Histórias palestinas: Mustafa e Mohamad Alafandi

Campo de refugiados de Deheisha. Foto Anne Paq.

Alguns leitores pediram pra eu falar mais sobre a minha vida aqui na Palestina, mas sempre fico receosa quando se trata de misturar comida vegetal e conflito no Oriente Médio. Como abordar a questão sem causar indigestão nos meus leitores? Decidi então mudar o foco: ao invés de falar sobre minha experiência aqui ou o que aprendi sobre o conflito, prefiro escrever uma série de posts contando a história de alguns palestinos. Estatísticas, acordos, convenções, relatórios, nada disso traduz o que significa viver nos territórios palestinos ocupados. Mas talvez se eu apresentar pra vocês alguns dos meus amigos mais próximos, vocês terão uma ideia mais precisa da situação atual nessa terra tão castigada, mas, ao mesmo tempo, tão cativante.

Eu fiz amizade com Mustafa assim que me mudei pra cá, quatro anos atrás. Ele trabalha como fisioterapeuta e é meu tradutor voluntário no projeto no campo de Aida. Acabei conhecendo toda a família de Mustafa e fiquei muito próxima da esposa dele, Draguitsa. Ele estudou fisioterapia na Iugoslávia, onde conheceu Draguitsa, que vem da Bósnia. Eles se casaram na Europa, tiveram seu primeiro filho por lá e Mustafa voltou pra casa, acompanhado de sua pequena família, quase vinte anos atrás. Ambos falam Inglês perfeitamente e tive o prazer de ser convidada pra almoçar na casa deles várias vezes (Draguitsa é uma excelente cozinheira). Aos poucos fui descobrindo a história de Mustafa. Ele me contou como perdeu o emprego em Jerusalém depois de ter recusado se tornar um espião pro governo israelense. Ofereceram muito dinheiro em troca de informações sobre os seus pacientes palestinos. Ele se recusou a trair seu povo e como punição perdeu o direito de entrar em Jerusalém. Todo palestino precisa de uma permissão dada pelo governo israelense pra entrar em Jerusalém e Mustafa nunca mais conseguirá uma. Desde então ele trabalha como funcionário temporário, sem contrato oficial, pra UNRWA (agência da ONU que trata das questões relacionadas com os refugiados palestinos), mas somente na região de Belém. Draguitsa foi obrigada a esperar 15 anos antes de obter um visto de residência. Tudo aqui é controlado pelo governo israelense e durante todos esses anos eles recusaram seu pedido de residência na Palestina. Draguitsa, morando ilegalmente em Belém, corria o risco de ser expulsa do país a qualquer momento e ficou todos esses anos sem visitar a família na Bósnia. Um dia a administração israelense telefonou pra sua casa. Ela se encheu de esperança achando que a funcionária do outro lado da linha anunciaria a legalização da sua situação, mas a única coisa que ela disse à Draguitsa foi “Você casou com o homem errado”. “Errado” porque desde que se recusou a espionar contra o seu povo Mustafa entrou pra lista negra do governo israelense. Em uma das visitas à casa de Mustafa encontrei o seu pai. Mustafa me contou um pouco sobre a vida dele e como na época eu escrevia pro, hoje defunto, Jornal da Fotografia de Natal resolvi dedicar um artigo a esse senhor. Voltei lá alguns dias depois e entrevistei Mohamad, o pai de Mustafa. A história que ele me contou dois anos atrás é a que eu gostaria de contar pra vocês hoje.

Mustafa (à direita) com o pai, Mohamad, e o filho caçula, Aissa. Três gerações de refugiados.

Meu nome é Mohamad Alafandi, tenho 76 anos e moro no campo de refugiados de Deheisha, na região de Belém. Nasci em Dayr Aban, a 21 km de Jerusalém, no que então ainda era a Palestina. Minha cidade resistiu enquanto pôde à invasão sionista, o que custou a vida de quarenta habitantes. A gente só tinha dois fuzis e os homens se revezavam pra defender nossas casas. Mas o exército sionista era muito mais bem equipado. No dia 18 de outubro de 1948 os soldados do recém-criado estado de Israel invadiram minha cidade e obrigaram a população a partir sem poder carregar absolutamente nada, abandonando nossas terras, casas, animais e pertences, deixando toda a nossa sua vida para trás. Eu tinha 14 anos quando isso aconteceu. Meu pai não suportou tão duro golpe e sofreu um derrame que o deixou paralisado. Fui obrigado a carregar meu pai nas costas durante todo o tempo em que caminhamos. Minha família errou durante um ano e meio, andando de cidade em cidade procurando um lugar para viver. Meu pai morreu um ano depois de ter sido expulso de sua cidade natal e eu, como filho mais velho, tive que tomar conta da minha mãe e dos meus irmãos. Acabamos chegando em Deheisha, um dos inúmeros campos criados pela ONU. Esses campos, organizados como solução temporária ao problema dos refugiados palestinos, não passavam de gigantescas aglomerações de tendas de lona. As famílias tiveram que suportar a fome, a falta de água, a neve no inverno e o calor sufocante no verão. Apesar das condições extremamente difíceis, os refugiados permaneceram nos campos, pois, assim como a minha família, eles não tinham para aonde ir. 

