Meu trabalho no campo de refugiados

Acredito que os leitores do blog, pelo menos os que leram a página “sobre”, sabem que trabalho em um campo de refugiados aqui em Belém.  Quando escrevi o texto “Só pela subversão” eu quebrei uma promessa que fiz a mim mesma: manter o Papacapim apolítico e não misturar ocupação militar e comida pra evitar indigestão. Mas quem eu estava tentando enganar? Comer é um ato político. A maneira como me alimento e as receitas desse blog são motivada por razões políticas (e éticas). Faz quatro anos que sou ativista pelos direitos humanos e animais em tempo integral e política ocupa a minha mente na maior parte do meu tempo acordada (dormindo também). O conteúdo desse blog é fortemente influenciado pelas minhas opiniões e princípios, logo o Papacapim é fundamentalmente político. Por isso decidi mostrar hoje uma parte da minha vida que até então ficou de fora do blog.

Escola da ONU dentro do campo de Aida e o muro de separação (construído por Israel) ao fundo.

Comecei a trabalhar nos campos de refugiados assim que cheguei na Palestina. Pra quem não sabe, esses campos foram criados pela ONU pra acolher os palestinos que tinham sido expulsos de suas terras durante a criação do estado de Israel, entre 1946 e 1948. São refugiados em seu próprio país, ou melhor, no que restou do seu país. Simplificando muito, é como se a população do Norte e Nordeste tivesse sido expulsa por colonizadores e fosse obrigada hoje a se refugiar na outra metade do Brasil, pois suas terras viraram outro país e eles já não são mais benvindos por lá.

Campo de refugiados de Aida, em Belém.

No início os campos eram imensas aglomerações de barracas, sem luz nem água encanada. Todos, inclusive a ONU, achavam que aquela situação era provisória e que os palestinos voltariam pras suas cidades e vilarejos de origem em pouco tempo, afinal não era possível expulsar 700 mil pessoas de suas terras e ficar por isso mesmo. As barracas se transformaram em casas de alvenaria e 64 anos depois eles estão no mesmo lugar, esperando que a resolução 194 da ONU, que garante o direito dos refugiados ao retorno, seja executada. Hoje eles são 5 milhões (fonte relatório da ONU, 2010), o maior grupo de refugiados do mundo, e vivem em campos espalhados pela Cisjordânia e Faixa de Gaza (os territórios palestinos) e pelos países árabes vizinhos. Embora alguns refugiados tenham conseguido se instalar em cidades, a grande maioria ainda vive nos campos. (Mais informações sobre os refugiados palestinos no site da UNRWA – Agência da ONU de ajuda aos refugiados palestinos).

No campo os habitantes pintaram os vilarejos de onde vieram, exatamente como eles eram no dia em que foram expulsos, mais de 60 anos atrás. A população de Aida vem de cidades que ficavam nos arredores de Jerusalem e Hebron, alguns a poucos quilômetros do campo. Embora tão próximos, eles nunca puderam voltar lá.

Aqui em Belém tem três campos, Deheisha, Aida e Aza. Embora eu já tenha feito projetos em outros campos, hoje só trabalho em Aida, onde morei durante a maior parte do meu primeiro ano aqui.  A população desse campo é de 5 mil habitantes, espremidos em uma área de 710m² (sim, menos de 1km²). 60% da população tem menos de 15 anos e a taxa de desemprego é de quase 70%. A vida nos campos é extremamente difícil e o meu projeto tenta melhorar um pouco a situação econômica de algumas famílias, criando uma fonte de renda alternativa. Noor (que significa “luz” em Árabe) é um projeto independente criado por e para mulheres refugiadas que tem um filho deficiente. Por que somente mulheres que tem filhos deficientes? Porque depois de conversar com o diretor do campo, um bom amigo meu, ele explicou como a vida dessas mulheres era difícil, mais ainda do que as outras. Como o projeto é independente, todos trabalham de maneira voluntária (sem remuneração) e organizo aulas de culinária palestina pra patrocinar nossas atividades. Também organizo hospedagem no campo, na casa das famílias, pra estrangeiros que queiram fazer uma imersão total na cultura palestina e aprender Árabe.

