Relendo os posts de quando morei em Beirute, me dei conta que faz exatamente 10 anos que estive no Líbano! Me custa acreditar que foi há tanto tempo. E me entristece pensar que aquele lugar, que me encantou tanto, não existe mais do jeito que eu lembro e que hoje eu provavelmente teria dificuldades em reconhecer os lugares por onde passei.

Beirute foi minha casa antes da explosão no porto, em 2020. Antes dos bombardeios israelenses no Líbano, das milhares de mortes e da ocupação no sul do país. Todos os dias penso nas pessoas que conheci por lá. Lembro dos campos de refugiados palestinos em Beirute e dos homens e mulheres que nos receberam calorosamente. Lembro do senhor que, todos os dias, no final da tarde, sentava de frente pro mar e ouvia Fairuz, a grande dama da música libanesa. Será que ele ainda está vivo, ouvindo Fairuz e olhando as ondas?
Eu sonho em voltar lá, rever os lugares, as pessoas e comer aquela comida maravilhosa de novo. Juro que nunca comi tão bem na vida quanto durante meus meses em Beirute. Como não vai ser possível fazer essa viagem no momento, dei um mergulho nas fotos que fiz durante minha estada na cidade e, apesar disso ter aumentado a saudade, lembrei de vários detalhes que minha memória já tinha apagado e isso me trouxe alegria.
Vim deixar algumas dessas imagens (Beirute e outras cidades do Líbano) aqui, pra compartilhar um pouco desse país tão lindo, e lembrar que mesmo tendo sido e continuando a ser vítima de tantas injustiças, nunca podemos esquecer que por trás das notícias frias de bombardeios, mortes e refugiados que aparecem (pouco, nesse caso) na mídia tem um mundo desaparecendo. Um mundo com uma cultura, incluindo alimentar, riquíssima, com seres extraordinários de várias espécies e povoado de relações de cuidado, amor e resistência.

