Eu tenho sete filhos homens. Eu e todos os meus filhos passamos pelas cadeias israelenses. Um dos meus filhos foi preso quando tinha apenas quatorze anos e ficou quatro anos na cadeia. Até hoje ninguém sabe que crime ele cometeu, nunca houve acusação formal. Meu filho caçula está preso há dezoito anos. Ele foi condenado a trinta anos de prisão por ter se defendido de um ataque de colonos israelenses. Meus outros filhos foram presos porque estavam no lugar errado, na hora errada. Eu fui preso duas vezes. Em 1984 visitei as ruinas de Dayr Aban. Estava colhendo ervas, para levar para casa como recordação da minha antiga cidade, quando a polícia israelense chegou. Primeiro os policiais me espancaram, depois me levaram pra cadeia, pois segundo eles eu não tinha permissão pra estar naquele lugar. Alguns anos mais tarde, soldados israelenses invadiram minha casa em Deheisha e agrediram meus netos. Tentei proteger os meninos e fui parar na cadeia pela segunda vez. Quatro dos meus netos já foram presos, sempre por motivos semelhantes aos que levaram meus filhos pra cadeia (estar no lugar errado, na hora errada). Um deles perdeu a mão ainda criança por causa de uma granada lançada pelos soldados israelenses, durante uma das inúmeras invasões ao campo. Outro neto meu socorria um vizinho ferido pelos soldados israelenses quando foi baleado no ombro. O menino tinha quatorze anos e perdeu os movimentos do braço. Há dois anos meu neto Kussai foi a Belém cortar o cabelo com os amigos. No caminho eles passaram por um jipe militar israelense, que abriu fogo contra o grupo ferindo várias pessoas e matando Kussai. Os soldados usaram um tipo especial de bala que explode no interior do corpo, fazendo com que as chances de sobrevivência sejam zero. Meu neto tinha dezesseis anos.

Mas eu não perdi as esperanças. (Mohamad faz um movimento com a mão na direção dos netos, os filhos de Mustafa, que brincam do lado) Acredito nas crianças. Eu estou velho e cansado, mas elas vão crescer, lutar pelo nosso país e todos voltarão a ser livres, longe dos campos de refugiados e da crueldade da ocupação israelense. Tenho fé que vou terminar minha vida em paz e serei enterrado na terra que pertenceu aos meus antepassados.

Enterro de Kussai, neto de Mohamad Alafandi, assassinado pelo exército israelense. Foto Anne Paq.

Assim como os outros milhões de refugiados palestinos, Mohamad Alafandi ainda guarda a chave e a escritura da casa que um dia foi sua. Antes de ir embora ele disse “Por favor, conte essa história no seu país. As pessoas precisam saber o que estão fazendo com a gente.” Como expliquei mais acima, Mohamad Alafandi me contou sua história dois anos atrás. Hoje ele está com 78 anos e já não pode mais visitar seu filho caçula na cadeia. Eu quis começar a série de posts sobre os palestinos contando a história de Mohamad por uma razão. Sua saúde está cada vez mais frágil e meu querido amigo Mustafa, que cuida do pai, assim como seu pai cuidou do avô, anda muito abatido. Mohamad está se despedindo desse mundo e a situação só fez piorar nos últimos dois anos. Ele não vai poder ver sua terra (Dayr Aban foi destruída e uma cidade israelense foi construída sobre as ruínas), nem ser enterrado lá. Mas enquanto a vida ainda sopra em seus pulmões eu vou fazer o que ele me pediu e contar sua história ao maior número de pessoas que eu puder.

39 comentários em “Histórias palestinas: Mustafa e Mohamad Alafandi

  1. Sandra, eu julgo, na minha humilde opinião, q vc foi pelo caminho certo. Nada melhor do que a história contada pelos que fizeram ou fazem parte dela! Vai tocar e conscientizar mais do que um milhão de posts ideológicos. Deixe a história falar por si, e todos tirarão suas conclusões! Parabéns! Um grande abraço!

