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Quem acompanha o Guia Papacapim de Alimentação Saudável deve ter percebido que novembro chegou e as dicas de setembro e outubro ainda não apareceram por aqui. Eu não abandonei esse projeto, muito pelo contrário, mas vários contratempos atravessaram o meu caminho. Então esse mês terá não uma, mas três dicas, pra compensar o silêncio dos últimos dois meses. Comecemos com dica número 9, que é:

Diminua o número de cosméticos que você usa.

Sei que essa não é uma dica de alimentação e que alguns vão estranhar encontra-la em um guia de alimentação saudável, mas deixem eu explicar. A pele é o maior órgão do corpo e, por ser porosa, absorve todos os cosméticos que você coloca nela. A estimativa é que em meros 20 minutos aquele hidratante que você espalhou no corpo terá penetrado na sua corrente sanguínea. Nós usamos em média 9 cosméticos/produtos de higiene pessoal por dia (da pasta de dente ao batom, passando pelo hidratante, desodorante e shampoo), que contêm, juntos, cerca de 126 ingredientes químicos. Imaginem então a quantidade de química que o corpo ‘ingere’ em um ano!  Parece exagero? Dê uma olhada na lista de ingredientes dos seus cosméticos e produtos de higiene pessoal, some tudo e depois volte aqui pra nós conversarmos. Toda essa química se acumula no organismo e pode causar danos graves à nossa saúde.

Se você está pensando que se o desodorante que você acabou de aplicar representasse um perigo pra sua saúde ele não estaria nas prateleiras ao alcance de todos, afinal cosméticos passam por testes de segurança controlados pela ANVISA antes de serem colocados à venda, eu tenho duas más notícias. A primeira é que esse controle está longe de ser satisfatório. Alguns ingredientes químicos cujos perigos pra saúde já foram comprovados (cancerígenos, perturbadores de hormônios, etc), e que já foram banidos de alguns países, continuam sendo utilizados durante anos antes que seja feita uma reforma na legislação proibindo o seu uso no nosso país. Nos EUA a situação é ainda pior,  já que a FDA (Food and Drug Administration) não exige que as empresas provem que seus produtos são seguros antes de comercializa-los. A indústria cosmética é um mercado extremamente lucrativo e obviamente é do interesse desse pessoal frear qualquer iniciativa de colocar obstáculos na sua frente. E enquanto isso nós usamos cremes e loções carregados de tóxicos, expondo nosso organismo a riscos elevados.

A segunda má notícia é que mesmo quando um produto recebe sinal verde no teste de segurança isso significa, na melhor das hipóteses, que o produto em questão não representa riscos à saúde quando usado sozinho. Mas é simplesmente impossível prever como os ingredientes químicos desse produto reagirão ao se misturarem com os outros produtos que usamos diariamente. Dia após dia, ao misturar o shampoo com o condicionador, hidratante, desodorante, perfume, protetor solar e pó compacto, produzimos um coquetel tóxico que passará pela pele, entrará no organismo e se acumulará nos nossos tecidos e órgãos. A triste verdade é que somos cobaias voluntárias, expondo nosso organismo diariamente à uma infinidade de produtos químicos perigosos sem ter a mínima ideia dos riscos que estamos correndo.

E já que estamos falando de cosméticos, vale lembrar que nós não somos os únicos animais prejudicados por eles: um número inimaginável de seres sencientes são torturados diariamente nos testes de segurança de cosméticos. O momento não podia ser melhor pra abordar desse assunto, já que graças à enorme exposição que o caso dos beagles do Instituto Royal teve na mídia muita gente anda refletindo sobre a necessidade de testar cosméticos (e medicamentos) em animais. Vamos deixar de lado a questão dos testes de medicamentos em animais, porque o assunto desse post é outro, e nos concentrar na questão dos testes de cosméticos e produtos de higiene pessoal. Veganos escolhem evitar, na medida do possível e praticável, todo e qualquer tipo de exploração e crueldade contra os animais, por isso além de adotar uma alimentação 100% vegetal, ser vegano significa também evitar cosméticos com ingredientes de origem animal e/ou testados em animais. Mas acredito que ninguém precisa ser vegano pra concordar que cegar milhares de coelhos pra colocar mais um rímel no mercado é um ato extremamente cruel e moralmente inaceitável.

