Archives for posts with tag: como preparar

Por alguma razão incompreensível pra mim beterraba parece ser um dos vegetais menos apreciados, principalmente pelo pessoal menor de 12 anos. Meu amor por beterraba pode ser medido pela quantidade de receitas à base desse legume que apareceu aqui no blog, então se você não sabe o que fazer com ela, aqui vão algumas dicas.

Primeiro de tudo, percebi que beterraba orgânica é cem vezes mais saborosa do que beterraba não orgânica. Em alguns vegetais essa diferença de sabor é pequena e às vezes até imperceptível, mas em outros a diferença é gigantesca. Lembro de ter comprado umas beterrabas não orgânicas em um supermercado de Natal durante as férias desse ano e depois de cozinhadas e descascadas quase grito quando coloquei um pedaço na boca. Aquelas beterrabas foram os legumes mais insípidos que já provei e a aparência anêmica deixou a experiência ainda mais desagradável. Mas não pensem que a foto acima mostra as beterrabas anêmicas e insípidas de Natal. Essas são beterrabas brancas rajadas de vermelho (totalmente psicodélicas!), orgânicas e deliciosas, que comi na França uns meses atrás. Então se você puder, compre beterrabas orgânicas. E peça ao feirante pra trazer suas beterrabas com as folhas (alguns vedem com, outros sem, mas você sempre pode pedir pra que ele não descarte as folhas das suas beterrabas na semana seguinte). Assim você leva dois legumes pra casa! Folhas de beterraba são uma delícia em saladas e sucos verdes.

 IMG_2151

Na hora de escolher suas beterrabas prefira as menores (são mais saborosas) e as mais firmes (apalpe com o polegar pra conferir). Se a casca estiver enrugada e meio mole, ela foi colhida há muito tempo e terá perdido uma parte do sabor e das vitaminas. Claro que isso também vai acontecer na sua geladeira, se você esperar vários dias antes de consumir as beterrabas que trouxe pra casa.

Beterraba é extremamente versátil e pode ser consumida crua, cozida ou assada. Confesso que nunca me aventurei a assar beterrabas, mais assim que a minha cozinha tiver um forno, vou testar esse método e volto aqui pra contar. Imagino que o sabor fica mais concentrado, como todos os legumes assados no forno, por isso estou ansiosa pra experimentar.

As instruções pra quem quiser cozinha-la são fáceis: lave bem suas beterrabas, coloque-as inteiras e com casca (mas sem as folhas) em uma panela de pressão e cubra tudo com água fria, passando alguns centímetros do nível das beterrabas. Tampe a panela de pressão e leve ao fogo. O tempo de cozimento vai depender do tamanho da sua beterraba. Beterrabas médias levam cerca de 20 minutos (a partir do momento em que a panela começar a apitar) pra ficarem macias, mas adapte o tempo de cozimento de acordo do tamanho das suas beterrabas. Depois que a pressão for liberada,  abra a panela e espete as beterrabas com uma faca. Se não estiverem macias o suficiente, feche a panela e coloque de volta no fogo por mais alguns minutos. Com um pouco de prática você saberá quanto tempo cada beterraba precisa pra ficar do jeito que você gosta. Depois de cozidas retire-as da água, deixe esfriar um pouco e descasque. Esfregue a casca entre os dedos e ela vai se soltar facilmente. Agora elas estão prontas pra serem consumidas (cortadas em cubos ou fatias). Se você for um grande fã de beterraba, ou se sua família for grande, você pode cozinhar uma grande quantidade e guarda-las (ainda com a casca) em um recipiente fechado na geladeira por alguns dias. Descasque somente na hora de consumir.

Claro, você pode escolher consumi-las cruas e evitar o trabalho acima. Por ser um legume bastante firme, a melhor maneira de consumi-la crua é ralada. Assim a textura é muito mais agradável. Mas não esqueça de usar um avental na hora de ralar beterrabas, pois elas podem manchar suas roupas.

Não sabe o que fazer com beterrabas? Aqui vão algumas receitas pra inspirar vocês.

