e manga, prato doce, bebidas.

Crackers de linhaça e aveia, patê de tofu, tomate seco e ervas, gratin de batata e cogumelo, salada de beterraba com nozes, prato doce, bebidas.

Em matéria de ‘pratos doces’ sugiro que vocês sirvam algo que apareceria na mesa do café da manhã e não algo da categoria ‘sobremesas’. Se o clima estiver quente, saladas de frutas frescas são perfeitas pra finalizar o brunch (ou simplesmente frutas frescas cortadas). Se quiser uma receita com frutas mais original, minha salada de frutas cítricas com tâmaras e hortelã é linda e refrescante e esse crumbre de pêssego é minha sobremesa peferida. Se o clima estiver frio, aposte em um bolo simples ou muffins, mas nada açucarado demais nem recheado. Por exemplo: bolo de melado e especiarias, bolo de cenoura e coco, muffins de limão e semente de papoula ou pancakes de banana e coco. Ou, pra diminuir o trabalho na cozinha, um pão doce especial ou uns biscoitinhos integrais comprados prontos quebram o galho.

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Alguns extras que podem aparecer no seu brunch: azeitonas e outros legumes marinados, pães recheados, geleias, compotas de frutas, chocolate quente, vitaminas ou smoothies… Tem quem goste de servir um coquetel alcoolizado (mas leve) com o brunch e se essa é a sua praia, vá em frente. E lembrem que pra quem não consume glúten, é fácil trocar o pão por batatas salteadas por ou um cracker sem glúten (além de escolher patês, pratos quentes e saladas sem o danado, claro).

Você não é obrigado a servir todos os pratos que sugeri, a ideia é servir de guia e inspirar vocês. Se você servir pão com hummus, café e um pedaço de melancia garanto a polícia do brunch não vai bater na sua porta e acabar com o evento.

Roteiro prático

Agora algumas dicas de ordem prática. Brunch é geralmente servido entre as 11h e 14h (ou 10h-13h, se você é do tipo que acorda cedo), então se você não quiser acordar de madrugada pra preparar todos os pratos, é melhor começar a cozinhar no dia anterior. Então a dica mais importante aqui é: prepare o maior número de pratos possível na véspera.

Se eu estiver servindo um prato quente, sempre escolho algo que possa ser preparados na véspera e aquecido antes de servir, como quiches, panquecas (incluindo a de batata), tortas salgadas, gratins, assados e burguers. A massa do omelete de grão de bico pode ser preparada na véspera e descansar uma noite na geladeira. Na manhã seguinte cozinhe os omeletes e mantenha aquecido (em forno baixinho, coberto) até o momento de servir.

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Então aqui vai um mini guia pra te ajudar a preparar o seu brunch sem estresse e sem precisar acordar antes da aurora.

Na véspera:

-Prepare o patê/pasta que for servir (alguns patês podem até ser preparados dois dias antes). A única exceção aqui é o muta’abal, que dever ser preparado minutos antes de servir.

-Prepare ou compre pão, crackers, torradinhas, biscoitos, bolos e muffins.

-Faça o prato quente, se estiver servindo um, e as saladas cozidas (saladas de macarrão, feijão, batata…) e guarde na geladeira. A maioria das saladas cozidas fica ainda melhor depois de marinar um pouco no frio, mas se estiver usando ervas frescas e/ou oleaginosas tostadas na receita, acrescente esses ingredientes minutos antes de servir (o sabor será bem melhor).

-À noite arrume a casa, ou o lugar onde for servir o brunch, e antes de dormir prepare a mesa onde ele será servido : toalha, pratos, talheres, copos, guardanapos…

No dia:

-Assim que acordar coma algo leve (uma fruta, por exemplo) pois você vai esperar algumas horas antes de começar a degustar seus quitutes e vai precisar de energia pra terminar os preparativos. E se você for como eu, uma xícara de café ou chá vai te ajudar a acordar.