O muro de separação construído por Israel, aqui bem longe da linha verde (a fronteira reconhecida pela comunidade internacional). O campo de oliveiras do outro lado do muro pertence à uma igreja de Belém, mas foi anexado ao território israelense e os habitantes de Aida, que costumavam fazer piqueniques e jogar bola entre as árvores, ficaram sem nenhum espaço verde.
O muro foi construído a poucos metros das casas. A construção começou em 2002 e continua até hoje. Quando terminado, o muro terá 760 km, o dobro da linha verde.

Criei esse projeto dois anos atrás com a ajuda de uma voluntária belga. Já faz um ano que ela voltou pra Bélgica, mais ainda nos ajuda muito e graças a ela quatro crianças do projeto vão à escola. No campo tem duas escolas da ONU, uma pra meninos e outra pra meninas, mas eles não aceitam crianças deficientes (por não terem capacidade de atender às suas necessidades). Em Belém e Beit Jala (a cidade colada à Belém) tem escolas pra crianças deficientes, mas são particulares e as famílias do projeto não têm condições de pagar a mensalidade (equivalente a 150 reais). Graças à minha amiga, um pequeno grupo de belgas (conhecidos dela) patrocina a educação dessas quatro crianças.  Também organizo outros tipos de atividades, como oficinas lúdicas pras crianças, e dou aulas de Inglês pras mulheres, mas hoje queria falar das aulas de culinária palestina.

Hotel Intercontinental, um 4 estrelas a poucos metros do campo. Aqui, como no Brasil, a pobreza pode viver ao lado do luxo.

Sábado passado teve mais uma aula e tirei algumas fotos pra mostrar pra vocês. Nessas aulas os estrangeiros aprendem a preparar um prato típico com duas palestinas, na casa de Islam, a coordenadora do projeto. O meu trabalho antes das aulas é planejar o menu com as mulheres, mandar convites e deixar anúncios nas ONGs e jornais virtuais locais pra atrair “alunos”.  No dia da aula vou buscá-los no check-point (se eles vierem de Jerusalém ou Tel Aviv) e em frente ao hotel Intercontinental (se eles morarem na região). De lá vamos caminhando pro campo e explico tudo que disse acima, pois a maioria está visitando um campo pela primeira vez . Na casa de Islam falo um pouco sobre o projeto e começamos a cozinhar. As mulheres já deixam uma parte da comida preparada, pois os pratos tradicionais palestinos geralmente levam muito tempo pra ficar prontos. Enquanto colocamos a mão na massa vou traduzindo as instruções das mulheres, que não falam Inglês, e respondendo as perguntas dos estrangeiros sobre a vida no campo. Comemos o que preparamos e a conversa estica ao redor do chá e do café.

Aula de culinária palestina.
Preparando krass, um pãozinho recheado com espinafre e cebola.
Islam ensinando a fazer o pão tradicional.

Depois do almoço levo os estrangeiros pra fazer um tour do campo e digo tudo que sei sobre o lugar, a ocupação militar israelense, o movimento de resistência popular palestina, como analisar a situação se baseando no Direito Internacional e o que mais eles quiserem saber. Eles saem impressionados, exatamente como eu na primeira vez que visitei um campo, e prometem contar o que viram quando voltarem pros seus países respectivos. A aula, com a refeição e o tour, custa o equivalente a 30 reais por pessoa e todo o dinheiro é repartido entre as famílias do projeto.

O almoço de sábado passado. Sempre fazemos um prato vegano e outro com carne. Alerta pros veganos sensíveis: essa foto contem um bichinho morto.
Felizmente a culinária palestina é muito rica em pratos vegetais e já tivemos aulas 100% veganas. Nesse dia o almoço foi totalmente vegano: mujadara, pão, mutabal e salada.
A maneira tradicional de comer é assim, no chão.

Espero encontrar uma jovem do campo pra fazer os tours, pois não me sinto à vontade pra guiar gringos por lá, já que eu mesma sou gringa. Assim poderia criar mais um emprego no campo, mas as moças que falam Inglês estão trabalhando em Belém, ou indo à faculdade. Ainda não encontrei ninguém que preenchesse todos os requisitos (bom nível de Inglês, com tempo livre), mas continuo procurando.