Salada de repolho, beterraba e maçã

Uma das minhas saladas preferidas: salada de beterraba crua, repolho roxo e maçã.

 salada de beterraba e nozes3

salada beterraba e laranja2

Salada de beterraba e rúcula

Receitas com beterraba cozida que já apareceram aqui no blog: salada de beterraba com nozes, salada de beterraba e laranja e salada de beterraba e rúcula. E abaixo, uma inédita.

salada beterraba endro

Salada de beterraba com endro (aneto) e semente de girassol

Corte duas beterrabas cozidas (médias) em cubos pequenos e junte um punhado de cebolinha picada, um punhado de endro (aneto) picado e um punhado de sementes de girassol ligeiramente tostadas (toste as sementes em um frigideira seca, mexendo sempre, até ficarem douradas). À parte misture 1cc de mostarda de Dijon, 2cs de vinagre balsâmico e 4cs de azeite e despeje o molho sobre a salada. Tempere com uma pitada de sal e outra de pimenta do reino e deixe descansar alguns minutos em temperatura ambiente (pros sabores ficarem mais intensos) antes de servir. Rende 2-4 porções como acompanhamento.

abobrinha

Abobrinha está longe de ser o meu legume preferido. Na verdade é um dos que menos gosto. Acho o sabor sem graça e por ser um legume que tem muita água (o que faz com que o sabor seja tão suave) a textura depois de cozida quase nunca me agrada. Mas existem maneiras de se livrar de uma parte da água e concentrar o sabor da abobrinha. A minha preferida é corta-la me fatias finas, regar com sal e azeite e assar no forno médio-alto até ficar ligeiramente caramelizada.

abobrinha

Também gosto de dourar as fatias na frigideira (com um pouco de azeite, sem nunca acrescentar água (abobrinha já tem água suficiente) pra não diluir o sabor e manter uma textura mais firme.

Ontem almocei com uma amiga em Jerusalém e ela preparou abobrinha de uma maneira inédita pra mim: com leite de coco. Nunca tinha me ocorrido misturar esse legume, que geralmente associo com a culinária italiana e palestina, com leite de coco, que uso nos pratos brasileiros e asiáticos. Mas a minha amiga cozinha muito bem e pelo jeito é chegada numa fusion food. No início achei a mistura ousada, mas depois de provar me apaixonei pelo prato. Como além de inusitada e deliciosa essa receita é facílima, eu precisava dividi-la com vocês.

abobrinha com leite de coco

Abobrinha com leite de coco

Adaptei ligeiramente a receita da minha amiga: juntei coentro e um pouquinho de limão, porque acho que eles são o complemento ideal pro leite de coco, e juntei uma pitada de pimenta calabresa pra deixar a mistura mais quente. Claro que vocês podem fazer sem a pimenta (tem quem não goste de ardor) e sem o coentro (por mais estranho que isso possa parecer pra mim, tem um pessoal que detesta essa erva).

600g de abobrinha (do tipo italiana), cortada em meias-luas finas

1 cebola grande, picada

4-6 dentes de alho, picados/ralados

3x de leite de coco

1cs de azeite

Sal, pimenta calabresa, pimenta do reino e noz-moscada

Suco de limão e um punhado de coentro

Aqueça o azeite em uma frigideira grande e funda e doure a cebola. Junte o alho, cozinhe mais 30 segundos e acrescente a abobrinha. Deixe cozinhar em fogo médio-alto durante alguns minutos, mexendo de vez em quando (fique de olho pra não deixar queimar). Quando uma parte da abobrinha estiver bem dourada junte o leite de coco e os temperos. Usei uma pitada generosa de noz-moscada, pimenta do reino e calabresa, mas tempere de acordo com o seu gosto. Deixe cozinhar mais alguns minutos, até uma parte do leite de coco evaporar e a abobrinha ficar bem macia. Desligue o fogo e junte um pouco de suco de limão (usei 1cs) e um punhado de coentro picado. Prove e corrija o sal, se necessário. Rende 4 porções como acompanhamento.

*Algumas sugestões pra servir: acho que essa abobrinha deve ficar arretada no recheio do meu omelete de grão de bico, mas também fica ótima servida com arroz (melhor se for basmati ou tai). Minha amiga serviu a abobrinha acompanhando gnocchi (eu disse que ela era chegada em misturar culinárias diferentes) e ficou supimpa.

