Como o tempo passa rápido quando você está cozinhando/plantando/cuidando da mãe doente/ trabalhando em projetos que exigem que você viaje pra outras cidades! Mas, mês passado, consegui fazer uma pausa de alguns dias pra descansar e fui pra uma das minhas praias preferidas (essa aqui, que apareceu no meu Guia de sobrevivência na praia pra quem é vegana).

E como fim de semana passado foi o aniversário de uma das minhas irmãs, fomos comemorar num rio lindo que corre não muito longe da minha casa. No meio de tanta desgraça, ser lembrada da beleza que existe no mundo é mais que antídoto pro desespero, é uma maneira de resistir, como disse minha amiga Michelle.
Gostaria de ter um quintal produtivo, mas até agora não consegui materializar esse desejo, então, por enquanto, minha roça de quintal é um espaço de experimentação. Plantei as castanhas dos melhores cajus que provei nessa safra e, pro meu maravilhamento, nasceram lindos cajueirinhos. Depois de selecionar os mais bonitos e fortes, tem quatro mudas crescendo em lugares diferentes (depois vou fazer outra seleção e deixar só um cajueiro). Olha que coisa mais fofa uma castanha germinada com o brotinho de cajueiro despontando!
Já ouviu falar de grumixama? Minha irmã chegou em casa com um punhado dessas frutinhas (provavelmente voltando de alguma trilha na mata atlântica) e achamos uma delícia. É meio mirtilo, meio jabuticaba, uma belezura! Decidimos guardar as sementes pra eu tentar germinar em casa e não é que deu certo? Elas ainda precisam crescer muito antes de irem pra terra do meu quintal, mas já estou muito animada com a perspectiva de comer essas frutinhas novamente e ainda mais de compartilhar com a passarinhada que divide o quintal comigo.
Essa flor aí é uma fonte diária de alegria na minha casa. Ela é fruto de um pequeno furto de galhinhos de um passeio público (roubar plantas, bom demais!) e a bichinha se deu muito bem no meu jardim. Cresceu loucamente e agora coloca pelo menos uma flor por dia, mas na maior parte do dia aparecem três, quatro… Se trata de um Hibiscus Cannabinus (só olhar o formato da folha pra entender o nome), popularmente conhecido com hibisco kenaf (ou, em alguns lugares, como papoula de São Francisco). Na minha lista de pequenas alegrias da vida adulta tem, lá no topo, “acompanhar a brotação das flores do jardim”. E como essas flores duram poucas horas (abrem com o nascer do sol e no início da tarde já murcharam), elas me lembram todos os dias que os prazeres são efêmeros e, justamente por isso, precisam ser plenamente desfrutados.
Outra pequena alegria quotidiana pra mim, e prioridade na minha lista der responsabilidades comigo mesma: comer bem. À esquerda: café da manhã de um dia qualquer, com cará cozido, grãomelete fermentado, queijo de castanha fermentado, tomate cereja com manjericão da minha horta, café e mamão. À direita: almoço de um dia qualquer, com risoto de arroz da terra e legumes, feijão verde, salada de folhas, repolho roxo, manga e sementes de jerimum e girassol torradas. Abaixo: almoço de um dia especial, com macaco recheado com banana jasmim grelhada, purê de jerimum puxado no queijo de castanha, maxixe numa redução de tucupi e mel de caju e salada de caju, pepino e coentro.

Semana passada eu estive em Recife a trabalho, dando uma pequena formação em culinária vegetal pras cozinheiras da cozinha solidária do MTST na cidade. Contei com a ajuda de uma nutricionista vegana e maravilhosa, Leila, e fizemos moqueca de banana da terra no primeiro dia e legumes no molho de amendoim no segundo, além de várias outras preparações vegetais. Fiquei encantada com a cozinha, e horta, do MTST e espero colaborar novamente com esse movimento incrível.
E antes de falar da receita de hoje, compartilho um flagra meu roubando mudas. De tanto sair pegando plantinhas por todos os lugares por onde passo virei piada na família. Às vezes eu compro plantas, juro, mas acho muito mais satisfatório (além de econômico) “pegar” quando não tem ninguém olhando. Bem, tem vícios piores.

Pra finalizar, uma receita simples, mas que também está na minha lista de alegrias do momento: vitamina de abacate e jaca.

Vitamina de abacate e jaca
Essa vitamina certamente não é pra todo mundo, mas eu acho uma das coisas mais maravilhosas já feitas nesse mundo. (Obviamente amo jaca.) No momento tem muito abacate na feira e o quilo está custando 4 reais aqui. Congelei bastante jaca madura nas últimas semanas, justamente pra fazer vitamina depois que a época da jaca acabar, e é um deleite misturar essas duas frutas. O abacate traz cremosidade e a jaca, o sabor e a doçura. Pode servir como sobremesa, também, principalmente se deixar na consistência de creme. E se jaca for a sua praia, não deixe de provar também esse creme de jaca e tapioca.
Abacate, maduro
Jaca, madura e congelada (retire o caroço antes de congelar)
Leite de coco fresco e gelado (receita aqui – ou seu leite vegetal preferido)
Bata tudo no liquidificador e sirva.
Algumas observações:
-Eu gosto de usar pouco líquido, pra ficar um creme e comer de colher, mas a espessura fica a seu critério. Use o leite vegetal que tiver disponível, mas o meu preferido aqui é o de coco. Coco e jaca se amam!
-Se quiser uma vitamina mais doce, use mais jaca do que abacate. Eu uso metade/metade.
-Às vezes, pra fazer uma firula, coloco uma pitada de cardamomo em pó, que casa lindamente com jaca.









