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Você já provou manteiga de coco? Óleo de coco já é bem conhecido e parece estar por todos os lados hoje em dia, mesmo fora dos trópicos. Mas ano passado, quando estava no Brasil, vi  algo chamado “manteiga de coco” em uma loja de produtos orgânicos e fiquei intrigada. Como o preço chegava a ser ridículo de tão caro, coloquei o potinho de volta na prateleira e continuei o meu caminho.

Enquanto pesquisava pra entender a diferença entre óleo e manteiga de coco, descobri que era possível fazer manteiga de coco em casa, usando apenas um ingrediente: coco seco ralado. Se você não sabe a diferença entre a manteiga e o óleo de coco é preciso primeiro entender como os dois são feitos. Óleo de coco (virgem) é produzido quando prensamos a polpa seca do coco pra extrair toda a gordura (óleo), e somente a gordura, que tem ali. Já manteiga de coco é a mesma polpa seca triturada até se transformar em uma pasta cremosa. A manteiga de coco é um alimento integral, logo contém tudo que tem na polpa do coco: o óleo, fibras, proteína e  vitaminas. É o mesmo princípio da manteiga de amendoim ou de amêndoas.

Óleo de coco virgem (prensado a frio) é a versão do óleo que preserva seus nutrientes, mas é um produto caro e produzi-lo em casa é difícil.  Então fazer manteiga de coco, além se ser extremamente fácil, oferece a possibilidade de ter um produto que contém o óleo virgem, feito na sua cozinha e gastando muito menos do que você gastaria comprando óleo de coco virgem ou manteiga de coco no mercado. E eu acho o sabor ainda mais gostoso! Manteiga de coco tem uma suavidade incrível, como se fosse uma versão incrivelmente mais concentrada de leite de coco, com uma doçura natural irresistível. Eu tenho que me controlar pra não comer tudo de colher toda vez que abro o armário da cozinha.  Eu acho até que lembra bem de longe um bom chocolate branco.

Você pode usar manteiga de coco de várias maneiras, em praticamente todas as preparações em que você usaria óleo de coco (refogar alimentos, bolos, biscoitos), mas também simplesmente espalhada sobre uma fatia de pão. Na minha opinião ela é perfeita em preparações doces, justamente por ter um sabor ligeiramente adocicado.  Minha maneira preferida de consumir manteiga de coco é na papa de aveia (surpresa!). Como só comecei a fazer manteiga de coco recentemente, ainda não pude testar todas as possibilidades, mas imagino que deve ficar divino em uma tapioca.

 

Manteiga de coco

Use coco seco, daqueles comprados em pacotes em supermercados ou lojas de produtos naturais, sem açúcar e não do tipo “desengordurado” (sem gordura ele não vai se transformar em manteiga). Leia a embalagem pra ter certeza. Não estou falando do tipo de coco que aparece na primeira foto desse post! O coco da foto é maduro, mas fresco e o que você quer aqui é coco seco. Se puder usar coco orgânico, melhor ainda. Usei coco em fitas porque é o que acho com mais facilidade na loja orgânica que frequento, mas coco ralado funciona do mesmo jeito.

250g de coco ralado desidratado (leia explicações acima)

Bata o coco desidratado no processador (ideal) ou liquidificador potente, sem acrescentar nada (nem água!), até ficar líquido. Você vai precisar triturar durante alguns minutos e parar o motor e empurrar o coco na direção das lâminas algumas vezes durante o processo. Pode confiar que em algum momento o óleo natural do coco será liberado e a mistura vai ficar cremosa. Como uso um liquidificador potente (VItamix) isso leva apenas alguns segundos, mas dependendo do seu processador pode precisar esperar até 15 minutos antes de atingir o resultado esperado. A potência do seu processador também vai determinar o quão cremosa ficará sua manteiga, mas percebi que a versão caseira sempre fica mais “fibrosa”, com pedacinhos do coco inteiro, do que a industrializada, que é mais lisa.

Transfira pra um pote de vidro limpo e guarde bem fechado, em temperatura ambiente. Rende aproximadamente 1x. Se conserva por algumas semanas. Na geladeira a manteiga se conserva até dois meses, mas a textura fica bem firme por causa da temperatura baixa.

 

Bolo de coco e cenoura

 

Minha irmã caçula me deu uma bronca por causa do post sobre o pavê de banana. Ela disse que eu fui muito ríspida com meus leitores. Desde então me sinto culpada. Essa irmã tem o dom de me fazer sentir culpada, mas na maior parte do tempo isso é uma coisa boa. Ela me faz refletir sobre meus atos e palavras, o que me ajuda a evoluir e a me tornar uma pessoa melhor. O problema é que ela também é… ríspida. Parece que a rispidez é algo que todos nós herdamos na  família.