Mais algumas receitas de pratos com abobrinha:

 antipasto beringela abobrinha copie

 Antipasto de abobrinha (e beringela, com alho e hortelã)

Espaguete com abobrinha grelhada e espinafre

Espaguete com abobrinha grelhada, espinafre e alho

 Espaguete de abobrinha com pesto de tomate

Espaguete de abobrinha com pesto de tomate (receita crua e sem glúten)

E antes de me despedir, agradeço a todos que deixaram comentários no meu último post. Adorei receber os parabéns de vocês e espero poder comemorar muitos outros aniversários do blog. E o azeite de Tawfic está a caminho, Ju.

batatas

Faz tempo que não publico um post da série “Como preparar…”. Por um momento eu achei que esses posts eram simples demais pra interessar vocês. Mas algumas pessoas mencionaram a utilidade dessa série quando perguntei o que vocês gostariam de ver aqui em 2013, então ela está de volta. Meu leitores têm níveis diferentes de habilidade na cozinha, alguns são super avançados e outros são debutantes, então vou continuar misturando receitas elaboradas com algumas bem simples, pra que o Papacapim seja interessante pra todos.

Apesar de batata ser provavelmente o vegetal mais comum de todos, não tem muitas receitas com batata aqui no blog. A razão é simples, batata está longe de ser um dos meus legumes preferidos. Aliás, do ponto de vista culinário, nem considero batata um legume: pra mim ela pertence à mesma categoria do arroz, pão e macarrão. O curioso é que muitos vegs, principalmente os iniciantes, abraçam com todas as forças essa categoria. Não tem problema nenhum comer ítens dessa categoria de vez em quando (nem macarrão, pão etc.), mas é bom tomar cuidado pra eles não se tornarem a maior parte da sua dieta.

batata salteada1

Uma palavrinha sobre nutrição. Batata em si não é necessariamente ruim pra saúde, o grande problema é a maneira como ela é preparada. Não preciso convencer ninguém que batata frita e chips são preparações nutricionalmente pobres e o purê seria até interessante, se não acrescentássemos uma carrada de gordura saturada e colesterol (na forma de manteiga, leite e às vezes até queijo). Mas batatas cozidas ou assadas são inofensivas, com a condição de acompanha-las de condimentos saudáveis.

Aainda sobre o aspecto nutricional, uma batata pequena (138g) tem 3g de proteína, 3g de fibras e 22% da vitamina C que precisamos em um dia. A ironia é que vitamina C é a mais frágil de todas e é facilmente destruída pelo oxigênio (quando expomos a batata cortada ao ar), calor (do cozimento) e se dissolve na água em que for cozinhada, ou seja, como quase ninguém come batata crua (alguns crudívoros comem) boa parte dessa vitamina será perdida. O ideal é cozinhar a batata no vapor pra diminuir a perda de vitamina C, ou consumir o líquido no qual ela foi cozinhada (no caso de sopas, isso não é problema nenhum).

Descascar a batata é opcional.  A vantagem de deixar a casca é que ela é rica em fibras, ferro e magnésio, além de reduzir a perda de vitaminas e minerais durante o cozimento (principalmente se você cozinhar a batata inteira, com a casca, no vapor). O problema é que batatas são banhadas em vários agrotóxicos durante a produção e uma das maneiras de diminuir os resíduos desses venenos é lavando bem e descascando o vegetal. Reduz, mas não elimina completamente. Infelizmente os agrotóxicos contaminam também o interior da batata. Então se puder comprar batatas orgânicas, maravilha! Você poderá come-las com casca e ganhar mais nutrientes. Eu faço assim: quando consigo achar batatas palestinas, produzidas por pequenos agricultores (aqui eles usam pouco ou nenhum agrotóxico), como com a casca. Mas está cada vez mais difícil encontrar vegetais palestinos na feira (culpa da ocupação) e quando só encontro batatas vindas das grandes plantações israelenses (nada ecológicas), descasco.