Sábado passado, durante o tour pelo campo.

Muitas vezes o pessoal pergunta onde comprar as especiarias utilizadas na aula e eu termino a visita com um pulinho na loja de Tawfic (no centro histórico de Belém), meu fornecedor oficial de especiarias. Claro que não ganho nada com isso, mas além de Tawfic ser meu amigo eu procuro incentivar o comércio local. Em dias de aula saio de casa às 10h e volto lá pelas 17h. Como ando bastante e falo o tempo inteiro (em Inglês e em Árabe, o que cansa meu cérebro ainda mais) volto pra casa exausta. Já tentaram falar durante 7 horas seguidas em duas línguas estrangeiras e ainda por cima explicando coisas extremamente penosas? Chego em casa sem forças nem pra tirar o sapato! Mas vale muito a pena. Eu não ganho dinheiro com esse projeto, mas ganho algo muito mais importante. Eu tenho a sorte imensa de fazer um trabalho que amo, extremamente interessante e enriquecedor e posso colocar a cabeça no travesseiro todas as noites com a certeza que usei minha energia e conhecimentos por uma boa causa e não fazendo uma atividade que não gosto unicamente pra pagar as contas no final do mês. Esse foi o meu caso durante a maior parte da minha vida e serei eternamente grata (à vida, aos céus, às mulheres do meu projeto) por ter a oportunidade de fazer o que faço hoje.

Rania e Islam (à direita), as cozinheiras de sábado. Duas mulheres fortes, corajosas e guerreiras.

*As seis primeiras fotos que ilustram esse post foram feitas por Anne Paq, que faz parte do coletivo de fotógrafos (israelenses e estrangeiros) Activestills. Todas as outras foram feitas por mim. Se você se interresar pelo assunto e quiser saber mais sobre a situação na Palestina, eu escrevo uma newsletter mensal chamada “Notícias da Palestina”. Pra recebê-la é so me contactar por email.

64 comentários em “Meu trabalho no campo de refugiados

  1. Olá, Sandra, como vai? Conheci o seu blog há uns dois meses e estava acompanhando silenciosamente as postagens mas hoje tenho que comentar.
    O seu trabalho é maravilhoso! Tenho certeza que você tem a dimensão da mudança que provoca nessas famílias e nos turistas, e em nós leitores. Estou distante fisicamente (moro em Cuiabá-MT) mas sempre quis saber a realidade dos refugiados e você mostrou um pouquinho com esse post.
    Fico feliz pelo seu posicionamento nesse post!

    Aproveito também para solicitar o cadastro na newsletter. Meu e-mail é laisdscosta@gmail.com

    Um abraço,
    Laís

  2. Sandra, você é luz.
    Você é, sempre, tão inspiradora. No momento estou em um emprego de m*rda que só paga minhas contas. Mas Deus vai permitir que eu encontre minha luz também e consiga ajudar outras pessoas com isso.
    Continue com o bom combate 🙂

  3. Isaque e Ismael eram irmãos legítimos. O terrítório deveria ser repartido de forma igual, já que nenhuma parte vai abrir mão de seu lugar. Essa situação é tão desesperadora, tão angustiante… Só nos resta torcer para que, um dia, o bom senso reine e isso se resolva da melhor maneira.

  4. Sandra,

    O post me fez chorar… uma espécie de furor triste e alegre… daqueles que a gente pensa que nunca mais vai ser a mesma.

    Obrigada pela clareza, pela comunicação, pela informação tão preciosa.

    Você me traz a visão de um mundo justo, sem fronteiras…

    Que os seus caminhos continuem iluminados e plenos de felicidade.