  2. Tenho lido seu blog há uma semana mais ou menos. Através de Vista-se que descobri você. E por tudo que li aqui te admiro. Você nos inspira. A mim inspira pelo menos. A coragem de ser o que é e fazer o que se quer é muito inspirador. E isso sem ser inconsequente como a frase pode sugerir.

    Li a história e fiquei muito emocionada e resolvi comentar. Já tinha lido a do casal que pediu sua ajuda e o projeto que desenvolve, mas essa particularmente me tocou. É algo tão imenso, Tão recente e tão antigo, E os debates são sempre tão rasos por aqui, na mídia, em geral. E isso quando algo de mais grave por aí acontece. É muito importante saber dessas histórias. Passar adiante. Obrigada.

    Obrigada pelas receitas maravilhosas também.

    1. Daniela, você está certíssima quando diz que a mídia trata essa questão de maneira rasa e, na maior parte do tempo, extremamente tendenciosa. Por isso considero que uma das minhas missões é dividir o que vi e vivi aqui com as pessoas que não puderam vir aqui e conferir com os próprios olhos.

      1. Sim, extremamente tendenciosa. Concordo. Aliás, pr´além disso há uma massificação da informação, NENHUMA diversidade. A mídia copia a mídia e não vai além.

    1. Foi exatamente por isso que resolvi contar histórias pessoais e não cuspir os relatórios que as ONGs e a ONU fazem o tempo todo. Os palestinos não podem continuar sendo só números, é preciso mostrar os seus rostos. Fique à vontade pra divulgar o blog, Yoko.

  3. Olá, Sandra.
    Como disse certa vez, a vida me colocou numa situação, digamos, onde os meus horizontes são algo limitados. Mas eu sou um ser humano que sente fortemente o que podem querer dizer as palavras injustiça e perda. Por isso eu senti muito intensamente as palavras do Sr. Mohamad Alafandi, pedindo que a sua história fosse contada, e ela atingiu em cheio o meu coração. Ele tem uma família linda e corajosa, é um patriarca que não perdeu algo muito precioso, que é a honra. Isso ninguém pode tirar, é por isso que a sua história deve ser contada, para que num mundo onde às vezes causas fúteis ganham vulto, o seu exemplo de heroísmo pessoal e da resistência de sua família gere, ao menos, a conscientização de que a liberdade de um povo não pode ser cerceada e suas palavras não podem ser impedidas de ecoarem entre os pósteros.
    Você fez bem em nos contar a história desse senhor tão sofrido, mas tão digno, e se puder diga a ele que sua história chegou muito, muito longe, e serviu de lenitivo para pelo menos outro coração, que precisava ouví-la e redimensionar sua visão de mundo, de fraternidade e respeito.
    Mariangela, Camboriú, SC.

    1. Você resumiu muito bem como eu vejo esse senhor: uma pessoa extremamente sofrida, mas que não perdeu, nem nunca negociou, sua dignidade. Espero que você também faça o que ele pediu e leve essa história a mais pessoas ainda.

  4. Você me fez sentir ao lado, ouvindo a história pela boca do personagem. As narrativas simples, diretas, sem outro objetivo que não seja fazer um registro de uma vida são a melhor forma de conhecer um país e seu povo. Já espero, ansioso, a próxima história de um outro palestino, gente de muita sabedoria e garra.

    1. Essas histórias foi a maneira que encontrei de mostrar fragmentos da vida nos territórios palestinos ocupados. Elas não levam até vocês as vozes cansadas, o aroma de café com cardamomo, as mãos calejadas nem os sorrisos, mas é o melhor que posso fazer por enquanto. Pode deixar que outras histórias virão.

  5. Sabe, eu estive aí em 2010 e foi uma experiência bem turística. Mas no grupo que eu tava, os guias deixaram bem claro que a situação em Belém era bem delicada, só que eles só falavam no quesito financeiro. Tanto que não nos hospedamos em Jerusalém, mas em Belém mesmo. De lá pra cá, tenho lido bastante e cada vez mais me indigno de como isso pode acontecer e como a gente é manipulado. Quando falo pras minhas amigas que quero muito voluntariar num campo de refugiados palestino, elas falam pra eu ter cuidado com bomba. E é o que a gente é induzido a falar, porque “palestino é tudo terrorista”, é o que a mídia nos induz a pensar. Por isso, cada vez mais eu tento mostrar que não é assim, que o terrorista tá do outro lado do muro, e que, além disso tudo, existe um povo muito caloroso e cativante.

