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sopa jerimum gengibre e coco

Muito obrigada pelos comentários que vocês deixaram no meu último post. Vocês são minha motivação pra manter esse blog no ar, me dão forças pra continuar quando o trabalho parece grande demais pros meus frágeis ombros e me inspiram a ser uma pessoa cada vez melhor. Em 2012 o Papacapim foi visto mais de meio milhão de vezes e saber que tem tantos pares de olhos acompanhando o meu trabalho dá um certo frio na barriga (medo de decepcionar vocês), mas também dá vontade de ir cada vez mais longe, na cozinha e fora dela. Já tenho uma lista imensa de posts que gostaria de escrever, então se preparem que tem muita coisa interessante vindo por aí. Sigam-me os bons!

As férias na França são sempre recheadas de receitas deliciosas e dessa vez não foi diferente. Mas cozinhar em uma casa com oito adultos, três crianças e uma árvore de natal gigantesca significa que é impossível fotografar os pratos antes deles serem devorados. Mas alguns pratos fizeram tanto sucesso que fiz várias vezes durante as duas semanas que passei na casa do meu sogro e na segunda vez tomei o cuidado de fotografa-los antes de coloca-los na mesa.

Essa sopa apareceu aqui no blog tempos atrás e desde então várias pessoas se apaixonaram por ela. Minha irmã Lu fez essa receita lá em Natal e toda a família adorou. Fiz uma versão ligeiramente modificada dessa vez, omitindo o óleo de gergelim (muito difícil de encontrar) e acrescentando leite de coco pra deixar a textura e o sabor mais ricos. Também simplifiquei a receita, cozinhando o jerimum sobre o fogão, ao invés de assar no forno antes de fazer a sopa. Em duas semanas, fiz essa sopa três vezes, inclusive na festa de aniversário da minha cunhada (minha sopa foi o primeiro prato que desapareceu do buffet e olha que eu tinha feito um senhor caldeirão!).

Espero que esse primeiro fim de semana de 2013 seja ótimo pra todos nós (e os próximos também). E que o seu ano seja recheado de comida saborosa, vibrante, nutritiva e vegetal.

sopa jerimum gengibre e coco2

Sopa de jerimum (abóbora) com gengibre e leite de coco

Leite de coco caseiro é mais líquido e tem um sabor menos forte do que a versão industrializada, por isso sugiro usar um pouco mais do primeiro. Sinta-se livre pra ajustar a quantidade de coco de acordo com o seu gosto, mas tenha em mente que o coco entra aqui pra realçar os outros ingredientes e deve ser mais discreto do que o jerimum e o gengibre nessa receita. Jerimum de leite (cremoso, doce e compacto) é o ideal aqui, mas pode ser substituído por abóbora do tipo butternut (ou abóbora comum, se for tudo que você conseguir encontrar).

5x de jerimum de leite em cubos pequenos (ou abóbora do tipo butternut), sem casca

1 cebola pequena, picada

2 dentes de alho, picados

1 cs de gengibre fresco ralado

1 cubo de caldo de legumes (se possível sem conservantes e orgânico)

600ml de água

1cs de azeite

1x de leite de coco caseiro (ou 1/2x de leite de coco industrializado)

Sal a gosto

Um punhado de coentro pra servir

Refogue a cebola no azeite até ficar ligeiramente dourada. Junte o alho e o gengibre e refogue mais 30 segundos. Acrescente os cubos de jerimum, refogue durante alguns segundos, junte o caldo de legumes e cubra com a água. Cozinhe coberto até o jerimum ficar bem macio e o líquido tiver reduzido um pouco. Junte mais água se precisar, mas lembre-se de deixar uma boa parte do líquido, senão a sopa ficará muito líquida. Deixe esfriar um pouco e passe a sopa no liquidificador até ficar bem cremosa. Coloque a sopa de volta na panela, junte o leite de coco, prove e salgue a gosto. Se estiver usando leite de coco industrializado, talvez seja necessário acrescentar um pouco mais de água. A sopa deve ficar espessa e cremosa, mas não ao ponto de parecer um purê.  Aqueça a sopa em fogo baixo e sirva polvilhada com coentro picado. Rende 4 porções comportadas.