    Abraços
    Vagaluminha

  5. Que coisa mais linda Sandra! Estou conhecendo teu blog hoje e pode até parecer clichê o que vou falar, mas são de pessoas assim como vc que o mundo precisa, despida de preconceitos e com atitude.
    Parabéns! Sinto-me até meio inútil, pois poderia estar ajudando de alguma forma quem precisa.
    Parabéns por ser tão humana e solidária!

    bjo
    Carla

  6. … Obrigada Sandra… apetece-me re-encaminhar este, particular, post teu a alguns amigos … que se sentem “exaustivos ativistas” sentados confortavelmente diante do computador e onde teclam “o quanto o mundo vai mal” ….. Obrigada … não sei porque, mas este teu texto fez-me sentir coisas “estranhas e silenciosas” cá dentro … Obrigada …

  7. Que bacana, o seu trabalho! Eu, sinceramente, nem sabia que as coisas eram assim,.
    Tive vontade de chorar. Gostaria de receber a newsletter. Obrigada

  8. Sandra, muito bacana o post. Fica aquela sensação de que eu podia fazer mais pelo próximo…

    Parabéns pelo lindo trabalho. As pessoas deviam saber mais sobre essa causa. As pessoas deviam se preocupar com isso, se indignar com Israel… Infelizmente poucos são os que se importam… E ainda há aquele tipo que acha que Israel é o povo escolhido de Deus e tem o direito de fazer o que faz…

  9. Esse muro… Fronteira já é uma coisa tonta, que divide, segrega… Esse muro é infame, meu deus.

    Mas estou fazendo esse segundo comentário para elogiar as fotos da matéria, em especial a primeira foto, show!

  10. Olá Sandra,
    surpreendeu-me seu texto. Pensava que você morava no Brasil.
    Mas que trabalho tão positivo. Sensibilizou-me o fato de ter criado um projeto para mães de crianças deficientes, pois sou mãe de uma menina “especial” e sei o quão dificil é em Portugal, imagino como será num campo de refugiados onde não há apoios governamentais à deficiência.
    Que Deus abençoe você e ilumine ainda mais seu caminho humanitário.
    Bem haja por existires.
    Rute

    1. Claro, Ana Paula! Muitas coisas podem ser feitas pra ajudar a causa palestina.

      Primeiro, você poderia se inscrever pra receber a newsletter, pois se informar sobre a realidade daqui é o primeiro passo pra ajudar os palestinos a conseguir justiça.

      Segundo, você poderia enviar as noticias pros amigos, pois quanto mais gente souber do que está acontecendo nessas terras tão castigadas, maiores as chances de uma mudança acontecer.

      Terceiro, você pode fazer uma doação pro projeto ou patrocinar a educação de uma criança no grupo.

      Quarto, você poderia organizar algum evento pra arrecadar fundos pro projeto. Ano passado uns amigos músicos (belgas) fizeram um show em Bruxelas pra arrecadar fundos pra reformar a casa de Islam, que não era adaptada pra receber seu filho Mohamad, que tem uma severa deficiência física. Eles moravam no primeiro andar e Islam tinha que subir e descer escadas com ele nos braços (Mohamad é um menino robusto de 12 anos). Hoje eles moram no térreo e é possível entrar e sair da casa na cadeira de rodas.

      Espero ter te dado algumas ideias.

  11. O seu trabalho é lindo.

    Conheço a situação dos palestinos por leitura e filmes. Há alguns anos assisti a um filme chamado Lemon Tree, que fala justamente da usurpação de terras palestinas por “questões de segurança” israelenses.

    Quero receber o newsletter, poderia me incluir na lista? Obrigada.

  12. Sandra, você é uma verdadeira fonte de inspiração pra mim, seu trabalho é tão lindo e gratificante, eu espero que você inspire cada vez mais e mais pessoas(talvez assim o mundo mude pra melhor). Uma coisa que eu não consigo entender e aceitar é que um povo que foi perseguido e parte até exterminada a tão pouco tempo(a segunda guerra mundial aconteceu a bem menos de um século) seja capaz de expulsar e isolar tanta gente de seu lugar de origem. Espero que mais pessoas possam contribuir pra melhorar essa situação e que em pouco tempo eu também possa ajudar a fazer desse mundo um lagar melhor assim como você faz.

    Eu também adoraria receber o newsletter.