-Prepare o molho e os legumes da salada crua e mantenha tudo na geladeira até o momento de servir. Mas atenção: só misture os dois (molho + salada) minutos antes de servir. Se estiver servindo uma salada de frutas prepare a salada e guarde na geladeira. Caso esteja servindo frutas frescas cortadas, corte tudo e coloque na travessa/bandeja em que for servir e cubra com um pano (pra proteger dos insetos).

-Se estiver servindo suco fresco, faça o suco e guarde na geladeira na jarra em que for servir.

-Entre meia hora e uma hora antes do início do brunch (dependendo da temperatura da sua cidade), retire o patê/pasta e a salada cozida da geladeira pra que fiquem em temperatura ambiente. Faça a mesma coisa com o prato quente pronto (assim ele precisará de menos tempo na hora de requentar).

-Termine de arrumar a mesa: arrume pães, bolachas, bolos, frutas, geleias, saladas cozidas, saladas cruas (chegou o momento de mistura-las com o molho)…

– Agora vá tomar banho e se preparar pra receber seus convidados.

-Minutos antes do início do brunch prepare as bebidas quentes. Transfira o café pra uma garrafa térmica e mantenha o chá em uma chaleira (as de louça e cerâmica mantêm o calor por mais tempo que as de metal). Se estiver servindo chocolate quente, coloque em um bule que poderá ser levado ao fogo, se precisar esquenta-lo novamente. Coloque todas as bebidas, quentes e frias, sobre a mesa. A essa altura a mesa deve estar completamente posta, como todas as comidas que serão servidas (menos o prato quente).

-Quando os primeiros convidados chegarem coloque o prato quente (que estará em temperatura ambiente) no forno pra requentar. Eu gosto de receber meus convidados com um suco ou um café/chá, assim eles não ficam com as mãos vazias enquanto esperam o brunch terminar de ficar pronto e os outros convidados chegarem.

-Quando todos os seus convidados estiverem presentes coloque o prato quente sobre a mesa (que a essa altura já deve estar quente novamente) e convide todos a se servir. Agora é só relaxar e aproveitar a comida gostosa e a companhia dos amigos.

Esse roteiro é muito útil se você estiver servindo um brunch caprichado pra um número importante de amigos, mas meus brunchs dominicais a dois não precisam de todo esse preparo, claro.

brunch vegano palestino

Mas seja o seu próximo brunch um evento íntimo degustado no aconchego do seu pijama, ou um evento pra muitos amigos, espero que esse post tenha sido útil e inspirador. E espero também ter convencido os céticos de que é totalmente possível degustar um delicioso brunch 100% vegetal.

E um pequeno bônus: as últimas fotos desse artigo mostram dois brunchs tradicionais palestinos (que eles chamam de ‘café da manhã’, mas que é servido depois das 11h e é composto de pratos robustos, então pra mim é brunch!). Na primeira foto (feita no meu restaurante preferido aqui): hummus, muta’abal, tomate cozido com cebola (‘kalayat bandora’), salada crua, azeitonas e pão semi-integral. Na segunda foto (feita em um restaurante em Jerusalém): hummus, salada crua, tomate cozido com cebola, ful (pasta de feijão), falafel, picles, molho de pimenta e pão pita. brunch vegano palestino2

gatos

Se você leu o título desse post e pensou: “Que absurdo!” eu peço que, por favor, não julgue tão rápido e continue lendo pra entender melhor esse assunto espinhoso, mesmo entre veganos, mas que deveria interessar a todos, vegs e onívoros.

Veganos, e boa parte dos vegetarianos, decidiram parar de se alimentar com a carne de animais por razões éticas, então quando eles adotam um cachorro ou um gato aparece essa dúvida: é certo alimentar o meu companheiro de quatro patas com a carne de outros animais se eu acho que comer animais é imoral? Vez ou outra meus gatos aparecem por aqui e nos últimos meses alguns leitores me perguntaram sobre a alimentação deles.  Senti que era necessário abordar essa questão no blog.