Maki com legumes crus, pasta de gengibre e algas marinhas

Alguns meses atrás falei sobre minha paixão por comida japonesa e publiquei minha receita preferida de makis. Se aquela versão já não era lá muito tradicional, a receita de hoje é ainda menos. Eu  contemplei a idéia de fazer makis crus durante muito tempo antes de me aventurar a prepará-los. Eu gosto tanto dos meus makis que experimentar outra versão, ainda mais ousada assim, me parecia sem sentido. Meus makis já eram perfeitos (pro meu gosto), então porque fazer algo diferente? Ainda bem que minha cabeça dura acabou amolecendo e hoje não entendo porque levei tanto tempo pra experimentar essa delícia.

 Embora uma parte dos makis tradicionais seja sempre crua (o peixe, os legumes), substituir o arroz por uma pasta de oleaginosa pode parecer bastante exótico. Mas confie em mim, basta abocanhar o primeiro maki pra se dar conta que a mistura da folha de nori com o cremoso da pasta e o crocante dos legumes não faz feio diante dos makis tradicionais. Além da variedade de texturas, tem a mistura de sabores que se casam perfeitamente: gengibre, wakame, nori, cenoura, pepino, shoyo…

 Se você é um(a) noviço(a) em matéria de algas marinhas, saiba que os legumes do mar são riquíssimos em minerais e deveriam aparecer com mais frequência na nossa dieta. O sabor é marinho (surpresa!) mas a intensidade varia dependendo da alga. Wakame e nori são bastante suaves, sendo as escolhas ideais pras pessoas que não tem costume de comer algas. Eu já confessei aqui que era uma adoradora de peixe durante minha existência pre-vegana (sejamos honestos: eu ainda adoro peixe, só que agora não deixo mais o prazer gustativo passar na frente dos meus valores morais), então ter descoberto o maravilho mundo das algas foi pra mim o equivalente de ter achado um tesouro enterrado. Adoro o delicado sabor marinho que elas trazem pros pratos, que pra mim lembra bastante o gosto dos bichinhos do mar. Assim, além de acrescentar muitos minerais (entre outros nutrientes) à minha dieta, degusto as delícias do mar sem sacrificar nenhum peixinho.

 

Maki com legumes crus, pasta de gengibre e algas marinhas

As amêndoas dão “corpo” à pasta e aumenta a quantidade de proteína do prato, mas o sabor que predomina é o do gengibre, seguido pelo wakame. Se não encontrar wakame, use folhas de nori esfareladas. A pasta não tem um sabor muito intenso, mas é intencional. Eu não a comeria passada em uma fatia de pão, por exemplo, mas combinado com os outros ingredientes do maki fica absolutamente perfeito.

 Pra fazer a pasta

1x de amêndoas, de molho por 8 horas

1cs de gengibre fresco picado

4cs de suco de limão (1 limão pequeno)

1 dente de alho pequeno

1 1/2cs de wakame desidratado (ou 2 folhas de nori esfareladas)

1/2cc de sal

1x de água

Pra montar os makis

1 cenoura média

1 pepino médio

½ pimentão vermelho

1x de broto de alfafa

6 folhas de nori

gengibre em conserva e shoyo pra servir

Comece preparando a pasta de gengibre. Triture todos os ingredientes no liquidificador até as amêndoas se desfazerem e a mistura ficar homogênea. Transfira pra um recipiente pequeno e deixe repousar enquanto você prepara os legumes. O wakame vai absorver a água da mistura e se rehidratar, deixando a pasta mais espessa. Rale a cenoura no ralo grosso. Corte o pepino e o pimentão em tirinhas finas. Disponha todos os ingredientes lado a lado pra facilitar a preparação dos makis. Uma esteira de sushi (feita de bambu) ajuda na hora de enrolar os makis, mas não é indispensável.