    Enquanto eu puder, vou divulgar tudo o que você fala por aqui e pelas newsletters. Admiro demais seus posts [tanto os veganos, que eu não adoto ainda, quanto esses outros]. Aliás, estive na última palestra que vc deu aqui em Natal na UFRN, adorei demais [e sensibilizou gente demais!!!!].

    1. Quer dizer que você esteve na minha última palestra na UFRN? Que bom que ela sensibilizou muita gente. Muito obrigada por divulgar as informações que envio nas newsletters e no blog, Bruna.

  6. Obrigada por postar a história de Mohamad para nossa reflexão. É importante que a gente não perca a dimensão humana dessas questões que são políticamente complexas. Aguardamos as próximas postagens e vamos tirando nossas conclusões. Um grande abraço.

    1. E se tiver alguma dúvida específica sobre a situação aqui eu ficarei feliz em responder ou, se não tiver conhecimento suficiente pra responder, perguntar a quem entende.

  7. Uma amiga me falou super bem do seu blog e resolvi conferir.
    Ela estava certa. Adorei esse post e fiquei muito sensibilizada com a história.
    Parabéns pelo trabalho

  8. Muito emocionante esse post. Uma história muito triste, muito sofrida… Mas como ele disse, de muita luta.
    Aqui no Brasil tudo isso parece muito distante. Nossos problemas são graves aqui, mas são de outra ordem.
    A tentativa de destruição de uma nação, de sua cultura, de seu povo… Isso é terrível. Espero realmente que um dia todos entendamos que somos irmãos… Independentemente de nacionalidade, crença, ou o que quer que seja… Somos humanos, somos habitantes do mesmo planeta… E todos devem ser tratados como iguais, respeitando as diferenças…
    Imagina… Se tratamos nossa própria espécie assim… podemos ver que a evolução quanto aos animais com certeza só engatinha.
    Gostei muito das histórias e com certeza espero pelos próximos posts desse tipo. Pelo menos a história dessas pessoas estará sendo repassada…

    1. Pois é, algumas pessoas me perguntaram “Por que ajudar palestinos quando tem tanto brasileiro precisando de ajuda?” Eu penso como você, pra mim somos todos irmãos. Sei que tem problemas em todos os lugares, cada país tem os seus (mais ou menos graves), mas na minha opinião ajudar um palestino ou um brasileiro não faz diferença. O importante é fazer alguma coisa pra transformar esse mundo em um lugar mais justo. Acredito que o bem que se faz pra um (independente da nacionalidade) transforma o mundo como um todo.

  9. Sandra, esta história é muito comovente. Quando há um rosto, uma vida por trás dos acontecimentos, a verdade vem à tona, porque imaginamos como seria estar no lugar desta pessoa e passar por estes sofrimentos. Ser expulso de sua terra, condenado a viver fugindo e ver a família sofrer é horrível! Na midia, como já foi citado, tudo é mesmo tendencioso e as questões económicas falam mais alto! A vida humana é desvalorizada em prol do dinheiro e poder!
    Louvo sua coragem, agradeço por nos mostrares esta faceta do conflito! Saio daqui de coração apertado, mas levo uma visão mais humana e a história de Mustafa e Muhamad Alafandi que jamais esquecerei.
    Espero ansiosa pelos próximos posts!

    1. Essa é exatamente a minha intenção: colocar um rosto na história dos palestinos. Quando se fala de palestinos na mídia é sempre associando-os a extremistas e terroristas e eu queria mostrar que isso não passa de um ínfima parte da população que já se deixou levar pelo desespero. A maioria esmagadora da população palestina, aqueles que sofrem dia apos dia há mais de 60 anos, mas que continua resistindo e lutando de maneira pacífica, nunca chega aos nossos jornais ou televisões.

  10. Fico extremamente feliz em ver que meus leitores receberam tão bem essa nova série de posts. Graças à vocês posso falar dos meus dois combates (o veganismo e a Palestina) no mesmo lugar. Mas pensando bem não são dois combates. O combate é um só: lutar por um mundo mais ético e justo (na mesa e fora dela). Que sorte eu tenho de ter leitores tão inteligentes e sensíveis. Muito obrigada.