Na página do Humane Institute podemos ler que: “Testes recomendados pela ANVISA incluem o uso de camundongos, ratos, coelhos e hamsters. Os experimentos podem incluir testes de irritação ocular e cutânea: os produtos químicos são esfregados sobre a pele raspada ou pingados nos olhos de coelhos; estudos que envolvem alimentação forçada e repetida durante semanas ou meses para detectar sinais de doença geral ou riscos específicos para a saúde, como o câncer ou defeitos de nascimento; e até mesmo o amplamente condenado teste de “dose letal”, no qual os animais são forçados a engolir grandes quantidades de um produto químico para determinar a dose mortal. Outros testes envolvem produtos aplicados no pênis e na vagina de coelhos com cateteres. No final dos testes, os animais são sacrificados, normalmente por asfixia, quebra do pescoço ou decapitação. Anestésicos não são utilizados.”

E se você ainda não está convencido de que é possível produzir cosméticos seguros sem testar em animais, o mesmo artigo do Humane Institute explica que “as empresas podem garantir a segurança de seus produtos escolhendo dentre milhares de ingredientes existentes que possuem uma longa história de uso seguro, juntamente com o uso de um número crescente de métodos alternativos que não envolvem o uso de animais.” Quer a prova de que eles estão falando a verdade? Testes de cosméticos em animais são proibidos em todos os países da União Europeia desde 2009 e em Israel desde 2007. Ou seja, suspender os testes de cosméticos em animais é não só seguro, como possível.

E agora voltemos à questão da quantidade de produtos químicos nos cosméticos e produtos de higiene pessoal. Quando somos confrontados com problemas gigantescos como esse é fácil se sentir impotente ou ter uma reação do tipo: “Já que tem produtos químicos nocivos em tudo, não há nada que eu possa fazer pra me proteger”. Nos dois casos (sentimento de impotência e resignação) nos recusamos a agir e nos instalamos na confortável poltrona da inação, rejeitando a oportunidade de transformar o mundo em um lugar melhor, mais justo, mais saudável e mais ético. Quando escrevo posts como esse meu objetivo não é cobrir meus leitores com uma avalanche de más notícias nem alfinetar consciências com o único intuito de fazer vocês se sentirem culpados. Ter acesso à informação e descobrir a verdade por trás dos cosméticos não deveria fazer você se sentir impotente, muito pelo contrário. Informação é não só um direito, mas uma arma que transforma o mundo. Meu objetivo com esse post é empoderar meus leitores, pra que vocês possam fazer escolhas conscientes.

Como gosto de deixar tudo explicadinho e mastigadinho, aqui vai um roteiro prático pra vocês começarem a agir imediatamente, diminuir a exposição do seu organismo às substâncias tóxicas presentes nos cosméticos e ajudar a diminuir a crueldade contra os animais.

1- Avalie suas reais necessidades em cosméticos. 

Você realmente precisa de um creme diferente pra cada parte do corpo? Reflita sobre os produtos que são realmente essenciais pra você e elimine o supérfluo. Será que você precisa mesmo de um creme pra cutículas? De um produto pra fixar a sombra nos olhos (primer)? De um hidratante diferente pros pés e outro pras mãos? Quando os comerciais e as revistas tentam nos convencer de que até lenços perfumados pra higiene íntima são indispensáveis, é fácil acumular um número impressionante de produtos totalmente dispensáveis (e tóxicos). Por mais que você adore sua coleção de cremes, vale a pena melhorar a aparência hoje se o resultado será um organismo doente mais na frente? Reduza ao máximo a quantidade de cosméticos que voce usa, assim você diminui sua exposição a produtos químicos perigosos, economiza dinheiro e simplifica a vida.

2- Escolhas marcas sem crueldade.

