Nem sei porque chamo o tempo que passo no Brasil de férias, pois sempre dou um jeito de trabalhar quando estou por lá. Mas imaginando que cabe um pouco de trabalho durante as férias, especialmente o tipo de trabalho feliz que faço, vou continuar chamando de férias. Acho que dessa vez a viagem a Natal foi ainda menos repousante porque passei várias semanas ocupada preparando a próxima etapa: Londres.

Mudei novamente de residência (e de continente) alguns dias atrás e estou escrevendo esse post sentadinha em um café vegano no leste de Londres. Mas antes de começar a escrever sobre esse novo capítulo da minha vida, quero compartilhar alguns momentos, descobertas que fiz e delícias que provei durante a viagem, na esperança de fazer durar um pouquinho mais os sabores dos trópicos, que ainda estão bem vivos na minha memória.

IMG_20150127_061300

IMG_20150128_124301

IMG_20150124_155556

IMG-20150117-WA0005

IMG_20150123_095725 IMG_20150122_223730

IMG_20150112_090148 IMG_20150114_125334

IMG_20150129_101252

Um coisa que descobri e que me deixou extremamente feliz foi que chia se tornou muito mais em conta de um ano pra cá. Em Natal encontrei chia por 24 reais/kg no Empório Papa Capim (não, a loja não é minha). E em Recife a chia estava pela metade do preço! No Empório Pura Vida ela sai por 12 reais/kg. Quase não acreditei! Lembro que quando comecei a comprar chia no Brasil ela custava 120 reais/kg nos supermercados. (Atenção: os supermercados da cidade ainda vendem chia a preço de ouro! Evite comprar lá.)

Ela é um dos alimentos mais interessantes que conheço e é uma maneira rápida e prática de aumentar a quantidade de proteína (completa!), fibras e ômega 3 da sua dieta. Por isso ela é um coringa na alimentação dos veganos/vegetarianos e foi uma mão na roda quando eu estava na estrada. Ela é fácil de ser transportada e você pode colocá-la na vitamina ou na sua aveia dormida, como já expliquei aqui no blog. Mas existem maneiras ainda mais simples de consumi-las: por cima de frutas frescas picadas/amassadas (mamão e banana, por exemplo), no cuscuz (salpique as semente diretamente no seu prato, não precisa hidratar antes, basta acompanhar a refeição de uma quantidade razoável de líquido) e no açaí. Esse último, coberto com banana e muita chia, se transforma em refeição de emergência quando você está em algum ponto remoto do litoral e não tem absolutamente nada de vegano no cardápio dos restaurantes.

IMG_20150125_110556

IMG_20150115_175550

IMG_20150120_220458

IMG_20150208_092654

Também descobri que bolo de macaxeira, um dos meus preferidos e que eu tinha dado adeus desde que me tornei vegana, pode ser facilmente veganizado. O resultado é delicioso e o bolo também pode ser preparado sem glúten. Infelizmente não posso dividir a receita com vocês ainda. Uma moça fez esse bolo pra mim, no interior do RN, e embora ela tenha me passado a receita não consegui os mesmos resultados quando fiz em casa. Na próxima vez que eu for visitar a família no interior vou acampar na cozinha da moça e só saio de lá quando tiver presenciado a fabricação do bolo pra ver qual é o segredo.

IMG_20150301_213323 IMG_20150301_212927

O piquenique Papacapim foi lindo. A berinjela de dona Laura, preparada pela própria, foi um sucesso absoluto. Descobri muitas delícias trazidas pelos amigos e leitores e conheci gente muito bacana. Também acabei dando uma palestra improvisada sobre a ocupação israelense na Palestina pra uma médica vinda de um país cujo nome eu esqueci. Alguns saguins compareceram e voltaram pras suas árvores indignados. Algumas pessoas também. E discuti longamente com meus amigos do Coletivo Abolicionista (que me convidaram pra fazer essa palestra) sobre o paradoxo do veganismo em Israel (um dia escrevo um artigo sobre o assunto). Uma tarde e tanto!

IMG_20150301_000228cópia

Eu não podia esquecer o encontro, em Recife, com uma das pessoas que mais admiro no terreno do veganismo: o dr Eric Slywitch. Fiquei tão emocionada que quase não consigo conversar com ele. Praticamente tudo que sei sobre nutrição vegana eu devo a ele. Foi uma honra imensa fazer uma demonstração culinária durante o curso que ele ministrou na cidade (‘Emagreça sem dúvida’). Aprendi tanto que voltei pra Natal e compartilhei os conhecimentos recém-adquiridos com membros da família que querem perder peso. Foi muita informação valiosa e recomendo demais todos os livros do dr Eric. Falando nele, vocês conhecem a série de vídeos ‘Alimentação vegetariana sem dúvida?”. Toda semana ele publica um vídeo novo aqui. Imperdível!

IMG_20150228_082650 IMG_20150131_074334

IMG_20150227_234754

E antes de encerrar esse post, e encarar o frio do inverno londrino no caminho de casa, queria agradecer mais uma vez ao pessoal da SVB Recife que organizou os eventos dos quais participei por lá e que sempre faz torcida pra eu voltar pro Brasil e sair veganizando geral. Vocês estão bem guardadinhos no lado esquerdo do peito. Beijos especiais pra Bárbara, Tiago, Marcelo, João e Josias, que me acolhem com carinho desde a primeira vez que fui aí, Lígia, Adriano, as duas Camilas, Giulia, Luana, Régia, Diego, Fátima e todas as pessoas que participaram do retiro gastronômico na Serra Negra. E um beijo especial pra Camila e Rogério, que me hospedaram na última vez que estive na cidade e quase me matam de tanto rir. Aquele áudio que vocês me mandaram ainda está no meu telefone, pra eu escutar sempre que precisar dar uma risada. Obrigada pelos convites, pela atenção e por me tratarem sempre tão bem.

IMG_20150301_214507

 (Comendo aveia dormida, preparada especialmente pra mim por Camila. Não reparem na minha cara amassada de quem acabou de acordar. Já Camila é linda a qualquer hora do dia.)

Espero sinceramente poder visitar mais cidades brasileiras nas férias do ano que vem, fazer mais oficinas, mais retiros gastronômicos e conhecer mais pessoas. Dessa vez quero começar a organizar tudo com bastante antecedência, pra poder participar de um número ainda maior de eventos. Quem precisa descansar nas férias, não é?

IMG_20150114_202128