Minha opinião sobre esse assunto evoluiu bastante com o tempo. Minha primeira reação quando ouvi falar de criar cachorros e gatos com comida vegana foi a mesma que descrevi acima (“Absurdo!”). Humanos são onívoros e podem viver bem com dietas que incluem pequenas quantidades de produtos de origem animal ou com dietas totalmente herbívoras. Mas gatos são carnívoros e não têm muitas opções na hora de se alimentar. Cachorros, como onívoros, são mais flexíveis e de acordo com as pesquisas que fiz podem se alimentar exclusivamente com vegetais, porém é preciso planejar muito bem o cardápio de um cachorro vegano.

Eu sentia um enorme desconforto moral com a ideia de alimentar um animal carnívoro, como o gato, exclusivamente com vegetais. Eu sabia que era possível fazer essa transição com cachorros, mas eu não conseguia me decidir se achava aquilo certo ou não (se desenharmos uma linha e colocarmos ‘herbívoro’ à esquerda, ‘onívoro’ no meio e ‘carnívoro’ à direita, cachorros ficariam entre ‘onívoro’ e ‘carnívoro’). Eu resolvia esse conflito mental me dizendo que veganos/vegetarianos que não se sentem bem dando carne aos seus animais de companhia deveriam adotar unicamente animais herbívoros, não gatos e cachorros.

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Depois de um certo tempo eu acabei mudando de ideia. Eu tinha visto uma linha americana de rações pra gatos e cachorros totalmente vegana, desenvolvida sob a orientação de veterinários e que cobria todas as necessidades em nutrientes dos bichinhos. Fiquei sem saber o que pensar. Foi então que li o livreto “Cães veganos: Nutrição com Compaixão”, que você pode baixar gratuitamente no site da ANDA. Logo no início o autor diz: “Cães precisam de nutrientes específicos, não de ingredientes específicos” e lembrei que vi um nutricionista falando exatamente a mesma coisa sobre humanos. No nosso caso, por exemplo, precisamos de cálcio, não de leite, e seu organismo não se importa com a origem desse cálcio, contanto que ele chegue na quantidade certa. Isso me fez pensar muito e rever minhas opiniões. Se o importante pro organismo são os nutrientes, que diferença faz se nessa ração eles são de origem vegetal e nessa outra de origem animal, quando as quantidades estão adequadas pras necessidades dos animais?

Porém isso criava outro problema, já não mais de ordem ética, mas prática: rações veganas não estão disponíveis em todos os lugares. O que fazer se você não conseguir encontrar ração vegana na sua cidade? O livreto que mencionei acima explica como fazer ração pra cães, vegetal e completa, em casa, mas ainda não encontrei artigos ensinando a fazer comida vegetal pra gatos. Provavelmente porque é mais difícil, talvez impossível, fazer uma comida vegetal equilibrada pra felinos em casa…

Depois de conversar com amigos veganos e matutar bastante sobre a questão, minha opinião amadureceu ainda mais.

Uma amiga vegana adotou um filhote de cachorro que encontrou na rua e resolveu o problema da alimentação dele da seguinte maneira. Ela perguntou ao dono de um restaurante/churrascaria aqui da cidade se podia levar pra casa um pouco das sobras de carne (crua) da cozinha. O dono aceitou alegremente, pois aquela carne iria pro lixo, e minha amiga pode alimentar o filhotinho sem problemas de ética. Talvez vocês estejam se perguntando “Mas não é justamente dar carne de animais pro seu cachorro ou gato que é considerado um problema ético por veganos?” Não. Além de oferecer algumas soluções aos veganos que se depararam com esse problema, eu decidi escrever esse post justamente pra esclarecer esse ponto. Mas antes de continuar preciso avisar que essa é a minha opinião. Não pretendo ser a porta voz do movimento vegano e tenho certeza que muitos veganos pensam diferente.