Açúcar pra mim é uma droga (no sentido literal). Não tem nutriente nenhum, causa inúmeras doenças e cria uma enorme dependência. Um dia explicarei, com todos os pormenores, porque acho que açúcar é um demônio, mas isso terá que esperar um pouco. Hoje, pra tentar me desculpar por ter sido tão dura com os dependentes amantes de açúcar, vou publicar mais uma receita doce e vou deixar meus leitores livres pra escolher a quantidade de açúcar que quiserem usar. ½ x, ¾ x, 1x ou até mais, você decide. Prometo não dizer absolutamente nada. E se você fizer seu bolo super doce e me oferecer um pedaço, juro que vou dar uma mordida e fazer “huuuum”(e não vou esconder o resto da fatia embaixo do tapete quando você não estiver olhando).

Quando crio receitas começo escolhendo uma base, normalmente uma receita que vi em um livro, revista ou site, e modifico de acordo com meus gostos e vontades. Esse bolo foi uma das poucas vezes que fui misturando ingredientes sem ter uma receita pra me guiar. Sempre cozinho assim quando preparo pratos salgados, mas isso é uma coisa arriscada quando se trata de bolos. Enquanto misturava a massa, vi o bicarbonato reagir com o suco de limão e tudo se transformar em uma espuma de coco e pensei: “Fiz uma bomba e ela vai explodir no forno”. Tínhamos sido convidadas pra jantar na casa de amigos e o bolo era a sobremesa que eu tinha prometido levar. Não dava mais tempo de preparar outra coisa então coloquei o bolo no forno e fiquei torcendo pra que o calor transformasse aquela coisa estranha  em algo comestível. E deu certo! Meus amigos adoraram o bolo e repeti a receita dezenas de vezes desde então.

Esse bolo é aerado, úmido e intensamente perfumado com coco. Acha a idéia de combinar coco e cenoura estranha? Nada tema! A cenoura entrou na receita pra aumentar a quantidade de fibra, e acrescentar um toque de doce natural, mas a verdade é que o gosto desaparece completamente. Além do sabor maravilhoso, a textura desse bolo é super delicada e se desfaz na boca. Com uma xícara de café fresquinho, é a melhor desculpa pra interromper suas atividades verspertinas e curtir um delicioso lanchinho.

Antes de partir pra receita, gostaria de fazer um anúncio. O site natalense “Óbvio e Atual”  fez uma matéria sobre meu trabalho na Palestina. Quem estiver curioso pra saber o que faço quando não estou cozinhando é só clicar aqui.

 

Bolo de coco e cenoura

Se não encontrar amêndoas em pó, triture amêndoas inteiras no liquidificador até atingir a textura de uma areia fina. Tenha em mente que esse bolo é leve e delicado, bem diferente dos bolos de coco ou cenoura tradicionais. Quando faço o bolo aqui em casa, uso somente ½ x de açúcar, pois detesto bolos doces demais. Com 3/4x você conseguirá um resultado mais docinho, mas ainda delicado. Pra que a doçura do bolo se aproxime mais dos bolos convencionais aumente essa quantidade pra 1x ou mais, dependendo do seu gosto.

1/2x, 3/4x ou 1x de açúcar demerara (dependendo do seu gosto)

200ml de leite de coco

3/4x de farinha de trigo

3/4x de amêndoas em pó

1cc de fermento

1/2cc rasa de bicarbonato

raspas de 1 limão

1/4x de suco de limão

1x de coco ralado (seco)

1x de cenoura ralada

Aqueça o forno em temperatura média. Esquente o leite de coco em fogo baixo. Quando estiver bem quente (não deixe ferver), despeje o coco ralado, cubra e deixe hidratar por meia hora. Misture os ingredientes secos: farinha, amêndoas em pó, fermento, bicarbonato e açúcar. À parte misture os ingredientes molhados: coco hidratado frio (com o leite de coco), cenoura ralada, suco e raspas de limão. Despeje os ingredientes secos sobre os molhados e mexa delicadamente com um batedor manual (“fouet”) até tudo ficar bem misturado. Não bata a massa, misture com movimentos suaves.  A massa terá uma conscistência aerada e leve, quase como uma espuma. Despeje a massa em uma forma pequena e rasa untada e enfarinhada e coloque no forno.  Não indico o tempo que você deve deixar o bolo no forno porque dependendo do forno e da forma usada, esse tempo variar muito. Verifique se o bolo depois de 30 minutos e veja se precisa de mais um tempinho no forno. Cuidado pra não deixar cozinhar demais, senão o bolo fica seco (o bolo da foto ficou ligeiramente tostado). Quando estiver dourado e passar no teste do palito, o bolo está pronto.  Deixe esfriar completamente antes de degustar. Sirva com café ou chá.