Existem inúmeras marcas de cosméticos que não testam em animais e produzem produtos fantásticos. Alguns exemplos: Água de Cheiro, Bioderm, Contém 1g, Davene, Farmaervas, Racco, Granado, Ox, O Boticário, Natura, Leite de Rosas, Revlon (veja a lista completa aqui)… E se cosméticos te interessam, você vai adorar o blog Lookaholic. A super simpática Nyle Ferrari testa e divide suas impressões sobre produtos de beleza feitos por marcas naturais/orgânicas e que não testam em animais.

3- Assine a declaração Liberte-se da Crueldade.

Como o pessoal da Humane Society explica, testes de cosméticos em animais são desatualizados, desnecessários e cruéis. Assine a petição e ajude a acabar com essa crueldade no Brasil.

4- Escolha cosméticos naturais, de preferência feitos com ingredientes orgânicos.

Cosméticos naturais e orgânicos são mais caros do que as grandes marcas encontradas em supermercados, mas a dica número 1 vai te ajudar aqui. Ao reduzir o número de cosméticos que você utiliza, vai sobrar dinheiro pra investir em produtos melhores. Qualidade vale muito mais do que quantidade. O Lookaholic tem ótimos artigos indicando produtos de beleza que usam substâncias menos nocivas pra saúde e Nyle também ensina como fazer alguns produtos em casa, com ingredientes ultra simples e naturais. Fazer os seus próprios cosméticos é mais simples do que se imagina e as vantagens são muitas: eles são mais naturais, mais baratos e muitas vezes tão eficientes quanto os frascos cheios de produtos químicos que estão no seu banheiro agora.

Quando o assunto é cosméticos, meu mantra é “se não posso colocar na boca, não coloco no corpo”. Claro que nem tudo que aplico no corpo e cabelo é comestível (ainda não comecei a comer sabonete, por exemplo), mas hoje em dia 80% do que passa pelos meus cabelos ou pele é feito exclusivamente com ingredientes naturais que também são encontrados na minha cozinha: bicarbonato de sódio, vinagre, óleo de coco, manteiga de cacau e karitê, óleos essenciais… Os outros 20% são produtos naturais, orgânicos e sem crueldade. Também gosto de simplificar ao máximo. Por exemplo, uso sabonete líquido de bebê (Granado) pra lavar os cabelos e o corpo. Além de funcionar maravilhosamente bem (as fórmulas de sabonetes e shampoos, quem diria, são extremamente próximas), diminuí o número de cosméticos do meu dia-a-dia e, consequentemente, a quantidade de produtos químicos que entram no meu corpo.

Repensar nossa utilização de cosméticos é um passo essencial na busca de uma vida mais saudável. Com alguns gestos simples é possível diminuir consideravelmente a quantidade de tóxicos que entra no seu organismo e ao mesmo tempo ajudar a deixar o mundo mais ético e livre de crueldade contra os animais.

Quem quiser se informar mais pode consultar a excelente página da Humane Society (em Português), respondendo suas dúvidas com relação a testes cosméticos em animais, e o site da PEA (Projeto Esperança Animal). A PEA também publicou uma lista detalhada com todas as empresas brasileiras e estrangeiras que não testam em animais, além de ter criado o panfleto informativo “A verdade sobre testes em animais”, que recomendo.

O site Skin Deep traz informações sobre os ingredientes perigosos encontrados nos cosméticos e desenvolveu um sistema que indica o grau de perigo de mais de 78 mil cosméticos, muitos deles vendidos no Brasil, baseado nas informações científicas sobre seus ingredientes. Esse sistema vai de 0 (sem perigo) a 10 (mais perigoso impossível) e você descobre, entre outros, que muitos shampoos da marca L’Oreal ganharam nota 8.

E se você perdeu o post ‘Tudo sobre seus cosméticos‘, que escrevi uns tempos atrás, não deixe de conferi-lo, pois você vai encontrar um vídeo que todo mundo deveria ver. Também dividi minhas receitas de pó dental e desodorante natural aqui.