O verdadeiro problema pra mim, o que alfineta a minha consciência, não é ter um carnívoro em casa (humano ou não). O que realmente me tira o sono é usar o meu dinheiro pra patrocinar uma indústria cruel, a indústria da carne. Se meu gato aparecer aqui com um passarinho na boca, eu não vou me aborrecer nem trocar a ave por um pedaço de brócolis. Se ele fosse capaz de caçar toda a comida que precisasse, eu acharia uma maravilha! O aborrecimento aparece quando eu compro uma lata de atum pra ele. Ao fazer isso eu patrocino diretamente a indústria da carne e foi justamente pra não fazer mais parte dessa engrenagem que me tornei vegana. Espero que tenha ficado bem claro pra vocês: eu aceito e respeito a natureza carnívora do meu gato, mas não quero de maneira alguma usar o meu dinheiro pra patrocinar a indústria da carne, pois a considero uma das mais cruéis (contra animais humanos e não humanos) que existem, além de causar boa parte da poluição do nosso planeta.

Por isso a solução encontrada pela minha amiga me pareceu a melhor até então. Se você pedir as carnes que sobram na cozinha de restaurantes (as partes menos nobres ou retalhos que não servem pra preparar pratos) e açougues, você poderá alimentar o seu cachorro/gato sem, no entanto, patrocinar a indústria da carne. Nenhum animal foi morto especificamente pra alimentar o seu cão/gato, você só estará usando sobras que iriam acabar no lixo. Com duas vantagens suplementares: você estará contribuindo pra reduzir o desperdício de comida nos restaurantes (você ficaria chocado se visse a quantidade de comida que eles jogam no lixo diariamente) e ainda livraria o seu amiguinho das rações industrializadas, que estão longe de ser comida saudável pra eles.

com anne

Talvez você esteja pensando: “Mas rações também são feitas com sobras de carne que acabariam no lixo. Qual a diferença?” Ótima observação! Mesmo sendo feita com sobras de carne e partes de animais consideradas não comestíveis por humanos, você compra a ração, ou seja, oferece o seu dinheiro à indústria da carne, ajudando a perpetuar o sistema.  Ao usar as sobras de carne de restaurantes e açougues, oferecidas gratuitamente, você se mantem fora do sistema e não coloca óleo nessa engrenagem.

Claro que o aspecto ético dessa questão só interessa veganos e alguns vegetarianos, então se você é onívoro e está pensando “Quanto radicalismo da parte desses vegs!”, eu tenho uma mensagem pra você. Amigo(a), se pessoas fazem esforços ativos pra incluir a compaixão em todos os aspectos da sua vida isso não deveria te incomodar.

E estou convencida que a solução que proponho trás vantagens que deveriam interessar todo mundo. A mais óbvia pra mim é a questão da saúde do seu animal.  Quando escuto frases do tipo: “Não é natural dar comida vegetal pra cachorros e gatos”, sempre penso que se a pessoa que falou isso considera ração industrializada como a comida “natural” desses animais, ela está redondamente enganada. Mesmo as marcas de ração “de luxo” são compostas por carne de baixíssima qualidade, corantes e outros produtos químicos que não deveriam aparecer no prato do seu animal. Usar sobras de carne de restaurantes e açougues também vai te fazer economizar dinheiro. Talvez você precise ir em vários lugares antes de encontrar pessoas que se disponham a fazer as doações, mas esse esforço é pequeno diante de todas as vantagens que ele oferece.

Essa receita foi testada em animais (e aprovada por eles).

Talvez você, amigo(a) veg, tenha achado os meus argumentos sensatos, mas não seria capaz de colocar essa sugestão em prática pelo seguinte motivo: você não consegue manipular carne nem quer ter pedaços de animais mortos na sua geladeira. Eu entendo perfeitamente e respeito sua atitude. Mas, sinceramente, acho que nesse caso você deveria pensar em adotar um animal herbívoro (como coelho). Se você já tinha um gato ou cachorro quando se tornou vegano, então eu sugiro que você tenha um diálogo honesto com a sua consciência e procure uma solução que faça sentido pra você, sem nunca, nunca esquecer de agir de maneira responsável com o seu animal. Essa é uma obrigação que você tem com ele.