 

Espalhe 1cs cheia de pasta sobre uma folha de nori, deixando uma faixa de uns 3 cm sem pasta. Junte um pouco de cenoura ralada, alguns palitos de pepino e umas tirinhas de pimentão.

Sobre os legumes, disponha uma camada generosa de broto de alfafa.

Lave e seque bem as mãos. Enrole o maki como se fosse um rocambole, apertando bem, fazendo pressão com as duas mãos do centro em direção às bordas. Veja fotos do processo aqui. Repita a operação com o restante dos ingredientes. Pra fazer makis sempre do mesmo tamanho, divida os ingredientes em seis porções iguais (separe “montinhos” no prato onde eles estiverem). Assim você evita de colocar pepino demais em um rolinho, cenoura demais em outro… Quando acabar de enrolar os makis, corte cada rolinho, começando pelo primeiro que você enrolou, em seis pedaços (por ser mais delicado que um maki com arroz, gosto de cortar meus makis crus em pedaços um pouco maiores). Uma serrinha bem afiada faz um ótimo trabalho aqui: com uma mão segure firmemente o rolinho e com a outra faça movimentos de vai e vem com a faca. Disponha os makis sobre um prato grande e sirva acompanhado de gengibre em conserva e shoyo. Rende 36 makis (2 porções como prato principal ou 4 como entrada).

Uso wakame em pedacinhos pequenos (não em flocos)

Sopa de jerimum e gengibre

 

Ser professora substituta na escola maternal francesa está sugando todas as minhas forças. Eu fui baby-sitter durante todos os meus anos de faculdade e sobrevivi sem nenhuma sequela (tirando, talvez, uma vontade ainda mais firme de não ter filhos), mas eu cuidava de uma ou duas crianças por vez. Cuidar de nove crianças de três anos ao mesmo tempo, durante seis horas por dia, é de enlouquecer. Professores de escolas maternais, eu vos admiro muito. Acho que as prefeituras deveriam erguer estátuas em homenagem a esses heróis.

O cansaço e o frio, o termômetro não pára de baixar por aqui, andam destruindo toda minha ambição culinária. Quando entro na minha cozinha gelada (eu e a cozinha) só tenho vontade de uma coisa: algo simples, rápido e quente. Pra mim a melhor maneira de combinar essas três palavras em um prato é fazer uma sopa. Algumas das minhas sopas preferidas são elaboradas, levam vários ingredientes e cozinham durante horas, mas estou explorando uma nova categoria de sopas que usam poucos elementos e ficam prontas em minutos, sem no entanto deixar a desejar no quesito sabor. O segredo é usar ingredientes de qualidade e acrescentar um toque de originalidade.

Analisemos a sopa de hoje, por exemplo. Sopa de jerimum (ou abóbora, dependendo da região onde você mora) é um dos pratos mais simples que existe. Um pouco de cebola refogada no azeite, uns dentinhos de alho, caldo de legumes, jerimum e está pronto. Tão simples que eu, boba que sou, nunca tive vontade de experimentar, achando que algo tão singelo só podia ser sem graça. Como eu estava errada! O fato é que mesmo sendo natural do Rio Grande do Norte, onde o delicioso jerimum de leite é presença garantida em todas as mesas, provei minha primeira sopa de jerimum ontem. O que me fez ter vontade de experimentar a tal sopa, depois de 29 anos de preconceito gastronômico? Gengibre. A idéia de juntar um pouco de gengibre à sopa atiçou minha curiosidade. Então ontem tive uma revelação  na minha cozinha gelada. Misturando poucos ingredientes nasceu uma sopa absolutamente deliciosa e surpreendente.

