Ratatouille

 

Desde a semana passada convivo com uma gripezinha chata que vai e volta sem no entando me deixar de vez. É muito raro eu ficar doente, acredito que devo isso à minha dieta super natural, então não vou reclamar. Até porque a gripe que me acompanha atualmente, além de não ser das mais pesadas, tem uma característica muito estranha: abriu meu apetite. Parece que quando o tempo esfria nada consegue calar meu estômago. Passei a semana me sentindo febril, com dor de cabeça e nariz escorrendo, mas isso não me impediu de fazer sopa atrás de sopa (meu jantar preferido no inverno) e até assar uma dúzia desses bolinhos maravilhosos.

Mas chegou uma hora em que meu corpo adoentado implorou por um dia inteiro na cama e nem meu estômago faminto foi capaz de me levantar. Quando me encontro incapacitada de cozinhar, seja por motivo de doença (raro) ou cansaço (mais frequente), Anne assume o comando do fogão. Na era “pré-Sandra” da sua vida, ela costumava cozinhar e até gostava. Mas isso foi antes de eu me mudar pra casa dela, me apossar da sua cozinha e declarar que aquele era meu território e que ela só teria o direito de adentrá-lo pra lavar a louça. Desde então ela parou quase totalmente de cozinhar e teve que se conformar com sua nova função de lava-pratos. Antes que digam que sou uma pessoa controladora vou logo me defender: eu cozinho muito melhor que Anne. Por que nos contentar de comida “mais ou menos” quando podemos degustar algo muito mais delicioso? Tem um prato porém que ela prepara divinamente bem, tão bem quanto eu: ratatouille. Então quando ela assume o controle da cozinha, por que estou muito cansada ou doente, ela quase sempre prepara ratatouille.

Ratatouille (se pronuncia “ra.ta.tu.ie” e é um substantivo feminino) é um prato francês  com legumes que além de simplérrimo e delicioso é o único naturalmente vegano desse país. Pelo menos nem eu nem Anne (que é francesa) conhecemos outra receita típica francesa que também seja vegana. Esse é um prato fácil e rápido de fazer, mas se você escolher ingredientes frescos e maduros o resultado será riquíssimo em sabor. Não cura gripe mas reconforta, principalmente se outra pessoa preparar pra você. Agora com licença que vou voltar pra cama com meu prato de ratatouille.

 

Ratatouille

A abobrinha daqui é menor que a do Brasil então as quantidades são aproximadas. Anne usa três abobrinhas palestinas e imagino que seja o equivalente de duas médias aí. Mas não se preocupe que um pouco mais ou um pouco menos de abobrinha não vai estragar a receita. Anne gosta de comer ratatouille com arroz, eu gosto de comer com um pão rústico com cereais. Se quiser uma refeição mais robusta (e completa), sirva com tofu assado ou um burger vegetal, como esse aqui.

1 beringela média

2 abobrinhas médias

1 pimentão vermelho

4x de tomate picado

1 cebola

2 dentes de alho picados

3cs de azeite

sal e pimenta do reino a gosto

½ cc de tomilho seco ou 1cc de tomilho fresco (opcional)

Corte a beringela e a abobrinha em cubos médios. Corte o pimentão em pedaços médios e pique a cebola. Aqueça 2cs de azeite e refogue a cebola até ficar ligeiramente dourada. Junte o pimentão e o alho e mexa bem. Acrescente a beringela e a abobrinha e refogue alguns minutos em fogo baixo, mexendo de vez em quando pra não pregar na panela. Quando os legumes tiverem amolecido um pouco e ganhado uma corzinha junte o tomate, o tomilho (se estiver usando) e tempere com sal. Cubra e deixe cozinhar em fogo baixíssimo até os legumes ficarem bem macios e os tomates se transformarem em um molho espesso (não precisa colocar água). Corrija o sal, junte uma pitada generosa de pimenta do reino e regue com 1cs de azeite antes de servir. Serve 2-4 pessoas, dependendo dos acompanhamentos. Ratatouille é ainda melhor no dia seguinte.