Esse post acabou ficando mais longo do que previ e talvez as ideias tenham se perdido entre tantos parágrafo, por isso aqui vai um resumo.

-Amigos vegs, existem várias maneiras de alimentar seu animal com responsabilidade e compaixão. Você pode escolher oferecer uma ração vegetal ao seu cachorro (imaginando, claro, que você consiga achar algo do tipo na sua cidade), preparar uma ração vegetal equilibrada em casa (visite o site da ANDA e faça o download gratuito do livreto sobre alimentação vegana pra cachorros) ou utilizar sobras de carne (crua, não utilize sobras de pratos cozinhados) de restaurantes ou açougues. Também pode combinar as sugestões acima. Converse com donos de restaurantes/açougues e explique que a comida é pro seu animal, não pra humanos, e eles se sentirão mais à vontade pra doar as sobras. Misture as carnes com alimentos preparados em casa (arroz e legumes cozidos, por exemplo) e seu cãozinho ficará feliz e bem alimentado. Se você tiver um gato, as opções são mais reduzidas. Gatos alimentados exclusivamente com rações vegetais podem desenvolver problemas urinários (pelo que entendi, a culpa é o ph alcalino dos vegetais. Alguns gatos, principalmente os machos, se dão melhor com o ph ácido da carne). Por isso a opção das sobras de carnes me parece a melhor aqui.

-Amigos onívoros, mesmo se essa conversa de ética e compaixão na alimentação do seu animal te parece extremismo, peço que considere minha sugestão. Sua pegada ecológica será reduzida, você economizará dinheiro e, o mais importante, oferecerá uma comida de melhor qualidade pro seu animal (ração não é a opção mais saudável)

Quanto aos ‘meus’ gatos, eles não são meus, são da vizinha. Moramos em uma casa grande, nós no térreo e ela no primeiro andar. Como eles não são autorizados a entrar na casa dela eles vivem aqui em casa (com passagens regulares pelo jardim). É a vizinha que alimenta os gatos, com sobras de carne que um amigo açougueiro dá pra ela. Não foi sugestão minha, ela só estava tentando economizar dinheiro com ração quando teve essa ideia. Adotamos um gatinho que Anne encontrou na rua ano passado, mas infelizmente ele morreu duas semanas depois de ter chegado aqui. Na época eu ainda não tinha pensado em pedir restos de carnes em restaurantes e comprei, com o coração apertado, várias latas de atum pra ele (não encontrei ração pra filhote de gato na cidade).

tomando sopa

Uma vez o restaurante deu tanta carne pra minha amiga que ela deixou alguns quilos aqui em casa. Separei em porções pequenas e congelei tudo. Toda noite eu deixava uma porção descongelar pro dia seguinte. Eu prefiro não manipular nem ter carne no congelador, claro, mas na hora de alimentar os gatos tento não pensar que aquilo ali era uma galinha (e uso luvas de borracha). Além da carne, os gatos também comem um pouco da comida que preparo. Não que eu queira converte-los ao veganismo, mas quando eles sentem o cheiro miam desesperadamente e só sossegam quando eu dou um pouquinho do que estiver comendo pra eles. Esses gatos têm gostos bem particulares: eles adoram papa de aveia, são loucos por tofu e a coisa que eles mais amam no mundo é levedo de cerveja. Gatos estranhos, eu sei, mas convivendo comigo eles não podiam ser diferentes…

Eu não sei vocês, mas eu estou sempre procurando conversar com pessoas inteligentes e sensíveis que têm pontos de vista diferentes dos meus, pois ao destruir e reconstruir ideias minhas opiniões evoluem.  Então convido todos que quiserem acrescentar algo à essa discussão a deixar um comentário. Mas independente do lado que você se encontrar, peço que respeite a opinião do pessoal do outro lado.

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“Papa de aveia…papa de aveia…papa de aveia…”