Cheguei na Palestina alguns dias atrás e embora eu já esteja totalmente mergulhada na loucura local (quem me acompanha no Instagram e, principalmente, no FB sabe do que estou falando), queria dividir com vocês as delícias que degustei na França durante minha última viagem ao país. Algumas eu já conhecia e adorava, outras eram novidades pra mim.

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Leguminosas em flocos

Que engenhoso! Feijões e outras leguminosas devem fazer parte da sua alimentação diária. Mas embora cozinhar leguminosas em casa seja uma brincadeira de criança, muita gente acha que isso exige esforço e tempo demais. Pra facilitar a vida de quem não tem muito tempo pra cozinhar, na França é possível encontrar algumas leguminosas em flocos. Os feijões, crus e integrais, são simplesmente fatiados fininhos, como flocos de aveia, pra reduzir o tempo de cozimento.  Na foto acima são ervilhas secas (que demoram a vida de um burro pra cozinhar), mas também achei grão de bico e feijão vermelho. Feijões precisam ficar de molho por 12 horas pra eliminar as enzimas que dificultam a digestão e os anti-nutrientes e essa etapa não dá pra pular. Mas depois de demolhados esses flocos cozinham em pouquíssimo tempo e você pode usar a criatividade e fazer receitas diferentes. Usei os flocos de ervilha seca pra fazer uma sopa deliciosa, mas da próxima vez quero fazer burgers ou almôndegas.

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Massa com cereais e leguminosas

Ainda falando de leguminosas, descobri essas massas feitas com cereais e de 20 à 25% de leguminosas. Isso aumenta as fibras, mas também a quantidade de proteína do seu macarrão, sem contar que a combinação cereal + leguminosa forma uma proteína vegetal completa. Ou seja, as vantagens são triplas! Tem três tipos: mistura de cereais com feijão vermelho, trigo com lentilha coral e trigo com ervilha seca. Como deu pra perceber, essas massas contêm glúten, pois os objetivos do fabricante são os que citei acima e não criar uma alternativa sem glúten.

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Tofu lactofermentado

Pára tudo! Peço um minuto de silêncio pra criatura genial e transbordante de compaixão (pelos animais e por nós, veganos) que resolveu comercializar isso: tofu lactofermentado!!! Não deixe a palavra ‘lacto’ te assustar, essa delícia é 100% vegana. Isso significa que o tofu, depois de coagulado, foi fermentado por bactérias do bem que não só vão morar na sua flora intestinal e fazer uma festa de arromba  com a população nativa (o que terá consequências muito boas pra suas saúde), como o sabor melhora 137%. Eu expliquei aqui que tofu precisa de uma preparação carinhosa se você quiser transformar esse bloco insípido em uma comida deliciosa. Mas esse tofu lactofermentado é gostoso em seu estado natural (na minha opinião só precisa de uma pitada de sal). E ele ainda tem versões ainda mais saborosas: pesto (ingredientes: soja, bactérias, manjericão, azeite, óleo de canola e sal), azeitonas e tamari. Delícia em uma salada simples com tomate e manjericão fresco (fiz essa salada durante vários dias seguidos, de tão bom que ficou), em sanduíches e lasanhas. E a dica da dona da loja de produtos orgânicos onde comprei essa e todas as maravilhas desse post: use pra rechear tomates cereja e servir como aperitivo.

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Patê de tofu lactofermentado

Deixa eu declarar meu amor por essa marca, que é a mesma do tofu mencionado acima. Os produtos são veganos, orgânicos e a soja é cultivada na França (um produto local, o que diminui a pegada ecológica- pros franceses, lógico- e deixa a Amazônia em paz, não utilizando a soja cultivada lá e que está destruindo a floresta) e não é transgênica. Eu já conhecia e adorava essas pastas pra passar no pão(na prateleira superior da foto acima), que têm um sabor muito próximo do “cream cheese” francês (alguém por aí já comeu Boursin?). Descobri novos sabores (são seis ao todo!), mas o meu preferido continua sendo o de algas e o de alho e ervas finas.

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Biscoitos pro café da manhã da marca “Le Moulin du Pivert”

Embora eles sejam consumidos no café da manhã na França (essa é a tradução de “P’tit Déj’), esses biscoitos só entram na minha boca na hora do lanche. Por mais “integral” e “orgânico” que seja, não consigo chamar biscoito doce de “café da manhã”, mas eles são uma delícia no final da tarde, acompanhados de um chá. São feitos com cereais integrais, incluindo uma boa dose de aveia, açúcar mascavo, frutas secas e, o ingrediente especial que faz com que eles sejam totalmente deliciosos, manteiga de cacau. Geralmente biscoitos veganos têm óleo vegetal no lugar de manteiga e a textura e o sabor acabam sempre sofrendo um pouco. Mas ao substituir a manteiga animal por manteiga de cacau, esses biscoitinhos adquirem uma textura amanteigada irresistível e o sabor fica ainda melhor (na minha opinião). Meu preferido é, de longe, o de cacau e gotas de chocolate amargo (na foto de abertura desse post, acompanhando o chá), mas o de figos secos e passas também é bom. O terceiro sabor (na foto acima, à direita) não é vegano pois tem mel.

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Torradas de cereais sem glúten

Mais uma descoberta incrível. Eu adoro pão integral, feito com levain (fermento natural) e minha alimentação não é isenta de glúten. Mas procuro reduzir ao máximo alimentos ricos em glúten, pois meu estômago é mais feliz sem ele. Por isso adorei essas torradinhas feitas somente com cereais integrais e uma pitada de sal marinho. E mais nada! A base de é feita com arroz e trigo sarraceno (que apesar do nome, não é trigo e nem sequer é um cereal. É uma semente e tem zero glúten), mas tem versões que também incluem quinoa, milheto ou cebola. Tem até dois sabores doces: cacau e coco. As torradinhas são ultra crocantes e leves e perfeitas pra acompanhar os patês de tofu, queijo de castanha ou qualquer outra pasta vegana.

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A ratatouille de Marcelle 

Marcelle é uma tia-avó de Anne que tem 89 anos e ainda transborda energia. Ela faz a melhor ratatouille que já comi na vida, por isso sempre que somos convidadas pra comer na casa dela, peço pra ela preparar esse prato. Dessa vez pedi também instruções detalhadas de como faze-lo, pra poder dividir essa pérola com vocês. As quantidades não foram especificadas, mas você pode usar a receita de ratatouille que publiquei aqui no blog tempos atrás como guia e mudar somente o método de preparação.

1-Aqueça uma boa quantidade de azeite e refogue a cebola cortada em fatias até amolecer. Junte abobrinha, berinjela e pimentão (verde ou vermelho) cortados em pedaços médios mais alho picadinho. Refogue, mexendo de vez em quando, em fogo baixo, até os legumes ficarem bem macios. Junte o tomate e deixe cozinhar mais um pouco, até eles começarem a se desfazer. Tempere com sal, pimenta do reino e salsinha fresca picadinha (eu sempre uso tomilho desidratado, mas Marcelle usa salsinha fresca).

2-Agora vem o segredo da ratatouille de Marcelle. Enquanto as pessoas param por aqui e servem a ratatouille nesse ponto, ela transfere tudo pra uma travessa rasa, rega com bastante azeite e leva ao forno médio até os legumes começaram a ficar dourados (dependendo do seu forno vai levar de 30 minutos a uma hora). Deixe descansar no forno apagado por mais alguns minutos antes de servir.

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