Jerimum com grão de bico e molho cremoso de amendoim

Hoje vou compartilhar uma receita muito, muito saborosa. Mas primeiro, vamos trocar dois dedinhos de prosa.

Longe está o tempo em que esse blog oferecia duas, às vezes três receitas diferentes por semana. Isso aconteceu nos primeiros anos do Papacapim, que nasceu em 2010. Ainda acho difícil entender como eu conseguia tamanha proeza, levando em conta que, naquela época, eu morava na Palestina e além de alimentar o blog, eu trabalhava no projeto com as mulheres do campo de Aida (falei sobre ele nesse post e depois nesse aqui . Parece que foi em outra vida e que saudade eu tenho das minhas amigas palestinas!), mantinha um “restaurante” na minha casa algumas noites por mês e ainda tinha tarefas militantes toda semana. O segredo de tanta energia e foco, acredito, era a minha idade. Aos 28 anos eu tinha um nível de energia que hoje, aos 44, lembro com admiração e inveja. Sei que tem muitas pessoas de 44 anos que ainda desfrutam do mesmo vigor e disposição de quando tinham vinte e poucos anos, mas no meio do meu caminho encontrei uma menopausa precoce que me reprogramou inteiramente. E a nova versão tá bem capenga.

Tenho planos de escrever sobre menopausa um dia, porque hoje sei que é um serviço de utilidade pública e também porque escrever é minha maneira preferida de colocar ordem nos pensamentos. Escrever tem, pra mim, o efeito de uma faxina mental e só eu sei o quanto estou precisando dessa faxina! Mas voltemos pro assunto desse post.

O blog tem um ritmo de publicação mais lento hoje porque sua autora está com problemas de saúde que não só impactam o corpo dela, como também a mente.

Depois de terminar os dois meses de trabalho intenso e suado (ô como foi suado!) na Amazônia, voltei pra Natal, depois da COP 30, e precisei fazer uma pausa do final do ano passado até o início desse ano pra não entrar em colapso. Gostaria de dizer que tirei férias, mas além de ter obrigações familiares (cuidar da minha mãe) que demandam minha presença aqui, usei esse tempo principalmente pra cuidar da saúde. Então podemos dizer que foi uma licença médica, onde eu segui trabalhando, mas num ritmo bem mais lento.

Nada disso tem a ver com a receita de hoje, mas o trabalho que faço aqui no blog só é possível porque pessoas ainda me apoiam materialmente (muitíssimo obrigada a todas as pessoas que contribuem com o meu Apoia-se), então acho importante explicar essas mudanças de ritmo.

Agora vamos à receita.

Estamos chegando no final da época do caju. Como venho da terra do caju e que sou completamente louca por essa fruta, claro que passei os últimos meses comendo caju de todas as formas. Cru, nas saladas de folhas. Na vinagrete. Como suco. E muita carne de caju! (Meu estrogonofe potiguar é uma das minhas receitas preferidas).

Mas ontem, enquanto preparava o almoço, criei uma receita pra acompanhar o prato principal, um caju afarofado (minha receita de farofa de caju, mas com uma quantidade bem menor de farinha) e o resultado foi tão bom que agora não sei qual dos dois pratos foi o acompanhamento e qual foi o principal. Esse jerimum roubou a vedete.

Acho que amendoim, essa leguminosa nativa do território conhecido como Brasil, não recebe a atenção que merece na nossa culinária. Por isso estou sempre com a colher preparada pra jogar pasta de amendoim na panela e criar molhos untuosos e saborosos. Foi o que aconteceu aqui. Meu jerimum refogado recebeu esse tratamento especial e ainda incluí um resto de grão de bico cozido que estava na geladeira. Esses três ingredientes se dão muito bem juntos, e tudo fica ainda melhor com coentro. Além de nos fartamos no almoço, os restos desse prato podem virar um recheio de tapioca (ou pão) maravilhoso no dia seguinte.

E se você também gosta de carne de caju, recomendo fortemente servir como fiz aqui, com o caju afarofado.

Jerimum com grão de bico e molho cremoso de amendoim

Gosto de usar jerimum “caboclo”, o meu preferido aqui. Mas pode usar o jerimum (abóbora) que você preferir. Os ingredientes aparecem na ordem decrescente, ou seja, do mais ao menos utilizado. Adapte as quantidades pro número de pessoas que serão servidas e pro seu gosto. Eu usei o grão de bico como complemento do jerimum, mas você pode fazer o contrário: mudar as proporções e fazer do jerimum o complemento do grão de bico. Assim o prato fica com mais sustância. E se não tiver grão de bico à disposição, feijão macaça ou fradinho funcionam aqui também.

Jerimum, em cubos pequenos

Grão de bico, cozido (na água e sal)

Pasta de amendoim (pura, sem açúcar)

Cebola, picada

Tomate, picado

Coentro, picado

Alho, picado ou amassado

Pimenta de cheiro, picada (opcional)

Suco de limão

Óleo

Sal e pimenta preta

Refogue a cebola em um pouco de óleo. Junte o alho e o jerimum, salgue e refogue por alguns segundos antes de cobrir com um pouco de água, tampar a panela e deixar cozinhar (praticamente no vapor) em fogo baixo, até o jerimum ficar quase macio.

Junte o tomate, o grão de bico cozido e a pimenta de cheiro, se estiver usando, e deixe cozinhar mais um pouco, no fogo baixo, mexendo de vez em quando, até o tomate se desfazer. Se grudar no fundo da panela, junte mais um bocadinho de água.

Enquanto o jerimum termina de cozinhar, dissolva a pasta de amendoim em um pouco de água, até se tornar um leite ligeiramente espesso. Eu faço isso no liquidificador, porque é mais rápido e prático. Despeje esse leite de amendoim no jerimum já bem macio, junte mais um pouco de sal e outro pouco de pimenta preta a gosto, mexa e deixe ferver até engrossar. Desligue o fogo e junte o coentro e um pouco de limão, pra realçar o sabor. Prove e corrija o tempero, se necessário.

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