 

Outro mês chegou ao fim, o que significa que é tempo de analisar em detalhes mais um ponto do Guia Papacapim de Alimentação Saudável. Hoje a dica é:

Não coma trigo em todas as refeições

À primeira vista pode até parecer uma dica sem importância, mas continue lendo e você perceberá porque eu a incluí no Guia. Sem perceber, muita gente come trigo em todas as refeições: pão no café da manhã, macarrão no almoço, bolo ou bolacha à tarde, mais pão no jantar… E o que isso significa concretamente em matéria de saúde? Quando você preenche o estômago sempre com a mesma comida vai acabar privando o corpo dos nutrientes oferecidos por outros tipos de alimentos. Eu já escrevi isso várias vezes aqui no blog e é claro que essa regra se aplica a qualquer alimento. O espaço no nosso estômago é limitado e privilegiar sempre o mesmo alimento significa ter uma alimentação menos variada, logo, que proporciona uma oferta menor de vitaminas e minerais. Esse conselho pode parecer irônico vindo de alguém que come aveia praticamente todos os dias, mas além de misturá-la com outros alimentos de qualidade, esse cereal é muito nutritivo (mesmo assim estou tentando diversificar meu café da manhã usando outros cereais). Porém quando o alimento em questão é naturalmente pobre em nutrientes, como é o caso da farinha de trigo refinada usada nas alimentos citados no início do parágrafo, o estrago é ainda maior.

polenta de milho fresco com berinjela3salada de feijão

Falando em farinha de trigo branca, aproveito o ensejo pra dizer que um alimento não se torna automaticamente ‘saudável’ só porque foi feito com farinha integral. Um bolo ou biscoito feito com farinha de trigo integral continua sendo uma guloseima feita com açúcar e gordura (nem sempre das melhores) que deve ser consumida com moderação. Sem falar que muitos alimentos industrializados que se gabam de serem integrais, como a maioria dos pães vendidos em supermercados, são feitos com farinha de trigo refinada (branca), à qual foi acrescentado um pouco de farelo de trigo. Ou seja, se você começar a ler a lista de ingredientes desses produtos, o que aconselho vivamente, verá que eles não usam farinha integral. Pra quem não sabe, farinha de trigo integral (de verdade) contém todas as partes do grão: a casca (que, sozinha, é chamada de farelo de trigo e é rica em fibras), o endosperma (rico em carboidratos) e o gérmen (rico em vitaminas e minerais). Já a farinha branca é feita unicamente com o endosperma, por isso é pobre em nutrientes e fibras. No caso dos pães mencionados acima, a farinha branca foi misturada com a casca do trigo (farelo), ou seja, aumentou a quantidade de fibras, mas esse pão não pode ser considerado ‘integral’.

salada quinoa feijão1

Uma palavrinha sobre glúten

Ultimamente andam falando muito dele, mas como ainda tem gente que não sabe o que é, aqui vai uma explicação rápida e resumida. Glúten é uma proteína formada (basicamente) pela mistura de cadeias proteicas longas de gliadina e glutenina.  Gliadina e glutenina, as proteínas formadoras do glúten, são encontradas em diversos cereais como o trigo, a cevada, o centeio… O glúten dá viscosidade e elasticidade às massas, por isso é tão importante na fabricação de pães. Não é à toa que o nome dessa proteína deriva da palavra latina pra ‘cola’.

Algumas pessoas são mais ou menos sensíveis ao glúten e têm dificuldades pra digeri-lo. Outras são intolerantes e a intolerância permanente ao glúten é chamada de doença celíaca. Nesses casos o glúten danifica as viscosidades do intestino delgado, prejudicando a absorção de nutrientes e provocando carências nutricionais, além de outros problemas graves. Mas antes que me peçam mais informações sobre essa doença e me perguntem quais alimentos têm ou não glúten, gostaria de lembrar que meus conhecimentos sobre o assunto, adquiridos unicamente com pesquisas na internet, param por aqui. Quem quiser saber mais sobre a doença celíaca deve se informar diretamente no site da Associação dos Celíacos do Brasil.

sopa de feijão branco e amaranto

Se não sou intolerante ao glúten, mesmo assim deveria excluí-lo da minha dieta?