  13. Acho que fizeste muito bem em contar esta parte da tua vida porque é INSPIRADORA e um exemplo a seguir …

    “Mas vale muito a pena. Eu não ganho dinheiro com esse projeto, mas ganho algo muito mais importante. Eu tenho a sorte imensa de fazer um trabalho que amo, extremamente interessante e enriquecedor e posso colocar a cabeça no travesseiro todas as noites com a certeza que usei minha energia e conhecimentos por uma boa causa e não fazendo uma atividade que não gosto unicamente pra pagar as contas no final do mês.”
    Concordo completamente , e espero um dia vir a sentir isso …

    Parabéns e boa sorte com o teu projecto ! Espero que te corra tudo bem aí 🙂

  14. Oi Sandra, como já disse antes, seu texto é muito esclarecedor. Eu compartilho da opinião da Luciana, pois assim como ela, crescemos como/entre cristãos, que infelizmente tem uma tendência a dar sempre razão para as ações de Israel em detrimento aos palestinos. Mas hoje, já adulto, e vendo melhor as coisas, vejo que nem mesmo a Biblia dos cristãos ensina isso, na verdade o contrário, deveriamos agir para que justamente exista a paz entre estes dois povos, que no fundo são irmãos, … é bom ver o outro lado e através das suas palavras se é que posso dizer me fazeram “sentir” o que pra mim é o “outro lado do muro”. Como a Lu falou, faz refletir e pensar que podemos fazer mais se quisermos. Longe de querer discutir que parte terra é de quem, ou quais são os argumentos que segregam tanto estes 2 lados, ou seus motivos, acho que todos esses motivos se perdem e se desfazem diante das faces e historias dessas mulheres, homens e crianças que só querem viver, criar suas famílias , desfrutar de um espaço para conviverem e criarem suas famílias. E digo isso para ambos os lados, pois acredito mesmo que no fundo de ambos os lados do muro, e em todo território de terras israelenses e palestinas, as familias desejam mesmo é viver em paz. Se é que posso dizer, tenho um sentimento de te agradecer, pois talvez eu não possa fazer algo aí, mas Obrigado por você ser uma ilha de paz, e talvez um oasis de diferença no meio de pessoas em que realmente só precisam disso, serem compreendidas, auxiliadas e receberem um pouco mais de dignidade. Eu dormirei com um grande incomodo no peito hoje. E obrigado por isso, vou ter que digerir isso e espero que possa crescer e se tornar algo concreto em qq lugar onde seja necessário uma ação que eu posso chamar de : amor ao próximo.

    Ahh: Admirei demais o trabalho da Anne, pois vai além de um excelente trabalho fotográfico, sem palavras para a coragem e disposição para estar na linha de frente, onde muitos não tem peito de estar.

  15. Parabéns, seu trabalho é emocionante mesmo, de verdade. Com certeza você recebe em aprendizado, conhecimento e muito mais. Q Deus te ilumine sempre.

  16. Mto triste que seres humanos se tratem assim… Que coisa absurda esse muro! Se vemos nossa espécie agindo de forma tão cruel, “desumana”, imagina com outras espécies! E são tantos exemplos em nossa história, antiga e atual, que nos entristecemos! Mas a atitude de cada um conta, pois o exemplo contagia! E o seu exemplo com certeza é incrível e contagiante! Mto bonito esse trabalho! Cada beija-flor levando um pouquinho de água pra apagar o incêndio, uma hora ele apaga, mesmo que não com a velocidade que gostaríamos!

  17. Ps.: fiquei chocada com o bichinho morto… :O
    Hahaha! Mentira, se não tivesse falado nem ia saber que era! Mas continue com os pratos veganos! Hehehe!

  18. Oi Sandra, eu tenho muita curiosidade sobre a questão palestina, pq eu não consigo entender essa estupidez – os palestinos não terem direito a um Estado. Gostaria de receber o informativo sobre Noticias da Palestina. Como faço?

    PS. Você tem alguma receita de um pão árabe, bem gostoso, que não seja feito com trigo? Pode ter glúten.