Muitas luas atrás minha amiga Mona perguntou como é que eu fazia purê vegano e desde então fiz uma anotação mental: escrever um post sobre meus purês veganos (tenho várias receitas e prometo que elas são muito mais interessantes, tanto nutricionalmente quanto gustativamente, do que purês tradicionais). Um dia o post chega, mas hoje queria compartilhar com vocês algumas maneiras super simples de preparar batata .

batata salteada2

Batata salteada com cebola e salsinha

Uma receita muito simples, mas que faz bastante sucesso aqui em casa. Essas são as batatas que preparo com mais frequência.

2-3 batatas médias (dependendo do tamanho da sua frigideira)

1 cebola (pequena ou grande, dependendo da quantidade de batata utilizada)

Um punhado de salsinha fresca

Azeite, sal e pimenta do reino a gosto

Lave, descasque (ou não) e corte as batatas em fatias finas (mas não muito) e uniformes. Aqueça uma camada fina de azeite em uma frigideira grande e com tampa e distribua as fatias de batata em uma camada (o ideal é não encher demais a frigideira). Cubra e deixe cozinhar em fogo médio. Enquanto isso descasque a cebola, parta ao meio no sentido vertical e corte em fatias. Quando as batatas estiverem bem douradas em um lado sacuda a frigideira pra virar as fatias e dourar do outro lado. Espalhe a cebola por cima, cubra e deixe cozinhar mais alguns minutos. Cheque regularmente pra ver se as batatas estão começando a queimar (nesse caso diminua o fogo) e mexa os vegetais pra que a cebola também tenha uma chance de dourar. Quando as batatas estiverem macias (teste com a ponta de uma faca) e a cebola ligeiramente dourada tempere com sal (de preferência um sal marinho mais grosso) e pimenta do reino moída na hora. Desligue o fogo e polvilhe com salsinha fresca picada. Sirva imediatamente. Rende 2-3 porções como acompanhamento.

batata refogada com tomate

Batata refogada

Esse foi provavelmente o primeiro prato que aprendi a cozinhar na vida! Aprendi com minha mãe, que é muito boa nos refogados. Ela junta um tiquinho de colorau (urucum) pra dar cor às batatas, mas eu gosto de usar um tomate. Além de deixar as batatas menos pálidas, isso aumenta o sabor. Às vezes uso bastante tomate e transformo o refogado em “batata com molho de tomate”, como na foto acima. Mas confesso que prefiro a simplicidade da batata refogada (com um só tomate), que me lembra a comida de casa.

3 batatas médias, descascadas e cortada em cubos pequenos

1 cebola, picada

4 dentes de alho, picados/amassados

1 tomate (ou 4, se quiser fazer a versão com molho de tomate),  picado

Azeite, sal e pimenta do reino a gosto

Uma pitada de orégano (opcional)

Em uma panela média aqueça 1cs de azeite e doure a cebola. Junte o alho e deixe cozinhar mais 30 segundos. Coloque os cubos de batata na panela e refogue mais 2-3 minutos. Junte o tomate, o orégano (se estiver utilizando), sal e pimenta a gosto e 1/2x de água. Deixe cozinhar coberto, em fogo baixíssimo, até a batata ficar macia. Mexa de vez em quando pra não deixar a batata grudar no fundo da panela. Se você manter a panela coberta e o fogo bem baixo, não precisará acrescentar mais água, pois haverá vapor suficiente (da água e do tomate) pra cozinhar as batatas. Se estiver fazendo a versão no molho de tomate, junte os 4 tomates e cozinhe como indicado acima (nesse caso NÃO precisa acrescentar água nenhuma). Quando a batata estiver bem macia prove e corrija o tempero. Rende 3-4 porções como acompanhamento.

Mais receitas de batata por aqui (clique no nome do prato pra ver a receita):

Aloos masala

Aloo masala (batatas com ervilhas e temperos indianos).

panqueca batata2

Panqueca de batata alemã (delícia, delícia, delícia!)

Minha salada preferida (uma das coisas mais deliciosas do mundo!).

Salada de batata, tofu defumado e uva (minha salada preferida no mundo inteiro)

Gratin Dauphinois Vegano (batata gratinada com creme)

Gratin Dauphinois  (minha versão vegana dessa batata gratinada francesa)

E ainda tem aqueles gnocchi… Pensando bem, até que a tal da batata apareceu bastante por aqui…