O primeiro tour Papacapim na Palestina de 2015 acabou faz uma semana. Sei que muita gente está esperando pra saber os detalhes, e ver as fotos, da viagem, mas é tanta informação que vou precisar fazer alguns posts pra conseguir mostrar tudo. E, como fiz ano passado, vou começar com a parte mais agradável e simples de contar: comida.

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Só uma pessoa no grupo era vegana, as outras três eram vegetarianas (elas tinham feito a transição não muito tempo atrás). E acreditam que um dos vegetarianos se tornou vegano durante o tour? Ele já estava ensaiando o veganismo há um tempo, mas me disse que dessa vez ele ia se manter firme no veganismo. Sempre explico pros participantes não-veganos que apesar de só entrar comida vegetal na nossa casa palestina, nos restaurantes cada um é livre pra pedir o que quiser. O pessoal desse ano decidiu aceitar a aventura de ser vegano por duas semanas e adorei mostrar todas as delícias naturalmente veganas que a Palestina tem pra oferecer.

Degustar a gastronomia palestina é uma parte importante do tour, não só pra mostrar a riqueza da culinária desse povo, que ainda surpreende muita gente que cresceu com ideas pré-concebidas sobre a Palestina, mas também pra que as pessoas vejam que comida vegana pode ser acessível, barata e fazer parte do patrimônio cultural de um povo desde sempre. E, um detalhe que alguns carnistas acreditam ser impossível, que comida 100% vegetal pode agradar onívoros também. Afinal nunca encontrei um palestino, por mais adorador de carne que fosse, que não adorasse, e consumisse regularmente, hummus e falafel.

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Sobre as fotos:

1-Café da manhã típico, no campo de refugiados de Aida, onde ficamos hospedados durante as duas semanas do tour. Aqui tem: pão, azeite, za’atar (um tipo de tomilho selvagem, desidratado e misturado com gergelim), batata doce, hummus, azeitonas locais, falafel, pepino e mini berinjelas recheadas com nozes e pimenta.

2- Mais um café da manhã no campo.

3-Provando pickles na feira (suk) de Hebron.

4 e 5- Aula de culinária com as mulheres do projeto Noor.

6- Jantar com a família de Islam, que nos hospedou no campo de Aida.

7- Amêndoas locais na casca (foto de Diego).

8- Romã, pronta pra ser transformada num dos sucos mais populares daqui (foto de Diego).

9- Berinjela se transformando em muta’abal.

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10, 11- Hosh Yasmin, meu restaurante preferido na região. Fica em Beit Jala, do lado de Belém, e o dono cultiva quase tudo que ele serve ali mesmo, utilizando os princípios da permacultura. É tudo orgânico, fresquinho e delícia! E pra ficar ainda melhor, eles adaptam todos os pratos do cardápio que não são veganos. Ou seja, você pode pedir absolutamente tudo que eles trazem em versão 100% vegetal.

12- Almoço no Hosh Yasmim. Alguns pratos tradicionais palestinos: folhas de parreira e mini abobrinhas recheadas com arroz, fuhara (legumes cozinhados lentamente em uma panela de barro, no forno à lenha), berinjela com tomate, fatush (salada crua com pedaços de pão integral fritos no azeite).

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13, 14- A melhor loja de especiarias de Nablus, cidade no norte da Palestina.

15- O hummus de Abu Shukri, o melhor de Jerusalém e do mundo inteirinho (na minha opinião, mas há controvérsias).

16- A mercearia do meu amigo Tawfic, em Belém. Além das especiarias maravilhosas, ele vende o próprio azeite, que é um dos meus preferidos (foi o que servi pro grupo durante todo o tempo que cozinhei pra eles e foi também esse azeite que voltou na mala dos participantes).

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17-A doceira ultra secreta na cidade antiga de Jerusalém onde é feito mutabak (massa filo recheada com nozes e canela ou queijo fresco), uma sobremesa típica da Palestina. O senhor, de uma destreza impressionante, faz massa filo na mão (!!!!!!) e prepara cada mutabak na sua frente. O lugar só vende mutabak (as duas versões) e a receita passa de geração em geração há muitos anos.

18- Mutabak de nozes e canela, recém saído do forno.

Claro que o grupo voltou pra casa com a mala cheia de gostosuras e temperos daqui, pra prolongar o prazer da viagem aí no Brasil. Cenas do próximo capítulo: a tão esperada colheita de azeitonas.

(Agradecimentos especiais a Diego, que me emprestou duas fotos 🙂