  19. Queridos leitores,
    Muito obrigada pelos comentários deixados aqui. Sem querer dar uma de falsa modesta, gostaria de dizer que não mereço tanta admiração. Pra quem vê de fora pode até parecer que estou treinando pra ser Gandhi (ou Madre Teresa), mas a verdade é que estou simplesmente cumprindo meu dever de cidadã e fazendo algo que, longe de ser um sacrifício em nome do próximo, é apenas um trabalho que adoro e que me enche de satisfação. Se meu exemplo servir de inspiração e der vontade a mais pessoas de fazer o mesmo, fico extremamente feliz. Porém fico por demais incomodada quando sinto que a maneira que meu trabalho e a minha pessoa são vistos acaba colocando uma certa distância entre eu e as pessoas “comuns”, como se eu fosse de alguma maneira superior, e justificando a inação de alguns que seriam apenas “meros mortais”. Eu sou uma pessoa comum, uma reles mortal, e o que faço qualquer um consegue fazer. Não quero dar bronca em ninguém, adorei todos os comentários, mas não acho que mereço tanta admiração. Como disse Alice Walker, ativismo é o aluguel que pago por morar nesse planeta. Não estou fazendo nada mais do que minha obrigação.

  20. Enviei hoje um email para algumas pessoas (alguns amigos, outros não) para saber se tinham interesse em receber as newsletters. Fiz um comentário no email, que nada mais foi do que um pouco da minha visão sobre o assunto, tentando mostrar, ainda que resumidamente, a história desse povo e quão importante é a nossa ciência em relação a isso. Inclusive algumas informações eu peguei desse post.

    Vários demonstraram interesse e isso me deixou feliz. Mas houve uma pessoa que me deixou bastante chateada. Me disse que eu não deveria falar sobre o que não sei, apontou duas palavras que usei no meu texto e que, no ponto de vista dele, tornavam meu texto “um monte de besteiras”. Enfim, sei que não sou uma estudiosa do assunto, mas o que eu disse é o que li até hoje. E naquele pouco que falei, nunca tive a intenção de fazer um artigo científico ou uma tese de doutorado, muito pelo contrário, tenho humildade suficiente para reconhecer que tenho imensas limitações em muitas coisas, inclusive nisso. A única coisa que tenho é meu posicionamento. E não consigo entender como posso ter ofendido tanto assim alguém por dizer meia dúzia de coisas, que ele pode até discordar, mas que não valiam uma crítica dessas. Para esse homem, sou uma imbecil. E o pior é que eu tinha até alguma estima por ele, e achava que ele tinha por mim.

    Esse é um exemplo bastante típico do que todos nós passamos quando tentamos mostrar para as pessoas algo diferente do que elas “querem” ver. É essa frustração que caminhará conosco todos os dias se quisermos fazer algo de útil para os outros. Mas não se enganem: essa mesma frustração, por mais incrível que possa parecer, é o que nos leva adiante sempre. Porque mesmo que nossas lutas pessoais não sejam compreendidas, as dificuldades é que nos fazem ter a certeza de que precisamos continuar fazendo o que estamos fazendo. Porque, se desistirmos, quem lutará no nosso lugar?

    Enfim, foi só um desabafo…

    1. Sandra, não posso falar por todos os leitores, mas posso falar que na minha opinião, sem dúvida o que torna este post inspirador é justamente saber que você é realmente uma de nós, mais uma pessoa comum tentando viver neste mundo e encontrar a felicidade. E é realmente encantador que você tenha encontrado a felicidade fazendo a diferença na vida de tanta gente assim. É isso que faz acreditar que todos podemos fazer alguma diferença na busca de um mundo melhor.

      Parabéns pelo trabalho maravilhoso e pelo blog excelente 🙂

    2. Sinto muito pelo que aconteceu, Bárbara, mas infelizmente, como você mesma falou, esse tipo de reação é muito comum. Eu já perdi a conta das vezes que escutei afirmações completamente absurdas (preconceituosas, racistas, totalmente desinformadas) sobre os palestinos e a Palestina em geral. Por mais que eu diga “Gente, eu moro lá. Estou falando porque vi com meus próprios olhos, ninguém me contou não!”, mesmo assim a outra pessoa, que nunca colocou os pés aqui, não quer acreditar. Paciência. Mas gostei muito do que você disse: “se desistirmos, quem lutará no nosso lugar?”. Eu sempre penso que meu dever é lutar, independente dos resultados que isso trará. É uma questão de estar em paz com a minha consciência, saber que fiz a minha parte.