    1. Tenho certeza de que é um combate só…
      E esse texto (quanta sensibilidade!) ajuda a lembrar que somos todos humanos, que números não refletem o que realmente importa, e que podemos transformar (e nos transformar) muito, muito mais… para chegar nesse mundo mais ético e justo.
      * espero que continue com essas histórias

  11. Que bom, Sandra, você estar escrevendo sobre as pessoas que vivem essa situação na Palestina! É hora de dar voz a quem não consegue correr mundo para falar das injustiças que sofre, e você traz os heróis desconhecidos até nós, para que seu testemunho, como o do Sr. Mohamad e seu filho, chegue tão longe e de forma tão clara.
    Você escreveu certa vez que considera comer um ato político, escrever também é. Tenho certeza, então, que a suas palavras vão se espalhar pelo mundo como um pedregulho lançado no lago, que alarga suas ondas na água até a margem, até que um dia, graças a pessoas como você e iniciativas como as suas, a verdade se estabeleça e a justiça se faça.

    1. Com certeza escrever é um ato político e estou aproveitando esse espaço pra fazer o que considero o meu dever: expor a realidade na Palestina ocupada. Obrigada pelo otimismo, Mariangela. Às vezes duvido da força das minhas ações, mas você me fez acreditar, mais uma vez, que meu trabalho pode contribuir pra transformar as coisas (ou as pessoas) de uma maneira positiva.

  12. Mahaba Sandra,

    Sofro de síndrome de abstinência do Papacapim . Estou acessando muito pouco a internet e, nesse período, muita culinária e conversas roloaram por aqui.
    Tudo que você escreve é um acréscimo em nossas vidas. Sinto saudade por não poder ler cada post como há algum tempo , em que eu lia lentamente “para não acabar”.
    Enquanto distante desse contato, escrevo emails longos, imaginários, para você. Se sua dedicação à divulgar uma alimentação saudável, elaborar comidinhas e alimentar o Papacapim com tanta constância me encanta, o seu trabalho junto aos campos de refugiados me deixa mesmo sem palavras. Shukran

    Estou certa da legitimidade ao direito às suas terras e o quanto os Palestinos foram e são massacrados por Israel sempre apoiados pela “ nação toda poderosa”. Não vou entrar na questão política, não tenho conhecimento suficiente para debater o assunto. Imagino que tanto os palestinos como grande parte dos israelenses não desejariam viver sob ameaças constantes. Essa é uma guerra do poder, o povo quer Paz, seja aí ou em qualquer lugar do mundo.

    Sempre busquei, na medida das minhas restrições, informações sem tendências para o que acontece nessa região. Não posso encontrar razão em uma história tão sanguinária.
    A história de Mohamad Alafandi certamente é uma das muitas que se repetem; Há quanto tempo… e quanto tempo mais perdurará. Não quero crer que viver e morrer tão duramente faça parte da vida.

    A luta pacífica por melhores condições parte de pessoas como você, Anne e muitas outras que povoam este mundo.
    Entrar no Papacapim é a certeza de que encontrarei pessoas voltadas a melhorar a Terra. Que esta energia se propague por todo o mundo e que ao contrário de Alafandi, Mustafa e tantos outros possam ver realizado o sonho dos Palestinos, o nosso sonho.

    Ser um “beija-flor na floresta” faz muita diferença.

    Envio-lhe muita LUZ e FORÇA para enfrentar o seu dia-a-dia.

    Grande abraço à esta família.

    Abraço apertado em você.

    Salaam Aleikum (poderia usar esta expressão no final?)

    Ofélia.

    1. Sinto sua falta por aqui, mas entendo que nem todo mundo tem tempo livre o suficiente pra passear pela internet diariamente.Pode deixar que mandarei seu abraço à família Alafandi. Sim, você pode dizer Salaam Aleikum na despedida. Um abraço bem grande.

    1. A referência absoluta na minha opinião é Ilan Pappé, um historiador israelense (judeu) que escreveu, entre outros, o livro “A limpeza étnica na Palestina”. Tem esse vídeo onde ele explica muito bem, como sempre, os mitos e proganda israelense (legendado em Português): http://www.youtube.com/watch?v=buIKKeygWBY&feature=related Ele é “o cara”, então qualquer coisa que você achar dele vale a pena ler/ver. Tem outros vídeos no youtube ao lado desse que citei, se tiver tempo de ver, recomendo demais.

  13. Querida Papa, muito obrigada por compartilhar essa série de histórias. Acabo de ler as três e simplesmente não tenho palavras para descrever o que senti, Este mundo é muito grande e muito triste, mas ainda é muito grande.

    Muito obrigada por compartilhar e por fazer alguma coisa, quando tantos de nós nada podemos fazer.

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