Já perceberam que estão sempre elegendo o “alimento milagroso” e o “alimento demoníaco” da vez? Sem querer cair no alarmismo e acusar o glúten de causar todas as doenças que afligem nossa sociedade, gostaria de dar a minha humilde opinião sobre o assunto. Vários sintomas, além de problemas digestivos, podem estar ligados ao consumo de glúten, como dores de cabeça, cansaço crônico, depressão, hiperatividade em crianças (a lista é grande)… Então vale a pena retirar o glúten da sua alimentação por um tempo e ver como o seu corpo reage. Como o glúten não tem nenhum valor nutricional (é uma proteína, certo, mas não é uma proteína indispensável), você não corre absolutamente nenhum risco de desenvolver uma carência ao diminuir o seu consumo ou retirá-lo totalmente da dieta. Ou seja, você não tem nada a perder e pode descobrir a chave pra aliviar alguns sintomas que talvez estejam te perturbando há tempos. Ao fazer essa experiência percebi que, embora não seja intolerante ao glúten, meu organismo fica mais feliz sem ele. Quando como muito pão ou macarrão minha barriga incha e a digestão fica mais lenta. O que não me fez excluir pra sempre esses alimentos da dieta. Adoro degustar um bom pão, mas hoje consumo pães e massas com moderação.

aveiacópia

tapioca três grãoscópia

“Roubar do trigo o milagre do pão…”

Se você leu até aqui deve estar pensando: “Mas há milênios transformamos o trigo em pão e a humanidade viveu muito bem com ele até começarem a falar mal do glúten e aparecer intolerâncias por todos os lados.” A resposta tem duas partes. Primeiro de tudo o pão que comemos hoje é um alimento completamente diferente do que era consumido pelos nossos antepassados (pode ter certeza que aquele pão na Santa Ceia NÃO era um pãozinho francês feito com farinha refinada).  Farinha branca é uma invenção moderna e o pão que nos alimentou durante quase toda a nossa história era feito com farinha de cereais integrais, com todos os nutrientes preservados, e passava por um longo processo de fermentação natural, que o deixava mais digesto e nutritivo.  E não foi só isso que mudou: o trigo também não é mais o mesmo. Isso mesmo, o trigo cultivado hoje foi selecionado/modificado pra ter mais glúten, o que o torna mais interessante pra indústria alimentícia e mais rentável pra quem o cultiva. Quem saiu perdendo foi o nosso estômago, pois é muito mais difícil digerir o trigo moderno do que as variedades antigas.

upma

Bom senso é fundamental 

Antes de me acusarem de liderar a cruzada do extremismo alimentar, aqui vai uma informação importante. A maioria dos alimentos com glúten que ingerimos hoje são industrializados (biscoitos, bolachas, cereais matinais, bolos e afins) e contêm uma infinidade de ingredientes artificiais e nocivos (corantes, conservantes, muito açúcar, muita gordura…). Por isso o glúten não é o único malvado da história. Ao retirar os alimentos industrializados da dieta as pessoas se sentem melhor, mas é porque além do glúten elas eliminaram também os produtos químicos/artificiais que o acompanhavam. A mesma coisa é válida pro pão. Se você se sentir pesadão, lento e inchado depois de comer um cestinho de pão branco, o fato de ter ingerido uma quantidade importante de carboidrato refinado, sem fibras e sem nutrientes, tem muito a ver com isso. O glúten não é o único culpado do seu mal estar. Se você comer um pedaço de pão 100% integral, feito com fermento natural e talvez umas sementinhas (como esse aqui), a reação no seu corpo provavelmente não será a mesma. A menos, claro, que você tenha alguma sensibilidade ou intolerância ao glúten.

salada de arroz castanho com grão de bico e abóbora

E pra terminar a discussão, outro aviso importante: nem tudo que vem com a etiqueta ‘sem glúten’ é saudável. Assim como nem tudo que é sem açúcar (diet) é saudável. Alimentos industrializados que não contêm glúten também podem usar ingredientes altamente processados e artificiais, então você só estará substituindo um produto industrializado por outro. Ao invés de simplesmente substituir um produto industrializado com glúten por outro sem glúten, o ideal seria trocar alimentos industrializados por comida de verdade, natural e feita em casa.