      1. É exatamente isso, Sandra. Colocar a cabeça no travesseiro e dormir com a cabeça tranquila, sabendo que fizemos o que estava ao nosso alcance, é o mais importante para quem vive por uma causa. Saber que não salvamos o mundo, mas que demos nossa contribuição para, é a única forma, ao meu viver, de podermos viver sem culpa. Ao menos para os que se sentem responsáveis pelo mundo, isso é fundamental.

        Mas olha, nem tente fugir de ser admirada, viu? Sua postura é inspiradora e motivadora, então admirarmos isso é uma consequência. 🙂

  21. Opa! cheguei agora de viagem e recebo de presente esse maravilhoso post seu =) Sabe, eu compartilho muito das suas opiniões e forma de sentir, mas o meu negócio é ir pra África…desde criança decidi isso. Me comove muito o tanto que esse continente é esquecido e espoliado até hoje :(, por isso me comoveu também o seu post, por saber que meu sonho de fazer algo é sim possível, justamente porque você é uma de nós. Por favor quero receber a newsletter também ok? Obrigada por fazer algo, que não é só em prol dos Palestinos, mas em prol de todos nós, já que os problemas deles também são nossos, engano é quem pensa que não tem nada a ver com isso tudo. Abraços!

  22. Sandra, acho que a admiração pelo seu trabalho vem do fato de querer fazer algo e não poder por inúmeros motivos, ou por não ter coragem de mandar tudo as favas e ir trabalhar com alguma causa… É natural que reconheçamos, sua atitude não é trivial. Não se sinta mal em despertar admiração, pois essa admiração pode se tornar ação, nem que seja a pequena ação de compartilhar informação!

  23. Amei o seu post, adorei a história. Nossa, dá até vontade de ir até aí conhecer tudo isso. Você precisa colocar um botãozinho no blog pra podermos postar seus post no facebook, e fazer sua mensagem chegar a mais pessoas ainda. Parabéns!!!!

  24. Seu trabalha inspira. Você teve a coragem de ir longe fazer por essas pessoas.

    Quem não tem coragem, ou às vezes já tem filhos, aqui no Brasil também tem um pouco para ser feito.

    As pessoas reclamam às vezes, ao ler posts assim, que não tem como ir tão longe, mas se esquecem que o mundo inteiro está precisando de boas ações, e ali na periferia de qualquer cidade tem pessoas precisando de ajuda. Não tanto quanto essas, que ainda por cima estão em zona de guerra, mas precisam.

    É um orgulho ter brasileiros como você.

    E eu queria te mostrar essa nova rede social. Não é propaganda. É que eu achei que você teria muito a acrescentar

    http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI299131-17770,00-REDE+SOCIAL+COWBIRD+REUNE+HISTORIAS+REAIS+EM+UMA+BIBLIOTECA+COLETIVA.html

    Descrita como “a primeira biblioteca pública da experiência humana”, a rede social Cowbird permite que, ao contar suas experiências individuais, você contribua para um relato maior que retrate o lado humano por trás de grandes eventos. Quer um exemplo? O movimento Occupy, que já tem 480 histórias relacionadas – todas elas pessoais.

    Ao entrar na rede é possível criar um diário por lá, com imagens, vídeos, sons e legendas interativas, que ilustrem melhor suas histórias.

    (…)

    E a rede fica “mais social” ainda. Automaticamente, ela busca conexões entre suas histórias e a de outras pessoas, indicando como vocês estão conectadas e sugerindo que vocês conversem. Você se deparou com uma narrativa bacana? Em vez de “dar um curtir”, você favorita o material usando o botão “Love”. Também dá para fazer uma busca com palavras-chave ou acessar todo o material relacionado a tópicos como “irmãos”, “pessoas” e até “sardas”.

    1. Menina, você voltou. Estava sentindo a sua falta.
      1- Concordo com você. Quem quer fazer o bem pode fazer em qualquer lugar, não precisa ir tão longe. Aliás sempre reclamo do povo que vai pros cafundós da África, por exemplo, pra fazer serviços humanitários, mas não dá um bom dia ao vizinho nem oferece a cadeira a um idoso quando volta pra casa.
      2- Nunca tinha ouvido falar dessa rede social, vou dar uma olhada agora. A ideia é interessante.

