Sinal de vida

Quando comecei esse blog, quinze anos atrás, postava uma receita nova por semana. Às vezes duas! Agora apareço aqui com menos frequência, mas me dei conta que talvez as pessoas nem percebam, pois a frequência com que as pessoas lêem esse blog (qualquer blog) também diminuiu muito. Já faz alguns anos que vivo em dois tempos diferentes: enquanto os acontecimentos na vida analógica brotavam numa velocidade maior do que os meus dedos podiam digitar aqui, o blog desacelerava. Se antes era quase um diário (semanário?) com receitas, hoje tem uma curadoria exigente de ideias e penso muito antes de escrever algo aqui. Sei que, em 2025, a atenção dada aos blogs é pequena, então quero que cada encontro valha a pena.

Acontece que, com tanta exigência, acabo me ausentando por longos períodos. Isso não quer dizer que não esteja “trabalhando pro blog”, muito pelo contrário. O trabalho nos bastidores (pesquisar receitas tradicionais e inventar novas, entrevistar pessoas, explorar lugares pra entender melhor a política da comida, ler livros sobre temas relacionados, cozinhar e fazer muitos testes…) é imenso.

Faz dois meses que publiquei o último post, mas correu tanta água embaixo da minha ponte que parece que foram dois anos. Passei esse tempo todo na Amazônia, principalmente em Belém, mas com uma semana no Bailique (Amapá). Aliás, a foto acima é dessa viagem (tentem me achar no meio dessa floresta de redes). Teve muito trabalho de jornalista (fazendo reportagens), teve o ENUVA (Encontro Nacional da União Vegana Antiespecista) e teve a COP 30.

São muitos causos, e receitas, pra compartilhar, mas apesar de ter voltado pra casa (Natal) há duas semanas, ainda preciso descansar mais um pouco e escolher com carinho o que vou trazer pra cá. Hoje vim aqui só pra atualizar o blog, pra que ninguém passando por aqui pense que esse espaço está fora de uso. Volto em breve.

PS Lembram que eu tinha voltado pro Instagram meses atrás? Saí de novo e dessa vez por escolha. Então minha única presença online é aqui, mesmo.

4 comentários em “Sinal de vida

  1. Sandra, acompanho teu blog há pelo menos uns dez anos. No início sequer era vegetariana e morava com meus pais, num ambiente onde não tinha espaço para testar receitas “diferentes”. Eventualmente fui morar sozinha, parei de comer carne, e pude, enfim, testar à vontade todas as suas receitas (que são incríveis!).
    Te escrevo aqui pra agradecer. Pra mim, vejo a importância do papel que tu teve no meu desenvolvimento de autonomia culinária vegetal. Tuas receitas não têm as medidas exatas e, no início, me irritava um pouco hehe (tal qual aqueles filmes que o aluno se rebela contra o mestre mas depois vê que ele tá certo kkk)
    mas, aos poucos, eu fui vendo a beleza que é o teu trabalho. Realmente, saber cozinhar não é igual a saber montar um prato mega elaborado. Saber cozinhar é saber combinar os sabores e texturas – e isso aprendi muito contigo. Tu se preocupa em nos ensinar o método, não a receita engessada, e esse é o verdadeiro caminho de adquirirmos autonomia e, inclusive, descolonizarmos nosso paladar e nossas práticas culinárias. Sei que, amparada com tudo que aprendi e aprendo contigo, sou capaz de criar receitas vegetais com o que estiver disponível que sejam gostosas e me nutram. Muito obrigada por tanto!
    Feliz ano novo 🙂
    Abraço,
    Dana Savitskii (não quis logar hehe)

    1. Tô aqui catando palavras há um tempão, tentando costurar uma resposta à altura do que você me falou, Dana. Tem a alegria de ser útil. A gratidão por você ter escolhido praticar a solidariedade com os outros animais. Mas, e talvez tenha sido isso que me fez refletir tanto antes de te responder, tem o profundo sentimento de que meu trabalho faz sentido. Muitas vezes me pergunto por que insisto em seguir dedicando tempo a esse blog numa época em que quase ninguém mais lê blogs. Aí eu leio palavras como as suas e sei que consegui ajudar muitas pessoas a se aproximarem da cozinha, a considerarem os outros animais e a desenvolver essa habilidade essencial que é ser capaz de se nutrir com as próprias mãos. Acho que vale a pena seguir escrevendo aqui por mais uns anos. Um grande abraço e feliz ano novo pra você também.

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