Conclusão

Sem querer demonizar o glúten, retirá-lo da dieta por um tempo vai te dar a oportunidade de ver como o seu organismo reage à essa proteína e pode até aliviar alguns problemas de saúde que você nem imaginava estarem ligados à alimentação. O impacto na sua saúde será ainda maior se você evitar a armadilha de substituir produtos industrializados com glúten por produtos industrializados sem glúten e optar por alimentos naturais e integrais. Mas a mensagem principal desse post é simples: diminua o consumo de trigo, principalmente de alimentos industrializados à base de farinha de trigo. E lembre que um alimento não se torna automaticamente saudável só porque tem farinha de trigo integral na sua composição (e não esqueça de ler a lista de ingredientes pra ter certeza que ele foi feito com farinha integral de verdade). Inclua regularmente outros cereais na sua dieta, como aveia, milho, cevada, centeio, arroz, quinoa e amaranto, e você oferecerá mais nutrientes pro seu organismo e mais prazer pras suas papilas.

pancakes banana coco3

*Pra inspirar, aqui vão algumas receitas feitas com outros cereais (na ordem em que as fotos apareceram): polenta de milho fresco com molho de berinjela, salada de feijão e milho, salada de quinoa e feijão preto com vinagrete de laranja, sopa de feijão branco e amaranto, aveia dormida com chia e amêndoas, tapioca três grãos, quase upma, salada de arroz castanho com grão de bico e abóbora e pancake de banana e coco.

Eu sou uma grande fã da alimentação crudívora. Ter descoberto esse tipo de culinária estimulou minha criatividade gastronômica e revolucionou a maneira como preparo sobremesas. Sem querer entrar na questão da suposta superioridade nutritiva desse tipo de culinária versus culinária onde os alimentos são cozinhados, incluir vegetais crus na nossa alimentação diária traz inúmeros benefícios pra saúde. E uma das maneiras mais simples de incluir vegetais crus na nossa alimentação é através de saladas. O que nos leva à dica desse mês do Guia Papacapim de Alimentação Saudável:

Coma uma salada crua por dia

(Perdeu alguma dica? Aqui está a lista dos posts anteriores: Coma comida de verdade, Saiba decifrar embalagens de produtos industrializados, Retire o açúcar do seu dia a dia, Reduza o consumo de produtos de origem animal pela metade, Faça do feijão presença obrigatória na sua alimentação diária, Transforme o seu café da manhã)

Aquela folhinha de alface coberta com duas fatias de tomate no canto do prato não é a minha definição de salada. Pra aproveitar os benefícios que o maravilho mundo dos vegetais tem a oferecer, sugiro que você aumente consideravelmente o tamanho da sua salada e inclua uma variedade maior de vegetais.  Em casa gosto de encher uma saladeira média, se estiver comendo acompanhada, ou uma tigela menor, se estiver comendo sozinha. Uma dica útil é usar um prato de sobremesa, ou uma tigela pequena, só pra salada e um prato maior pro resto da refeição. Assim você não corre o risco de encher o prato de arroz e acabar sem espaço pros vegetais crus.

Comendo uma salada crua por dia você aumenta automaticamente a quantidade de fibras do seu cardápio. Uma salada composta de ½ xícara de cenoura ralada, ½ xícara de repolho picado, ½ xícara de abacate e uma maçã cortada em palitos tem 12g de fibra. Pra fazer uma comparação, duas fatias de pão 100% integral (Plus Vita) têm apenas 4,3g de fibra. Entenda porque fibras são tão importantes e descubra onde encontrá-las nesse post.

Outra vantagem de ingerir vegetais crus: as vitaminas que seriam parcialmente destruídas durante o cozimento são preservadas. Entre as vitaminas sensíveis ao calor está a vitamina C, que além de ser um poderoso antioxidante melhora a absorção do ferro vegetal (não heme). Ou seja, a salada vai te ajudar a aproveitar melhor o ferro do feijão.

Escuto muito as pessoas dizerem que gostariam de comer mais vegetais, mas na maioria dos casos esse desejo nunca é colocado em prática. Descobri que a maneira mais eficaz de ter uma alimentação saudável é criando hábitos saudáveis. Quando você cria o hábito de comer uma salada crua todos os dias, por exemplo, você passa a agir sem ver a ação como um esforço consciente. Trocando em miúdos, aquilo que antes parecia difícil se torna natural. E isso é válido pra quase tudo.