  25. Sandra, será que vc avalia a gratidão que temos por vc compartilhar seu cotidiano com todos nós que estamos aqui no Brasil e participando da pag.Estado da Palestina Já?
    O trabalho que vc vem realizando é valiosíssimo. Congratulações tb a anne pelas fotos belíssimas.
    Fatima

  26. Sandra, será que vc avalia a gratidão que temos por vc compartilhar seu cotidiano com todos nós que estamos aqui no Brasil e participando da pag.Estado da Palestina Já?
    O trabalho que vc vem realizando é valiosíssimo. Congratulações tb a Anne pelas fotos belíssimas.
    Fatima
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    Fátima Yasb

  27. Muito emocionante…fiquei com o coração na mão!!!
    A maldade do homem é impressionante..qta violência!!!
    Que bom que vc ajuda essas pessoas….já te admirava pela luta pelos animais, e não entendia seu trabalho no campo dos refugiados…agora,entendi! Que as pessoas se inspirem na sua luz,bondade,amor..

  28. Nossa Sandra,
    Não tinha idéia da real dimensão do problema.
    Que triste ver irmãos de caminhada nutrindo sectarismo e discórdia.
    Mais triste ainda é ver isso simbolizado em um novo “muro da vergonha”, pois para mim é o que simboliza este paredão de concreto erguido por Israel.
    Mas ao mesmo tempo em que isso tudo me deixa profundamente triste, por outro lado, fico fico muito feliz por existirem pessoas como você, que se dedicam com tanto amor a uma causa.
    São nestas horas que sinto orgilho de ser brasileira, são pessoas como você que fazem nosso coração vibrar e ainda acreditar que há luz no fim do mundo.
    Tinha um programa sobre um grupo de ativistas que lutavam contra a caça de baleias e uma frase que me marcou no programa foi:
    ” Não vale a pena viver , sem ter uma causa que vale morrer”.
    Sinto que lá no fundo todos nós para nos sentir realmente vivos precismos ter algo que nos inspire, que nos motive a levantar todos os dias e principalmente algo que façamos com muito amor e doação.
    Sua história de vida é uma aula de motivação para todos aqueles que tem muitos sonhos e projetos , mas que ainda não têm coragem suficiente para correr os riscos e viver o que se acredita.
    Abraços
    Susana

  29. Oi, Sandra!!

    Muito interessante o que a internet faz… me sinto tão próxima de ti! rsrsrs Quando vou falar de alguma receita ou dica que li aqui falo – Ah, a Sandra disse que… Meu marido já tem ciúmes!
    Vinha acompanhando tudo há alguns meses e ainda não tinha lido sobre o teu trabalho, apesar da curiosidade que me afligia!
    É encantador o teu trabalho, a tua coragem, a tua vontade! Parabéns, Sandra!
    Meus olhos estão cheios de lágrimas agora um pouco por estar lendo sobre a pessoa bela que tu és, com todos esses esforços pelo teu próximo… Mas muito por entender o que se passa aí, nessas terras tão longínquas. As notícias que chegam pela tv são parciais, só nos mostram o suficiente para que nos sintamos informados (alienados!)
    Quero receber as notícias por e-mail e repassar aos meus amigos (aline_cadore@hotmail.com).

    Muita luz e paz, linda menina!

  30. “Descobri” esta página por acaso, buscando receitas veganas. Estou encantada!!! Sou de origem libanesa, e a causa palestina me toca muito. Pena que a newsletter acabou… Sou meio “jurássica” em matéria de tecnologia: não tenho facebook, blogs, etc, mas gostaria muito de ter notícias sobre seu trabalho, como você aprendeu árabe, como decidiu ir para a Palestina, etc. Enfim, não gostaria de perder este link com você… O que devo fazer?

  31. Olá, estou apaixonada pelo blog e pela sua forma tão clara de escrever. Comecei a ler muito e a pesquisar a respeito da questão palestina, gostaria de saber se você ainda escrever a newsletter, de qualquer forma, meu e-mail é: b-viviane@hotmail.com. Obrigada. Beijos!

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