Quando eu estudava turismo na antiga Escola Técnica do RN, uma professora nos disse: « A gente viaja pra descobrir que o melhor lugar do mundo é a nossa casa ». Na época achei estranho uma professora de turismo falar isso, mas hoje entendo perfeitamente o que ela quis dizer. Faz dois dias que voltei pro meu lar doce lar e ainda não consegui fazer nada além de dormir, comer e me sentir extremamente feliz por estar em casa.

Como não podia deixar de ser, recheei a mala com quitutes pra prolongar os prazeres gastronômicos das férias. Na minha mala tinha exatamente duas camisetas, três calcinhas, um par de meias e isso:

 

Entre produtos que não encontro aqui (como patês vegetais e meus chás preferidos), os que sempre quis provar (óleo de linhaça e mostarda inglesa em pó), os que são cinco vezes mais caros aqui (caldo de legumes orgânico e mostarda de Dijon) e os presentes (80 sachês de chá “Marriage Frères” do amigo Welder, meio quilo de favos de baunilha da minha cunhada Céline…) tem de tudo um pouco nessa mala.  Tem algumas curiosidades também, como esse patê belga chamado “Faux gras”, uma versão vegana do “fois gras” francês (aquele patê considerado como sinônimo de festa e luxo, feito, de maneira terrivelmente cruel, com fígado de pato e ganso). Na latinha tinha escrito: “ Dê aos patos e gansos uma razão de fazer a festa”.

 

Eu geralmente não me interesso por produtos veganos que tentam imitar um produto feito com carne, mas achei o negócio tão engraçado que não pude resistir. Estou curiosa pra descobrir que gosto tem esse patê. Será que ele vai destronar meu patê preferido, feito com trufas negras e champagne?

Ainda não tive coragem de preparar nada interessante pra comer, mas antes de sair de férias preparei crostini de cogumelos deliciosos e como não deu tempo de publicar a receita antes da viagem, aproveito pra fazer isso agora. Crostini (plural de “crostino”), que significa literalmente “torradinhas” em italiano, é um irmão da bruschetta. Também composto de pão grelhado e uma cobertura salgada, a diferença principal está no tamanho: os crostini são bem menores. Consegui encontrar as fotos do prato, mas a receita se perdeu nas faxinas pré e post viagem. Felizemente esse é o tipo de preparação que não necessita medidas precisas. Deixe sua intuição, seu nariz e suas papilas te guiarem que no final dá tudo certo.

Como falei no post anterior, estou preparando o relato da viagem, com dicas pros amigos veganos que forem passar por esses lugares e muitas fotos. Mas por hora vou continuar curtindo minha casinha e essa cidade que sempre me recebe de braços abertos.

 

Crostini de cogumelo

Dicas pro seu crostini ficar sublime: use um pão bem rústico, integral e cheio de sementinhas e cogumelos marrons (não aqueles brancos que chamamos de “champignon”), que têm mais sabor.

Aqueça um pouco de azeite em uma frigideira grande e doure alguns dentes de alho picadinhos (a quantidade de alho dependerá do seu gosto e da quantidade de cogumelos utilizados). Junte cogumelos limpos e em fatias (corte as fatias no sentido vertical) e refogue alguns minutos, até eles ficarem macios e o líquido evaporar. Acrescente creme de soja suficiente pra envolver os cogumelos. Quando o creme começar a ferver desligue o fogo e tempere com sal e pimenta do reino a gosto. Também gosto de colocar raspas e um pouquinho de suco de limão pra realçar o sabor. Sirva sobre fatias finas de pão tostado e polvilhe com salsinha fresca picada e mais pimenta do reino (de preferência moída na hora).