Não cometa o mesmo erro que cometi, deixando a simplicidade dos ingredientes te afastar dessa maravilha. Ao assar o jerimum, o sabor fica mais concentrado e ligeiramente caramelizado. Um pouco de gengibre e um toque de óleo de gergelim complementam perfeitamente a doçura do jerimum, sem no entanto ofuscá-lo. Se ainda não te convenci da necessidade de preparar essa sopa o mais rápido possível, aqui vão mais dois argumentos. Se o jerimum estiver assado, a sopa fica pronta em menos de 15 minutos e é super fácil de preparar. Simples, fácil, rápida e deliciosa. Tudo que eu preciso pra esquecer que ainda tenho que encarar dois dias na escola maternal.

 

Sopa de jerimum (abóbora) e gengibre

Eu usei abóbora do tipo “butternut”, que é bem doce e a polpa, quando cozida, é super cremosa. O sabor e a textura são idênticos ao nosso jerimum de leite, então é o que recomendo você usar nessa sopa. Se na sua região não tem jerimum de leite pegue o primeiro avião pro Nordeste use uma abóbora comum. Como expliquei acima, gosto de assar o jerimum no forno antes de acrescentá-lo à sopa. O sabor fica mais concentrado e a textura ainda mais cremosa, além de  me poupar do trabalho (desagrádavel) de descascá-lo. A quantidade de água necessária varia de acordo com o teor em água do jerimum usado. Começe com um pouco menos do que o recomendado na receita e junte um pouco mais, se preciso. O óleo de gergilim é opcional, mas acrescenta mais uma camada de sabor à sopa.

3x de polpa de jerimum assado (instruções no final do post)

1/2 cebola picada

2 dentes de alho picados

1 cs de gengibre fresco ralado

1 cubo de caldo de legumes (se possível sem conservantes, com pouco sódio e orgânico)

600ml de água (ou menos, dependendo do seu jerimum)

1cs de azeite

1cc de óleo de gergelim (opcional mas fortemente aconselhado)

Refogue a cebola no azeite até ficar ligeiramente dourada. Junte o alho e o gengibre e refogue mais 30 segundos. Desligue o fogo e acrescente a polpa de jerimum assado, o caldo de legumes, 500ml de água e mexa bem. Triture tudo no liquidificador até a sopa ficar cremosa e sem nenhum pedacinho de cebola ou gengibre visível. Coloque a sopa de volta na panela e, se a consistência estiver muito grossa, acrescente mais 100ml de água. A sopa é bem espessa mas não deve ficar parecida com um purê. Aqueça a sopa e quando começar a ferver desligue o fogo. Junte o óleo de gergelim, se estiver usando, misture bem e sirva. Serve duas porções generosas.

Pra preparar o jerimum:

Aqueça o forno em temperatura média/alta. Lave o jerimum, corte-o em pedaços grandes e retire as sementes.  Não precisa descascar. Coloque os pedaços em uma travessa com o lado da casca pra baixo, cubra com papel alumínio e asse até a polpa ficar bem macia. Espete um pedaço de jerimum com um garfo: se entrar sem nenhuma resistência está pronto. Deixe esfriar um pouco e recolha a polpa com uma colher. Separe 3x e guarde o resto pra outra utilização. Assar o jerimum leva um certo tempo, mas não exige sua presença na cozinha. Você pode colocá-lo no forno e ir cuidar da sua vida enquanto ele assa. Já que você vai se dar o trabalho de assar jerimum, faça como eu: cozinhe uma grande quantidade e congele uma parte da polpa pra usar mais tarde.  A vida é tão mais fácil quando temos algumas xícaras de polpa de jerimum assado no congelador…

Update pros amigos que estão na Europa: Se você usar um “butternut”, que é bem menor do que as abóboras encontradas no Brasil, não precisa cortá-lo em pedaços. Basta partí-lo ao meio, cobrir cada metade com papel alumínio e assar diretamente sobre a grelha do forno. Depois de cozido retire as sementes com uma colher e recolha a polpa.