Pra que as saladas comecem a aparecer na sua mesa diariamente e se tornem um hábito aqui vão algumas dicas:

 -Não deixe faltar vegetais na sua cozinha. Se você for bombardeado(a) com uma explosão de cores sempre que abrir a geladeira se sentirá inspirado pra criar deliciosas saladas, diariamente. Melhor ainda: ter uma abundância de vegetais em casa vai te obrigar a preparar saladas diariamente, se não quiser que eles se estraguem.

-Quando chegar da feira/supermercado não deixe seus vegetais murchando na pia ou no chão da cozinha. Guarde-os imediatamente na geladeira (alguns vegetais, como cebola e alho, não precisam ser refrigerados) e tente mantê-los visíveis. É fácil esquecer o pé de alface e deixar o coitadinho se estragar se ele estiver escondido atrás de outros alimentos.

-Lave as folhas (alface, rúcula, couve, espinafre…) e guarde tudo enrolado em um pano de prato úmido, dentro de um recipiente de plástico (ou de um saco plástico) grande. Assim elas ficarão fresquinhas por muito mais tempo e você ganhará tempo na hora de prepará-las.

-Salada crua é muito mais do que o trio tomate-pepino-alface. A quantidade de legumes que podem ser degustados crus é muito grande: beterraba, cenoura, pimentão, repolho, abobrinha, espinafre, couve, aipo, acelga, funcho (erva-doce), rabanete… Pra variar ainda mais os sabores, pense em incluir frutas em suas saladas. Abacate, maçã e pera são algumas das minhas preferidas.

-Na hora de compor suas saladas, esqueça os enlatados (milho, ervilha, palmito…). Prefira vegetais frescos e, se possível, orgânicos.

-Aquela história de que quanto mais colorido o prato, melhor, é verdade. Mas não precisa usar 10 vegetais diferentes e repetir essa mesma combinação todos os dias. Pra que suas saladas não fiquem monótonas, use um número menor de vegetais e varie as combinações. Eu geralmente uso três vegetais nas saladas do dia a dia, assim posso comer uma salada diferente cada dia da semana.

-É muito bom ter hábitos saudáveis, mas eles só vão durar se também forem uma fonte de prazer. Deixe suas saladas mais saborosas com molhos caprichados. Minha vinagrete básica é composta de 1 parte de vinagre balsâmico + 2 partes de azeite + um pouquinho de mostarda de Dijon + sal, pimenta do reino e uma pitada de ervas finas desidratadas.  Azeite realça o sabor dos vegetais e também ajuda na assimilação de vitaminas (algumas vitaminas são lipossolúveis, ou seja, precisam de gordura pra se dissolver). Um molho saboroso é capaz de transformar aquele monte de vegetais em algo verdadeiramente suculento.

-Deixe sua salada ainda mais nutritiva e saborosa acrescentando um punhado de oleaginosas (castanhas, amêndoas, sementes de girassol, sementes de abóbora, linhaça…). Meu mix de sementes é saboroso e vitaminado e pode ser preparado com antecedência e usado durante toda a semana.

salada de melancia

Incluir um prato de salada no seu cardápio diário pode até parecer difícil no início, mas garanto que quando isso se tornar um hábito você vai sentir o seu corpo pedir vegetais crus todos os dias. Nosso organismo não é bobo e depois de se acostumar a ter uma dose diária de vitaminas e minerais oferecida por vegetais frescos, difícil vai ser viver sem salada!

Um pouco de inspiração (na ordem de aparição das fotos): Salada de rúcula e morango com redução de vinagre balsâmicoSalada de funcho e toranja, Salada de repolho roxo, beterraba e maçã com molho de tahina, Salada de espinafre com abacate e tomate e Salada de melancia com azeitona. Mais receitas de saladas especiais, com ingredientes crus e cozidos, na página de receitas do blog. E ainda tem esse post imperdível, que vai revolucionar suas saladas: Anatomia de uma salada.