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Salada de macarrão com brócolis e pesto

(Você sabia que ao clicar em qualquer foto do blog ela fica do tamanho da tela? Não?! Estranhamente algumas fotos que publico aqui ficam ligeiramente “borradas”, como essa de cima. Experimente ver a foto em tamanho gigante e admire todo o esplendor verdoroso dessa salada.)

Ninguém pode negar a praticidade do macarrão. Ele cozinha em poucos minutos, é barato, satisfaz  a fome mais voraz e pode ser misturado a um número quase infinito de ingredientes. É o primeiro prato que a maioria das pessoas aprendeu a fazer e é o melhor amigo de quase todos os jovens que moram sozinhos ou que começaram a preparar a própria comida em casa. Eu mesma vivi de espaguete com molho de tomate e sardinha durante seis meses quando me mudei pra Paris e cada centavo que saía do meu bolso era contado (perdão, veganos sensíveis, mas eu ainda não tinha adotado o veganismo naquela época). Macarrão quebra um galhão! Estou pensando em fazer camisetas e adesivos com essa frase. Acho que será um sucesso entre pessoas que têm de 15 a 25 anos.

Mas, embora eu deva a vida àquele espaguete francês de 0,90€, macarrão não entra na minha lista de comidas preferidas. Tenho a impressão que meu desgosto (“desgosto” aqui significa “ato de des-gostar”) por macarrão foi se acentuando com o tempo e tem dois motivos. Primeiro: macarrão enche barriga, certo, mas não alimenta. Eu faço uma distinção bem clara entre comida que alimenta (cheia de nutrientes) e comida que preenche o vazio do estômago mas que é nutricionalemente pobre. Segundo: com tanta coisa deliciosa pra se comer, por que comer macarrão? Sei que alguns vão discordar dizendo que macarrão é uma das coisas mais saborosas do mundo. Não preciso entrar em uma discussão sobre o assunto, afinal todos sabemos que gosto é como nariz, cada qual tem o seu e ponto final. Continue comendo seu prato de massa que eu continuo comendo meu quinoa e ninguém perturba ninguém.

O problema é que moro com uma das maiores fãs de macarrão que já conheci. Anne poderia comer macarrão todos os dias durante anos sem nunca reclamar. A única coisa que a impede de transformar macarrão na base da sua alimentação é minha falta de entusiamso por esse produto. Mas equilíbrio é tudo e acabamos chegando a um acordo. Macarrão tem que ser integral, preparado com muitos, muitos legumes e comido no máximo uma vez por semana. Eu sei, pode parecer tirania mas não me importo. Quem manda na minha cozinha sou eu e ela sabia disso quando casou comigo!

Essa receita de salada da macarrão é um ótimo exemplo desse nosso acordo. Preciso misturar uma boa dose de legumes ao macarrão pra ter a sensação de estar comendo algo nutritivo e não engolindo um prato de papel picado (heresia, eu sei, mas é assim que o meu estômago analisa um porção de massa). Ao juntar bastante brócolis e tomate, a quantidade de nutrientes aumenta sensivelmente e o pesto e as azeitonas trazem muito sabor (e mais nutrientes) ao prato. No final eu e Anne ficamos felizes e nosso casamento está salvo.

Salada de macarrão com brócolis e pesto

Esse pesto é uma interpretação livre da receita tradicional. Originário de Gênova (Itália), o pesto clássico é feito com mangericão, pignoli, alho e sal. As mamas picam tudo com uma faca estilo “mezzaluna”, assim os ingredientes ficam triturados mas não se transformam em creme. Como acho o pesto clássico muito pesado, criei uma versão mais leve, cremosa e líquida. Minha versão ainda tem a vantagem de ser bem mais fácil de fazer. Pra fazer essa salada uso azeitonas marinadas, que compro no peso aqui em Belém. Detesto azeitonas enlatadas mas se você gosta, sinta-se livre pra usá-las nessa receita. Ou então deixe de fora que o pesto tem um sabor bem marcante e não precisa de complementos.

2 ½ x de brócolis, cortado em buquês pequenos

1 ½ x de tomate cereja, cortado em quatro (corte primeiro e meça depois)

1 punhado de azeitonas pretas (opcional)

200gr de macarrão do tipo penne (ou parafuso), integral

Pesto:

1 ½ x de manjericão (aperte bem as folhas dentro da xícara quando for medir)

½ x de castanha do Pará

1 dente de alho pequeno

1cs de suco de limão

1/3x de água

azeite

sal e pimenta do reino a gosto

Cozinhe o brócolis no vapor por alguns minutos. O brócolis deve ficar cozido, mas ainda crocante. Cozinhe o macarrão ao dente.  Coloque o manjericão, castanha do Pará, alho, suco de limão, uma pitada generosa de sal e outra de pimenta no liquidificador. Junte a água e triture até as castanhas ficarem com a textura de uma areia fina. Talvez você precise desligar o motor algumas vezes e raspar as laterais do liquidificador com uma espátula de silicone (ou uma colher). Com o motor funcionando, despeje um fio de azeite (pelo buraco da tampa) até o molho atingir uma conscistência cremosa. Minha garrafa de azeite tem um biquinho pra dosar, então acrescento o azeite em um fio bem fininho e conto até 20. Acho que no total uso entre 1/4 e 1/3x de azeite (fiz mais uma vez e medi: uso 1/4x). Prove o molho e corrija o sal, Em uma tigela média, misture o macarrão, o brócolis (salgue ligeiramente antes de misturá-lo aos outros ingredientes), o tomate, a azeitona e 2/3 do molho. Mexa bem, prove e acrescente um pouco mais de sal, se necessário. Eu acho que 2/3 do molho é suficiente (guardo o resto na geladeira e utilizo em outro prato), mas se achar que a salada precisa de mais molho use todo o pesto. Polvilhe com um pouco de pimenta do reino (melhor se for moída na hora) e sirva morno ou em temperatura ambiente. Serve 2 pessoas como prato único.

Espaguete cru de abobrinha com pesto de tomate

Ouvi falar em culinária crua há alguns anos e não sei porque a idéia de comer pratos feitos com ingredientes exclusivamentes crus não me pareceu atraente. Todos nόs comemos pratos crus (ou deveríamos) diariamente e não tem nada de “exόtico” nisso. Por ser vegana, muitas vezes fui obrigada a me contentar de um prato de salada crua (alface, tomate, pepino) porque o menu do restaurante não dispunha de nada vegano. Acho que de tanto escutar “Não come nada de origem animal? Podemos fazer uma salada pra você.” fui ficando com raiva de salada. Não que eu tenha algo contra vegetais crus, muito pelo contrário, mas ser obrigada a almoçar um prato de alface enquanto meus vizinhos de mesa se deliciam com pratos elaborados, marinados, gratinados, cobertos com molhos suculentos é muito frustrante! Deve vir daí minha falta de interesse pela culinária crua. Mas o tempo foi passando e ano passado comecei a me interessar mais pelo assunto. Li um livro muito interessante sobre culinária viva (alguns preferem o termo “culinária viva”) chamado “Lugar de médico é na cozinha”, do Dr Alberto P. Gonzalez. A leitura desse livro, que eu recomendo a todos, bastou pra me convencer dos benefícios da culinária viva. Me “converti” do dia pra noite e não conseguia parar de pensar nas mavarilhas da comida viva. Comecei a tomar o suco verde todas as manhãs (um suco feito de vegetais verdes, frutas e grãos germinados) e a almoçar…. saladas. Eu queria almoçar pratos crus pelo menos uma vez por semana mas meu reportόrio de comida viva era limitado, eu sό conseguia pensar nas velhas (e às vezes detestadas) saladas. Incrementei como pude, coloquei vários legumes diferentes, misturei frutas, grãos, castanhas, molhos… Mas almoçar a danada da salada continuava não me empolgando muito.  Passeando pelos blogs crudívoros, descobri que esse tipo de culinária podia ser muito criativo e variado, indo muito além das saladas de alface com tomate. Então um belo dia  fui pra cozinha com uma idéia na cabeça: macarrão de abobrinha. Eu já tinha visto que os crudívoros do mundo afora usavam muito abobrinha em tirinhas finas no lugar de macarrão então resolvi testar. Meia hora depois eu contemplava um macarrão de abobrinha com pesto de tomate de dar água na boca. Graças a esse prato eu me apaixonei pela culinária viva. Por mais que eu me preocupe com a saúde e tente me alimentar da maneira mais saudável possível eu adoro comer, adoro comida e não quero abrir mão do sabor de maneira alguma. Sabem o que descobri? Que não é preciso abrir mão do sabor pra aproveitar os benefícios da comida viva. Aqui vai a receita que foi o início de uma grande revolução na minha vida.

Espaguete cru de abobrinha com pesto de tomate

Escolha abobrinhas italianas, aquelas longas, com listras verdes por fora, não uma abόbora nova (no nordeste alguns confundem os dois). Pesto é um molho italiano feito geralmente de manjericão fresco, nozes, parmesão e azeite. Juntando tomates secos ao pesto obtem-se um “pesto rosso”. Meu pesto de tomate foi inspirado nessas duas receitas. Você vai precisar deixar as castanhas de molho durante algumas horas então é bom planejar antes. O sabor do molho vai depender da qualidade do tomate utilisado. Quando eu digo “bem maduro” eu quero dizer maduro, mesmo, todo vermelho escuro e ligeiramente mole quando espremido entre os dedos. Se você sό tiver tomates meio maduros, vermelho claro e firmes, esqueça esse prato e prepare outra coisa.

Espaguete:

• 2 abobrinhas médias/grandes

• 1 CS de suco de limão

• 1 CS de azeite extra virgem

• 1 CS de vinagre balsâmico (opcional)

• sal, pimenta do reino a gosto

Descasque as abobrinhas, corte-as ao meio no sentido longitudinal e, usando uma colher, remova um pouco das sementes. Usando um descascador de legumes faça tiras finas e longas. Misture as tiras de abobrinha com o suco de limão, o sal e a pimenta e massageie com as mãos até ficar macio, como se estivesse cozido (alguns minutos são suficientes). Essa técnica de “cozimento” é muito utilizada na cozinha viva e é surpreendente como o legume realmente parece cozido. Regue com o azeite e o vinagre balsâmico (se estiver usando) e reserve. Se a idéia de “massagear” abobrinhas te parecer estranha e você tiver com tempo, deixe simplesmente a abobrinha marinar com os outros ingredientes por 1 hora.

Pesto de tomate:

•10 castanhas do Pará, de molho por 4, 5 horas

•1 tomate grande e bem maduro

•1/2 dente de alho (pequeno)

•1 CS de azeite

•1 punhado de manjericão fresco

• sal e pimenta do reino a gosto

• folhinhas de manjericão, pimenta do reino moída um pouco de azeite pra decorar

Escorra as castanhas do Pará e coloque no liquidificador junto com o tomate em pedaços, o alho, o azeite e o manjericão e triture até ficar homogêneo. Tempere com sal e pimenta e bata mais um pouco pra misturar.

Pra servir:

Disponha o espaguete de abobrinha em dois pratos rasos, cubra com uma porção generosa de molho (não misture) e salpique com as folhinhas de manjericão. Decore com um fio de azeite e um pouco de pimenta do reino moída. Serve duas pessoas.